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A missa da Lúcia

por Teresa Power, em 19.01.14

A Lúcia é muito conhecida na missa. Ela gosta de passear pelos bancos, para a frente e para trás, sem fazer barulho (ao menos isso!) mas conversando com toda a gente. E no final sai bem recompensada! Às vezes são chocolates, outras são bolachas, outras um brinquedo... Um dia, a sua boneca recebeu uns sapatinhos de lã brancos. No domingo seguinte, ganhou um gorro vermelho. Fiquei com a sensação de estar a assistir a uma sã competição entre as avós da nossa paróquia, cada uma querendo fazer a melhor peça de roupa para o Nenuco...

Quando a Lúcia me identifica os "dadores" de tantos dons, e eu tenho a oportunidade de lhes agradecer em seu nome, escuto comentários como este:

- Tinha de lhe dar um presente, pois todos os domingos a sua menina me diz que estou linda!

 

 

 

 

Fico a pensar em Jesus. Na missa, nós damos-Lhe muito pouco... Afinal, uma hora em 168 horas que a semana tem, é mesmo pouco! Mas Ele dá-Se todo a cada um de nós.

 

Perguntaram um dia à Madre Teresa:

- Madre, não se assusta perante os milhões de pessoas que precisam da vossa assistência? Não desanima por não poderem socorrer a todos?

E a Madre Teresa respondeu no seu tom levemente brincalhão:

- Milhões? Eu abro a porta e só vejo um, um, um, um...

Depois acrescentou:

- Deus só sabe contar até um!

 

O Papa Francisco disse na homilia do dia 11 de janeiro:

"Deus ama-nos com um amor artesanal, ou seja, um amor feito à medida de cada um de nós."

 

Assim, durante a missa, Jesus caminha para a frente e para trás por entre os bancos, dizendo-nos palavras de amor ao ouvido do coração. A sua atenção não está na multidão que se junta na igreja, mas em cada um de nós individualmente, como se mais ninguém existisse.

Terminámos o tempo de Natal. Gosto de imaginar Jesus Menino, da idade da Lúcia, a dizer-me o quanto me ama. Já aos cinco anos, Jesus vivia para mim. É difícil acreditar nisto, mas é a mais pura verdade!

 

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publicado às 09:06

Deus fala connosco?

por Teresa Power, em 18.01.14

A nossa oração familiar, ao fim do dia, tem duas partes: a primeira, com a família completa, é feita de histórias da Bíblia, música, dança, palmas, alguns gritos e raspanetes, e muitos "obrigados" a Jesus. Deitamos os três mais novos, pelas oito e meia da noite, e continuamos a oração com os três mais velhos. É a segunda parte: partilhamos as leituras da missa do dia e rezamos o terço. Mas antes, fazemos alguns minutos de silêncio.

 

- O que é que devo dizer a Jesus quando faço silêncio? - Perguntou o David, quando no início deste ano lectivo foi "admitido" à "oração dos crescidos".

- Contas-lhe coisas - Explicou a Clarinha.

- Podes começar como eu começo: olá Jesus! - Acrescentou o Francisco.

- Pede a Jesus que te ensine a seres sempre bom menino, a crescer e a aprender... Diz a Jesus que queres sempre ser seu amigo... - Completei eu.

E assim se passaram uns meses. Quando faz silêncio, o David põe as mãos em oração e fecha os olhos, e de vez em quando espreita pelo canto do olho para ver se os outros já acabaram.

 

Mas ontem ele fez uma pergunta mais difícil:

- Há muito tempo que eu ando a falar com Jesus, mas Jesus ainda não falou comigo! Como é que eu ouço o que Ele me diz?

Olhámos todos uns para os outros...

Há por aí quem me ajude a responder ao David?

 

 

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publicado às 09:28

Conta-me uma história!

por Teresa Power, em 17.01.14

Quatro e meia da tarde. Como de costume, chego a casa com os seis no carro, abro a porta e eles correm para a cozinha, para lanchar. Depois, sento-me na sala com os mais novos, para brincarmos um pouco antes da "hora de ponta" dos banhos e jantares. A Lúcia pede-me uma "história de Jesus".

