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A pressa de Maria

por Teresa Power, em 26.05.15

O domingo passado, dia 24 de maio, foi um grande dia na nossa paróquia. Para além da enorme festa que é o Pentecostes, celebrámos a Festa de Nossa Senhora Auxiliadora, naquele que é o Santuário Nacional de Nossa Senhora Auxiliadora. Tal como há dois mil anos atrás, também no domingo o Espírito desceu sobre um povo congregado por Maria, rezando e esperando com Ela. Que dom tão bonito Deus nos fez!

Mas ainda tivemos outro motivo para festejar... Interpelado pela mensagem constante do nosso querido Papa Francisco, que nos desafia a sermos Igreja missionária, Igreja em saída, Igreja que procura as ovelhas perdidas nas periferias da vida, o nosso pároco decidiu mandar fazer uma imagem diferente de Nossa Senhora Auxiliadora. A imagem que temos no Santuário é lindíssima, mas está muito longe do toque e até do olhar de quem ali entra. Assim, o senhor padre decidiu mandar fazer uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora "em Saída", com um pé adiante do outro como quem caminha; decidiu colocá-la ao alcance da mão, do olhar, do beijo de quem a contempla; e decidiu colocá-la perto da saída da igreja. Na verdade, o primeiro gesto de Maria, ao saber que era Mãe do Salvador, foi sair - apressadamente - para visitar Isabel:

 

"Naqueles dias, Maria partiu a toda a pressa para uma cidade nas montanhas..."

(Lc 1, 39)

 

No domingo, na Eucaristia, esta nova imagem de Nossa Senhora Auxiliadora foi benzida solenemente, e no próximo domingo será coroada Rainha.

N.S. Auxiliadora em Saída.JPG

"Vem, vem connosco a caminhar, Santa Maria vem!" Cantámos, emocionados, depois da bênção solene. A presença de Maria na Eucaristia era quase palpável. D. Bosco, contou-nos o nosso pároco, conseguia ver  Nossa Senhora a caminhar no meio dos jovens que educava nas suas casas. Seremos nós também capazes de a ver nos caminhos da nossa vida? Tantas periferias a precisar da sua visita... Tantos caminhos a precisar da sua santa pressa!

À tarde, tive oportunidade de rezar sozinha alguns momentos diante desta nova imagem de Maria. De joelhos, pedi ao Senhor, por Maria, que me concedesse também a mim "o dom da pressa", como gosto de lhe chamar, este sentido da urgência do Reino que o Espírito Santo acordou nos Apóstolos, reunidos com Maria.

Na verdade, não há tempo a perder! É preciso atear no mundo o fogo do Pentecostes. É preciso imitar Maria, que ao receber Jesus no seu seio e no seu coração, não O guardou para si, mas partiu a toda a pressa para O dar a todos. É preciso sermos povo "em saída", povo que entra na igreja para sair de novo, bilhas que vão à Fonte para regressarem a casa e saciarem a sede de quem aí vive. É preciso deixar de lado tudo o que nos distrai do essencial e partir para as periferias da vida, visitando os irmãos e levando-lhes Jesus. Que seja esse o grande ideal das Famílias de Caná e de todas as famílias cristãs. Ámen!

 

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Um artista, um pincel e uma tela

por Teresa Power, em 19.12.14

No santuário do Loreto na Moita, aqui bem perto de nós, que visitámos no domingo, está uma pintura magnífica da Virgem da Visitação - Nossa Senhora grávida, descendo à pressa as escadas de sua casa para partir ao encontro da sua prima Isabel, como nos diz a Bíblia:

 

"Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e foi apressadamente às montanhas para uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel." (Lc 1, 39-40)

 

Este quadro foi encomendado pelo pároco, o padre Vitor Espadilha, a uma pintora local, Natália Reis. Durante a pintura, as sombras sob os pés da Virgem não estavam a ficar como a pintora desejava, e por cinco vezes, ela procurou modificar a pintura, em vão. Por fim, desolada, desistiu. Foi então que olhou mais atentamente para a mancha escura que o seu pincel criara e que ela tentara eliminar:

DSC00271.JPG

DSC00279.JPG

Sim, é um esboço do perfil de Jesus, coroado de espinhos! Que presente magnífico o Senhor nos fez, através de um pincel singelo nas mãos de uma pintora!

