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O cordel dobrado em...seis

por Teresa Power, em 11.01.15

Educar uma família numerosa é uma escola de vida. Olhando para cada um dos meus filhos, dou-me conta da grande aprendizagem que é ter irmãos.

Naturalmente que não se aprendem as mesmas lições como irmão mais velho ou como irmão mais novo! As lições são diferentes. Assim, um irmão mais velho aprende cuidando dos mais pequenos, vendo o seu espaço a ser progressivamente invadido, os seus brinquedos e objectos pessoais usados e abusados, os seus pais cada vez mais partilhados. Os mais novos, ao contrário, não precisam de muitas lições para aprender a partilhar, a ceder, a deixar tirar, porque nascem num espaço que já pertence a todos e crescem num colo que já pertencia a outros antes deles nascerem. Contudo, também precisam de aprender muitas coisas: aprender a esperar pela sua vez, aprender a escutar os mais velhos, aprender a obedecer.

- Es-pe-ra! - Soletrava a Sara com a mão erguida, dirigida ao primo que me estendia o pé para eu apertar o sapato, enquanto eu tentava vestir o António.

Também nós, pais, precisamos de aprender lições diferentes. Por exemplo, em relação aos filhos mais velhos, precisamos de aprender a não deixar de dar mimo, enquanto aumentamos a responsabilidade; e em relação aos filhos mais novos, a não facilitar na responsabilidade, enquanto aumentamos o mimo.

Como em todas as escolas, também na escola da família se aprende tanto nas "aulas" como no "recreio". O Niall e eu estamos muito conscientes da importância deste "recreio familiar" na educação dos nossos filhos: é preciso que todos os irmãos cresçam uns com os outros, brincando uns com os outros e partilhando a vida uns com os outros. É muito fácil "deixar andar"! Mas quando se "deixa andar", apercebemo-nos de que o irmão mais velho já saiu para a universidade antes de ter tido tempo de conhecer o irmão mais novo. E assim se perdem os laços únicos que os deviam unir pela vida fora...

As famílias modernas sofrem grandes tentações de individualismo. Os irmãos tendem a ter amigos diferentes e interesses diferentes, passando pouco tempo uns com os outros, mesmo em férias. Cabe-nos a nós, pais, proporcionar e incentivar tempos fortes de lazer em família, mesmo à custa de algum prazer pessoal dos mais velhos. Para nós, é uma alegria quando vemos repetirem-se cenas como estas:

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Diz o Livro do Eclesiastes:

 

"É melhor dois do que um só.

tirarão melhor proveito do seu esforço.

Se caírem, um ergue o seu companheiro.

Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso;

o cordel dobrado em três não se parte facilmente."

(Ecl 4, 9-12)

 

Não deixemos a educação da nossa família ao acaso, nem permitamos que o individualismo destrua a nossa casa familiar! Aproveitemos a calma do domingo para proporcionar aos nossos filhos brincadeiras e actividades em família, "um por todos, e todos por um"

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publicado às 06:42

Que tenho para Te dar?

por Teresa Power, em 10.01.15

Dia de Reis. Diante do presépio, fazemos a nossa oração, muito animada porque no dia de Reis os mais pequeninos têm direito a coroa real! Depois, com jeitinho, colocamos os Reis Magos junto da manjedoura. Um deles tem a cabeça colada, pois a Sara decidiu passeá-lo um bocadinho pelos montes e prados do presépio, e num segundo de distracção, o Rei tropeçou e partiu a cabeça. Nada que a Clarinha não resolvesse com super-cola.

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"Abrindo os seus cofres, os magos ofereceram presentes ao Menino: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11)

 

E nós? Que temos nós para Lhe oferecer? No início de um novo ano, é altura de oferecer os nossos presentes. Teremos nós um coração de ouro para Lhe dar? Teremos o incenso da nossa oração? Ou talvez a mirra do nosso sofrimento? Tudo, absolutamente tudo pode ser oferecido ao Senhor. 

