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"Santo subito"

por Teresa Power, em 20.04.16

Quatro e meia da tarde. À porta do Colégio, aguardo que os meus filhos saiam das salas de aula e entrem no carro. O António e a Sara, que frequentam a pré-escola, já estão a meu lado, de mãos dadas comigo. Como sempre, a Lúcia é a última a chegar. Segundo me explicou a Clarinha - responsável por recolher os irmãos dispersos... - a Lúcia esquece-se sistematicamente de se dirigir para o portão da escola no fim do dia, tão ocupada está a brincar com as suas amigas. Assim, hoje, antes de abraçar a minha "ovelha perdida", sou brindada com uma interessante conversa com uma sua amiga, também ela à espera do pai, ao portão da escola:

- És a mãe da Lúcia?

- Sou sim!

- Ah, és tão velhinha!

 

A amiga da Lúcia originou boas gargalhadas lá em casa, sentados à mesa, à hora de jantar.

- Mamã, não és nada velhinha - Defendia-me o David, sempre muito cuidadoso com os outros - A Leonor disse isso por causa dos teus cabelos brancos. Sabes, tens alguns cabelos brancos!

Eu sei, claro. Nunca me maquilhei nem nunca pintei o cabelo (não por qualquer razão específica, descansem, apenas por feitio), por isso é natural que ele esteja mais branco do que o da maioria das mamãs.

- E se calhar és mais velha do que a mãe dela - Atalhava o António - Na minha escola, as mamãs costumam ser mais novas do que tu!

Isso eu também sei: há quinze anos que vou buscar crianças à mesma pré-escola, dia após dia, ano após ano. Durante estes quinze anos, já vi passar pela pré-escola muitas gerações de pais, e de todos eles, apenas eu continuo, teimosa, fiel, no mesmo sítio, como uma aluna repetente. É o que faz ser mãe de uma família numerosa...

Mas o comentário da Leonor fez-me pensar neste grande dom que Deus nos faz ao oferecer-nos o tempo.

A vida na Terra passa muito depressa. Um ano, vinte anos, cem anos - que é isso, comparado com a eternidade? A cada um de nós é-nos concedido apenas algum tempo, sempre muito curto, para prepararmos a nossa eternidade. A Jacinta de Fátima tornou-se santa em dez curtos anos de vida, e Chiara Badano, em dezoito... Outros santos precisaram de muitos mais anos, convertendo o seu coração ao Senhor depois de uma juventude desbaratada, como Agostinho e Francisco de Assis, ou até num último momento, como o Bom Ladrão crucificado ao lado de Jesus. Penso ainda nos mártires dos nossos dias, prontos para celebrar as Bodas do Cordeiro a qualquer idade, de um momento para o outro, entrando solenemente no céu pela Porta Santa do Sangue de Jesus... Há santos que o Senhor leva para Casa assim que conquistam a santidade, como Domingos Sávio ou Pier Giorgio Frassatti; e santos que o Senhor deixa na Terra por longo tempo, a fim de cumprirem a sua missão, como a Madre Teresa de Calcutá ou a Irmã Lúcia. Alguns santos partem para a eternidade deixando uma obra completa atrás de si, como Chiara Lubich e João Paulo II; outros partem de coração apertado, porque sabem que vão fazer muita falta a quem fica: Joana Molla, Chiara Petrillo, Zélia Martin - mães de família que, pela sua morte prematura, deixam crianças pequeninas e maridos em sofrimento. Mas diante do Senhor, que nos julga somente pelo amor, também a sua obra foi completa. Oh, se foi!

Escreveu S. Paulo:

 

"Para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. Se, entretanto, eu viver corporalmente, isso permitirá que dê fruto a obra que realizo. Que escolher então? Não sei. Estou pressionado dos dois lados: tenho o desejo de partir e estar com Cristo, já que isso seria muitíssimo melhor; mas continuar a viver é mais necessário por causa de vós.(Fl 1, 21-24)

 

Também eu vivo nesta tensão entre a vontade imensa de chegar a Casa o quanto antes - tenho grandes expetativas em relação ao Céu! - e a vontade imensa de cumprir o meu dever aqui na Terra, junto da minha família e de todos os que ainda precisam de mim, completando a obra que o Senhor me entregou. Talvez eu não chegue ao fim do dia de hoje... Ou talvez eu ainda esteja apenas a metade da minha vida na Terra. Só Deus sabe. Que triste seria se, no momento da morte, não estivesse preparada, vestida com o traje nupcial! É urgente ser santo, aqui e agora, já. "Santo Subito", como diziam os cartazes no funeral de S. João Paulo II...

