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Uma missa, um site, um piquenique

por Teresa Power, em 27.06.16

Queridos amigos leitores, o site está pronto, com a graça de Deus. E todos podem assistir em direto ao seu lançamento, quer aqui connosco, quer nas vossas casas. Será no domingo, dia 3 de julho, na Eucaristia das 10 h no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, Mogofores. O Santuário tem cobertura de internet e tem projeção de imagem, pelo que no final da Eucaristia, pelas 11h, faremos o lançamento.

Convido para este momento de graça as Famílias de Caná, mas convido também todos os nossos amigos e todos os nossos leitores, com fé ou sem fé, católicos ou evangélicos, cristãos ou ateus. Façam festa connosco! Acompanhem-nos, aqui ou nas vossas casas! Pelas 11h, entrem connosco no site. Depois, os que estiverem connosco no Santuário continuarão a fazer festa no pátio, no meio das brincadeiras das crianças e das conversas dos crescidos, e em seguida partilharemos o almoço na cantina do colégio salesiano, onde está o Santuário. Tragam portanto um piquenique para partilharmos entre nós! Teremos ainda tempo para refletir sobre a nossa caminhada de Famílias de Caná, pois farei um ensinamento no início da tarde. Terminaremos com oração familiar.

Li atentamente todos os comentários que fizeram ao último post. Rezei a partir deles e com eles. E quero dar-vos a minha palavra de que o site é mesmo para todos, Famílias de Caná ou não, pessoas mais religiosas e pessoas menos religiosas. Há tantos e tão variados "menus", que ninguém ficará de fora!

Na página principal, eu continuarei, como sempre fiz, a escrever  para todos, a partir da vida e da Palavra, com a simplicidade e a profundidade deste blogue. Em literatura, sempre recusei ler ou dar a ler aos meus filhos as "obras simplificadas" dos grandes autores clássicos, preferindo ler menos a ler resumos, que matam a letra e o espírito da obra. Assim também com a Palavra de Deus: sempre anunciei e continuarei a anunciar a Palavra na sua integridade, tanto a quem não tem fé, como a quem tem mais fé do que eu. De outra maneira, não sei falar ou escrever.

O desafio que faço pois a todos e a cada um de vós é o mesmo: o desafio da santidade. Cada um responde a ele com os dons e a fé possíveis em cada momento. Nunca falei para um "clube", e as Famílias de Caná são tudo menos um "clube de sócios", porque a sua vocação já foi há muito definida por Jesus:

 

"Ide às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas a todos quantos encontrardes."

(Mt 22, 9)

 

Encontramo-nos domingo, e encontramo-nos sempre que Deus quiser! A todos, a promessa da minha oração e o convite do Senhor: vinde às Bodas!

E antes de fechar definitivamente este blogue, deixo-vos um breve resumo fotográfico dos nossos últimos dias, dos tempos em família que conseguimos encaixar entre exames, festas de final de ano, espetáculos de dança, ginástica e ilusionismo, testemunhos, trabalho no site e arranjos na casa...

Os buracos que o Niall escava no jardim à procura de canalização rota são ótimos para brincar:

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A pizza sai sempre melhor a quatro pares de mãos:

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Ao fim da tarde, nada como um passeio em família:

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E a oração familiar também se faz no meio do campo:

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Às vezes distraímo-nos, e não nos apercebemos de que alguém adormeceu no meio da brincadeira:

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Entretanto, há quem aproveite as férias para pôr a leitura em dia:

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Subir às árvores é uma paixão familiar bem experimentada:

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E este ano, tanto a Clarinha como o Francisco fazem mortais na praia! Ainda não os apanhei em pleno salto, com a máquina fotográfica, por isso deixo-vos com um pino:

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Por falar em subir às árvores... Conseguem identificar alguém neste eucalipto de Náturia?

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Eu sei que é difícil de acreditar, mas há quem o suba quando precisa de espaço e silêncio para pensar... Vou fazer zoom:

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E se estiverem no cimo das vossas árvores, desçam depressa e venham às bodas! Venham às Bodas, que os servos estão preparados:

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 Ámen!

 

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Invernos renovados

por Teresa Power, em 26.04.16

 A primavera chegou! Desta vez é mesmo a sério, pois tropeçamos nela logo ao sair de casa pela manhã: o céu azul, as nuvens brancas, a relva verde, as flores amarelas, vermelhas e laranjas, o cantar das cigarras, as melodias dos pássaros, os gatinhos a brincar na relva... Tudo nos repete, como o Amado no Cântico dos Cânticos:

 

"Levanta-te, minha irmã, minha amada!

Eis que passou o inverno, a chuva já se foi

Aparecem as flores na terra, chegou o tempo das canções

A voz da rola ouve-se na nossa terra.

