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Tempo de arrumações

por Teresa Power, em 15.07.15

Férias é também tempo de arrumações. Cá em casa, há muito para lavar, e todos parecem gostar de ajudar, pelo menos no que toca a mangueiras:

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De vez em quando é preciso levantar almofadas e virar carpetes, esfregar tetos e pintar paredes, para que a casa respire limpeza. Quando se levantam as almofadas dos sofás, é sempre uma festa: de repente, aparece o ganchinho há tanto procurado, ou o carrinho desaparecido!

Eu aproveito as grandes arrumações para fazer uma reciclagem de brinquedos, deitando no lixo tudo o que está partido e oferecendo a instituições tudo o que está em bom estado, mas já não tem uso, porque os meninos cresceram. 

Ontem pedi ao Francisco que aspirasse a casa toda, como ele costuma fazer uma vez por semana. Quando terminou a sua tarefa, explicou-me:

- Mãe, só não aspirei o quarto das meninas, porque não se podia entrar lá...

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Tantas arrumações fazem-me pensar noutro tipo de arrumação... Como está a nossa "casa interior"? Haverá algum "quarto", presente ou passado, onde não possamos entrar, tal o seu estado de "desarrumação"? Teremos a coragem de "virar carpetes" e "esfregar paredes", custe o que custar? Ou há "almofadas" que não gostamos de levantar? De que temos medo, ao fazer as "arrumações" necessárias na nossa cabeça?...

 

"Se uma mulher tiver dez moedas de prata e perder uma, não acende a luz, varre a casa e procura cuidadosamente até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas, dizendo: 'Alegrai-vos comigo, achei a moeda que tinha perdido.' Assim, Eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um pecador que se converte." (Lc 15, 8-10)

 

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publicado às 06:18

As férias da Clarinha

por Teresa Power, em 14.07.15

Escrito pela Clarinha:

 

Na primeira semana de férias sinto-me sempre um pouco perdida. Tudo acaba ao mesmo tempo - os horários, os estudos, os TPC's, as aulas mais cansativas... Nesses dias vou deitar-me cedo e acordo tarde (8h30 em minha casa é "tarde"), e durante o dia parece que tudo passa muito devagar e que não há nada para fazer. Após esta semana de adaptação às férias começo a ter ideias para fazer coisas.

Geralmente, vamos todas as manhãs que a mãe tem livre à praia. Chegámos lá pelas nove e meia e regressamos ao meio-dia. Divertimo-nos imenso porque não paramos. Corremos e saltamos, gritamos e mergulhamos, uns perfeitos doidinhos. Mas divertimo-nos e na viagem para casa, o carro vem muito silencioso, excetuando o ressonar dos mais novos!

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 Quando os meus pais precisam, ajudo-os a tomar conta dos manos ou a arrumar a cozinha. Às vezes estendo uma máquina de roupa ou passo a ferro.

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Gosto imenso de ler e faço-o bastante nas férias. Faço alguns trabalhos manuais como esta gruta - o túmulo de Jesus - que estou a preparar para a Páscoa. Durante as férias temos mais tempo para preparar coisas que, durante o ano, vamos querer ter feitas!

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 Também faço alguns trabalhos de costura, como almofadas para as minhas irmãs:

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 Gostam desta bonequinha e do vestidinho que lhe fiz com a minha máquina de costura? Ainda lhe falta o cabelo. Foi um presente para a Sara:

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Também costumo fazer os presentes de aniversário das minhas amigas, como este saco e estes cadernos personalizados:

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No verão há tempo para fazer estes presentes para o ano inteiro!

 

Adoro dançar e fazer ginástica. Gosto tanto de fazer novos exercícios que na semana passada me magoei no joelho ao fazer a roda sem mãos. Uns dias antes tinha chegado a casa muito contente porque tinha feito a roda sem mãos. O meu pai filmou-me quando me foi buscar ao Velódromo. Querem ver?

 

Quando cheguei a casa, tentei fazer outra vez no jardim, e foi um desastre. Caí sem fletir o joelho e a partir daí não tentei fazer de novo. De facto, mesmo que quisesse não conseguia. Agora é uma pena, porque dia 11 tinha um espetáculo que há muito andava a preparar, e não pude ir. Em vez de aulas de ginástica tenho sessões de fisioterapia. E tenho aproveitado para aprender a tocar novas músicas na guitarra.

