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Atletas de Cristo

por Teresa Power, em 21.10.14

Desde pequena que a Clarinha sonha com ginástica e que pratica na escola, em casa, na praia, no campo, em todo o lado. Finalmente, o ano passado, abriu perto de nós, no Velódromo Nacional de Sangalhos, uma classe de ginástica rítmica, permitindo à Clarinha concretizar o seu grande sonho: praticar para competição!

A Clarinha tem sido um exemplo de determinação! Olhem só como ela faz para estudar para o teste de Físico-Química e não deixar de treinar as suas espargatas diárias ao mesmo tempo:

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No sábado, a Clarinha teve a sua primeira exibição, na Feira Social de Anadia, dançando com a sua classe de competição. Estava linda! Reconhecem-na?

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 Em breve, a Clarinha terá a sua primeira prova. E depois outra, e mais outra... Às vezes, quando chega a casa, a Clarinha tem o corpo todo dorido. Sabem o que a professora lhe diz para fazer quando as costas doem demais? Continuar a dobrá-las, até a dor passar! Ah... O segredo não é desistir, mas insistir.

Quando tem tempo, a Clarinha senta-se em frente do computador para ver exibições das suas ginastas favoritas, as grandes campeãs dos Jogos Olímpicos. E enquanto as observa com atenção, a Clarinha sente-se desafiada a trabalhar o seu corpo para atingir a perfeição que lhe é possível.

Recordo aqui o encontro de Jesus com o jovem rico. Imagino o entusiasmo do jovem rico, ao saber que o grande profeta andava por aquelas paragens! Chegara a sua oportunidade de se deixar desafiar. Quem sabe não estaria a tempo dos "Jogos Olímpicos" do Reino de Deus! O jovem correu ao encontro de Jesus:

"Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?" (Mt 19, 16; Mc 10, 17)

Sabem o resto da história: Jesus desafiou-o a cumprir os mandamentos... Desilusão! Que desafio tão baixinho... Os mandamentos, já ele os cumpria desde a sua juventude! Não poderia saltar mais alto? Não teria Jesus "exercícios" mais difíceis a propor? Diz-nos o evangelho então que 

"Jesus olhou para ele com amor e disse: «Se queres ser perfeito, vai vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-Me.»" (Mt 19, 21; Mc 10,21)

De olhos baixos e ombros caídos, o jovem rico foi-se embora. Certamente que continuou a ser rico, mas nunca mais foi feliz: entre felicidade e facilidade, o jovem fez a sua escolha. Os "Jogos Olímpicos" do Reino não foram para ele...

No final desta fase de trabalhos do Sínodo da Família, o Papa fez algumas conclusões e alertou-nos para algumas das mais perigosas tentações dos cristãos: a tentação farisaica de reduzir a relação do homem com Deus a números e gráficos, porque "está escrito"; e a tentação "liberal" e "medrosa" de "enfaixar as feridas antes de as curar", que torna a Igreja mundana. É preciso, diz o Papa, ser misericordioso como Jesus é misericordioso, mas exigente como Jesus é exigente.

As costas doem, a espargata não abre mais? O segredo não é deixar de treinar, nem treinar menos, mas pelo contrário, insistir, insistir, insistir...

Enquanto "treinamos", percamos algum tempo a "ver vídeos" sobre aqueles que alcançaram o "pódio", para não nivelarmos por baixo os nossos esforços. É que, contrariamente ao desporto, no "atletismo divino" todos alcançamos a recompensa pela qual trabalhamos!

Como Pedro, Tiago, João, Zaqueu, Madalena; como Teresa de Ávila, João da Cruz, Clara de Assis, Joana Beretta-Molla, Francisco Xavier, o casal Beltrami, o casal Martin... seremos menos ricos, mais sujos, mais suados, teremos as "costas" mais treinadas, mas ao contrário do Jovem Rico, seremos imensamente felizes!

Bendito seja Deus, que não baixa a fasquia! Ao levantar-me do chão, onde tantas e tantas vezes volto a cair, o Senhor cura as minhas feridas, enfaixa-as em perdão e ternura, e por fim, "olhando-me com amor", lança-me de novo no treino para os "Olímpicos" do Reino... 

Que a Clarinha seja para mim exemplo de determinação, esforço, alegria - e vitória, nesta aventura da santidade. Ámen!