Na verdade, o Cristo que Maria levava dentro de si, cheia de alegria, é o mesmo Cristo que Ela aprenderá também a oferecer ao mundo, trinta e três anos mais tarde, numa dor imensa... Os passos apressados e alegres de Maria, descendo as escadarias de Nazaré, já nos falam de outros passos, passos mais lentos, mais dolorosos, mas igualmente alegres, de Jesus subindo as escadarias de Jerusalém... A salvação que Jesus nos oferecerá na cruz, coroado de espinhos e sangrando, já está operante no seio da Virgem da Visitação.

 

Enquanto contemplava aquele magnífico quadro, veio-me ao pensamento um texto de Santa Teresinha, que conheço de cor desde pequena e que me tem servido de inspiração ao longo da vida:

"Se a tela pintada por um artista pudesse pensar e falar, certamente não se queixaria por ser retocada sempre por um pincel e não teria inveja da sorte desse instrumento, pois saberia que não é ao pincel, mas ao pintor que o dirige, que ela deve a beleza que a cobre. Por seu lado, o pincel não poderia glorificar-se com a obra-prima feita por ele, sabe que os artistas não se apertam, que zombam das dificuldades, que gostam, às vezes, de usar instrumentos vis e defeituosos... Madre querida, sou um pincelzinho que Jesus escolheu para pintar sua imagem nas almas que me confiastes." História de Uma Alma - Manuscrito C

Sejamos dóceis pincéis, completamente abandonados à vontade de Deus! Deixemos que Ele Se sirva do nada que somos para pintar o seu rosto no mundo que nos rodeia... Ámen!

 

 

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publicado às 06:24

Vovó Mamã

por Teresa Power, em 21.11.14

Numa destas tardes de domingo fomos a Aveiro visitar a minha avó, a quem os meus filhos chamam carinhosamente "Vovó Mamã", talvez por ela ser a mamã da sua vovó. A minha avó, mulher forte, generosa, atenta aos outros, a quem eu devo tanto desde menina e até bem depois de casar, está ainda na sua casa, mas já não pode estar sozinha, visto não conseguir deslocar-se e sofrer de uma grave demência. Assim, a minha mãe passa quase todo o seu tempo com ela, tendo ainda a ajuda de funcionárias dedicadas e trabalhadoras.

A Palavra de Deus é muito clara:

 

"Filho, ampara o teu pai na velhice, não o desgostes durante a sua vida; mesmo se ele vier a perder a razão, sê indulgente, não o desprezes, tu que estás na plenitude das tuas forças. A caridade que exerceres com o teu pai não será esquecida, e ser-te-á considerada, em reparação de teus pecados." (Sir 3, 12-14)

 

Que palavra tão bonita! Deus está disposto a esquecer os nossos pecados por um acto de amor para com os nossos pais, algo que devia ser tão natural em nós...

Cuidar do pai e da mãe idosos aprende-se em família. Eu estou acostumada a ver a minha mãe cuidando incansavelmente da minha avó. E embora a minha avó nunca deixe de dizer "obrigada" e "por favor", já não reconhece a filha. Não é fácil acompanhar os seus delírios, ajudá-la a fazer a sua higiene quando ela quase não se mexe, partilhar o seu sofrimento todos os dias. Mas a minha mãe fá-lo de todo o coração. Terei eu, um dia, esta capacidade de entrega e esquecimento de mim mesma?

Sara e vovo mamã.jpg

Recordo aqui um texto de Santa Teresinha, que sempre me comoveu, em que ela relata a forma como cuidava de uma irmã muito idosa do convento:

"Custava-me muito oferecer-me para acompanhar a Irmã S. Pedro ao refeitório, porque sabia que não era fácil contentar a pobrezinha, que sofria tanto e que não gostava de mudar de acompanhante. Contudo, eu não queria deixar de aproveitar uma tão bela ocasião para praticar a caridade. Todas as tardes, quando via a Irmã S. Pedro sacudir a ampulheta, sabia que isso queria dizer: "Vamos!" É incrível como me custava sair, mas fazia-o imediatamente. Depois começava todo um cerimonial. Era preciso retirar e levar o banco de um modo especial, e sobretudo, não se apressar; a seguir, iniciava-se o passeio. Se ela dava um passo em falso, logo lhe parecia que eu a segurava mal; se procurava andar ainda mais devagarinho - "Logo vi que era nova demais para me acompanhar!" Quando chegávamos ao refeitório, era preciso arregaçar-lhe as mangas de um modo também especial...