A figueira já deu os seus figos verdes,

e as vinhas em flor exalam seu aroma..."

(Cant 2, 10-13)

 

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Com a primavera, chegam os dias tranquilos e longos, e renovam-se os encontros com os amigos. A Olívia e a sua família vieram visitar-nos, e encheram a nossa casa de alegria! Que dizem a estas três princesas?

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 Lembram-se da pequenina Lúcia, que tanto sofreu ao nascer? Ora aqui está ela, transbordando saúde e felicidade:

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 Para a festa ser completa, também a Isabel e o João, catequistas da Lúcia, vieram visitar-nos e estar com a família Batista. Ser Família de Caná significa ter amigos espalhados um bocadinho por todo o país, não é verdade? Sentados no jardim, pusemos a conversa em dia. Sentados no jardim, quer dizer, alguns de nós... Outros preferiram as árvores:

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 Segunda-feira foi feriado, e o dia amanheceu cheio de sol. Quem lê este blogue há algum tempo já consegue imaginar onde nos dirigimos de imediato... Ou não?

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 A primavera está a chegar assim de repente, da noite para o dia... Na semana passada ainda acendíamos a lareira, ontem tomaram-se banhos no mar!

De repente? Ah, nós só vemos a superfície das coisas! Porque durante todo o inverno, durante os longos dias de chuva, durante os serões de frio à lareira e durante as tempestades de granizo, a terra preparava-se para esta renovação.

Há dias em que eu olho para a minha vida passada e, no meio de belas recordações, também vejo tempestades, chuva abundante, frio intenso. Por que terá sido tudo tão difícil, meu Deus? Porquê a morte, porquê a dúvida, porquê a luta, porquê a incompreensão, porquê o emprego longe, porquê as turmas complicadas, porquê? Depois contemplo os meus filhos a brincar no jardim que cultivámos, vejo os meus amigos empoleirados nas árvores que ajudámos a crescer, e escuto as gargalhadas da "Bebé de Caná" que a Olívia segura nos braços. Ao longo dos muitos invernos da nossa vida, Deus foi preparando as nossas muitas primaveras. E com o seu vento, espalhou por aí as sementes que nasceram das nossas chuvas, tal como espalha nos nossos jardins interiores sementes que nasceram em outras chuvas.

E assim continuará a ser: as tempestades que hoje experimentamos levar-nos-ão certamente a novas primaveras, e as sementes que cultivamos nos nossos jardins florirão certamente noutros quintais, porque o nosso Deus é o Deus das estações, o Senhor da vida e da morte, Aquele que, no primeiro livro da Bíblia, tudo cria do nada, e no último livro da Bíblia, tudo recria, já não do nada, mas a partir de tudo o que Lhe oferecermos:

 

"Eis que faço novas todas as coisas!" (Ap 21, 5)

 

Ámen!

 

 

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Comunidade

por Teresa Power, em 18.04.16

- David, hoje vais ter um encontro nos Salesianos. Tens aqui o lanche para partilhares com os teus amigos.

- Achas que os meus amigos vão estar lá?

- Alguns, seguramente! E será uma grande oportunidade para fazeres novos amigos. Vamos, que já são horas!

O David saiu para o seu encontro de crianças e pré-adolescentes, entusiasmado e cheio de expetativa. Ainda eu lhe dizia adeus à porta, e já a Clarinha perguntava:

- Mãe, vens comigo esta noite ao concerto-oração? Gostava tanto que fosses tu a acompanhar-me!

Conhecem as músicas da Claudine Pinheiro? Se ainda não, procurem no Youtube algumas, para escutar, porque vale mesmo a pena! A Claudine é leitora deste blogue quase desde o primeiro momento. Já nos encontrámos algumas vezes, não só nos encontros do E-vangelizar, mas também para fazer um belíssimo piquenique, no verão passado. Recordo com saudade os belos momentos que partilhámos no "nosso" lago no Caramulo. Sábado à noite, a Claudine teve mais um momento divino da sua magnífica missão de evangelização através da música. Por mail, convidou-nos a estar presentes, visto ser apenas a trinta quilómetros da nossa casa.

- Vens comigo, mãe? - A Clarinha mal podia esperar pelo concerto.

- Claro que vou. Anda, ajuda-me a arrumar esta casa!

O David regressou a casa ao fim da tarde, feliz, suado, transbordante de alegria.

- Estivemos na barriga da baleia, mãe!

- Da baleia? Qual baleia?

- Aquela que engoliu Jonas! Nem imaginas: o ginásio era a barriga da baleia, e para entrarmos tínhamos de passar pelos seus dentes, a sua boca aberta, bem desenhada na porta. Foi tão giro! E brincámos nos insufláveis. E vimos um filme. E rezámos, cantámos e fizemos muitas coisas!