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Apesar disso, tenho tido umas férias muito boas e divertidas!

 

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publicado às 06:12

Uma dor e um sorriso

por Teresa Power, em 13.07.15

Há cerca de duas semanas, a Clarinha caiu mal durante um exercício de ginástica (em casa...), ficando com uma dor persistente no joelho.  Durante vários dias, a Clarinha continuou a sua vida normal, embora com dor. Mas como não melhorasse, antes se sentisse cada vez pior, teve de ir a uma consulta de fisiatria. A resposta foi clara: a Clarinha tinha uma rotura de ligamentos e não podia fazer ginástica durante, pelo menos, três semanas. Estávamos em vésperas do grande espetáculo de final de ano, que há meses a fazia sonhar...

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 Na noite em que chegou a casa, depois da primeira avaliação do seu problema, a Clarinha chorou, e nós sentimos o coração partido. Sabíamos que ela precisava de deitar cá para fora toda a frustração de não poder participar no espetáculo da Menina do Mar, onde iria dançar como uma alga agitando-se nas ondas azuis.

Mas algumas horas depois, quando se foi deitar, as lágrimas já tinham dado lugar a um sorriso. Não terá sido um sorriso espontâneo, antes o sorriso treinado de quem está habituado a sofrer alguma dor para conseguir os resultados de beleza e ritmo de cada exercício. O sorriso que nasce na dor é certamente bem mais precioso do que o que nasce na alegria... Como Chiara Badano, em situação bem mais grave, também a nossa Clarinha precisava de aprender a dizer: "Tu queres, Jesus? Então eu também quero."

A ginástica foi substituída pela fisioterapia, os treinos por consultas de fisiatria e, para a semana, ortopedia. As férias da Clarinha prometem ser bem mais calmas do que esperávamos, ou pelo menos, com menos saltos e piruetas! A "bilha" do "Nós, Jesus" vai sendo cheia da água dos seus pequenos sacrifícios.

A vida, como o desporto, oferece-nos oportunidades contínuas de lidar com a frustração. Podemos desperdiçá-las, queixando-nos da sorte e resmungando de tudo e de todos; ou podemos agarrá-las com ambas as mãos, forçando um sorriso, oferecendo a Jesus a nossa dor e avançando, com humildade nova, no caminho que se nos abre.

Nestes dias, temos vindo a escutar, na primeira leitura da missa diária, a história de José, filho de Jacob, traído pelos irmãos e vendido como escravo para o Egito, e finalmente tornado poderoso administrador do faraó. Perdoando de coração aos seus irmãos, José faz esta afirmação:

 

"Vós planeastes fazer o mal contra mim. Deus, porém, teve em mente com isso um bem." (Gn 50, 20)

 

Na tarde do espetáculo, em vez de dançar no palco, a Clarinha tocou guitarra sentada no sofá da sala, enquanto os irmãos mais novos dançavam e batiam palmas. Escutando a sua voz alegre e forte, capaz de afastar para longe todos os fantasmas, eu pensava...

Educar os filhos é também ajudá-los a gerir o seu desapontamento e a sua frustração, acreditando que não há mal que Deus não possa transformar em bem, se lho entregarmos com confiança e humildade.  Na vida, nem sempre os ventos nos são favoráveis - e ainda bem, pois o que faríamos nós com ventos favoráveis o tempo todo? Os aviões descolam sempre contra o vento...

 

 

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publicado às 06:10

Férias divertidas em casa

por Teresa Power, em 10.07.15

Escrito pelo Francisco, especialmente para os leitores mais jovens:

 

Muita gente não sabe como se entreter nas férias. Tenho muitos amigos que passam as férias no computador, no facebook e/ou (costuma ser o “e”) a jogar videojogos porque não sabem o que fazer para se entreterem. Deus deu-nos muitos dons, muitos que ainda temos por descobrir e muitos que simplesmente temos preguiça de colocar em prática. Sentados ao computador ou em frente à televisão é que não dá lá muito jeito para os pôr a render!
Cá em casa temos sempre muito com que nos entreter, portanto hoje vou partilhar convosco algumas ideias de atividades fantásticas para fazer nas férias. Os meus pais dizem que todos os anos eu tenho uma “mania” durante as férias, portanto vou começar por partilhar essas manias que já tive.