Uma noite de inverno, em que cumpria, como de costume, o meu pequeno ofício, ouvi ao longe o som harmonioso de um instrumento musical. Então imaginei um salão bem iluminado, todo resplandecente de dourados, de donzelas elegantemente vestidas. A seguir, o meu olhar pousou na pobre doente que amparava; em vez de uma melodia, ouvia de vez em quando os seus gemidos queixosos; em vez de dourados, via os tijolos do nosso claustro austero, mal iluminado. Não consigo exprimir o que se passou na minha alma, o que sei é que o Senhor a iluminou com os reflexos da verdade, que ultrapassavam de tal maneira o brilho tenebroso das festas da terra, que não podia acreditar na minha felicidade! Ah, para gozar mil anos de festas mundanas, não teria dado os dez minutos gastos no cumprimento do meu humilde ofício de caridade!" (História de Uma Alma, Manuscrito C)

 

Que o Senhor nos ensine, como a Santa Teresinha, a escolher o mais importante, e a perceber que a felicidade do Céu vale bem um pequeno ou um grande esforço de caridade na Terra. Ámen!

 

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A Visitação da Fada Madrinha

por Teresa Power, em 15.11.14

- Que dia é hoje, mamã?

- Sábado. Hoje não há escola.

- E há catequese?

- Sim, há, António. Para os manos, claro!

- Que bom! A Isabel vem cá a casa e faz um bolo!

 

A Isabel já foi convidada várias vezes pelo nosso pároco para dar catequese. Ela conhece o catecismo e, sobretudo, tem uma grande fé. Mas a Isabel tem recusado, porque aos sábados, na hora da catequese, está muito ocupada: está na casa dos Power a cuidar dos mais pequeninos e a fazer bolo de chocolate! Eu explico:

Lembram-se da forma como comecei a dar catequese, aqui em Mogofores? A falta de catequistas, na altura, era tão grave, que o Niall se viu também na obrigação de colaborar. Afinal, havia um grupo sem catequista! Mas se os dois íamos dar catequese à mesma hora, quem iria cuidar do nosso bebé, o David? A avó adoraria fazer esse serviço, claro, mas vive a trinta quilómetros de distância e tem a seu cargo a sua mãe e minha avó, que sofre de demência e não pode ficar sozinha. Teríamos de levar o David connosco, naturalmente...

Foi então que um pequeno milagre aconteceu: a Isabel, mãe de três meninas, duas das quais iriam ser nossas catequisandas, ofereceu-se para ficar com o David durante essa hora.

- Tens a certeza de que não te importas? - Perguntei várias vezes, antes de aceitar ser catequista. A resposta foi invariável:

- Claro que não me importo! Tu e o Niall dão catequese às minhas filhas, e eu cuido do vosso bebé.

O acordo estava feito. Mas acontece que ao David, se sucedeu a Lúcia, e à Lúcia o António, e ao António a Sara... A Isabel tinha aceite vir à nossa casa sábado à tarde durante uma hora e pouco para cuidar de um bebé, mas não pensara na altura vir a cuidar de mais três! A cada um que nascia, eu perguntava de novo:

- Tens a certeza de que queres continuar a vir aqui sábados à tarde?

E a resposta foi sempre a mesma:

- Claro que sim!

 

Neste ponto, os meus caros leitores podem pensar que a Isabel se senta confortavelmente no sofá, durante a hora da catequese, e folheia uma revista... Nada disso! Eu acho que nessa hora, a Isabel corre e trabalha mais do que eu o dia inteiro, porque quando chego a casa, tenho a louça arrumada, a roupa passada, a roupa estendida, a sala aspirada, os botões pregados nas batas ou nas camisas e, por fim, um bolo a sair do forno para o lanche. Todos os sábados eu fico maravilhada diante de tanta capacidade de trabalho e de serviço. Nunca pedi à Isabel para fazer mais nada senão cuidar dos meus filhos, o que ela faz com esmero. Mas a Isabel arranja sempre tempo para me prestar mil outros serviços!

O Niall e eu já tentámos todas as estratégias para evitar que a Isabel trabalhasse em nossa casa. Um dia em que não conseguimos de todo lavar a louça do almoço (a catequese é logo depois de almoço), cobrimos a banca com um pano grande e colocámos em cima um papel a dizer: "PROIBIDO MEXER. PERIGO DE MORTE". De nada adiantou... Outro dia, atirámos com a desarrumação toda para dentro do escritório e colámos na porta um letreiro a dizer: "SE ENTRAR POR ESTA PORTA ESTARÁ POR SUA CONTA E RISCO. NÃO NOS RESPONSABILIZAMOS PELOS DANOS." Quando regressámos, o escritório estava imaculadamente arrumado. Ainda hoje não entendo como ela conseguiu!

Os pequeninos, claro, adoram a companhia e o bolo de chocolate, que a mãe nunca tem tempo de fazer, mas que a Isabel faz com tanto amor e tanta rapidez!