- Muitas coisas?

- Muitas. Olha, havia uma pizza gigante para comer! Deliciosa! E trago presentes. Livros, postais...

Pouco depois, a Clarinha e eu saíamos para o concerto, rezando juntas o terço na meia hora de viagem. Foi a nossa vez de ficarmos deliciadas, coração cheio, lágrimas nos olhos. A Claudine não canta só com a voz maravilhosa que Deus lhe deu: canta com o sorriso, com os olhos, com os braços abertos, amplos, estendidos, com os gestos, com o coração. E o Miguel toca guitarra com a alma toda a sair-lhe pelos dedos. Não há palavras para descrever tamanha beleza! A pequena igreja paroquial de Valmaior estava cheia, e os aplausos foram sinceros e sentidos.

Domingo de manhã foi dia de primeira comunhão, na nossa paróquia. Vestidos brancos, coroas de flores, velas acesas, crianças. Crianças expectantes, de sorrisos nervosos, de olhar límpido. Jesus que vem e que desce a cada coração pela primeira vez. Ah, o primeiro beijo... A igreja está cheia, os adultos fazem algum barulho e há certamente muita dispersão da atenção. Mas nos corações infantis daqueles meninos e daquelas meninas, o Amado foi recebido num silêncio que nada nem ninguém conseguiu perturbar.

Depois do almoço, o grupo de discernimento vocacional Monte Horeb, de Barcelos, veio a nossa casa. A Paula conheceu-nos a partir deste blogue também quase desde o início, e desde então já nos encontrámos várias vezes, incluindo num retiro Famílias de Caná, em Castelo de Neiva. Como orientadora deste grupo, quis oferecer aos jovens a oportunidade de conhecer o dia-a-dia e a vida de fé de uma família católica, como exemplo possível de vocação matrimonial. Que grande festa foi o nosso encontro! Conversámos a tarde inteira, lanchámos em abundância, cantámos, vimos a magia do Francisco, brincámos com os novos gatinhos e, por fim, rezámos, ao ritmo natural que tem a oração familiar na nossa casa.

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Caiu a noite... Já deitada, enquanto faço o meu exame de consciência, revejo os acontecimentos e a festa deste fim-de-semana: o encontro catequético do David, o concerto-oração com a Claudine, a missa festiva, os jovens do Monte Horeb... Encontros paroquiais, encontros de famílias, encontros virtuais que, pouco a pouco, se tornam reais e acontecem em Igreja...

Comunidade. Ser cristão é sempre, sempre, ser comunidade. Somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e vivemos este sentido trinitário, comunitário, desde o primeiro instante de Igreja. Ninguém é cristão sozinho, porque em Jesus, todos formamos um único corpo, o Corpo Místico, onde todos nos tornamos membros uns dos outros.

Nestes dias pascais, a Igreja tem como leitura favorita os Atos dos Apóstolos, recheados de histórias e aventuras comunitárias. Aí lemos que, apesar de todos os problemas e pecados das primeiras comunidades - tão semelhantes aos problemas e pecados das nossas, e das de todos os tempos - os primeiros cristãos eram já imagem e semelhança deste Deus Trinitário, este Deus-Comunidade:

 

"A multidão dos que tinham abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Com grande poder, os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e uma grande graça operava em todos eles." (At 4, 32-33)

 

Que o Senhor nos ajude a fazer, cada vez mais, comunidade, uns com os outros, em Igreja, nas nossas casas, nas nossas paróquias, nos nossos movimentos, na Internet... Ámen!

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Go light your world

por Teresa Power, em 11.04.16

Escrito pela Clarinha:

 

Assim que soube que o colégio estava a organizar um "... got talent", decidi que queria fazer uma dança com a Lúcia. Havia uma condição para participar: todas as atuações tinham de estar relacionadas com o tema do colégio: "Olha o teu mundo de novo." Eu queria também relacionar a nossa atuação com o Ano Santo da Misericórdia.

Começámos, então, cá em casa a procurar uma música cristã que satisfizesse estas condições e, depois de muito procurar, encontrámos a música perfeita: "Go light your world".

Coreografei a dança tendo em conta a mensagem que nós queríamos transmitir. É preciso iluminar o mundo com os nossos gestos misericordiosos, de forma que as qualidades e defeitos de todos sejam vistos de outra forma. Diz Jesus:

 

"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu." (Mt 5, 14-16)

 

Deixo-vos aqui o resultado do trabalho de três semanas intensivas em que eu "dei treinos" à Lúcia, visto ela nunca ter tido aulas de dança ou de ginástica, coreografei e me diverti juntamente com a minha querida irmã, de quem estou tão orgulhosa!