Rubik’s Cube. Peguei um dia num Cubo Mágico e decidi aprender a resolvê-lo. Pensava que era impossível, mas eu adoro desafios impossíveis (é por isso que sou ilusionista!). Peguei nele e não voltei a largar. Afinal é mais fácil do que parece! Depois de aprender o método básico para a sua resolução, aprendi o método avançado, bem mais rápido… e difícil! Assim tenho um jogo tridimensional (aha! Vês “PC gamer”?), que estimula a massa cinzenta, divertido e que impressiona todos! Ensinei a bastantes amigos meus e já passámos muitos intervalos na escola a tentar resolver no menor tempo possível. Depois do Rubik’s cube (cubo 3x3x3) aprendi a resolver o 2x2x2, o 4x4x4, o 5x5x5 e o pyraminx (uma espécie de pirâmide mágica). Eu sei que para alguns pode parecer uma seca, mas também era isso que os meus amigos pensavam… e já mudaram de opinião! Atrevam-se e aprendam no site oficial do Rubik's Cube. Aqui vos deixo um vídeo meu, a resolver o cubo em cerca de vinte segundos:

Origamis. Outra mania. São simples, tudo o que é necessário para os fazer é uma folha de papel. Com uma simples folha de papel é possível fazer muito mais do que um avião ou um barquinho. No ano em que me deu a mania dos Origamis aprendi a fazer pássaros, aviões, barcos, cavalos tudo com muito pormenor, aprendi a fazer origamis divertidos como um olho que abre e fecha, um sapo que salta ou um cavalo que dá piruetas. Muita gente não tem a ideia da dimensão desta arte. Deixo aqui um site e um canal do youtube que ensinam origamis muito bem: Origami Club e Tadashi Mori.

 

Se acham que já chega de papel em tempo de aulas mas ainda gostam de trabalhos manuais, que tal colocar a imaginação a funcionar e inventar pequenos objetos interessantes, úteis e esteticamente fixes? No youtube encontram-se imensos vídeos com ideias para este tipo de coisas. Vejam estes porta-chaves e estas pens de Lego que eu construí, e que podem fixar em construções de lego que inventem. Uma ideia genial que vi no youtube!

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Para mim, o mais divertido no que toca a trabalhos manuais é construir coisas que funcionam, que têm utilidade, como estes “Lego-hacks”, ou um guindaste hidráulico feito com madeira, seringas, tubos… Estas fotos e este vídeo foram feitos no ano passado, quando eu tinha o dedo partido:

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Este guindaste hidráulico tem muita ciência envolvida e como esta há muitas outras experiências com resultados divertidos e em que se aprende muito. Eu construo muitas destas coisas e é assim que aprendo muitas coisas que não se aprendem na escola. Foi também com estas construções que aprendi imenso de mecânica, eletrónica, o que é muito útil para arranjar objetos estragados cá em casa, como tive de fazer com a nossa televisão. Um site muito bom com muitas experiências, trabalhos manuais, origamis e outras coisas é o Manual do Mundo. Além de ensinar a fazer tudo muito bem, também explica todo o lado científico de forma muito simples e clara e não tão chata como nas aulas . Outros sites são, por exemplo, Grand Thomson ou Mama Recicla (um blog cheio de ideias giras para fazer com os mais novos, feito pela minha tia que vive em Barcelona).


Trabalhos manuais não é convosco? E que tal música? Podem sempre aprender a tocar um instrumento novo ou evoluir com algum instrumento que já sabem tocar, como eu tenho feito na guitarra, aprendendo a tocar musicas mais complexas e difíceis. Aqui estão alguns canais com bons tutoriais de guitarra: Cifra Club e Gareth Evans.