Recordo aqui um livro que li há muitos anos atrás: Do Robbins Cough? 

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Conta a história verídica de uma mulher inglesa, casada e mãe de um filho já quase adulto, com uma vida estável e em tudo vulgar. Esta mulher tinha quarenta anos quando viu na televisão a reportagem chocante sobre os orfanatos romenos, depois da queda do ditador Ceaucesco. Eu lembro-me bem de assistir a estas reportagens, nos anos noventa, e de chorar com as imagens! Crianças atadas às camas e aí abandonadas dia e noite, ao frio e quase sem alimento... Enfim, o mundo chorou diante do televisor durante alguns dias. E no mundo, alguns decidiram agir. Os primeiros, como sempre, foram as missionárias da Madre Teresa de Calcutá. E de seguida, voluntários de vários países ocidentais.

Pois bem, Beverly também se sentiu chamada a partir como voluntária, oferecendo o seu mês de férias. Quando se viu com os papéis na mão, para fazer a sua candidatura, deparou com várias perguntas sobre o que tinha para oferecer às crianças romenas. Muito desanimada, Beverly viu-se obrigada a responder “não” a todas elas:


“Eu não apenas não possuía as qualidades profissionais que me eram pedidas, como também não possuía as qualidades amadoras: Sabe guiar? Não. Sabe pintar? Não. Sabe tocar um instrumento musical? Não. Não havia uma única questão que eu pudesse responder afirmativamente. Seria eu um fracasso tão grande? Não teria eu mesmo nada para oferecer? Durante a noite, sem conseguir dormir, levantei-me e sentei-me à secretária. Comecei então a escrever o que sabia fazer. Escrevi que estava sempre bem-disposta, que fazia de boa vontade qualquer tarefa que me atribuíssem, que era muito boa a trabalhar em equipa e que gostava de obedecer. No dia seguinte enviei o formulário. E alguns dias depois recebia a resposta: tinha sido aceite.”

 

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Beverly partiu para a Roménia, e a sua vida nunca mais foi a mesma. Na Roménia, onde o mês de férias se estendeu por longos períodos nos anos seguintes, Beverly reencontrou a fé, regressou à religião, descobriu o amor no serviço dos mais pobres, e encontrou um segundo filho a quem amar. Afinal, o pouco que Beverly tinha para dar era mais do que suficiente...

 

Que tenho eu para dar ao Menino neste ano novo? Uma vida cheia de dons e talentos que todos valorizam? Fantástico! Talvez possa tocar violino na missa, ou ensinar teatro às crianças de um orfanato, ou pintar um quadro para oferecer, ou dar catequese na paróquia... Está na hora de me colocar ao serviço!

Mas talvez eu não tenha talentos que brilham... Talvez eu tenha apenas a minha capacidade de trabalho, os meus braços que gostam de abraçar, a disponibilidade para escutar quem está só e precisa de desabafar...Talvez eu saiba cozinhar, ou fazer arranjos de electricidade, ou acartar tijolos... Não haverá quem precise desta ajuda também?

Talvez eu nem sequer tenha isso para dar: talvez me reste uma dor imensa, a solidão, a tristeza de quem vê ruir todos os sonhos, a doença ou a incapacidade... Também isso é dom que posso fazer ao Senhor.

Como os magos, como Beverly, iremos descobrir que aquilo que damos muda um pouco o mundo que nos rodeia - mas muda por completo o nosso coração...

 

 

 

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publicado às 06:34

S. José, uma bicicleta, um pai e os amigos

por Teresa Power, em 09.01.15

Na quarta-feira passada, a nossa carrinha estava na revisão, e portanto restava-nos o carro de cinco lugares para transportar os meninos. O Niall foi a pé para a estação e de comboio para o trabalho, o Francisco foi de bicicleta até ao colégio, e eu encaixei os restantes cinco no carro - em contra-ordenação, eu sei, porque no banco traseiro viajavam quatro crianças, duas partilhando o mesmo cinto de segurança. Teríamos assim dois quilómetros de apertos até ao colégio, por estradas de campo, e tudo se devia resolver a bem.