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publicado às 06:42

Herdeiros da Bênção

por Teresa Power, em 20.10.14

São oito horas e dez minutos da manhã. Já vamos atrasados para o colégio! A fila de carros será interminável, se não nos despacharmos.

- Não se esqueçam do cartão da Arca do Tesouro! - Grito, já sentada ao volante. O David volta para trás e regressa com um cartão na mão. Ele quase nunca se esquece!

Como já contei, todas as manhãs, no carro, durante a nossa oração, lemos uma pequena passagem da Bíblia, que retiramos ao acaso da nossa Arca do Tesouro, bem recheada de cartõezinhos bíblicos. Há-os à venda em livrarias católicas, e também são muito fáceis de fazer à mão!

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- Queres ler o teu, David? - Peço, já perto do colégio. E o David lê:

 

"Abençoai, pois fostes chamados para serdes herdeiros da bênção." (1Pe 3, 9)

 

- Que boa ideia esta Palavra nos dá! É preciso abençoar o dia inteiro...

- E o que é abençoar?

- É desejar o bem, e pedir para essa pessoa a paz, o amor, a alegria, a graça de Deus.

- E fazemos isso como?

- No nosso coração. Quando nos encontramos com alguém, podemos rezar baixinho: "Senhor, abençoa este meu amigo, e dá-lhe tudo de bom!" Claro, devemos pedir a bênção para todos, amigos e inimigos...

 

Ficamos um bocadinho em silêncio, pensando na Palavra. Depois rezamos um Pai-Nosso, uma Avé-Maria, um Glória. Mais tarde, recordo novamente a Palavra. Deixo passar tantas oportunidades de bênção ao longo do dia... Que posso fazer para não me distrair? Talvez possa tornar a minha oração mais concreta. A partir de hoje, vou pedir a bênção sobre o irmão em ocasiões muito específicas:

Sempre que, ao longo do dia, me ofendem ou magoam...

Sempre que um vizinho me vem oferecer um cesto de fruta, um saco de roupa...

Sempre que um amigo dá boleia à Clarinha para a ginástica ou a qualquer um dos meus filhos para casa...

Sempre que um amigo distante telefona...

Sempre que entro na sala de aula (especialmente em algumas!)

Sempre que, no noticiário, fico a saber do sofrimento de alguém...

Sempre que, no blogue, alguém comenta...

Sempre que, no mail, alguém me pede oração ou partilha a sua vida comigo...

 Sempre que repito o gesto diário de ligar a máquina da roupa (esta vocês não entendem, mas paciência, não posso explicar tudo!)...

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A bênção de Deus nunca é vã. Como herdeiros da bênção, não deixemos de a oferecer a todos, bons e maus, justos e injustos!

Que o Senhor vos abençoe hoje e sempre! Ámen.

 

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publicado às 06:45

Paulo VI

por Teresa Power, em 19.10.14

Beato Paulo VI, roga por nós! Roga pelas famílias cristãs, que necessitam de tanta misericórdia, tanto cuidado, tanto enfaixar de feridas - mas também tanto desafio à santidade!

 

Hoje, no Vaticano, Paulo VI foi beatificado, e queremos dar graças a Deus por tão grande dom à sua Igreja. Quanta gratidão para com quem, com sofrimento e coragem, soube acreditar em Deus e na sua criatura, o Homem!

Obrigada, papa querido, por não teres tido medo de desafiar a tua Igreja, em especial as famílias, à santidade, no meio do terramoto em que viveste. Queremos ser herdeiros da tua grande coragem e da tua grande misericórdia... Roga por nós!

 

(Quando tiver um pouco mais de tempo, dedicarei mais umas palavras a tão grande papa e ao que ele fez - sem o saber - pela nossa família... a sério!)

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publicado às 11:24

Falando de poesia...

por Teresa Power, em 19.10.14

Há duas semanas atrás, lemos todos os dias ao serão um verdadeiro poema, dos bons, dos grandes, dos que fazem borbulhas na pele e suster a respiração. Falo da primeira leitura da missa diária, retirada do Livro de Job. Ora escutem só um dos trechos que lemos:

 

“O Senhor falou a Job do meio da tempestade: «Porventura alguma vez na vida deste ordens à manhã e marcaste à aurora o seu lugar, para que ela agarre as extremidades da terra e dela sacuda os malfeitores? Deste ordens à terra para ela se moldar como a argila debaixo do sinete e tingir-se como um vestido, recusando a luz aos malfeitores e quebrando a força do braço erguido? Acaso desceste às nascentes do mar e andaste pelo fundo do abismo? Foram-te abertas as portas da morte e viste os portões do país das trevas? Abrangeste com o olhar a extensão do mundo? Fala!»” (Job 38, 1.12-21)