 

 

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Árvore caída

por Teresa Power, em 07.04.16

Durante as férias da Páscoa, fomos ao parque da Curia, como já é habitual. O Francisco, a Clarinha e o David fizeram de bicicleta os dois quilómetros que nos separam da Curia, e eu segui no carro com os três mais novos.

O parque estava lindo, cheio de luz e de sombras, de caminhos enlameados onde se refletiam os raios de sol, que teimavam em espreitar pelas altas copas das árvores.

- Vamos explorar, mãe! Até já! - Disseram quase todos ao mesmo tempo, deixando-me com a Sara pela mão. Mas a Sara também quis explorar, claro, e obrigou-me a correr pelos carreiros atrás dos meus filhos.

- Mãe, vem cá ver! Encontrámos uma coisa maravilhosa!

- Maravilhosa! A melhor brincadeira do mundo!

- Nem imaginas! Dá para fazer coisas fantásticas!

- Já subimos e descemos e já andámos de baloiço ali e tudo!

Fiquei cheia de curiosidade. O que seria? Cheguei a uma clareira, e vi... Bem, vejam vocês comigo:

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 Julgo que terá sido uma das recentes tempestades a lançar por terra estas árvores grandiosas e belas, que fazem do parque da Curia um lugar tão especial...

Árvores caídas. Árvores arrancadas pela raiz. Árvores que já não se elevam para os céus, mas se misturam com a lama e a terra. Árvores que em vez de raizes, enterram as folhas e as flores. Para nós, adultos, a visão de uma árvore tombada é desoladora.

Mas os meus filhos não vêem as coisas assim...

Para eles, as árvores tombadas transformaram-se em baloiços, labirintos, paredes de escalada, lugar de brincadeira. Foi ali mesmo, ao lado daquelas pobres árvores, que lanchámos e que passámos a maior parte da tarde.

De regresso a casa, dei comigo a sorrir sozinha. É tão giro ver as crianças a tirar proveito de tudo! A árvore já não nos dá oxigénio? Sempre nos pode servir de baloiço. A árvore já não abriga os passarinhos? Mas agora abriga as centopeias... Razão tem o Senhor ao dizer que precisamos de um coração de criança para sermos verdadeiramente felizes!

Fiquei a pensar na quantidade de coisas e acontecimentos da vida que podemos, como as crianças, explorar de forma diferente daquela com que foram planeados ou desejados: o emprego que tenho não me dá a riqueza que eu merecia? Talvez me torne rico em humildade... O namoro não correu bem? Quantas lições me ensinou! Os filhos não aprendem com facilidade? Vão certamente aumentar a minha paciência. Os professores não explicam como deveriam? Se explicassem, nunca me teriam feito procurar as respostas por mim mesmo. Sofri uma injustiça? Que ótima oportunidade para unir o meu coração ao de Jesus! Não encontro ninguém com quem casar, ou não consigo engravidar? Talvez esta "árvore caída" me ofereça uma oportunidade novinha em folha de responder a uma vocação diferente e especialíssima do Senhor! A reunião de trabalho parece interminável? Espero que me poupe pelo menos meia hora de purgatório :)

Através de Isaías, o Senhor assegura-nos que é no deserto que brotam os seus rios divinos, e da terra queimada que surgem os seus lagos:

 

"As águas jorrarão do deserto e a terra queimada mudar-se-á em lago, as fontes brotarão da terra seca." (Is 35, 6-7)

 

Cada vez que recordo as gargalhadas no nosso piquenique na Curia, vem-me ao pensamento uma oração... Rezem-na comigo: "Jesus, dá-me um coração de criança, para que eu saiba sempre brincar em cima de qualquer árvore caída na minha vida! Ámen."

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Domingo da Misericórdia

por Teresa Power, em 05.04.16

O Domingo da Misericórdia é sempre um dia muito especial para nós. S. João Paulo II instituiu esta festa, dando cumprimento ao pedido de Jesus a Santa Faustina, sua conterrânea. De acordo com o Diário de Santa Faustina - um dos meus livros de cabeceira, que gosto de meditar com muita frequência antes de adormecer - Jesus exprimiu-Se assim:

 "Desejo que esta festa seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pobres pecadores. Nesse dia estão abertas as entranhas da minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre aquelas almas que se aproximarem da fonte da minha misericórdia. A alma que for à confissão e receber a Sagrada Comunhão obterá remissão total das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais se derramam as graças. Que nenhuma alma receie vir a Mim, ainda que os seus pecados sejam tão vivos como escarlate... A minha misericórdia é tão grande que nenhuma mente - nem humana, nem angélica - alcançará a sua profundidade." (D699)

 

O céu estava muito cinzento e a chuva ia caindo de mansinho, o vento era cortante e o frio apertava.