Mas não resolveu: a meio caminho, cruzámo-nos com o Francisco, parado ao lado da sua bicicleta.

- Que se passa, Francisco? - Perguntei, descendo a janela do carro.

- Um furo!

Fiquei sem saber o que fazer. Como ia agora conseguir enfiar no carro o Francisco e a sua bicicleta? Entretanto, ao nosso lado iam parando outros carros que se dirigiam para o colégio, preocupados connosco. A fila de carros não parava de aumentar, parecendo uma imensa caravana de amigos.

- Precisam de ajuda? - Perguntou uma mãe solícita.

- Sim! Pode-me levar algumas crianças no carro até ao colégio? Obrigada!

Distribuí os meus atarantados filhos, o Francisco enfiou a bicicleta - com bastante dificuldade - no banco traseiro e sentou-se ao meu lado, no carro, enquanto outros carros iam parando e os condutores perguntando se precisávamos de ajuda. Chegámos ao colégio sãos e salvos, com uma história bastante divertida para contar, e com o coração agradecido por termos tantos amigos e por haver tanta gente boa no mundo!

 

Nessa noite, sentada no sofá com o Niall, reparei no seu ar pensativo. Ele escutara a nossa história com um sorriso, mas também com bastante preocupação:

- Eu não vos pude valer... Que aborrecimento!

- Já passou, Niall!

- Pois já. Mas eu devia ter lá estado para recolher a bicicleta e ter facilitado tudo. Pensei em todos os pormenores ao levar a carrinha à revisão, e estava convencido de que não me iria escapar nenhum detalhe...

- És um pai e um marido precioso. Tomas muito bem conta da tua família!

O Niall sorriu:

- Sabes, eu procuro ser como S. José: cuidar de ti e das crianças com a mesma atenção ao pormenor e à vontade de Deus com que ele cuidou de Maria e de Jesus, e esquecer-me de mim o mais possível.

Dei-lhe um abraço de gratidão. Na verdade, e mesmo sem nos ter podido valer na quarta-feira, o Niall tem sido mesmo assim...

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                        (Niall carpinteiro...)

 

S. José foi o guardião da Sagrada Família, como tão bem lhe chamou o Papa Francisco na homilia inaugural do seu pontificado. S. José é a imagem do pai atento, cuidadoso e orante, o pai cristão.  Imagino o cuidado de S. José a preparar a caravana que devia levar Maria grávida a Belém... Imagino a preocupação de S. José, levantando-se durante a noite para acordar Maria, que dormia com Jesus nos braços, e a conduzir ao exílio, sem a assustar... Imagino o cuidado contínuo de S. José em fazer com que o sustento nunca faltasse na casa de Nazaré...

 

"Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor." (Mt 1, 24)

 

E quando penso em S. José, instintivamente penso no Niall.

 

Quero hoje rezar para que os pais cristãos não se demitam da missão de guardiães das suas famílias, e saibam sempre, como S. José, escutar a voz de Deus, esquecendo-se de si para servir aqueles que lhes foram confiados.

Rezo também por aqueles que não têm na terra um pai disponível como S. José, para que nunca lhes faltem caravanas de amigos, capazes de parar à beira da estrada das suas vidas e de os socorrer prontamente...

Ámen!

 

 

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publicado às 06:32

Infância missionária

por Teresa Power, em 08.01.15

- Mamã, a minha amiga * não conhece histórias da Bíblia. Ela diz que a mãe também não conhece e o pai também não!

- Ai é?

- É. Eu disse-lhe que as histórias da Bíblia são muito giras.

- E ela o que achou?

- Ela pediu-me para lhe contar uma. Contei-lhe a história de Samuel.

- Logo vi...

- Tu sabes que eu adoro essa história!

- Sei. Ela gostou?

- Gostou. E sabes o que fez? Contou a história à mãe. E depois a mãe contou-lhe outra vez a história a ela, e assim ela escutou uma história da Bíblia em casa!