"Ah, és tão velhinha!" Sim, Leonor, já passaram quarenta e três anos desde que me foi oferecido o dom da vida. Quando se é pequenino como tu, quarenta e três anos é muito, muito tempo... Mas ainda não foi tempo suficiente para me converter e me santificar, acreditas? Por isso, hoje, do alto dos meus cabelos brancos, quero agradecer ao Senhor cada nova manhã, cada nova graça, neste caminho tão curto que separa o meu nascimento na Terra do meu nascimento no Céu... Ámen!

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Os quinze anos e as águas profundas

por Teresa Power, em 14.03.16

Há nos quinze anos uma beleza escondida, uma luminosidade especial. Quinze anos! Quinze anos... A infância ficou definitivamente para trás, mas ainda não está definido aquilo que iremos ser... O corpo, a mente e o espírito despertam para realidades novas, e aos quinze anos já estamos a caminho das águas profundas de que nos fala o Evangelho:

 

"Faz-te ao largo e lança as tuas redes para a pesca." (Lc 5, 4)

 

A Clarinha já se fez ao largo, e há uns tempos que navega em águas profundas. Sem perder a transparência e a inocência da sua infância feliz, a Clarinha cresceu. Observo-a quando toma conta dos irmãos por sua livre vontade, contando-lhes histórias, ensinando passos de ginástica à Lúcia e à Sara, ajudando-os a vestir ou a tomar banho. Observo-a quando se oferece para me ajudar com a lida da casa, se repara que estou mesmo muito cansada, ou dobra meias enquanto rezamos o terço. Observo-a quando controla a vontade de me responder mal, mordendo os lábios para não dizer o que sabe que não deve, ou quando chora no meu ombro, pedindo desculpa depois de se ter excedido, ou ainda quando me perdoa, sorrindo, se por acaso fui eu quem se excedeu. Observo-a quando ri à gargalhada com o Francisco, conversando no quarto do irmão sobre coisas que só os dois partilham. Observo-a sentada à sua secretária, livros abertos com determinação, disposta a melhorar a cada dia os seus resultados escolares. Observo-a quando patina ao desafio com os irmãos, à volta da casa, numa velocidade estonteante. Observo-a de tablet na mão e auriculares nos ouvidos, visionando competições de ginástica e concursos de dança, ou conversando online com as primas e as amigas. Observo-a ao serão, no Canto de Oração, rezando concentrada.

Escrevo este post na manhã de sábado. A Clarinha está na cozinha a fazer a pizza para o almoço. Enquanto mistura os ingredientes e espera que o molho de tomate fique pronto, vai cantando, cantando, cantando, atingindo as notas mais agudas sem qualquer esforço.

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 Ao cantar, a Clarinha alterna com naturalidade entre as canções pop da moda e as canções de Danielle Rose, uma cantora católica americana que descobriu no blogue da Marisa. "The Saint That is Just Me" é uma das suas canções preferidas, e ela canta-a de cor, com voz forte. Ao serão, também a costuma tocar na guitarra ou no bandolim, sentada em frente da lareira. Como Danielle, a Clarinha já intuiu que Deus nos chama à santidade, e que o caminho de santidade de cada um é único, irrepetível e insubstituível.

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No Retiro em Lordelo, a Clarinha ficou muito tempo de joelhos, durante a adoração, a conversar com Jesus. No fim do dia, enquanto arrumávamos tudo para regressar a casa, a Clarinha voltou a escapulir-se para a igreja e voltou a ajoelhar-se diante de Jesus, para conversar com Ele mais um bocadinho.

"Não consigo imaginar a minha vida sem o Evangelho", diz-me ela de vez em quando. E continua, pensativa: "Como seriam os meus pensamentos? Como ficaria eu quando os testes correm mal, ou quando não consigo fazer um exercício de ginástica? Sem Jesus, acho que nada na minha vida faria sentido!" Este ano letivo não tem sido fácil para a Clarinha, que tem passado muitas horas a estudar matérias difíceis, e muitas outras horas a tomar decisões também difíceis, como se devem recordar (e como contei aquiaqui e aqui). A adolescência nunca é fácil, não é verdade? Mas todos os dias, ao serão, lemos em conjunto a Palavra de Deus, que a Igreja oferece na missa diária. Acredito que, mais do que os meus esforços como mãe, é esta Palavra partilhada, mastigada, contemplada, que dá à Clarinha a confiança para viver cada dia com alegria e simplicidade.