- Qual queres, Lúcia? - Pergunto. A Lúcia conhece muitas histórias da Bíblia, do Génesis aos Evangelhos, e deleita-se a escutá-las.

- Quero aquela do menino doente que não sabia andar!

- Menino doente?

- Sim, que estava sempre deitado, como é que se diz?

- Ah, a história do paralítico?

- É isso! E depois os amigos dele levaram ele até Jesus, desceram ele pelo telhado, e...

A dançar e a gesticular, a Lúcia começa a contar a história. Está tão contente e expressiva, que espontaneamente a interrompo:

- Importas-te de esperar um bocadinho, Lúcia? Posso filmar enquanto tu me contas a história?

Ela espera, e eu vou buscar a máquina. Se quiserem ler a história do paralítico nos evangelhos, podem abrir em Marcos 2, 1-12. Aí se conta como quatro amigos decidiram ajudar um paralítico a ir ter com Jesus. E como, impedidos de entrar na casa onde Jesus estava, abriram um buraco no tecto e fizeram descer por ele o catre.

Mas se quiserem a versão da Lúcia, então vejam e escutem com muita atenção:

 

 

 

E agora digam-me lá se há histórias mais belas do que as da Bíblia para fazer uma criança vibrar!

 

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publicado às 08:47

Retiro para famílias a 15 de fevereiro - lembrar!

por Teresa Power, em 16.01.14

O desafio já foi lançado, mas as inscrições ainda não chegaram! Quem quer arriscar? O retiro vai ser fantástico, o local é excelente, as crianças vão ter um dia inesquecível, a magia do Francisco é divertida, o piquenique vai ser para comer e chorar por mais, e acima de tudo, Jesus vai passar à nossa beira, e vamos poder tocar-Lhe na orla do manto!

 

Quando acabámos o último retiro, o António perguntou-me, com a boca cheia de chocolate:

- Mamã, isto foi um "retiú" ou uma festa?

E um casal comentou, em tom de brincadeira mas falando a sério:

- Devia ser obrigatório fazer um retiro destes quando se quer formar uma família cristã!

 

O Papa Francisco deixou anteontem no Twitter:

 

"O Senhor bate à porta do nosso coração. Será que temos nela afixado um cartãozinho a dizer: «Não perturbar»?"

 

Fazer um retiro, e fazer um retiro em família, é deixar que Deus nos perturbe, e podemos ter a certeza de que Ele vai perturbar! Mas depois do "terramoto", descobriremos uma felicidade que até então não julgávamos possível experimentar...

Estamos à vossa espera!

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publicado às 08:48

A missa dos bebés

por Teresa Power, em 15.01.14

Neste post, descrevi um pouco aquilo que se passa na missa quando arriscamos levar os nossos filhos mais pequeninos. No dia seguinte de manhã, uma mãe comentou comigo, à porta do infantário:

"Ao ler o post lembrei-me do que acontece connosco todos os domingos. Às vezes fico tão envergonhada de andar pela igreja quase a correr atrás dele!"

No comentário ao post, a Helena também dizia:

"É tão especial para mim quando o meu filho, ao colo, encosta a sua orelha à minha boca para me ouvir cantar e começa a abanar numa espécie de dança, como se soubesse que aquelas canções são diferentes.. .são orações ao nosso criador!"

 

Mas o mais engraçado foi que, no mesmo dia em que eu escrevi sobre esta nossa "aventura" das manhãs de domingo, o Papa Francisco baptizava 32 crianças na Capela Sistina. E para que ninguém se sentisse intimidado pela solenidade do momento, tratou logo de dizer:

 

"Hoje o coro canta, mas o coro mais belo é o das crianças. Algumas delas quererão chorar porque têm fome ou porque não estão confortáveis. Estejam à vontade, mamãs: se elas tiverem fome, dêem-lhes de mamar, porque elas são as pessoas mais importantes aqui."