- Está um ótimo dia para irmos a Fátima, como fizemos no ano passado! Que dizem? - Perguntei, de manhã.

- Fazer a Via Sacra pelo Caminho dos Pastorinhos? Vai chover de certeza!

- Não, não vai. Vamos arriscar?

- Eu quero ir!

- Eu também!

- Eu digo que vai chover...

- Eu não me importo que chova! Nós sempre gostámos de brincar à chuva!

- Vamos?

- Agora?

- Depois da missa das dez, claro. Temos o compromisso de tocar e cantar na missa. Vamos de seguida! Toca a preparar o piquenique.

 E assim foi. Quanta alegria, nesta viagem inesperada!

Fátima estava, realmente, fria, molhada e ventosa. Mas continuava branca, pura e linda. Aquele santuário imenso e silencioso fazia-nos esquecer o desconforto, mesmo aos mais novos.

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Almoçámos no passeio no início do Caminho dos Pastorinhos, porque é um espaço amplo onde os rapazes gostam de andar de skate. Depois fizemos a nossa Via Sacra, servindo-nos das meditações retiradas do Diário de Santa Faustina e intercalando cada estação com um mistério do Terço da Divina Misericórdia.

- Isto que nos está a molhar levemente a cara são raios de sol, mãe? Ou talvez seja uma chuva de graças? - Brincava o Francisco, que poucos dias antes tinha feito quase cem quilómetros de bicicleta numa manhã e estava com pouca vontade de caminhar.

- Não sei do que falas. Eu não sinto nada! - Ia eu respondendo. E pouco ou muito cansados, todos nos ajoelhávamos nas estações sobre a pedra fria e húmida.

- Quero colo! - Pedia a Sara, já perto do Calvário Húngaro. Os mais velhos foram-lhe oferecendo as costas, à vez... E até o David levou a mana às cavalitas. Que crescido ele está!

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Chegámos ao Calvário Húngaro e entrámos para rezar pelas intenções do Santo Padre.

- Que tal se cantássemos "Misericordes sicut Pater" a vozes? - Sugeri. Assim fizémos, e a acústica da capela devolveu-nos o cântico mil vezes mais belo. Acho que foi o entusiasmo com que cantámos e a harmonia das várias vozes que fez o funcionário de serviço aparecer ao nosso lado:

- Que lindo! Que lindo! Que lindo! - Repetia ele, com os olhos a brilhar. - Podem cantar mais?

Mas não podíamos, porque começava a chover com mais força e ainda era preciso regressar...

Regressar ao santuário para a nossa confissão. Descemos as "escadas da humildade", como gostamos de dizer, e fomos à Capela da Reconciliação, que estava a transbordar de gente.

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Dei graças a Deus no meu íntimo: as comportas da misericórdia divina estavam realmente abertas! Mas como podíamos, o Niall e eu, confessar-nos se tínhamos de esperar pelo menos duas horas ali? Olhando mais atentamente, percebi que numa das alas da capela havia confissões para estrangeiros... E o confessionário para falantes ingleses estava livre! Ser casada com um irlandês tem as suas vantagens. Sim, o Niall e eu confessámo-nos rapidamente, e em inglês.

A chuva que caía fez-me recordar o post da Olívia sobre a sua peregrinação a Fátima e sobre umas tais mesas de piquenique cobertas, por detrás da basílica antiga. Foi aí que lanchámos. Que lugar magnífico! Como não o tínhamos descoberto antes? De futuro, quando fizermos em Fátima encontros e retiros das Famílias de Caná, já sabemos onde faremos o nosso piquenique.

Terminámos o dia passando, em família, pela Porta Santa. Na minha mente e no meu coração, ressoavam as Palavras de Jesus a Tomé, segundo o Evangelho do dia:

 

"Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e mete-a no meu peito." (Jo 20, 27)

 

Pareceu-me que nesta singela peregrinação à Porta Santa de Fátima, em dia da Divina Misericórdia, tocámos, como Tomé, nas chagas de Jesus e entrámos na Porta Santa do seu Sagrado Coração...

 

"Ó sangue e água que brotastes do coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em vós!" (D187)

 

 

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Férias e bênçãos

por Teresa Power, em 04.04.16

Férias! Não há nada de que eu mais goste do que ter estes dias inteiros em casa, vendo os meus filhos saltitar a meu lado, brincando e desarrumando, rindo e chorando, descobrindo mundos novos em Náturia, passeando de bicicleta...

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...fazendo origamis, construindo puzzles, espalhando os legos pelo chão e migalhas de bolo pela casa inteira, e chegando ao ponto de usar um sapato diferente em cada pé porque não se conseguem lembrar onde puseram o par completo. Às vezes parece-me que talvez fosse boa ideia dar uma arrumação à casa, mas logo desisto. Quando eles regressarem à escola penso nisso!