De facto, a cada dia que passa, a minha missão educativa vai diminuindo, e a missão educativa do próprio Jesus vai crescendo... É por isso que é tão importante - sobretudo quando se têm filhos adolescentes - meditar as Escrituras em família, proclamando não as nossas palavras educativas, mas as de Deus. João Batista sintetizou num único versículo o essencial da missão educativa cristã:

 

"É preciso que eu diminua para que Ele cresça." (Jo 3, 30)

 

Ser mãe da Clarinha há quinze anos tem sido para mim um enorme privilégio, e todos os dias agradeço a Deus ter-me oferecido esta filha e os seus irmãos para com eles partilhar a vida.

Senhor, à medida que a minha influência maternal for diminuindo na vida da Clarinha, aumenta, Te peço, a tua! Que ela navegue em águas cada vez mais profundas e seja santa, a santa que só ela pode ser...

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E hoje que fazes quinze anos... PARABÉNS, QUERIDA FILHA!

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O passarinho e a porta estreita

por Teresa Power, em 04.11.15

Solenidade de Todos os Santos. A missa é verdadeiramente festiva e solene, com direito a incenso e a procissão de entrada. Ao microfone, canto a plenos pulmões a alegria dos santos no céu. 

É então que me apercebo de um leve bater de asas por sobre a minha cabeça: levantando os olhos, vejo um pequeno passarinho, muito assustado, esvoaçando sem parar. Como terá ele entrado na igreja? Certamente terá encontrado a porta principal - larga, espaçosa - aberta... Mas agora a porta já está fechada, a missa vai começar, e a pobre avezinha não tem como sair para o céu azul.

Durante toda a Eucaristia, o passarinho esvoaça no santuário, triste prisioneiro entre quatro paredes de pedra. Os vitrais podem ser belíssimos, a música animada, mas ele não está minimamente interessado: o seu único intento é encontrar a saída para a sua liberdade e o seu céu...

Finalmente, a missa termina. A porta principal do santuário continua fechada, mas as portas laterais, mais estreitas, abrem-se para as pessoas passarem, e no meio da confusão, deixo de ver o passarinho. Certamente aproveitou o abrir da porta para também ele sair... Afinal, mesmo aflito, conseguiu passar pela porta estreita que conduz à liberdade, tão diferente da porta larga e espaçosa que o fez prisioneiro, uma hora antes. Já diz o Evangelho:

 

 "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. Mas estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida, e como são poucos os que o encontram!" (Mt 7, 13-14)

 

Durante a eucaristia, dei comigo várias vezes a meditar neste mistério. Também eu me sinto muitas e muitas vezes como um passarinho prisioneiro numa gaiola dourada. Que me interessam todas as coisas da Terra? Que me importam todas as honras dos homens? A única coisa que realmente me atrai é o Céu... Disse Santo Agostinho: "Criaste-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Vós." Como é verdade!

Ah, possa eu sempre encontrar a porta estreita que me leva a Deus, como os santos que neste dia celebrávamos, e que vivem agora tão felizes, tão felizes, tão imensamente felizes...

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 Amen!

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Comunhão dos santos

por Teresa Power, em 03.11.15

A grande festa de Todos os Santos é para nós também a grande festa do Tomás. Na verdade, o Tomás é santo e festeja no céu a alegria dos Filhos de Deus. Que grande honra para nós, termos um filho que já alcançou a felicidade eterna! Tão pequenino, e já na posse do Reino... É um mistério que nos enche de espanto.

O túmulo do Tomás não está em Mogofores, mas na Gafanha da Encarnação, onde nós vivíamos na altura. De vez em quando, o Niall visita-o à hora de almoço, pois a Gafanha fica entre Aveiro e a praia, e a brisa suave por entre os pinheiros é um ótimo antídoto para o stress diário do Niall no seu local de trabalho. Mas eu raramente tenho oportunidade de ir ao cemitério.