- Que bela ideia!

- Então eu decidi que todos os dias lhe conto uma história da Bíblia diferente. Assim, ela vai ter uma história nova para contar à mãe todos os dias. E assim, a mãe conta-lhe uma história nova todos os dias! E pronto.

- E pronto mesmo :)

 

A Lúcia contou-me este belo exemplo de evangelização na última semana de aulas. Alguns dias mais tarde, nas férias, fui dar com ela a brincar com a Sara e a prima, passando as contas do terço a toda a velocidade:

- Estamos a brincar à oração! Eu era a mãe e estava a ensinar a rezar o terço - Explicou-me ela.

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O Francisco, a Clarinha, o David e até o António também têm as suas pequenas histórias para contar! São geralmente exemplos muito práticos e muito simples de evangelização, de testemunho cristão no meio dos seus amigos, sem beatices ou afectações. A sua forma de demonstrar a amizade que sentem pelos colegas passa pela necessidade de lhes oferecerem Jesus. São vários os colegas do Francisco e da Clarinha que começaram a frequentar a catequese um pouco por contágio de amizade!

 

O Dia de Reis é também o Dia da Infância Missionária. Neste dia, recordamos às nossas crianças que a evangelização é o imperativo de todo o cristão, de qualquer idade. Transmitir, por palavras e por obras, o Evangelho de Jesus a todos os que nos rodeiam não é um luxo ou uma vocação específica, mas um mandamento do Senhor. São de S. Paulo estas palavras fortes e incomodativas:

 

"Ai de mim se não evangelizar!" (1Cor 9, 16)

 

Podemos ser missionários aos quarenta anos,  ou aos seis como a Lúcia. A pequena Jacinta de Fátima tinha sete anos quando Nossa Senhora lhe apareceu, e desde então não deixou de falar de Jesus e de Maria a todos os que a rodeavam!

Há algumas gerações atrás, as crianças eram evangelizadas em casa, pelas suas famílias. Hoje, nas nossas escolas, há crianças cristãs que nunca, nunca ouviram falar de Jesus. Quem chamará Jesus para as evangelizar? É urgente que os nossos filhos, que receberam a graça de aprender a rezar ao colo, que conhecem as histórias da Bíblia, que frequentam os sacramentos, se tornem evangelizadores dos seus amigos. Não desiludamos o Senhor!

 

 

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publicado às 06:12

Um furo e um milagre

por Teresa Power, em 07.01.15

A Lilian conhece este blogue desde março passado. Contudo, nunca tinha tido a oportunidade de participar num retiro connosco. Ansiava pelo dia, que tardava em chegar. Finalmente, decidiu que não ia continuar a esperar por conseguir reunir a família no dia do retiro: iria sem o marido, que estava a trabalhar, e iria com os seus três filhos. O Retiro de Natal era a oportunidade que não queria perder!

Mas alguns dias antes do retiro, ambos os seus carros sofreram uma avaria. Estaria pelo menos um deles arranjado a tempo de rumar a Fátima? Sexta à noite, recebi um e-mail da Lilian: os carros estavam prontos para viajar. Graças a Deus!

Sábado de madrugada, a Lilian pôs-se então a caminho, com os seus filhotes. Ainda não tinham chegado a Leiria quando percebeu que tinha um furo. E agora? Aflita, telefonou ao marido. "Continua a conduzir devagar, se queres mesmo ir ao retiro, e quando chegares a Fátima trocas o pneu", respondeu-lhe ele. Entre orações, com os quatro piscas, a oitenta a hora na autoestrada, a Lilian continuou caminho. Chegou a Fátima quando eu estava a começar o ensinamento. Entrou na sala do Centro Pastoral Paulo VI com um sorriso triunfante de perfeita felicidade. Nada conseguira impedi-la de fazer o Retiro de Natal!