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Cuidado ao sair da cozinha para o jardim! Ainda fico presa nalgum desenho...

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Realmente, procurar botas e sapatos na gaveta do calçado é um bocadinho perda de tempo:

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- Mãe, vamos ver o mar? Por favor! Há tanto tempo que não vamos à praia!

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Bem, a verdade é que na Semana Santa o tempo não esteve muito propício a praia. Deixo-vos algumas fotos sugestivas, e poupo-vos os detalhes relacionados com a excitação, a alegria e a confusão em nossa casa durante os vinte minutos em que durou a tempestade - e nas horas que se seguiram:

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DSC06003.JPGDurante as férias fomos ainda várias vezes ao parque:

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Férias é também o tempo ideal para o encontro com os amigos, e nestas férias tivemos e fizemos várias visitas muito simpáticas, que nos encheram de alegria.

E férias é também tempo para o encontro com a família alargada, especialmente os tios e os primos, já que a avó é presença mais frequente em nossa casa. Ora vejam só se conseguem identificar os seis Power, no meio destes doze Castel-Branco:

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Hoje, a mãe e os seis filhos regressam à escola (o pai não chegou a ter férias)... Olhamos para estes quinze dias - de sol e de granizo, de frio e de calor, de neve e de mar - como uma verdadeira bênção do Senhor, que nos permitiu fazer tantas coisas boas. Lembro-me do salmo:

 

"Terra, louva o Senhor!

Monstros do mar e todos os abismos,

fogo e granizo, neve e neblina

vento tempestuoso, que obedece à sua Palavra,

montanhas e todas as colinas,

árvores de fruto e todos os cedros,

feras e todos os rebanhos!

Louvai-O, jovens e donzelas, velhos e crianças!

Aleluia!" (Sl 148)

 

E olhamos para este novo período como outra verdadeira bênção do Senhor, naturalmente! A escola, os amigos, os livros, os exames... Quantas crianças e quantos jovens no mundo davam tudo para ter esta oportunidade?

Agora que eles estão todos na escola, volto a ter o meu tempo de oração diante do sacrário, e algum tempo para escrever. E todos nós, pais e filhos, voltamos a experimentar aquela alegria magnífica do reencontro diário, depois de um dia de escola, em que nos abraçamos e todos falamos ao mesmo tempo, desejosos de partilhar a vida. Outra bênção...

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Passeios orantes

por Teresa Power, em 31.03.16

- Meninos, estão a bater à porta! Alguém que abra, por favor!

- Mãe, é para ti. É um senhor, e não parece muito simpático.

Enxugo as mãos, pois estou a fazer o jantar, e apresso-me a chegar à porta. O senhor que me aguarda não está, realmente, com ar de grandes amigos.

- Não quero ter problemas com a senhora - Diz-me. Mentalmente e no espaço de dois segundos, revejo a minha vida nos últimos quarenta e três anos à procura de algum crime esquecido.

- Desculpe, não estou a entender...

- Este cão aqui é seu?

Já estou a entender.

- Sim, é. Jack, vem cá!

- Pois há dois minutos atrás, e como acontece todos os dias, ele estava na minha casa. Tal como estava às seis da manhã.

- Seis da manhã? Mas nós só o soltamos quando nos levantamos, pelas seis e meia...

- Então eram seis e meia.

- Na sua casa? A fazer o quê? Nós só o soltamos para eles esticarem as pernas e fazerem as suas necessidades no descampado aqui atrás da nossa casa. Depois eles entram em casa e ficam aqui connosco...

- Não, eles não fazem as necessidades no descampado; eles fazem-nas no meu jardim, que fica duas ruas atrás desta.

- Ah! Desculpe! Não sabia! Como eles não mordem a ninguém, nem se atravessam diante dos carros, costumamos tê-los soltos, à nossa volta... Nunca demos conta de irem para longe!

- Prenda os cães e não vamos ter problemas.

- Pois... Assim farei.

- Muito boa tarde então.

- Boa tarde!

Fecho a porta, volto-me e deparo-me com seis pares de olhos, fixos em mim.

- Que vais fazer agora, mãe?

- Eu? Vocês é que vão fazer! A partir de hoje, meus meninos, começam a levar os cães a passear com trela, como o resto do mundo faz.

- Mas nós só chegamos da escola às cinco horas!

- Bem, vamos fazer uma escala. O pai passeia-os de manhã, ao acordar, eu passeio os cães à hora de almoço, e vocês ao fim da tarde. Combinado?

Chegamos a um acordo, e mais relaxados, deixamo-nos cair no sofá a rir à gargalhada, imaginando um pouco a situação que deu origem às queixas do vizinho. Depois, suspiro. Não sei como vou conseguir encaixar mais esta atividade no meu horário...