É muito tempo parados para vosso gosto? E que tal descobrir um desporto novo? Pode ser algo tão radical como Parkour ou algo divertido mas bem mais seguro como o lançamento do Boomerang. Eu sempre gostei de tentar coisas que não costumo ver pessoas a fazer e no ano passado decidi aprender a lançar o Boomerang. Não é nada fácil! Mas é um grande e divertido desafio experimentar truques como apanhar o Boomerang por entre as pernas, por trás das costas, lançar dois ao mesmo tempo… Se não têm espaço para isso ou não querem gastar dinheiro com um, sempre podem ir ao Manual do Mundo onde ele ensina a fazer um pequeno Boomerang bom para espaços mais pequenos.

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O Boomerang é apenas um exemplo, mas há muitos desportos divertidos por aí que muita gente não conhece. E não precisa de ser apenas desportos mesmo desportos. Pode ser habilidades/acrobacias como, por exemplo, malabarismo. Para os interessados, vejam o canal Lucas Gardezani Abduch. Ele também ensina a fazer bolas de malabarismo. Eu tentei e funcionou:

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Aproveitem as férias! Divirtam-se!

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publicado às 06:15

Banhos velhinhos

por Teresa Power, em 09.07.15

O dia fora longo e feliz. Depois de uma alegre manhã na praia, tínhamos almoçado em casa das duas avós - a vovó Mimé e a bisavó, que embora não nos reconheça, gosta de ver os meninos a brincar à sua volta. Por fim, tínhamos ainda tido bastante tempo para saltar no jardim.

Hora do banho. O António está sentado na banheira, e eu esfrego-o vigorosamente, deixando a água que se acumula no fundo bastante suja. Verão é também tempo de muita sujidade, penso eu.

Interrompendo os meus pensamentos, o António faz-me uma pergunta:

- Mamã, quando fores velhinha sou eu que te dou banho?

- Banho? A mim?

- Sim. A vovó mamã - é assim que os nossos filhos tratam a bisavó, talvez por escutarem a avó tratá-la por mãe - não toma banho sozinha, pois não? Um dia, eu vou dar-te banho com tu me dás agora a mim!

Sorrio, e continuo a esfregar o meu filho. Espero sinceramente não vir a precisar da ajuda do António, mas se Deus achar de outra forma, espero que o António, e todos os meus outros filhos, sejam capazes disso e de muito mais! E olhem que não estou a pensar no meu bem estar pessoal na terceira idade: estou a pensar na sua capacidade de amar, porque como dizia a Madre Teresa, amar é dar até doer...

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"A glória de uma pessoa vem da honra de seu pai, e é uma desonra para os filhos a mãe desprezada. Filho, ampara teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto vive. Ainda que perca a razão, sê tolerante e não o desprezes, tu, que estás em teu pleno vigor. Pois a compaixão para com teu pai não será esquecida e, em lugar dos pecados, terás os méritos aumentados. Quem abandona seu pai é como blasfemador, e é maldito do Senhor quem irrita sua mãe." (Ecl. 3, 11-16)

 

 

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publicado às 06:10

Sacramento e Vida Consagrada

por Teresa Power, em 08.07.15

No Painel da Vida Consagrada onde o Niall e eu demos testemunho no passado dia 19 de junho, o Senhor Bispo D. António Moiteiro foi naturalmente o primeiro a falar. No tom simpático e descontraído a que nos vem habituando, começou assim:

- As Irmãs que me desculpem, e não me levem a mal. As Irmãs fizeram voto de pobreza, obediência e castidade, mas este casal aqui, como muitos outros casais, recebeu um sacramento...

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Ao escutar o senhor bispo, fez-se luz sobre os meus próprios pensamentos àcerca deste tema. Na verdade, falar de pobreza, obediência e castidade no Painel da Vida Consagrada só foi difícil porque o tempo era pouco e o Niall e eu precisávamos economizar palavras e exemplos. Pode um casal viver os mesmos votos que os religiosos? Receber o sacramento do matrimónio implica comprometermo-nos com Jesus na nossa vida de família. E ao comprometermo-nos com Jesus, estamos naturalmente a comprometermo-nos com todas as suas Palavras, todo o seu Evangelho. Assim, o sacramento pressupõe os Conselhos Evangélicos de Pobreza, Obediência e Castidade, bem como os de Unidade, Caridade e todos os outros contidos na Palavra de Jesus.