Na universidade, há vinte anos atrás, tive uma professora de Estudos Literários que não era crente. No primeiro dia de aulas, contudo, ela recebeu-nos assim:

- Quero dizer-vos desde já que há um livro de leitura obrigatória por todos os que desejam estudar literatura. Sem o conhecimento deste livro, não serão capazes de entender profundamente a literatura ocidental, seja ela qual for. Não entenderão Goethe, Shakespeare, Camões, Júlio Dinis, Saramago. Serão analfabetos literários. Este livro é a Bíblia.

 

Nunca mais esqueci aquelas palavras. Na verdade, a Bíblia marca toda a nossa cultura, toda a nossa arte, toda a nossa herança ocidental. Podemos fazer leis para a proibir, podemos retirar as referências à religião cristã das constituições de todos os países europeus, mas não podemos retirar a influência profunda e marcante da Palavra de Deus na vida de todos nós. E se isto é verdade para os não crentes, quanto mais será verdade para os crentes!

 

Ao escutar a leitura do Livro de Job, imaginei como seria uma escola onde, de vez em quando, a par de tantos outros textos, os textos bíblicos fossem trabalhados… Onde se aprendessem algumas histórias do povo judeu, como se aprendem as histórias dos deuses gregos ou do romantismo alemão… Onde se analisasse a poesia dos salmos como se analisa a dos poemas antigos… Não precisava de ser na escola católica, claro, porque como bem nos explicou a minha professora, a Bíblia é património mundial; mas pelo menos na escola católica…

 

PS - Ontem, no seu blog, a Marisa escreveu um post sobre o seu plano bíblico anual e desafiou-nos a acompanhá-la! Vão até lá e aproveitem o desafio :)

 

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publicado às 06:47

Passarinhos

por Teresa Power, em 18.10.14

Hora de oração familiar. Depois de deitarmos o António e a Sara, sentamo-nos os seis na sala para meditar nas leituras da missa diária, antes de rezarmos o terço. É a vez da Clarinha ler:

 

"Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus. Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos." (Lc 12, 6-7)

 

- Ena! Deus sabe quantos cabelos eu tenho na cabeça?

- Sabe sim, David.

- E Deus gosta muito dos passarinhos!

- Pois gosta, Lúcia. Mas olha, Jesus diz-nos que Ele ainda gosta mais de nós! Deus criou todas as criaturas do universo, e conhece cada estrela, cada flor, cada ervinha do nosso jardim. Deus cuida de tudo, tudo ao mesmo tempo!

- Ena! Mãe, há pessoas a sofrer agora, quando nós estamos a rezar?

- Há, David. Muitas. Deus conhece cada uma delas e ama cada uma delas, como conhece os cabelos da tua cabeça...

 

Enquanto rezamos o terço por todas estas pessoas, lembro-me de uma frase que ontem li numa rede social: "Acham mesmo que Deus se preocupa com a nossa vidinha doméstica, as nossas questões corriqueiras, quando tem tanto problema no mundo para resolver, tanta guerra, tanta fome, tanto crime?"

Deus não é um patrão, Deus não é um político, Deus não é quase nada daquilo que queremos que Ele seja... Deus é Pai e Criador, e o mesmo Deus que se ocupa dos pitinhos do meu galinheiro, ocupa-se da menina que morreu num incêndio ontem em Lisboa, da criança que foi decapitada hoje na Síria, da mãe que não tem com que alimentar o bebé, num qualquer recanto de África.

O mesmo Deus que se ocupa da crise económica, ocupa-se também dos problemas no meu trabalho, da minha dificuldade em compreender a matéria escolar, da infidelidade do amigo.

O mesmo Deus que chora diante do pecado da guerra, dos maus-tratos, da tortura, do crime, da corrupção, é o mesmo Deus que chora diante do meu pequeno pecado, este pecado que pode fazer sorrir o confessor, aquela palavra que disse a mais, aquela palmada mais forte no filho, aquele grito, aquele troco mal feito, aquele estacionamento roubado, aquela falta à missa, aquela distracção na oração... Na Cruz, Jesus morreu por todos, por mim também, e não apenas pelos grandes criminosos!