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Depois do nosso piquenique, a Lilian pediu ajuda para mudar o pneu. Toda a "caravana" se dirigiu então ao parque de estacionamento. Tenho imensa pena de não ter tirado uma fotografia da cena que se seguiu, para vos mostrar, porque foi das melhores a que já assisti! O Niall disse-me que nunca tinha visto um pneu sobresselente tão agarrado ao carro. Seja como for, os excelentíssimos senhores participantes no Retiro iam fazendo turnos para ver qual seria capaz de arrancar o dito pneu da mala do carro, para de seguida proceder à substituição. Nós assistíamos, a rir, a tanta azáfama! Por fim, alguém descobriu o segredo que segurava o pneu, e o trabalho ficou concluído. Grande Lilian, vencer todos os obstáculos que a separavam de Fátima, e oferecer-nos uma cena tão divertida como corolário da sua aventura!

 

Eu sei que há leitores deste blogue com obstáculos bastante maiores para ultrapassar antes de poderem fazer um retiro connosco. Mas também sei que, para Deus, nada é impossível. É o que nos diz o Evangelho nestes dias de Natal:

 

"Exulta de alegria, estéril, que não tinhas filhos, entoa cânticos de júbilo tu que não davas à luz, porque os filhos da desamparada são mais numerosos do que os da mulher casada. É o Senhor quem o diz." (Is 54, 1)

 

O nosso Deus faz milagres quando encontra um coração disponível, humilde e atento. Pacientemente, dia a dia, trabalhemos na conversão do nosso coração. Preocupemo-nos apenas em transformar o nosso interior e retirar os obstáculos que nos separam do Senhor, e que são sobretudo o nosso orgulho e o nosso pecado. Então Deus retirará os obstáculos que nos ultrapassam, porque não dependem de nós, mas do nosso conjuge, dos nossos filhos, dos nossos empregadores, das nossas finanças, da nossa saúde. E como a Lilian, chegaremos à meta com um sorriso triunfante...

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publicado às 06:20

Caravanas de amigos

por Teresa Power, em 06.01.15

Via Sacra de Natal levou-nos a percorrer o caminho que os pastorinhos faziam, todos os dias, descalços, entre as suas casas e a Cova da Iria, os Valinhos ou a Loca. As crianças, alegres, lembravam-me esses mesmos pastorinhos, cabriolando pelos campos e apanhando flores, ao som das nossas Avé-Marias:

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E enquanto brincavam, faziam amigos:

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Vejam por exemplo a cara de felicidade da Helena, ao fundo, caminhando com uma filha aos gritos atravessada nos braços!

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 Ou imaginem a correria por estas rochas brancas, acima e abaixo, como cabritos monteses!

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 Os jovens também seguiam em grupo, fazendo amigos enquanto rezavam afincadamente:

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E de repente, deixei de saber onde estavam os meus filhos! Calculem que até deixei de saber com quem seguia a Sara, de apenas dois anos, pois tão depressa a via empurrada na cadeirinha pelo paciente João Teles, como às cavalitas da Lilian, como ao colo da Raquel, que com oito anos, insistia em cuidar da minha filha...

Lembrei-me então da caravana da Sagrada Família, entre Nazaré e Jerusalém, todos os anos pela Páscoa:

 

"Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando ele fez doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o Menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos..." (Lc 2, 41-44)

 

Nunca entendi muito bem como podiam Maria e José ter perdido Jesus. Com seis filhos, como eu, ainda vá que não vá, mas com um?... Maria nem sequer precisava de "fazer a contagem", gesto que eu repito várias vezes por dia, em ocasiões festivas! O que se teria passado?

Em Fátima, no Caminho dos Pastorinhos, entendi. Maria e José viajavam no meio de amigos! Jesus fazia parte de uma grande família - a tribo, a aldeia inteira. Este conceito de família alargada era tão forte na altura, que os judeus usavam a mesma palavra para referir "irmãos" ou "primos". Todos se sentiam unidos pelos laços tribais. E como geralmente as famílias eram muito numerosas, as caravanas deviam ser fenomenais! Se a nossa em Fátima já foi interessante, imaginem as de então...