Pode um casal viver uma vida de total consagração ao Senhor? Claro! Precisa de votos especiais para isso? Não, porque tudo está contido no sacramento, vivido com radicalidade e prontidão evangélicas. A Palavra de Jesus dirige-se claramente a todos, e tem até detalhes particulares para os que têm uma família:

 

"Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem procura a sua vida, há de perdê-la; e quem perde a sua vida por amor de Mim, há de encontrá-la." (Mt 10, 37-39)

 

As Famílias de Caná que vivem o seu compromisso com seriedade são famílias consagradas a Jesus e a Maria, e que renovam diariamente a sua consagração através da oração do Rosário e da repetição constante da pequena invocação: "Nós, Jesus".

Quando terminámos o nosso testemunho, naquele belo encontro de consagrados, o senhor bispo pediu-me que, em cinco minutos, explicasse às Irmãs o que são as Famílias de Caná. No final, uma Irmã expressou-se assim:

- Teresa, este movimento não é apenas para chegar aos confins de Portugal. É para chegar aos confins do mundo!

Que o Senhor a escute!

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publicado às 06:15

Estranho pedido de desculpas

por Teresa Power, em 07.07.15

A Inês tem dezassete anos e trissomia 21. Todos os verões a encontramos na praia, sorridente e afável. Há dez anos atrás, o Francisco e a Clarinha brincavam com ela na areia, fazendo castelos e procurando conchinhas. Agora, cabe a vez à Lúcia, ao António, à Sara. Os anos vão passando, os nossos filhos vão crescendo, mas a Inês continua criança, feliz por saltar nas ondas e brincar na areia com qualquer criança que responda à sua simpatia.

Ontem, a Inês deu a mão à Sara para a ajudar a molhar os pés no mar, e conversámos um bocadinho. Então recordei-me de uma conversa que eu tive no verão passado com a sua avó, mulher sábia e forte, de quase oitenta anos, que cuida da Inês como uma filha desde a morte prematura da mãe da menina.

- Quando a Inês nasceu - dizia-me a avó, de olhos fitos na sua menina - o médico pediu desculpa à minha filha. Eu sei, porque ela mo disse. Pediu desculpa... Ele deve ter falhado, realmente, como médico. Se tivesse descoberto o problema da nossa menina antes dela nascer, podia tê-la curado, não é verdade?

- Olhe que não - Respondi eu - A trissomia 21 não tem cura. Não teria adiantado nada saber antes!

A senhora ficou muito surpresa. Sem tirar os olhos da sua menina, que brincava nas ondas, perguntou em voz alta, mais a si própria do que a mim:

- Então por que razão terá o médico pedido desculpa?

Fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Como explicar áquela avó, que vive para que a neta seja feliz, que o médico pediu desculpa por não ter dado à mãe a oportunidade de matar a sua filha antes dela nascer? A Inês dava gargalhadas alegres no mar, ao lado do António e da Lúcia. Não tive coragem de desfazer a ilusão... Seria demasiado doloroso. Encolhi os ombros e fingi não saber a resposta.

Ainda me falta encontrar uma mãe que me diga que teria preferido abortar o seu filho deficiente...

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 "Teus olhos viam o meu embrião,

e em teu livro foram registados

todos os dias prefixados,

antes que um só deles existisse..."

(Sl 139/138)

 

 

 

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publicado às 06:16

O Reino das Sementes

por Teresa Power, em 06.07.15

No sábado de madrugada, a nossa família rumou até à diocese de Viana do Castelo. O padre Vasco Gonçalves convidara-nos a apresentar as Famílias de Caná às famílias em catequese familiar de toda a diocese, reunidas num convívio de encerramento do ano pastoral. Aceitámos com muita alegria, certos de que o convite vinha da parte de Jesus. Na verdade, Jesus tem-nos desafiado a percorrer o país em família, para testemunhar a sua alegria, o seu amor e o seu perdão às famílias que encontramos.

Assim, lá fomos nós até Santa Marta de Portuzelo, viajando, como costume, em dois carros - que é o que acontece a quem tem um filho a mais :) . E como costume, aproveitámos bem a viagem para rezar e para pôr a conversa em dia sobretudo com os dois mais velhos. Regressamos sempre destas viagens com a certeza de que foram importantes, não sabemos se para os outros, mas pelo menos para nós. É a forma que Deus tem de dizer "Obrigado": derramar graça sobre graça...