Para Deus, cada um dos meus sofrimentos, das minhas alegrias - e também dos meus pecados - é único e vale por si mesmo. Nada é pequeno a seus olhos, nada é em vão, nada passa despercebido. E na sua misericórdia infinita, tudo perdoa, tudo esquece, de tudo cuida, de tudo se ocupa...

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publicado às 06:56

Mãe dos fracos e pequeninos

por Teresa Power, em 17.10.14

Esta semana que passou foi particularmente difícil. O Niall viajou (como acontece com alguma frequência) para o estrangeiro, e cuidar da família, do jardim, dos pitos, dos cães, dos gatos - e de mim - sem ele não é fácil! A chuva veio complicar as coisas mais um bocadinho, claro. Quem vive num apartamento talvez não imagine o que é ter quatro crianças e dois adolescentes a entrar e a sair de casa para o jardim e do jardim para casa em dias de chuva, trazendo agarrada aos pés toda a porcaria que a chuva e os animais deixaram lá fora... Onde estão as galochas quando se precisa delas? Ah, já sei, estão esquecidas em Náturia desde a última aventura, ou dentro do galinheiro quando o António decidiu ir buscar os ovos... Gritos. QUANTAS VEZES É PRECISO DIZER QUE OS SAPATOS FICAM LÁ FORA? QUEM VAI VARRER O CHÃO?

 

O Niall saiu também na altura em que uma virose de diarreias atingiu o colégio. A Sara regressou momentaneamente às fraldas, e foi preciso interromper algumas refeições - já por si mais complicadas - para lhe dar banho. Eu e a Sara na casa de banho, o Francisco e a Clarinha a servir o jantar, o António a fazer birra que a sopa está quente. Grito da casa de banho para a cozinha: ALGUÉM PÕE ORDEM NA MESA? E ouço o Francisco, com uma gargalhada: "A Família Power num momento de felicidade colectiva!"

 

- Mãe, ainda me lembro da cara do papá, ainda sei como ele é - Disse-me a Lúcia ontem ao jantar.

- Ai sim? Olha que bom! Ele vai gostar de saber isso. Já passou quase uma semana e ainda te lembras dele... - Respondi, sem conseguir evitar o riso. O Francisco e a Clarinha deram uma boa gargalhada. O pai vai gostar de saber...

 

O Niall saiu, mas eu tenho de continuar a ir buscar a Clarinha à ginástica às nove da noite (graças a Deus e à bondade dos amigos fiéis, tenho quem a leve), mesmo quando devia estar a deitar o António e a Sara, ou a contar uma história ao David e à Lúcia.

 

Nove menos um quarto da noite. Ao meu colo, a Sara esperneia, recusando-se a deixar que a leve para a cama. Na sala, o Francisco lê uma história à Lúcia e ao David. Olho para o relógio. A Clarinha deve estar à minha espera, cheia de fome, que a ginástica já acabou. Como hei-de fazer para a ir buscar? Não posso deixar o Francisco sozinho com a Sara aos gritos!

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Então rezo em voz alta:

- Mãe querida, Mãe que me amas e cuidas de mim todos os dias, por favor, pega tu na Sara ao colo e acalma-a. Por favor, adormece-a, que eu tenho de ir embora. Mãe, por favor, Mãe...

Rezo com toda a fé, alguns segundos apenas, e sinto então o corpinho da Sara a acalmar no meu colo. Enquanto murmuro as últimas palavras da Avé-Maria, deito-a na cama, onde a Sara fica muito quieta. Posso ir buscar a Clarinha, pois deixei de ser necessária: passei a Sara dos meus braços para os braços de Maria...

 

"Como criança saciada ao colo de sua Mãe, assim minha alma está em Ti, Senhor!" (Sl 130/131)

 

Não pensem que foi por causa da minha grande virtude que Maria respondeu de imediato às minhas orações. Estou convencida de que foi antes o contrário: Ela viu-me tão frágil, tão agitada, tão cansada e tão impaciente, que achou melhor vir em meu socorro, como eu vou em socorro da Sara quando a vejo, tão pequenina, a lutar impotente contra uma porta fechada. O Papa Francisco gosta de repetir: "O lugar privilegiado do encontro com Cristo são os próprios pecados!" O lugar privilegiado do meu encontro com Maria foi a minha miséria...