Diz a Escritura: 

 

"Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus." (Rm 8, 28)

 

Nem sempre me recordo deste versículo, ao longo do meu dia. Quantas vezes uma pequena contrariedade é suficiente para me entristecer ou oprimir? Se, pelo contrário, me recordar da Escritura, deixo-me tomar por um sentimento de "santa" curiosidade: que quererá Deus que eu aprenda desta vez? Que planos terá Ele para mim? Tenho procurado fazer assim com tudo, absolutamente tudo - como diz S. Paulo - que me acontece, especialmente os contratempos, sejam eles no trabalho, na escola, na paróquia, com as Famílias de Caná, com os meus filhos... e, claro, com os meus cães.

A Palavra de Deus não mente. Graças a este vizinho pouco simpático mas cheio de razão, teve início, há cerca de dois meses atrás, um dos meus rituais preferidos: levar os cães a passear pelas ruas da minha terra. Quase todas as tardes encontro vinte a trinta minutos para a nossa bela passeata. Há muito tempo que eu sentia a necessidade de fazer caminhadas ou outra forma de exercício físico que não apenas aspirar e arrumar a casa, sem nunca conseguir tempo para tal. Eis que um vizinho rabugento me oferece precisamente a oportunidade procurada!

Juntos, os cães e eu, demos as boas vindas à Primavera, nos campos em redor - eu com os olhos postos nas flores, nas ervas e nas nuvens, eles com os olhos postos nas lagartixas... Juntos, os cães e eu, descobrimos que as ovelhas tinham parido, e que os cordeirinhos se divertiam a saltitar nas quintas... E o engraçado é que continuo a ter tempo para arrumar a casa, tempo para preparar as minhas aulas e tempo (pouco, muito pouco) para escrever neste blogue.

Vinte a trinta minutos de contemplação são naturalmente vinte a trinta minutos de oração. Sozinha com os cães, pelos campos ao redor da minha casa, eu vou conversando com o Senhor, partilhando tudo com Ele - "Nós, Jesus"... Como já referi várias vezes, gosto especialmente de rezar em voz alta, louvando, cantando, rindo ou chorando, suplicando, agradecendo... As ovelhas, as lagartixas, os passarinhos e os cães não parecem achar que seja maluca ao falar assim "sozinha", e por isso aproveito o passeio para dar asas ao meu coração. Regresso a casa saciada, em profunda comunhão com Deus e toda a sua Criação.

Ao fim do dia e ao fim-de-semana, os passeios são feitos em família. Os cães trouxeram-nos novas oportunidades para passearmos juntos, para observar a natureza, para nos divertirmos em conjunto. Que bom!

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 E até a avó parece ter tomado o gosto pela passeata! Ora digam lá se não lhe fica bem?!

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 Senhor, Deus das surpresas, Deus que até do mal és capaz de retirar o bem, ensina-me a arte de tudo agradecer, bom e mau, na minha vida! Hoje, pequenos detalhes de falta de tempo ou de excesso de trabalho; amanhã, um problema mesmo a sério... Tudo, tudo concorre para o meu bem, como disse a jovem Chiara Badano: "Tu queres, Jesus? Então eu também quero!" Ámen.

 

 

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As flores da misericórdia

por Teresa Power, em 12.02.16

- Mãe, faz um sacrifício e deixa-nos fazer tintas!

Estou quase a responder que não, quando me dou conta de que é mesmo um sacrifício deixá-los trabalhar com tintas, brilhantes, pinceis, papeis, colas e afins, tudo espalhado na toalha de plástico sobre a mesa da cozinha, sobre o chão, sobre as paredes, sobre o teto; e finalmente, quando se cansam e se vão embora, depois de distribuirem os desenhos molhados por todas as superfícies planas para que sequem, sobra para mim...

- Bem, eu deixo, porque está a chover lá fora e há poucas alternativas... Mas depois arrumam tudo!

Arrumam, claro, embora não "tudo", nem sequer "quase tudo". Suspiro e tento um sorriso. Tenho direito a oferecer uma flor no Canto de Oração. E eles sabem disso.

Com o início da Quaresma, duplicam os nossos esforços por oferecer ao Senhor pequenos sacrifícios, pequenos gestos de generosidade e, neste ano especialmente, pequenas obras de misericórdia.

- Mãe, eu consolei a Sara que estava a chorar - Diz-me o António, triunfante, com uma Sara sorridente pela mão.

- Mãe, eu barrei o pão da Sara porque ela não conseguia. Dei de comer a quem tinha fome! - Afirma a Lúcia.

- Eu deixei o António escolher o jogo, e fiquei a contar em vez de me esconder, como preferia - Proclama o David.