Num dia do verão passado, a caminho da praia, visitei com os meninos o túmulo do Tomás. Não havia ninguém, cheirava a maresia e nós estávamos muito felizes. Esta fotografia foi tirada então:

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Nestes dias santos não sinto necessidade de visitar o túmulo do Tomás. A festa de Todos os Santos faz-me mergulhar de tal forma na felicidade do Céu, na alegria dos santos, na festa dançante do Reino, que me custa olhar para a pedra fria e imaginar o caixãozinho branco que vi descer numa grande cova, naquele dia longínquo de 2006. Geralmente, é a minha mãe que visita o túmulo nesta altura para o adornar de flores frescas e para colocar nele uma velinha.

Este ano, como já tem acontecido nos últimos anos, a minha mãe chegou ao túmulo e viu-o perfeitamente limpo e arranjado, com flores lindíssimas. Telefonou-me e imediato. Quem será que, ano após ano, toma a seu cargo esta doce e nobre tarefa, sem ninguém lhe pedir? Antigos vizinhos? Velhos amigos? Não sabemos. Mas já hoje pedi ao Senhor a sua bênção sobre esta pessoa generosa, que no silêncio nos dá tão doce alegria. Ela vive a bem-aventurança do Evangelho:

 

"Quando deres esmola, não saiba a tua mão direita o que fez a esquerda, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e o teu Pai, que vê o que está escondido, não te deixará sem recompensa." (Mt 6, 3-4)

 

Quanto a mim, festejei a vida e a santidade do meu filho da forma habitual: durante a Eucaristia, quando o sacerdote iniciou a grande oração eucarística, eu soube com toda a certeza que o Tomás estava ali, diante do altar, com o seu olhar azul e o seu sorriso límpido, louvando e adorando comigo Jesus-Eucaristia. E quando o senhor padre rezou: "com todos os anjos e santos, cantamos a uma só voz..." eu cantei a uma só voz com ele. É o maravilhoso mistério da comunhão dos santos, que faz de todos nós, vivos e defuntos, uma única família. Nós pensamos que o céu fica lá longe, e ele está tão próximo... Não foi Jesus quem o disse?

 

"O Reino de Deus está próximo!" (Mc 1, 15)

 

Scott-Hahn, autor americano que vivamente recomendo, interpreta assim esta frase, no seu magnífico livro The Lamb's Supper: "Sim, o Reino de Deus está próximo: tão próximo quanto a igreja paroquial mais perto de ti." E continua: "Nós vamos ao céu - não só quando morremos, mas sempre que vamos à missa."

Tomás, que todos os domingos te juntas a nós diante do altar, reza pela tua família! Ámen.

 

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publicado às 06:00

A nossa festa de Todos os Santos

por Teresa Power, em 02.11.15

- Meninos, meninos, hoje é o dia da nossa grande festa!

- Festa do pijama?

Gargalhadas:

- Bem, Sara, acho que sim, que será uma festa de pijama...

- ... mas não do pijama! É a festa dos Santos, não é, mãe?

- Sim, claro! Como todos os anos! Vamos preparar-nos.

- Eu vou fazer bolinhos!

- Boa, Clarinha. Quem ajuda?

- Eu! Eu!

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Durante toda a tarde de sábado dia 31, depois da catequese, os meninos vão preparando a festa desta grande noite de Véspera de Todos os Santos. 

Chega a noite. Da cozinha vem um cheirinho delicioso - ter filhas que gostam de fazer bolos é uma grande bênção! Entretanto, lá fora, o pai acende a churrasqueira à luz das estrelas, com a ajuda do António. Que alegria! Hoje o jantar é especial!

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Está tudo pronto. Podemos começar a festa? Vamos começar! 

- Mãe Sara, a senhora já está vestida?

A Sara está linda, com o seu vestido de princesa. Afinal, a mulher de Abraão é a grande matriarca do povo de Deus! Sara está à porta da sua casa, com "Abraão". Lá fora, na noite, três "anjos disfarçados" aproximam-se e dão a "Abraão" a grande notícia:

 

"'Passarei novamente pela tua casa dentro de um ano, nesta mesma época; e Sara, tua mulher, terá já um filho' Ora Sara estava a escutar à entrada da tenda, mesmo por detrás de Abraão. Abraão e Sara eram já velhos e Sara já não estava em idade de ter filhos. Sara riu-se consigo mesma." (Gn 17, 10-11)

 

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- Sara, agora tens de rir! - Segreda-lhe o Francisco. A Sara dá uma grande gargalhada, e logo um dos "anjos" lhe coloca nos braços o seu "Isaac". A voz da "narradora" continua a contar:

 

"Sara disse: 'Deus concedeu-me uma alegria, e todos quantos o souberem, alegrar-se-ão comigo." (Gn 21, 6)

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- Viva a Sara! Viva a Mãe Sara! Olhem para as estrelas, se as conseguirem contar! Assim serão os descendentes de Abraão e Sara, até aos dias de hoje, e mais, e mais... Como Deus é grande!