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publicado às 06:39

O lixo e o amor

por Teresa Power, em 16.10.14

Numa casa cheia de filhos, o chão está sempre cheio de lixo. Assim, uma das actividades que mais tempo me consome é o acto de me debruçar, apanhar algo do chão, voltar a endireitar-me, enfiar esse algo no bolso e fazer mentalmente um apontamento sobre o local exacto onde esse algo pertence, que tanto pode ser o cesto da roupa suja, como a caixa dos legos, a caixa de costura, a gaveta dos lápis de cor, a gaveta das roupas das bonecas, a biblioteca, o saco dos brinquedos, ou simplesmente - e maioritariamente - o lixo.

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Um destes dias, a minha mãe veio cá e, com frio, vestiu o meu casaco de fato de treino, que costumo usar quando estou por casa. De repente, os meus filhos viram-na levar as mãos aos bolsos e tirar de lá botões, pedaços de papel, aparas de lápis, umas cuecas de nenuco e mais alguns objectos não identificados. Mais tarde, ri-me com ela: sim, o meu casaco funciona frequentemente como um caixote de lixo! Lembrei-me então de um pensamento de Santa Teresinha:

 

"Tudo é tão grande em religião... apanhar um alfinete por amor pode converter uma alma. Que mistério!... Só Jesus pode dar um tal valor às nossas acções." (Carta 164, à sua irmã Leónia)

 

Na verdade, já S. Paulo o dissera:

 

"Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus." (1Cor 10, 31)

 

Eu apanho todos os dias bem mais do que um alfinete do chão. A questão é: será que o faço por amor? Estou consciente de que o meu mais pequeno gesto pode ser oferecido a Jesus pela conversão do mundo? Ou faço-o com indiferença, com irritação, porque tem de ser?

Como Santa Teresinha, também eu não tenho grandes oportunidades de mostrar a Jesus o meu amor (a triste "moda" de matar cristãos ainda não chegou a Portugal), pelo que me restam as pequenas oportunidades... Não as quero desperdiçar!

Hoje, quando me debruçar pela milésima vez para apanhar lixo do chão, vou dizer no meu coração: "Jesus, aceita este gesto pequenino pela felicidade de quem Tu quiseres." Ámen!

 

 

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publicado às 06:56

Jesus Escondido

por Teresa Power, em 15.10.14

Ao reler a história dos pastorinhos, recordei o imenso amor que o Francisco tinha à Eucaristia. Enquanto a Lúcia, por indicação de Nossa Senhora, ia à escola (é interessante notar que também em Medjugorge Nossa Senhora encorajou os jovens videntes a estudar e a preparar-se bem para a vida no mundo), o Francisco ficava na igreja, horas seguidas, diante do sacrário, em contemplação profunda. Dizia ele que queria fazer companhia a Jesus Escondido... E foi este "Jesus escondido" que rapidamente transformou a sua vida, elevando o Francisco aos mais altos picos da santidade.

 

Como todas as Famílias de Caná, também nós cá em casa procuramos fazer da Eucaristia o centro da nossa vida. Mas não basta ir à missa ao domingo: é preciso, como o Francisco de Fátima, passar longo tempo diante de Jesus, para que Ele nos toque, nos queime, nos transforme, nos converta, nos purifique, nos liberte, nos cure. Sim, Jesus faz tudo isso na nossa vida e muito mais!

Todos os domingos, das oito e meia às nove e meia da noite, temos na nossa paróquia um encontro de oração, diante de Jesus-Eucaristia. De olhos fixos na Hóstia consagrada, nós cantamos, batemos palmas, louvamos, rezamos em silêncio e em voz alta, meditamos na Palavra das Escrituras, meditamos no terço do rosário. Estamos em grupo, mas diante do Senhor, estamos também a sós, pois Deus olha para cada um como se mais ninguém existisse no mundo. Assim, ninguém é obrigado a falar, ou a bater palmas, ou partilhar seja o que for, mas todos somos convidados a unir os corações em oração profunda, rezando em silêncio por todos, pelo mundo inteiro, pela Igreja. De olhos fixos na Hóstia consagrada, nós deixamo-nos invadir pela luz do Céu.

Por enquanto, o Niall fica em casa com os quatro mais novos, e só vamos à adoração o Francisco, a Clarinha e eu. Mas chegará o dia em que iremos todos juntos em família, esperamos!