- E eu cortei as flores todas em papel para vocês oferecerem - Diz a Clarinha, assertiva.

- Eu, bem, eu evitei entrar na cozinha durante toda a tarde em que a Clarinha fez os bolos para a festa do António, para não cair na tentação da gulodice em quarta-feira de cinzas - Sorri o Francisco, piscando o olho à irmã.

Todos multiplicam "coisas bonitas para Deus" (something beautiful for God), como a Madre Teresa gostava de dizer. Depois, ao serão, durante a nossa oração familiar, os mais novos colam no Canto de Oração uma pequena flor de papel de lustro. Quando chegar a Páscoa, os nossos desertos estarão plenamente floridos.

 

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  "Então o deserto e a terra árida alegrar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio, ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano ser-lhe-á dada, o esplendor do Carmelo e de Saron..." (Is 35, 1-2)

 

Ah, a primavera depois do inverno, a alegria depois do sacrifício, a felicidade depois do sofrimento, a Ressurreição depois da Cruz... Que belo final para o caminho de renúncia, generosidade e penitência que a Quaresma nos oferece!

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Canto de Oração quaresmal 2016

por Teresa Power, em 10.02.16

O dia em que preparamos o Canto de Oração para novo tempo litúrgico é sempre um dia de festa cá em casa, e todos querem participar.

- Vamos falar de portas este ano, não vamos?

- Sim, Clarinha, este é um ano especial, especialíssimo. É o primeiro Ano Santo na História da Igreja em que o Papa autorizou a abertura de milhares de Portas Santas em todo o mundo, para além das quatro Portas Santas de Roma...

- E por que é que se fala tanto em Porta Santa?

- Porque Jesus disse que Ele mesmo é a Porta. No Evangelho de S. João, Jesus afirma:

 

"Eu sou a porta das ovelhas. Se alguém entrar por Mim estará salvo; há de entrar e sair e achará pastagem." (Jo 10, 7.9)

 

Pouco a pouco, durante a refeição familiar do almoço, as ideias foram nascendo. À tarde, a Clarinha e eu pusemos mãos à obra, enquanto os mais novos entravam e saíam da sala, exclamando de vez em quando "Que lindo! Que lindo!" Pontualmente, pedíamos alguma ajuda ao Francisco, que como sempre prefere ver o trabalho final concluído.

A festa não seria completa sem um lanche apropriado, claro! E para isso, não há melhor que a Clarinha. Todas as famílias deviam ter uma Clarinha, acreditem em mim! Ora vejam só este lanchinho:

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É preciso gastar o chocolate todo que há em casa antes de começar a quaresma, pois uma das nossas renúncias é sempre o chocolate...

E ao fim da tarde, o Canto de Oração estava pronto. Querem ver?

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- Mamã, por que é que a cruz de Jesus está dentro da Porta?

- Porque foi pelo seu sacrifício, pela sua morte e ressurreição que Jesus nos abriu a Porta Santa, David.

- É por isso que puseste os cartões com os mistérios dolorosos a toda a volta?

- Sim. Foram os mistérios dolorosos - o Caminho da Cruz - que nos salvaram. Abrir uma Porta Santa dá trabalho! A Lena explicou no seu blogue que é preciso primeiro derrubar um muro inteiro, pois a Porta Santa fica não só trancada, como murada de jubileu para jubileu. Jesus derrubou o muro do nosso pecado com a sua entrega de amor...

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- Ah, e então a bilha representa o Coração de Jesus, não é?

- Sim. A bilha representa o seu Corpo entregue por nós, a jorrar o Sangue da Nova Aliança, perfurado por três cravos. As bilhas das Famílias de Caná têm tanta, tanta simbologia... Que símbolo tão rico o Senhor nos ofereceu!

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- E estão aí os cartões da Via Sacra! Há tanto tempo que não rezamos a Via Sacra!

- É verdade, vamos rezá-la, como todas as quaresmas, nos domingos à tarde.

- Havemos de ir rezá-la também a Fátima...

- Esperemos que sim! E à nossa igreja. E aqui em casa, com os cartões que vocês fizeram, tão bonitos.

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O Canto de Oração Quaresmal está pronto, desde domingo à tarde. A quaresma é sempre um tempo tão intenso na vida de cada um de nós, e na nossa vida familiar, que tivemos pressa em preparar o espaço familiar de oração ainda antes do carnaval, para o fazermos com calma durante a interrupção letiva. Hoje começa verdadeiramente esta aventura de conversão, sempre começada, sempre fracassada, sempre perdoada, sempre renovada, a cada ano e a cada ciclo... Como Deus é bom!

Rezemos então uns pelos outros durante este tempo magnífico de misericórdia! A todos os leitores deste blogue, uma santa quaresma! Ámen.

 

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