 

A mesa está posta, a sopa servida, o churrasco pronto. Entramos em casa para continuarmos a nossa festa, tagarelando alegremente e partilhando uma magnífica refeição. Para terminar, claro, os bolinhos da Clarinha e alguns marshmallows, que parecem saidos da infância irlandesa do Niall.

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Que delícia! E agora? Agora é correr para a garagem! Há amendoins para todos:

 

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 E há um magnífico jogo à espera!

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 Ena, tantas gargalhadas! Bem, para comer mesmo a maçã, e depois de muitas tentativas falhadas, tem de ser assim:

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 - Agora mais um jogo! - Anuncia o Niall, para quem a noite de hoje traz belíssimas recordações de infância - O desafio é conseguir chegar de um lado ao outro da carpete, empurrando uma noz com... o nariz! Prontos?

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No meio de tanta animação, é difícil empurrar a noz, mas ninguém desiste. A Sara é a última a chegar, mas a primeira na alegria!

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 E finalmente, acendemos as velas do Canto de Oração. Chegou a hora da Palavra, que hoje é diferente: à vez, cada um dos meninos irá contar a história do seu santo padroeiro. Todos correm a preparar os últimos detalhes. Ora digam lá se os quatro mais novos não estão vestidos a rigor (mesmo que sob os disfarces tenham os pijamas, ou não fosse esta uma festa de pijama...):

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 O Francisco é o primeiro a contar a sua história. Pelo meio, presenteia-nos com um truque de ilusionismo, fazendo surgir do nada o crucifixo de S. Damião:

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 A Clarinha fala-nos de Santa Clara, e conta aos irmãos o episódio que faz de Clara a padroeira da televisão. A conclusão do David é que ver televisão homenageia santa Clara, e portanto, nós devíamos ver mais. Gargalhadas...

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 O David narra com precisão o episódio em que o pastorinho David vence o gigante Golias. Os irmãos escutam muito atentos.

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 A Lúcia não quer contar a história da Irmã Lúcia, mas está disposta a representá-la. Ótimo! A mãe é boa narradora, e a Lúcia demonstra ser muito boa atriz!

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 E o António? Bem, o António está praticamente a dormir no sofá, depois de tantas histórias... Resta-nos contar entre nós o episódio em que Santo António prega aos peixinhos. Sentimo-nos um bocadinho como ele em relação ao nosso António :)

O dia chega ao fim. A beleza desta noite santa preenche todos os espaços vazios das nossas almas e alimenta a nossa fome de amor. Tudo nos fala de alegria, de paz, de santidade, de Deus. A noite que prepara o grande Dia de Todos os Santos não pode ter vestígios de fealdade ou de escuridão. Nós, cristãos, temos uma longa experiência de cristianização das festas pagãs, a começar pelas próprias festas da Páscoa e do Natal, e o Halloween não deverá ser exceção. No céu, certamente, esta festa é só feita de luz!

As velas estão acesas. Quase a dormir, ainda conseguimos rezar juntos o terço, experimentando um conforto suave na presença uns dos outros. Por fim, invocamos os nossos santos padroeiros, como costume, e prolongamos as invocações, invocando santo após santo até não nos lembrarmos de mais...

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 Um dia, se Deus quiser, também nós faremos parte desta "multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão." (Ap 7, 9)

Ámen!

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Caminho de santidade

por Teresa Power, em 22.10.15

Domingo de manhã. Depois do habitual pequeno-almoço de domingo, começa a correria.

- Mãe, posso levar o vestido novo à missa?

- Mãe, as minhas calças ainda não estão lavadas?

- Clarinha, penteias-me? Faz-me uma trança!

De repente, no meio da azáfama da manhã, corro para o computador.

- Meninos, Niall, venham cá! Quase que me esquecia! Hoje é o dia da canonização dos pais de Santa Teresinha, Luís e Zélia! Como é que podemos ver em direto?

Todos querem ver. O Niall liga o canal do YouTube do Vaticano (sim, o Vaticano tem destas coisas!) e de um momento para o outro, todos estamos lá, em Roma, no meio de uma imensa multidão...