Assim, Jesus caminharia com os jovens da sua idade, e os seus pais não tinham com que se preocupar. Ele havia de chegar, e chegar bem!

Em Fátima, dei graças a Deus por estas caravanas de amizade, onde os nossos filhos são também filhos de todos, onde cada um cuida dos seus sem esquecer os dos outros. Que alegria, quando as famílias podem confiar nos amigos, certos de que, juntos, havemos de chegar à meta! As nossas tribos são mais latas que as dos judeus, pois podem estender-se a todos os homens e mulheres de boa vontade, de qualquer raça, cor, nação ou religião...

Rezo hoje insistentemente por aqueles que caminham sem nenhuma caravana, segurando os filhos pela mão com medo que se magoem pelo caminho. Rezo para que as nossas Famílias de Caná cresçam em Aldeias, onde os filhos dos outros são meus filhos também, e onde nos podemos perder sem medo, porque à frente ou atrás, à direita ou à esquerda, está um colo, um abraço, uma mão amiga... Ámen!

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publicado às 06:25

A Caravana de Jacob em Fátima

por Teresa Power, em 05.01.15

O nosso Retiro em Fátima foi simplesmente fabuloso. Temos tantas, tantas graças a dar a Deus, que nos proporcionou um dia tão cheio de bênçãos, de amizade, de alegria e de sol!

Começámos cedinho, no Centro Pastoral Paulo VI. Foi com alguma emoção que lá entrei. Nunca na minha vida sonhara entrar neste Centro como organizadora seja do que for, eu que tantas vezes, durante a minha juventude e idade adulta, lá entrei para receber ensinamentos!

As condições foram, claro, óptimas. E foi para mim tão engraçado ver chegar as famílias e procurar adivinhar, pelos rostos e pelo tamanho dos filhos, quem eram! Porque se todos os leitores do blogue conseguem reconhecer facilmente a Família Power, eu conheço nomes e comentários, até finalmente nos encontrarmos no mundo real. E acreditem que adoro poder ligar os nomes a um rosto!

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Os pequeninos ajudaram muito durante o ensinamento, mantendo-se entretidos com os livros que levámos e com alguns lápis de cor. Em silêncio, ou falando muito baixinho, foram fazendo amizades:

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Com a pontualidade que tem caracterizado os nossos encontros, chegámos à missa na Basílica mesmo quando o sino dava as onze horas. Que alegria, podermos participar, com as nossas crianças e a nossa confusão, na missa solene do Santuário de Fátima! O nosso pároco, o padre José Fernandes, salesiano, também lá esteve, a concelebrar. Reconhecem-no?

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Depois, foi o piquenique. Tentem imaginar a confusão, a brincadeira, a alegria, a partilha, o barulho e a fome, à volta de uma mesa de piquenique ou sentados em mantas no chão! A comida voava, os pratos passavam de mão em mão, desapareceram copos e trocaram-se talheres, mas todos ficaram saciados. E como no Evangelho, sobejou em abundância!

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 Às duas horas em ponto começámos a nossa Via Sacra de Natal. Como eramos muitos, os jovens seguiram à frente, com uma estação de avanço, enquanto os adultos e as crianças caminhavam mais devagar...

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O tema do ensinamento que fiz de manhã foi a caminhada até ao Presépio. E para falar desta caminhada, servi-me do texto do Livro do Génesis sobre a Caravana de Jacob:

 

“O meu senhor sabe que as crianças são delicadas e que o gado miúdo e graúdo, que ainda mama, exige os meus cuidados; se os apressarem, ainda que só por um dia, todo o gado novo perecerá. Que o meu senhor queira passar adiante do seu servo; eu caminharei devagar, ao passo da caravana que me precede e ao passo dos meninos, até juntar-me ao meu senhor, em Seir.” (Gn 33, 13-14)

 

