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As flores da misericórdia

por Teresa Power, em 12.02.16

- Mãe, faz um sacrifício e deixa-nos fazer tintas!

Estou quase a responder que não, quando me dou conta de que é mesmo um sacrifício deixá-los trabalhar com tintas, brilhantes, pinceis, papeis, colas e afins, tudo espalhado na toalha de plástico sobre a mesa da cozinha, sobre o chão, sobre as paredes, sobre o teto; e finalmente, quando se cansam e se vão embora, depois de distribuirem os desenhos molhados por todas as superfícies planas para que sequem, sobra para mim...

- Bem, eu deixo, porque está a chover lá fora e há poucas alternativas... Mas depois arrumam tudo!

Arrumam, claro, embora não "tudo", nem sequer "quase tudo". Suspiro e tento um sorriso. Tenho direito a oferecer uma flor no Canto de Oração. E eles sabem disso.

Com o início da Quaresma, duplicam os nossos esforços por oferecer ao Senhor pequenos sacrifícios, pequenos gestos de generosidade e, neste ano especialmente, pequenas obras de misericórdia.

- Mãe, eu consolei a Sara que estava a chorar - Diz-me o António, triunfante, com uma Sara sorridente pela mão.

- Mãe, eu barrei o pão da Sara porque ela não conseguia. Dei de comer a quem tinha fome! - Afirma a Lúcia.

- Eu deixei o António escolher o jogo, e fiquei a contar em vez de me esconder, como preferia - Proclama o David.

- E eu cortei as flores todas em papel para vocês oferecerem - Diz a Clarinha, assertiva.

- Eu, bem, eu evitei entrar na cozinha durante toda a tarde em que a Clarinha fez os bolos para a festa do António, para não cair na tentação da gulodice em quarta-feira de cinzas - Sorri o Francisco, piscando o olho à irmã.

Todos multiplicam "coisas bonitas para Deus" (something beautiful for God), como a Madre Teresa gostava de dizer. Depois, ao serão, durante a nossa oração familiar, os mais novos colam no Canto de Oração uma pequena flor de papel de lustro. Quando chegar a Páscoa, os nossos desertos estarão plenamente floridos.

 

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  "Então o deserto e a terra árida alegrar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio, ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano ser-lhe-á dada, o esplendor do Carmelo e de Saron..." (Is 35, 1-2)

 

Ah, a primavera depois do inverno, a alegria depois do sacrifício, a felicidade depois do sofrimento, a Ressurreição depois da Cruz... Que belo final para o caminho de renúncia, generosidade e penitência que a Quaresma nos oferece!

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S. José e a alegria da renúncia

por Teresa Power, em 19.03.15

Hoje é dia de S. José. Cá em casa, a expetativa era grande, construída num crescendo ao longo de todo o mês: hoje de manhã o dia deveria começar com uma pequena festinha no Centro Social, onde o Niall, no meio de muitos outros pais, iria escutar o António e a Sara, no meio de muitos outros meninos, a cantar, a rezar e a festejar S. José. Depois receberia a sua prendinha, preparada pelos filhos com amor. Tudo isto seria logo pelas nove horas, para não atrasar o dia de trabalho dos pais. O António ansiava pelo momento:

- Mamã, posso cantar-te a canção do pai? Mas não digas nada ao papá, que é para ser surpresa!

Foi assim que eu fiquei a saber como era a linda canção. Cúmplice, prometi-lhe que não iria contar nada ao papá, e repeti-lhe que o papá iria adorar escutá-lo.

Mas o papá não vai poder estar na festinha. Ontem recebeu uma convocatória para uma reunião importantíssima, a que não pode faltar de maneira nenhuma, porque é uma reunião extraordinária na Reitoria. E a reunião está marcada para as nove horas em ponto... Sim, as nove horas em ponto do dia do Pai! Pela primeira vez em quinze anos, o Niall não estará presente na Festa do Pai dos meninos.

Tanto eu como o Niall já faltámos a vários compromissos de trabalho e fizemos muito malabarismo com várias "bolas" no ar por causa dos nossos filhos; mas nem sempre é possível, e quando de todo não é, precisamos de aprender a desdramatizar, e de ensinar a desdramatizar: como tudo na vida, também estes momentos passarão, pois só o amor permanece... Triste, o Niall tentou explicar à Sara e ao António que não vai poder estar na festinha, mas que vai estar com eles no coração, e que à noite a festa cá em casa será a dobrar. O António aceitou com simplicidade, e a Sara continuou a brincar.

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S. José é um santo muito especial. Ele foi tão importante na vida de Jesus, que as pessoas identificavam Jesus como "o filho do carpinteiro", como nos recordou o senhor bispo no nosso retiro de Famílias de Caná. S. José é modelo de pai, de trabalhador, de cristão. Mas a santidade de José foi toda feita de renúncia, e é por isso que se torna tão bela. Escreveu Hans Urs von Balthasar:

"José atravessa o limiar do Novo Testamento apenas como alguém que renuncia." (Maria, a Primeira Igreja)

José viveu renunciando, renunciando, renunciando. Renunciou ao sonho de ser pai segundo a carne; renunciou ao sonho de ver o Menino Jesus nascer na sua casa e adormecer no berço que, com tanto cuidado, certamente preparara para Ele; renunciou ao sonho de trabalhar e viver na sua terra, para viver alguns anos como emigrante e refugiado; por fim, renunciou ao sonho de ver Jesus partir para a sua vida de pregação, anunciando o Reino de Deus. O Evangelho, na verdade, dá-nos a entender que José terá morrido antes de Jesus sair de casa, e portanto, antes de ver cumpridas as profecias que envolviam a vida do seu querido filho. Mas foi precisamente no meio da sua constante renúncia que José experimentou a alegria infinita de viver lado a lado com Jesus...  Que mistério!

 

O António e a Sara vão fazer a sua festa, renunciando à alegria da presença do pai; o Niall vai fazer a sua reunião, renunciando à alegria de estar presente na festa dos filhos. E os três irão dar imensa alegria a Deus, porque irão ser capazes de oferecer a sua pequena renúncia, em união com as pequenas e as grandes renúncias de S. José, para que o Reino de Deus cresça no mundo.

 

"Quem quiser  seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me.

Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de Mim, esse salva-la-á." (Lc 9, 23-24)

 

S. José, rogai por nós!

 

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