 

Recordo-me das palavras do salmista:

 

"Da boca das crianças e dos meninos de peito

fizestes sair o louvor mais perfeito" (Sl 8, 3)

 

Na missa, ao colo do pai, a Sara vai batendo palmas enquanto o coro canta. E agora sabemos que na Capela Sistina pode-se chorar, rir e até mamar! São esses os três primeiros passos a caminho da adoração perfeita. Pouco a pouco, crescendo na igreja como em casa, estes mesmos bebés irão aprender a rezar, a fazer silêncio, a ajoelhar-se no momento da consagração. E depois de saciados com o leite das suas mães, irão conhecer o Pão que sacia de Vida eterna.

 

O Papa vem pedir-nos, recordando as palavras de Jesus, que não afastemos os bebés da Igreja. É preciso ter pressa em baptizar os filhos, é preciso ter pressa em levá-los à missa, é preciso ter pressa em levar as crianças pequeninas ao sacramento do perdão. Cada sacramento é um encontro pessoalíssimo com Jesus, em festa e alegria. E os nossos filhos precisam de se encontrar pessoalmente com Jesus antes de se encontrarem com quem quer que seja nas suas vidas!

 

No Natal de 2011, ainda a Sara não existia senão no pensamento de Deus, fizémos na paróquia um pequeno vídeo-testemunho que aqui partilho. Levar os filhos a Jesus e levar Jesus aos filhos é a tarefa mais nobre de uma família cristã.

 

 

 

 

 

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publicado às 08:52

A paz

por Teresa Power, em 14.01.14

Os três mais novos tinham trabalho de casa do infantário: construir, em família, uma pomba da paz, e conversar sobre o que é isso da paz. O desafio estava lançado para mais uma evangelização familiar!

Pedi ao Francisco, o nosso "mestre do origami", que procurasse na net uma pomba da paz em origami e a construísse connosco. Os mais pequenos adoram os origamis do irmão, que faz nascer cavalos, borboletas, sapos e macacos de um pedaço de papel branco. A pomba da paz ficou linda!

Sentei-me junto da lareira com eles, enquanto os mais velhos, por perto, iam fazendo as suas coisas e mantendo um ouvido atento à nossa conversa.

 

 

- O que é isso de estar em paz?

- Eu sei! É ficar sozinho!

- Pois é, a mamã diz que quer ficar em paz e nós vamos para os quartos fazer barulho!

Dei uma gargalhada.

- Isso sou eu que digo palavras tolas. Estar em paz não é estar sozinho, pois para haver paz é preciso haver outras pessoas. Por exemplo, o que é "fazer as pazes"?

- É fazer a paz!

- Isso mesmo: a paz nasce do perdão. Quando desculpamos o outro, quando somos bons até para quem é mau, isso é a paz. Sabem o que diz a Bíblia sobre a paz?

Eles quiseram ouvir. Abri o Livro do Profeta Isaías e li:

 

"Então o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito;

o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá.

A vaca pastará com o urso, e as suas crias repousarão juntas;

o leão comerá palha como o boi.

A criancinha brincará na toca da víbora e o menino desmamado meterá a mão na toca da serpente." (Is 11, 6-9)

 

Quando acabei de ler, eles estavam fascinados e pediram para repetir. Depois ficaram a conversar sobre ursos, leões e víboras, enquanto eu fui cuidar da Sara, que acordara da sesta.

 

Chegou a hora da nossa oração familiar. Na sua vez de partilhar a oração, o David rezou assim:

- Jesus, quando for o Dia Mundial da Paz vou pegar numa víbora com as mãos e vou ser o maior!

E sem esperar que ele acabasse, a Lúcia acrescentou:

- Jesus, e eu vou fazer festinhas a um ursinho branquinho do Pólo Norte!

- Esse era para mim! - Gritou o António.

O Niall abanou a cabeça, a rir:

- Que é que tu lhes estiveste a ensinar sobre a paz?

E o Francisco, num tom brincalhão: - Isso é interpretação literal da Bíblia! 