Durante toda a manhã sentimos o peso desta caravana, esta necessidade de caminhar devagar, ao passo dos meninos, procurando que nenhum se perdesse entre o Paulo VI e a Basílica, a Basílica e o local do piquenique; mas foi durante a via sacra que esta Palavra "encarnou" no nosso grupo. As crianças viajavam de trotinete, de carrinho de bebé, ao colo, às cavalitas, ou empoleiradas no muro de pedra que ladeava todo o caminho, e corriam para trás e para a frente, com gritinhos de alegria, apanhando flores e explorando cada árvore e cada recanto:

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Quando, por fim, decidimos que eram horas de regressar, vimo-nos e desejámo-nos para as recolher todas! Imaginei os três pastorinhos de Fátima, naquele mesmo local, a tentar recolher as suas ovelhinhas e as suas cabrinhas...

- Cada um recolhe as suas cabritas!

E cada um recolheu as suas cabritas mesmo :)

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Na verdade, nessa altura da nossa caminhada, já não eramos estranhos, mas amigos. Conversávamos uns com os outros, partilhávamos experiências e ideias, pedíamos ajuda uns aos outros. As crianças não se queriam separar!

Por fim, visitámos as casas dos pastorinhos de Fátima. Oitenta pessoas a entrar naquelas casinhas minúsculas foi uma aventura! Mas as casas dos pastorinhos são em si mesmas uma lição de simplicidade e desapego. Na casa da família Marto, o quarto dos rapazes,  que não é maior do que a minha despensa, abrigava cinco crianças na altura das aparições... Temos tanto, e queixamo-nos tanto!

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 E foi junto do poço da casa da Lúcia, onde o Anjo de Portugal falou aos pastorinhos, que encerrámos o nosso dia, em oração de acção de graças:

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E por fim, uma grande salva de palmas para todos!

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  Depois de um segundo ou terceiro piquenique à beira dos carros, e porque eram quase seis horas, resolvemos regressar. Mas à despedida, todos, sem excepção, disseram:

- Até a uma próxima!

Sim, até a uma próxima!

Ontem à noite, já na cama, conversava com o Niall sobre esta próxima... E de repente, o sono passou e fiquei muito desperta:

- Vamos para o norte, da próxima vez!

- Para o norte?

- Há tantos santuários no norte! Sameiro, S. Bento da Porta Aberta, Bom Jesus... É isso, Niall: vamos para o norte!

Julgo haver leitores no norte do país, ou estarei enganada?

Por isso, caros leitores, preparem-se... Que nós não tencionamos parar!

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publicado às 06:05

Pequenos gestos de amor

por Teresa Power, em 04.01.15

Pequenos gestos de amor, em férias, quando para além dos filhos também se têm três sobrinhos pequeninos em casa:

Apanhar as peças todas do "quatro em linha", espalhadas no tapete da sala.

Apanhar as molas da roupa espalhadas pela relva, para depois pendurar roupa capaz de encher um estendal inteiro.

Fazer novamente uma panela de doze litros de sopa, apesar de ontem também ter feito uma panela de doze litros de sopa, e sabendo que amanhã voltarei a ter de fazer uma panela de doze litros de sopa.

Apanhar lenços de papel sujos do chão da cozinha, do chão do quarto, do chão da sala, do chão do quarto de banho, da garagem e do jardim.

Procurar o par da meia em falta, no meio de um alguidar com cerca de trezentas meias diferentes.

Tirar as botas à Sara para limpar o cocó de cão agarrado à sola - e fazer isto três vezes no mesmo dia, sempre sem refilar.

Vestir casaco, cachecol e gorro aos meus sobrinhos para irem lá fora brincar, ainda não ter acabado de vestir o último, e já ter de despir o primeiro, que entretanto mudou de ideias.

Começar a fazer o jantar quando se acaba de lavar a louça do almoço.

Competir com o Niall para ver quem limpa mais rabos num dia.

Fazer uma horinha de sauna (de graça!) enquanto se vigiam ou dão banhos atrás de banhos.

...

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Afinal, Deus dá-me tantas ocasiões de amar, durante as vinte e quatro horas de cada dia! Só preciso de estar atenta. Porque só o amor será recompensado!