 

No domingo passado, eu sentia-me particularmente cansada. Quatro semanas seguidas de festas de aniversários, início de ano escolar, e algumas coisas mais, pareciam ter finalmente caído sobre mim como uma casa a desmoronar-se. Chegaram as oito e meia da noite, e eu só queria refastelar-me no sofá com um bom livro na mão... Depois lembrei-me dos amigos de Jesus, que adormeceram no Jardim das Oliveiras, enquanto Jesus rezava por eles. E recordei a censura triste do Senhor:

 

"Não pudestes vigiar nem uma hora Comigo?" (Mt 26, 40)

 

Acompanhada do Francisco e da Clarinha, fui à oração. Jesus estava à minha espera, pronto para me curar, para me libertar do cansaço e do medo, para me abraçar e me amar. Sorri-Lhe, e deixei-me invadir pela sua alegria... Cantei, toquei guitarra, rezei, e quando regressei a casa, vinha com aquela sensação boa no corpo que geralmente trago no fim de uma caminhada ou um passeio pela praia.

Na nossa ausência, o Niall colocara no forno uns croissants de chocolate de que muito gostamos. Quando entrámos em casa, o cheirinho fez-nos correr para a cozinha. Yes! Que feliz final para uma hora de oração tão bela... Deus realmente nunca, nunca Se deixa vencer em generosidade!

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 O Vitor Teixeira, pai de uma bela Família de Caná, pediu-me para vos anunciar que durante toda esta semana, de 14 a 21 de outubro, estará a decorrer no Cristo Rei um Cerco de Jericó: 24 horas sobre 24 horas, o Santíssimo estará exposto, para que todos possam adorar "Jesus Escondido" e, com a sua graça, transformar o mundo! Será certamente um momento magnífico de encontro com o mesmo Jesus que passou na Galileia e na Judeia, tocando e curando! Este Cerco é organizado pela Comunidade Católica Shalom, à qual o Vitor pertence com a sua família (ser Família de Caná não nos impede de pertencer a outras comunidades eclesiais, naturalmente). Fica o duplo desafio: participar no Cerco de Jericó do Cristo Rei, se vivem perto, e organizar nas vossas paróquias encontros de adoração e oração onde Jesus Sacramentado seja o centro...

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publicado às 06:56

Uma Jovem Católica

por Teresa Power, em 14.10.14

Ontem recebi uma feliz notícia: lembram-se da Marisa, a jovem estudante de Medicina que participou no último retiro Famílias de Caná e nos ofereceu as lindas imagens dos nossos santos padroeiros em feltro? Falei dela aqui, mas também a podem encontrar ao longo do blogue, em vários comentários. Ela esteve lá quase, quase desde o início, acompanhando o blogue e rezando para que, um dia, nos pudesse encontrar. Esse dia chegou em Almada, e foi tão bom!

Entretanto, a Olívia desafiou a Marisa a escrever um blogue, algo que a Marisa já tinha quase decidido no seu coração. E pronto, no domingo tive a alegria de ler de ponta a ponta o novo blogue desta jovem católica, que tem exactamente este nome: Uma Jovem Católica! Desafio-vos a que façam o mesmo e o divulguem entre os jovens que conhecem!

 

Uma das razões que nos levou a escrever o nosso blogue foi a percepção de que não havia, na blogosfera portuguesa, nada parecido. Há muitos blogues católicos portugueses, mas não encontrámos nenhum que se centrasse na vivência diária de uma família católica, com as suas alegrias e as suas tristezas, as suas virtudes e os seus defeitos, a sua confusão, a sua sujidade, o seu barulho, a sua imensa felicidade. Pois um dos frutos do nosso blogue foi precisamente este: o nascimento de cada vez mais blogues de famílias católicas. E tenho a certeza de que ainda virão muitos mais! A blogosfera precisa urgentemente da nossa partilha de vida, porque precisa de ser contagiada pela nossa alegria. Não sei se já se deram conta, mas todos os blogues de famílias católicas têm em comum uma imensa e contagiante alegria!