 

Procurar o sentido profundo da Palavra de Deus é sinal de maturidade espiritual. Mas interpretar a Bíblia à letra é privilégio das crianças. Para elas, a Bíblia é um livro de histórias fantástico, cheio de príncipes e princesas, reis e raínhas, guerreiros, cavaleiros e gigantes, jardins zoológicos dentro de navios e tsunamis que transformam o mar em muralhas. Uma história da Bíblia antes de dormir é um bilhete para sonhos felizes.

 

Bem, interpretar a Bíblia à letra na nossa casa faz bastante sentido, se pensarmos em cenas como esta, repetidas a cada novo bebé e a cada novo gato, num breve instante de distracção:

 

 

 

Graças a Deus e à sua paz, nenhum dos nossos filhos alguma vez sofreu o mais pequeno arranhão!

 

Mas o sentido profundo da Palavra é mais exigente. Nas alturas em que todos gritam e ralham, a começar por mim, os mais velhos se insultam, os mais novos se batem, e até a bochecha do David aparece mordida pela Sara, pergunto-me por onde andará a paz!

Depois escuto, muito baixinho, as palavras de Jesus, repetidas a cada geração, a cada família, a cada um de nós... As palavras que ordenaram ao vento que se calasse e ao mar que acalmasse; as palavras que perdoaram ao paralítico e à mulher adúltera; as palavras que ressuscitaram Lázaro e fizeram Zaqueu descer da árvore. E sei... 

... que o nome da paz é Jesus! N'Ele estão todos os "dias mundiais da paz" a que se referia o David. N'Ele estão também todas as "pazes" da nossa família, que depois de cada discussão se refaz uma e outra vez...

 

 

 

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publicado às 08:46

A missa de um jovem

por Teresa Power, em 13.01.14

Escrito pelo Francisco...

 

O meu pai contou-me que quando era estudante e estava na Alemanha, numa aldeia muito pequenina dos Alpes, nenhum dos seus colegas ia à missa. Assim ele não tinha boleia para a igreja.  Só havia uma missa em cada domingo em toda a região e, para piorar a situação, ele tinha de ir a pé, atravessando campos gelados (pois a estrada principal era muito perigosa), demorando cerca de cinquenta minutos só para chegar à igreja. No entanto fazia-o todos os domingos, sem excepcão, caminhando na neve, durante os seis meses em que lá esteve, enquanto os colegas ficavam a dormir até tarde...

 

Felizmente eu não tenho esses problemas e não vivo num país como o Iraque em que é perigoso ir à missa, como eu li num livro que adorei, O Preço a Pagar por me Tornar Cristão. Pelo contrário, da minha casa até à igreja são só três minutos de bicicleta.

Para mim, a missa é muito importante: é uma oportunidade de estarmos frente a frente com Deus. Não digo que de vez em quando não possa ser uma maçada, especialmente quando a homilia é longa... Mas não é um esforço para mim acordar cedo todos os domingos de manhã para ir à missa. Algo que ajuda muito é estar diretamente envolvido na paróquia, pois canto e toco guitarra no coro da igreja. Essa é outra razão pela qual eu sinto que sou preciso na missa.

Hoje em dia há cada vez menos jovens a ir à missa, apesar de ser tão simples e seguro para nós fazê-lo, mas eu irei sempre, nem que seja o único. Temos de aproveitar esta oportunidade que Deus nos dá.

 

 

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publicado às 08:57

A missa de uma família numerosa

por Teresa Power, em 12.01.14

Manhã de domingo. Nos quartos, as crianças vão acordando.

- Mãe, hoje é escola, praça ou missa? - Pergunta o António.

- Hoje é missa, despacha-te!

- Eu queria que fosse praça.

- Mas não é. Não te lembras que foste ontem à praça? Hoje é missa. Vamos, veste-te depressa, para não chegarmos atrasados!