Quando a Lúcia nasceu, não hesitámos em convidar a Isabel e o marido para padrinhos, o que eles aceitaram com muita alegria. O estatuto de madrinha da Lúcia, aliado à capacidade milagrosa que a Isabel tem de transformar o caos da nossa casa em ordem, mereceu-lhe entre nós o título de "Fada madrinha"

Embora eu tenha muitas e lindas fotografias da Isabel com os meus filhos, achei que ela não iria gostar de as ver publicadas aqui. Assim, pedi à Lúcia que a desenhasse, para vocês a ficarem a conhecer. A Lúcia desenhou pois a Isabel e assinou o seu nome por cima. Acho que agora já a irão reconhecer quando se cruzarem com ela, não é verdade?

Isabel.jpg

É por tudo isto que a Isabel não dá catequese. Ela está onde Deus lhe pediu para estar, servindo sem que ninguém o saiba, dando sem pedir em troca, fazendo muito mais do que lhe foi pedido. A Isabel vive na perfeição a "quinta pedrinha" das Famílias de Caná, a "Visitação"... Nela se cumprem as palavras de Jesus:

 

"Quem de entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja o vosso servo. Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão." (Mt 20, 26-28)

 

Eu não tenho com que lhe agradecer, para além da minha amizade, da minha oração diária, quando a incluo no grupo dos nossos benfeitores, e da bênção diária que peço ao Senhor para ela e a sua família. Mas Deus tem! Deus nunca Se deixa vencer em generosidade. Um dia, no céu, Deus receberá a Isabel na sua alegria, pegar-lhe-á ao colo e dir-lhe-á, cheio de gratidão: "Agora é a Minha vez..."

 

 

 

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Visitação e matemática

por Teresa Power, em 13.11.14

Um fim de tarde bastante agitado de segunda-feira. O António queixava-se de uma unha que já não tinha, e que lhe deixava o dedo a descoberto; a Sara esqueceu-se de ir ao bacio quando sentiu necessidade (e não foi uma necessidade qualquer...); a Lúcia não se recordava se tinha de fazer um desenho sobre "agonia", "alergia", "alegria" ou outra coisa qualquer terminado em -ia, e tinha lágrimas nos olhos enquanto todos nos afadigávamos a procurar descobrir (como o tema geral era a paz, concluímos por fim, sabiamente, que seria "harmonia"); e de repente, fechada no seu quarto, a Clarinha rompeu em pranto. Chorava tão alto, que a Sara me veio avisar, puxando-me pela mão para me conduzir à irmã.

- Que se passa, Clarinha? - Perguntei, já em pânico, enquanto da cozinha me chegava um cheiro a queimado.

- Não consigo fazer nem um único exercício de matemática, dos que saem amanhã na mini-ficha! - E continuava a soluçar em alta voz.

- Clarinha, claro que consegues, tu sabias tudo no domingo, segundo disseste!

- MAS AGORA NÃO ME LEMBRO DE NAAAAAADA!

 

Corri à cozinha para desligar o fogão, e ouvi na rua uma buzinadela. Era a Carla, mãe de uma bela Família de Caná, a chamar a Clarinha para lhe dar boleia até à ginástica. A Clarinha soluçou do quarto:

- Diz à Carla que se vá embora, porque hoje eu não posso ir. NÃO POSSO IR! NÃO SEI NADA DE MATEMÁTICA!

Sem refilar, entreguei o recado direitinho. E agora vou reproduzir aqui a conversa que a Carla e eu podíamos ter tido. Podíamos, porque não tivemos. Podia ter sido assim:

- Carla, a Clarinha hoje não vai, está para ali a chorar por causa da matemática.

- Ok, queres que dê o recado à professora?

- Se fizeres o favor! Obrigada! Até amanhã!

- Bom trabalho para a Clarinha!

 

Este diálogo nunca existiu. Em vez dele, aconteceu isto:

- Carla, a Clarinha hoje não vai, está para ali a chorar por causa da matemática.

- Chorar por causa da matemática? Matemática é comigo! Deixa-me estacionar melhor. Posso entrar? Onde está ela?

- Está no quarto...

- Clarinha, filha, o que se passa?

Soluços e mais soluços - Esqueci-me de tudo!

- Mostra-me lá o que estás a dar. Ah, já vi, estas potências... E o que é que tu esqueceste?

Bem, agora não vos posso contar mais pormenores, porque de matemática do oitavo ano não entendo nada (para ser honesta, desde que Nuno Crato está no governo deixei também de perceber a matemática a partir do terceiro ano, mas isso é outra história).