Tenho um livrinho precioso, que para mim é uma escola de santidade. Chama-se "O Manuscrito do Purgatório" (vejam na net em que consiste...). Na página 66 diz assim:

 

"O bom Deus olha menos às grandes acções, aos actos heróicos, que às acções simples, aos pequenos sacrifícios feitos por amor. Por vezes um pequeno sacrifício, que só Deus e a alma conhecem, é mais meritório que outro grande que tenha sido aplaudido."

 

Que alegria, saber isto!

 

"O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas terminará e a ciência vai ser inútil..." (1Cor 13, 8)

 

 

 

 

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publicado às 06:43

Todos para Fátima!

por Teresa Power, em 03.01.15

Hoje teremos o nosso Retiro de Natal, em Fátima. Vamos começar pelas 9h15 no Centro Pastoral Paulo VI, e à tarde faremos uma Via Sacra muito especial: a Via Sacra do Natal, pelo Caminho dos Pastorinhos!

A todos quantos hoje lerem este blogue, pedimos uma oração pelo sucesso interior deste retiro nas vidas de cada um daqueles que o fizerem. Começar o ano em retiro é uma graça a que poucos têm direito! Nós decidimos dar o dia de hoje a Deus, pelas mãos de sua e nossa Mãe, Maria, que em Fátima nos falou  de oração. Depois contaremos tudo!

Se ainda alguém se sentir chamado a ir, não hesite! Quando Jesus chamou os seus amigos para caminharem com Ele, eles não tiveram tempo sequer para pensar...

 

"E deixando tudo, seguiram-n'O" (Lc 5, 11)

 

Façam retiro connosco - em Fátima, ou nas vossas casas! Amen!

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publicado às 05:50

Descanso em... férias?

por Teresa Power, em 02.01.15

Os meus sobrinhos, através das suas caríssimas mamãs, ou seja as minhas irmãs, pediram-me uma prenda de Natal diferente: uma ou duas noites cá em casa! Assim, antes do Natal tive a agradável companhia da Isabelinha e do Pedrinho, que vivem em Coimbra. O mano mais novo ficou em casa, que eu cá só recebo meninos que dormem a noite inteira :)

Os dois dias que passaram connosco foram tão cheios de aventuras, que quando chegaram a casa, a minha irmã disse que estavam KO... Juntos fomos ao gelo - sim, porque Anadia não é uma cidadezinha qualquer, perdida algures entre a serra e o mar! Anadia, este Natal, teve uma pista de gelo, e era ver as filas de miúdos (e alunos meus) à espera! Claro que quando os Power com os seus primos e mais duas amiguinhas chegaram à pista, ocuparam quase o espaço todo...

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Juntos, fomos ao parque, e fomos à Curia de bicicleta, carro, patins, trotinetas e skates:

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Depois do Natal, foi a vez dos meus três sobrinhos catalães. Nove crianças em casa, sete delas com menos de oito anos, não é tarefa fácil! Mas se o barulho e a confusão foram muitos, as gargalhadas e a alegria foram ainda mais:

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 Reparem bem neste sofá: sim, dispostas organizadamente, estão as roupas de muitas crianças, para as vestir na manhã seguinte à medida que saltarem das camas! Graças a Deus, o Francisco e a Clarinha já são suficientemente crescidos para não precisarem que organize as suas roupas...

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A mesa de que tanto nos orgulhávamos por ser tão grande, afinal é um bocadinho apertada:

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Vejam agora como um quarto de três meninas se converte numa camarata:

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Hoje, a casa está mais arrumada, mas também está mais vazia - tão arrumada e tão vazia quanto é possível com seis filhos, claro está...

A família alargada é uma oportunidade única de treinar o amor...

 

"Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos." (1Jo 3, 14)

 

PS - Apareçam em Fátima se quiserem, que ainda vão a tempo! Há muito espaço, pois alugámos uma sala maior... Venham rezar connosco!

 

 

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publicado às 06:38




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