 

Saio de casa às 9h30 com os três mais velhos, pois fazemos parte do coro e precisamos de nos preparar, de afinar as guitarras e as vozes. O Niall ainda fica com os três pequeninos mais uns minutos, ganhando coragem para a hora que se vai seguir, pois ela vai ser muito, muito difícil... Chega à igreja perto das 10h. E durante uma hora, terá de tomar conta de três crianças pequeninas que insistem em brincar nos degraus do altar, em dançar ao som do Aleluia, em passear para a frente e para trás entre os bancos. Às vezes é preciso ir buscar alguma ao ambão...

 

 

 Nos degraus do altar, eles são bem capazes de meter conversa com quem quer que passe, incluindo o senhor bispo nas ocasiões em que vem celebrar connosco:

 

 

Sabem o que a Lúcia estava a perguntar ao senhor bispo? Ora ouçam:

- Porque é que tu tens esse barrete na cabeça?

!!!!!

 

No final da missa, o Niall às vezes não tem bem a certeza de ter estado lá.

Mas esteve!

Não seria mais fácil ficar um dos pais em casa com as crianças? Não seria mais confortável para todos - pais e outros adultos da comunidade - deixar as crianças longe da Eucaristia? Claro que sim. Mas depois vem Jesus e diz-nos:

 

"Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque delas é o Reino dos Céus." (Lc 18, 16)

 

Sabemos que há muitos sacerdotes um pouco esquecidos desta passagem do evangelho, que convidam as crianças a sair ao menor sinal de irrequietude. Graças a Deus, o nosso pároco diz abertamente para todos os que quiserem ouvir: "As nossas Eucaristias têm estado mais barulhentas ultimamente, com muito choro e muito riso infantil. Ainda bem!" Uma igreja demasiado silenciosa não está de acordo com o Evangelho.

 

Jesus passa por nós todos os domingos na Eucaristia, da mesma forma que passava na Galileia, na Judeia e na Samaria. Há dois mil anos atrás, as multidões corriam atrás de Jesus para Lhe tocar ao menos na orla do seu manto! E à sua passagem, os coxos andavam, os cegos viam, os mudos falavam, os doentes eram curados e até os mortos ressuscitavam.

Na missa, fazemos muito mais do que tocar na orla do manto de Jesus: escutamos a sua Palavra, conversamos com Ele e recebemo-l'O em nossa casa, no nosso coração. Não pode haver maior intimidade!

No seu maravilhoso comentário ao post "A missa II", a Glória dizia: "A missa é a Oração mais completa que temos. É individual e comunitária, tem a oração penitencial -reconciliamos-nos pedindo perdão, com Deus, com os irmãos, connosco próprios; tem orações de louvor; de petição , intercessão; de acção de graças; de Adoração!! Tudo em comunidade no intervalo de uma hora!! Quando é que em casa conseguimos este "prodígio"?"

 

Então eu não quero de forma alguma que os meus filhos fiquem longe desta fonte de graça e de amor. Vou fazer tudo o que puder para que eles possam correr para Jesus, como as crianças judias corriam, e saltar para o seu colo amigo. Vou fazer tudo o que puder para que eles aprendam desde bebés a escutar a sua voz e a sua Palavra.

E mesmo que eles estejam distraídos, mesmo que eu, por sua causa, esteja distraída, eu sei que Jesus não está. Diz o salmista:

 

"Aos teus amigos, Tu dás o pão mesmo durante o sono"

(sl 127/126)

 

Na missa, estamos como que adormecidos, pois não temos capacidade para entender o mistério. A missa não é obra nossa, mas de Deus! E à sua passagem, eu e a minha família iremos ficar curados de ressentimentos e medos, iremos aprender a caminhar no bem, iremos converter o coração para que se torne uma morada digna do Céu.

 

Domingo é dia de missa. Como podemos ficar na cama quando sabemos que Ele vai passar na nossa terra? Depressa, não queremos chegar atrasados ao encontro! Juntemo-nos à multidão e deixemo-nos contagiar pela alegria dos que acreditam!

 

 

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publicado às 07:35

Não tenhas medo!

por Teresa Power, em 11.01.14

 Os meninos brincavam no jardim, quando de repente os foguetes dispararam no céu. Aflita, a Sara desatou a chorar. Eu saí da cozinha a correr, mas parei à porta: o António, do alto dos seus três anos, segurava a mão da Sara e dizia-lhe baixinho:

- Não tenhas medo, eu estou aqui!