São horas de ir para a missa. Os meninos vão entrando no carro, os mais velhos já impacientes porque vamos chegar tarde ao ensaio do coro. Mas eu espero diante do computador, até ver a pequenina que vai levar as relíquias ao altar. Vai vestida de cor-de-rosa, entre a mãe e o pai. Devia estar morta, mas não está, porque o milagre que provocou a canonização foi o seu milagre... As lágrimas correm-me pela cara, e mal consigo falar. É difícil acreditar que estou a viver um momento assim... O momento da canonização do primeiro casal não-mártir da História, em conjunto!

O sínodo da família tem gerado os mais intensos debates de todos os lados. Os meios de comunicação social ocidentais - sim, porque no oriente as questões não passam sequer perto destes temas - querem saber o que vai acontecer aos recasados e aos homossexuais, e toda a sociedade aguarda com expetativa alguma forma de mudança.

Será que os leigos se deram conta da enorme mudança que teve lugar no domingo, às dez horas da manhã em Itália? Diante de uma imensa multidão e do mundo inteiro, a Igreja afirmou que o matrimónio não é um sacramento de segunda, mas uma verdadeira escola de santidade, uma escola capaz de dar ao mundo famílias de santos. De tal forma o matrimónio é reconhecido como caminho de santidade, que o dia de S. Luís e Santa Zélia Martin não é o dia da sua morte, mas o dia do seu matrimónio, 12 de julho.

Zélia e Luís viveram no século XIX, numa época muito diferente da nossa. Por exemplo, no seu tempo a missa era em latim e as pessoas só comungavam com expressa autorização do seu confessor, nunca diariamente. Mas nem por isso eles viviam longe da Eucaristia! Todos os dias, às cinco e meia da madrugada, eles participavam da missa. Ao ouvirem bater a porta da casa dos Martin, os vizinhos voltavam-se na cama: "Podemos dormir mais um bocado, são cinco da manhã!"

É natural que este tema da Eucaristia vá sendo meditado e aprofundado ao longo da História da Igreja, não a partir do ponto de vista dos "meus direitos", mas a partir de um conhecimento cada vez mais perfeito da misericórdia divina. Eu não sei que mudanças o sínodo trará neste ponto concreto para os divorciados recasados ou para qualquer outro católico, mas sei que o exemplo de Luís e de Zélia já trouxe mudanças grandes na minha vida, ao longo dos anos em que eles me têm acompanhado como leitura assídua, ensinando-me a amar, a desejar e a adorar a Eucaristia cada vez mais profundamente.

As famílias - todas as famílias - são chamadas à santidade. Espero sinceramente que o sínodo nos fale em abundância desta vocação específica da família cristã, e rezo para que, no futuro, muitos outros casais sejam propostos à veneração das famílias católicas como exemplos a imitar, segundo as Palavras de Jesus:

 

"Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu." (Mt 5, 13-16)

 

S. Luís e Santa Zélia Martin, rogai por nós! Ámen.

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O argueiro, a trave e os filhos

por Teresa Power, em 24.09.15

Hora de oração familiar. Junto ao Canto de Oração, lemos as leituras da missa do dia.

 

"E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão." (Lucas 6:41,42)

 

Ainda não acabei de ler, e já as perguntas chovem:

- O que é um argueiro?

- E uma trave?

- Um argueiro é uma coisa pequenina, um grão de poeira, e uma trave é uma coisa grande - Explica o Francisco, solícito.

- Não percebi o que Jesus disse então...

- Quem quer explicar?

A Clarinha aventura-se:

- Quer dizer que, antes de apontarmos os erros dos outros, temos de corrigir os nossos.

- Mas - Intervém o David com ar importante - os pais passam a vida a fazer isso mesmo! Eles zangam-se quando fazemos as coisas erradas, mas eles também fazem coisas más!

O Niall e eu trocamos um sorriso cúmplice. O tema que o David trouxe à nossa discussão não nos é absolutamente nada estranho. Quantas e quantas vezes conversamos entre nós sobre as oportunidades de crescimento que os filhos nos proporcionam!

- David - respondo - Tens toda a razão! Os pais não têm o direito de dizer aos filhos para não gritar, se eles gritam por todo o lado; ou de lhes dizer que não se deve mentir, se eles lhes mentem; ou de os mandar rezar, se não rezam; ou de os obrigar a estudar, se eles fogem às suas obrigações de trabalho!