A conversa prolongou-se durante uns bons quinze minutos, quinze minutos que atrasaram a aula da filhota da Carla, naturalmente; mas que secaram as lágrimas da Clarinha e abriram um sorriso na sua cara molhada.

- Ah, já me lembro! Acho que já me lembro de tudo... Pois é, é isso mesmo!

A Carla regressou ao carro, a Clarinha continuou a trabalhar na matemática, agora muito calmamente, e eu respirei de alívio, enquanto terminava o jantar. Mentalmente, pedi ao Senhor uma bênção dupla ou tripla para a Carla, que nos tinha visitado como Maria visitou Isabel, trazendo-nos a paz, a alegria e o amor de Jesus...

 

"Maria dirigiu-se a toda a pressa a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel." (Lc 1, 39-40)

Clarinha a estudar.JPG

Aqui há algum tempo, várias Famílias de Caná disseram-me que tinham alguma dificuldade em viver a quinta "pedrinha" do nosso compromisso, a Visitação. Afinal, como a Carla  nos mostrou, pode ser tão simples! Quinze minutos... E as Aldeias de Caná a nascer...

Que o Senhor nos ensine a servi-l'O onde Ele está: no irmão que precisa de nós! Ámen.

 

 

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Visitação

por Teresa Power, em 02.06.14

Na nossa terra, fazemos algumas procissões ao longo do ano. A minha preferida é a da Visitação, que aconteceu ontem, domingo. Depois da missa, saímos do Santuário na companhia de um andor especial, pois levava duas belas imagens: a de Nossa Senhora e a de sua prima, Santa Isabel. Na verdade, pouco tempo depois de saber que estava grávida,

 

"Maria partiu a toda a pressa para as montanhas, para uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?»" (Lc 1, 39-43)

 

Esta alegria contagiante entre Maria, Isabel e os bebés que ambas traziam no ventre é a essência do Evangelho. Jesus veio para nos fazer saltar de verdadeira alegria, como fez saltar João Baptista antes mesmo dele nascer; Jesus veio para nos pôr a caminho, como fez com Maria, que a toda a pressa foi visitar a prima idosa; Jesus veio para nos encher do Espírito Santo, como fez com Isabel, a primeira mulher a rezar a Avé-Maria!

 

E pusémo-nos a caminho...

 

 

Pelas ruas de Mogofores, na companhia de Nossa Senhora e de Santa Isabel, representadas naquelas imagens, nós pusémos em prática o mistério da Visitação: em cada casa onde havia um doente - previamente contactado pelos visitadores de doentes da paróquia - o senhor padre entrou e ungiu com o óleo o doente, administrando a Santa Unção, esse sacramento belíssimo de cura que Jesus nos deixou. Cá fora, nós cantávamos e rezávamos o terço. E desta forma tão simples, anunciámos ao mundo a alegria do Evangelho.

 

 

 

Na Vigília do Pentecostes de 18 de maio de 2013, o Papa Francisco disse:

 

"A Igreja deve sair de si mesma. Para onde? Para as periferias existenciais, sejam eles quais forem; mas sair. Jesus diz-nos: «Ide pelo mundo inteiro! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho!» (cf. Mc 16, 15). Devemos ir ao encontro e devemos criar, com a nossa fé, uma «cultura do encontro», uma cultura da amizade, uma cultura onde encontramos irmãos."

 

No mistério da Visitação, Nossa Senhora antecipou o pedido de Jesus no mistério da sua Ascenção: anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Este ano, estas duas celebrações da Igreja aconteceram em dois dias seguidos - a Visitação, como sempre, a 31 de maio, e a Ascenção, no Domingo VII depois da Páscoa, que foi a 1 de junho. A nossa paróquia viveu estes dois mistérios numa mesma caminhada, numa mesma procissão. Quantas graças!

 

 

E falando em caminhadas - um leitor deste blogue sugeriu-me uma peregrinação muito especial, para a família inteira, que vai acontecer nos dias 13, 14 e 15 de junho no norte de Portugal: a Peregrinação Nacional das Famílias ao Santuário de S. Bento da Porta Aberta. Na verdade, as peregrinações são das formas mais eficazes de reavivar a fé, a esperança e o próprio amor entre os membros da família. E o verão é o tempo ideal para as fazer! Fica o desafio.

 

Que a Mãe da Visitação nos ajude a descobrir formas de, em família, caminhar a toda a pressa para cumprir o mandamento que Jesus nos deu no dia da sua Ascenção. Ámen!

 

 

 

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