Regressei à cozinha e ao fogão, para acabar de preparar o jantar. A Sara já tinha acalmado.

 

 

S. João, o grande amigo de Jesus, escreveu uma carta maravilhosa aos primeiros cristãos, que a Igreja medita nesta última semana do Natal. Todos os dias lemos um pedacinho dela na nossa oração familiar, quando meditamos nas leituras da missa diária. Num destes dias, S. João escrevia assim:

 

"No amor não há temor, pois o amor expulsa o temor." (1Jo 4, 18)

 

Jesus repetia muitas vezes aos seus amigos:

 

"Não tenhas medo!" (Lc 12, 32)

 

E acrescentava:

 

"Sou Eu!" (Mc 6, 50) 

"Eu estou aqui!" (Mt 8, 23-26)

"Crê somente!" (Lc 8, 50)

 

A fé é uma injecção de coragem e alegria nas nossas vidas. Se acreditamos que Jesus morreu para nos dar a eternidade, porque havemos de ter medo seja lá do que for? A Sara secou as lágrimas quando o António, de três aninhos apenas, lhe deu a mão. Vivendo de mãos dadas com Jesus, que é muito mais poderoso do que o António, nada temos a temer!

 

O ensinamento deste mês para as Famílias de Caná fica aqui disponível, pois tem exactamente o título Não tenhas medo_4_1_14.pdf

 

 

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publicado às 07:07

O dado

por Teresa Power, em 10.01.14

A Clarinha tem um dado entre as suas coisas pessoais. Fê-lo na catequese e lança-o muitas vezes de manhã. É assim:

 

 

Amar é um verbo e, portanto, uma acção. Amar é uma decisão. Amar não é sentir qualquer coisa, mas fazer qualquer coisa. Eu não amo o meu irmão se sinto simpatia, paixão ou qualquer outra coisa por ele; amo-o se tenho para com ele gestos concretos de amor. Disse Jesus:

 

"Nem todo aquele que diz "Senhor! Senhor!" entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai" (Mt 7, 21)

 

Hoje vivemos a "ditadura do sentimento". Alguém me falava, num comentário, sobre a triste realidade do divórcio na nossa sociedade. Há naturalmente histórias terríveis de pessoas que são atiradas para o divórcio porque não lhes resta outra alternativa, mas também há muitas pessoas que simplesmente "deixaram de sentir amor". O sentimento enfraqueceu, e erradamente julgaram que o amor morrera.

Mas amar é uma decisão! Eu decido cuidar dos meus filhos, decido ajudar os outros, decido ir à missa ao domingo, decido fazer gestos que me aproximam do meu marido ou da minha esposa, apeteça-me ou não. Insistindo na nossa decisão, um dia descobriremos que o deserto se cobriu de flores: os nossos gestos acordaram em nós o sentimento feliz que procurávamos.

 

Assim, é uma óptima ideia começar o dia com uma decisão concreta sobre gestos de amor. Dizer apenas "Hoje vou amar" é demasiado vago. Decidir, logo pela manhã: "Hoje não me vou zangar com os meus manos", ou "Hoje vou ajudar os meus pais sem eles me chamarem", ou "Hoje vou rezar um salmo", ou "Hoje vou sorrir ao meu marido quando ele chegar a casa cansado", ou "Hoje vou arrancar-me da cama e vou à missa porque Deus me espera lá", ou qualquer outro gesto de amor a Deus e ao próximo, ajuda-nos a centrar o nosso pensamento e o nosso desejo num gesto bem concreto. E gestos concretos são amor.

 

Quando vejo a Clarinha muito zangada com os irmãos, participando nas brigas dos mais pequenos com ímpeto infantil, recordo-a do dado. Mas geralmente não preciso de o fazer. Observando os seus gestos - muito mais frequentes - de atenção para comigo, para com o pai e para com os irmãos, sei que ela o lançou...

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publicado às 08:53




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