 

"Eis que estou à porta e bato. Se alguém abrir, entrarei na sua casa e cearei com ele e ele Comigo." (Ap 3, 20)

 

Há cristãos que passam a vida inteira do lado de dentro da porta, incapazes de escutar Jesus a bater, ou escutando, incapazes de abrir. Outros, pelo contrário, assim que se dão conta de Quem é que os chama, lá do lado de fora, escancaram a porta sem hesitar. Fazem-no de um momento para o outro, ou fazem-no progressiva mas seguramente, e logo se deixam envolver na paz, na alegria e na festa do encontro.

família Almeida abriu a sua porta definitivamente há cinco anos atrás, como eles contam no seu belíssimo blogue. Em cinco anos, a sua vida alcançou a profundidade que todos experimentamos ao ler os seus textos. Cinco anos, e tanta maravilha para contar! Cinco anos, e a sua casa transpira humildade, simplicidade, alegria e paz - a casa da paz, como eles gostam de lhe chamar!

família Batista abriu a porta ainda mais recentemente: foi em maio, quando descobriu o nosso blogue. E desde então, com passos de gigante, não deixaram de nos encantar com as suas histórias e a sua partilha, tão profundas, divertidas e sérias ao mesmo tempo, transbordantes de Deus.

Marisa redescobriu Jesus há três anos atrás. E mais não conto... Leiam e deixem-se encantar!

E depois... todos estamos a tempo de nos decidirmos de vez a escancarar a porta a Jesus, para que Ele venha fazer festa connosco e pôr a nossa vida de pernas para o ar! Ah, que felizes seremos então...

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publicado às 06:50

Nossa Senhora do Carmelo de Coimbra

por Teresa Power, em 13.10.14

Nestes últimos dias estive a ler ao David e à Lúcia a história dos três pastorinhos de Fátima, escrita pelo padre Januário dos Santos. Como sempre, comovi-me até às lágrimas com a simplicidade e a pureza de coração das três crianças.

Recordo ainda com vívida nitidez o funeral da Irmã Lúcia, em Coimbra, onde, de lenços brancos, nos despedimos da querida vidente, “até ao Céu!” E lembro-me de como me sentia emocionada, quando era estudante em Coimbra, por viver ao lado do Carmelo. Eu imaginava então que Nossa Senhora apareceria várias vezes ali ao lado, visitando a Irmã Lúcia. Na altura, não havia qualquer notícia sobre isso, mas hoje sabemos que sim: a Irmã Lúcia foi várias vezes visitada pela Santíssima Virgem, no segredo da sua cela de carmelita. Lúcia teve oportunidade de ver aquilo em que nós acreditamos pela fé: a Mãe acompanha cada um dos seus filhos com um amor infinito, e a todos acolhe, acarinha e ama. Nos corredores do Carmelo, Maria abençoava todas as carmelitas.

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- Quando estamos a rezar no coração – Confidenciou-me outro dia a Lúcia – eu faço sempre o mesmo pedido a Jesus.

- E que pedido é esse? – Perguntei-lhe.

- Ver Nossa Senhora!

- No Céu vais ver de certeza – Respondeu o David, muito seguro de si. E acrescentou: - Que sorte a da Irmã Lúcia, já estar no Céu! Gostava tanto de já estar também no Céu!

- Ainda precisas de trabalhar muito na Terra antes de ir para o Céu – Apressei-me a dizer – Não te esqueças de que só entra no Céu quem lá construiu uma casinha!

- Eu tenho feito tantas coisas boas! A minha casa deve estar quase pronta – Continuou o David. Ele diz-me isto muitas vezes, em especial, sempre que faz uma boa acção.

- Bem, já tens alguns tijolos no Céu, mas tens ainda muito para fazer!

- O Tomás construiu a casa dele muito depressa…

- Não, o Tomás não teve tempo de construir nenhuma casa. Jesus ofereceu-lha já pronta… Mas isso, Jesus só faz de vez em quando. Nós temos de trabalhar muito para ter uma casa no Céu!

- Gostava de ir já hoje para lá! – Concluiu o David, com olhar sonhador.

Recordei o desabafo, em jeito de oração, da Irmã Lúcia, tantas vezes escutado no Carmelo:

“Minha querida Mãe, Tu disseste-me que eu tinha de ficar na Terra mais algum tempo, mas nunca pensei que fosse tanto!”

Enquanto deitava os meus filhos e lhes aconchegava a roupa da cama, dei comigo a pensar… Teremos nós sede suficiente de Deus? Teremos nós desejo suficiente do Céu?

 

“Tu és o meu Deus!Anseio por Ti!

A minha alma tem sede de ti,

como terra árida, exausta, e sem água.” (Sl 63/62)

 

A "Senhora mais brilhante do que o Sol" (como a descrevia Jacinta), que no dia 13 de outubro de 1917 se nos revelou, veio fazer-nos sentir a sede que nos lança no Céu…

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publicado às 06:45




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