- Nós sabemos disso - Acrescenta o Niall - E podes ter a certeza, David, que ter seis filhos é uma escola de santidade magnífica! Por vossa causa, para vos podermos educar corretamente, nós sentimo-nos desafiados a corrigir os nossos defeitos.

 

Já depois de os deitarmos, o Niall e eu continuámos a nossa conversa:

- Já pensaste em tudo o que aprendemos graças aos filhos? - Perguntou-me ele.

- Oh, sim! Lembras-te do caos da nossa casa só com um filho? Da nossa insegurança, da nossa incapacidade em atender a várias frentes ao mesmo tempo...

- Nessa altura, também discutíamos por tanta coisa sem importância!

- E perdíamos tanto tempo com futilidades! Ter todos estes filhos obrigou-nos a selecionar muito bem as nossas atividades, leituras, conversas, passatempos...

- Mas talvez o mais importante tenha sido a nossa relação com Deus.

- Sim, foram os nossos filhos que nos desafiaram a construir um Canto de Oração cada vez mais bonito, e sobretudo, foi para os educar na fé que a nossa oração familiar se transformou na rotina maravilhosa que é hoje.

- É verdade... São as suas perguntas, as suas dúvidas, a sua curiosidade que nos lançam na procura das respostas!

- E são eles que, nos dias de maior agitação, nos desafiam: então hoje não rezamos?

- Deus tem formas diferentes de ajudar as pessoas a alcançar a santidade. O sofrimento é uma escola magnífica, o serviço dos outros é outra, a vida sacerdotal ou consagrada outra. A nossa escola é uma família numerosa, que todos os dias nos desinstala, que nos obriga a interromper os nossos trabalhos e o nosso descanso vezes sem fim, que nem sequer nos permite rezar em paz!

- Ninguém se santifica sentado num sofá...

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Santo António

por Teresa Power, em 13.06.15

Hoje é dia do santo padroeiro do António. Cá em casa, a festa vai começar com um pequeno-almoço de panquecas (a receita aqui) e muitas histórias das aventuras deste grande santo português.

E aí em casa? Conhecem histórias de Santo António? Para mostrar aos mais novos, aqui ficam duas: uma contada ontem pelo David, sobre um burro que um dia se ajoelhou diante do ostensório com a Eucaristia...

E a outra contada pelo António, no inverno passado, sobre a pregação aos peixinhos. Para quem não viu o vídeo na altura, aqui fica:

São tantas e tão belas as histórias da vida deste santo! Divirtam-se a contá-las aos mais novos, e a meditar sobre elas com os mais crescidos! Santo António viveu plenamente a profecia de Jesus:

 

"Eis os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem: em meu Nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, pegarão em serpentes com as mãos e, se beberem veneno, não lhes fará mal. Imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados." (Mc 16, 17-18)

 

Santo António, rogai por nós!

 

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publicado às 06:20

A escola das injustiças e o Reino de Deus

por Teresa Power, em 11.06.15

Só quem é professor imagina as angústias que os professores vivem nestes dias de avaliações. Em cada reunião, analisamos os alunos em risco de retenção até à exaustão, fazemos "futurismo", como dizemos na nossa gíria, imaginando o que irá acontecer caso o aluno passe e caso fique retido, recolhemos os bocadinhos de esforço e os restinhos de trabalho demonstrados por alunos mais problemáticos, refletimos, mudamos notas, voltamos atrás, avaliamos o impacto de uma retenção no contexto familiar, contamos pequenas histórias de cada aluno que ajudam a puxar um sorriso, a criar empatia. Um professor nunca é - embora haje quem o pense - indiferente ao destino dos seus alunos, por muito que estes alunos o tenham desafiado e até insultado. As reuniões de avaliação são sempre, para mim, uma grande lição de humanidade.

E no entanto, apesar de todos os esforços, de toda a boa vontade, somos sempre injustos. Porque o João passou, e o José, numa reunião diferente, com um conselho de turma diferente, ficou retido. Porque conseguimos comparar notas, mas não pessoas, histórias de vida, contextos familiares. E esta sensação de termos sido injustos algures durante o caminho insiste em nos acompanhar pela vida.

Nestes dias de avaliações, lembro-me da jovem beata Chiara Badano. Também ela sofreu muito com a escola! Durante a sua adolescência teve inclusive de repetir um ano. Os colegas de Chiara são unânimes a dizer que a Chiara foi vítima de uma enorme injustiça, chumbada num exame para o qual se preparou muito bem, mas avaliada negativamente por uma professora que não gostava dela, num tempo em que as avaliações não eram sujeitas ao controlo dos tempos atuais.

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Terá esta injustiça quebrado a fortaleza de Chiara? Pelo contrário: esta injustiça foi, para a jovem Badano, um trampolim para a santidade. Chiara aproveitou a oportunidade de ter sido injustiçada para crescer no amor fraterno: jamais permitiu que, junto dela, se falasse mal da professora em causa; continuou a cumprimentá-la com o seu sorriso pronto; e ofereceu o o seu sofrimento "a Jesus Abandonado". Chiara entrou na escola, no ano seguinte, de cabeça levantada, tomando lugar na sua nova turma com simplicidade e alegria. A injustiça que sofreu desafiou Chiara a tornar-se santa.

Cá em casa, ouço com alguma frequência os meus filhos a queixar-se de injustiças, quer da parte dos professores, quer dos colegas - porque o trabalho de grupo que não foi bem avaliado, porque o teste que foi demasiado curto ou demasiado extenso, porque o colega fez barulho e não deu para ouvir qual era o trabalho de casa. Que fazer com estas pequenas injustiças (e atenção que não estou a falar de bullying ou de coisas realmente graves)?  Ajudemos os nossos filhos a aproveitar estas oportunidades para crescer em perdão, compreensão, auto-controlo, fraternidade. Não os encorajemos a queixar-se por pequenas coisas - geralmente são mais pequenas do que as imaginamos! Ninguém se torna santo sem sofrer contrariedades. Diz Isaías, profetizando sobre Jesus:

 

"Entreguei as minhas costas aos que me batiam, e as minhas faces aos que me arrancavam a barba; não escondi o rosto aos ultrajes e às cuspidelas. Conservei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei envergonhado." (Is 50, 6-7)

 

Ah, vamos ficar tão surpreendidos quando chegarmos ao céu, e descobrirmos quais os trampolins luminosos que nele nos lançaram...

 

 

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Tempo ganho e tempo desperdiçado II

por Teresa Power, em 30.05.15

Um dia destes, deparei-me com este texto de autor desconhecido (acho eu), circulando pela Internet:

 

Queres saber quanto vale…

Um ano? Pergunta a um estudante que falhou nos exames finais.
Nove meses? Pergunta a uma mulher grávida.
Um mês? Pergunta a uma mãe que deu à luz um bebé prematuro.
Um dia? Pergunta ao editor de um jornal diário.
Uma hora? Pergunta ao casal apaixonado que espera para se encontrar.
Um minuto? Pergunta a alguém que acaba de perder um comboio.
Um segundo? Pergunta a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.
Um milésimo? Pergunta a alguém que ganhou uma medalha de prata nos 100 metros rasos nas Olimpíadas.

 

Como é verdade! Cada milésimo de segundo do nosso dia é importante, e é-nos oferecido por Deus como oportunidade para o amor.

Estava eu absorvida a pensar neste texto, enquanto lavava a louça, quando deparei com a carita da Sara esborrachada contra o vidro da janela da cozinha, do lado de fora, a olhar para mim e a rir-se. Ela sobe para o parapeito da janela puxando uma cadeira do jardim. Basta um segundo, pensei eu, e ela cai redonda no chão... Devagar, para não a assustar, saí da cozinha e agarrei-a com ambas as mãos, colocando-a no chão. Nesse mesmo instante, o António entrou a gritar na cozinha, com o joelho a sangrar, depois de uma brincadeira no jardim. E ainda eu desinfetava o seu joelho, quando o David veio ter comigo com o livro de Estudo do Meio e duas perguntas por responder.

Queres saber o valor de um segundo? Pensava eu... Vem a minha casa naquela a que eu chamo a "hora de ponta"! E de novo, a possibilidade de escolha: posso desperdiçar esta oportunidade, como faço tantas vezes, desatando a gritar que esperem, que não posso atender a todos ao mesmo tempo; ou posso aproveitar esta oportunidade que Deus me oferece para crescer em paciência e eficiência. "Nós, Jesus!" A santidade joga-se em cada segundo da nossa vida, e quem sabe disso, tem o segredo da sabedoria. Diz-nos o Salmo 90/89:

 

"Ensina-nos a contar os nossos dias,

Para podermos chegar ao coração da sabedoria."

 

Ámen!

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