Em Santa Marta encontrámos famílias alegres, simpáticas e acolhedoras. O Francisco fez um espetáculo de ilusionismo que fascinou os mais novos, enquanto eu falei com os pais.

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 Alguns dias antes, eu desafiara a Rita Menezes a dar o seu testemunho neste encontro. A Rita veio, e contou como conheceu o nosso blogue, e como decidira participar em dois retiros connosco - o primeiro, na quaresma, o segundo, em Neiva. A partir daí, a sua vida tem sido um crescendo de felicidade e paz. Foi lindo, escutá-la!

A Eucaristia foi outro grande momento. O David acolitou, e a Sara bateu palmas ao som da música, para grande prazer do magnífico coro juvenil de Neiva.

Depois do almoço partilhado e de muita brincadeira, partimos com a Rita e a sua amiga Isabel para Famalicão. Este era o segundo grande encontro do nosso dia: tínhamos sido convidados por estas duas famílias a estar presentes no nascimento da sua Aldeia de Caná...

O encontro começou com um punhado de crianças a saltar de alegria, desarrumando a casa da Rita de alto a baixo e fazendo com que quase metade da água da piscina insuflável cobrisse o jardim onde os adultos procuravam conversar:

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O Francisco aproveitou para fazer alguns truques de magia, enquanto todos partilhávamos um lanche delicioso, que a Rita preparara para festejar este grande dia:

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 E finalmente, a oração entre famílias. O Canto de Oração da família Menezes estava particularmente festivo, na sala de estar, decorado com muito cuidado por toda a família. Está ou não bonito?

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Juntos, cantámos e louvámos o Senhor, partilhando a nossa ação de graças. Depois meditámos na passagem das Bodas de Caná e rezámos o terço. Finalmente, rezámos o Shemá e a Consagração. Antes de terminarmos, cantámos outra e outra vez, com grande alegria. Alguém lembrou que celebrávamos neste dia a Rainha Santa, Isabel de Portugal. Que linda data para o nascimento de uma Aldeia!

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A semente estava lançada e regada. Formar uma Aldeia de Caná é um gesto muito simples e familiar... Agora, esta nova Aldeia vai contactar novamente o pároco e oferecer os seus braços, o seu tempo, os seus talentos para "o que Jesus disser", ao jeito das Famílias de Caná. Estamos ansiosos por ver o que o Espírito vai fazer aqui!

Enquanto contemplava as crianças alternando entre a oração e a brincadeira, e observava a alegria das famílias sentadas na sala de estar, no ambiente natural de quem reza a vida, confirmei interiormente que as Aldeias de Caná não podem ser senão obra de Deus. Só mesmo Deus é capaz de tamanha simplicidade! Só mesmo Deus é capaz de pegar num punhado de famílias e congregar pais, filhos e amigos numa mesma oração, numa sala de estar! Se nas origens de uma Aldeia de Caná estivessem encontros pomposos e fórmulas complicadas, eu desconfiaria...

 

"O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem toma e semeia em sua terra. É a menor de todas as sementes. Mas, quando cresce, é a maior das hortaliças e torna-se uma árvore, de modo que em seus ramos os passarinhos vêm fazer ninhos." (Mt 13, 31-32)

 

É a simplicidade destes nossos encontros que me faz acreditar que um dia, as Famílias de Caná oferecerão os seus ramos para abrigar famílias no mundo inteiro...

 

 

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publicado às 06:10

As pegadas

por Teresa Power, em 04.07.15

Nos últimos sábados tenho oferecido as letras e os acordes de alguns dos nossos cânticos. Hoje fica o cântico das Pegadas, que nos serviu de oração nos cinco minutos finais da entrevista que demos à Rádio Terranova, no programa Soltar a Corrente, e que podem escutar em qualquer altura através do link na coluna lateral deste blogue.

Este cântico é-nos muito especial. Ele fala da dor e do amor que vivem unidos e que estão sempre implicados no seguimento de Jesus. Fala do "Nós, Jesus", com que todos os dias procuramos oferecer as nossas obras. Fala da Cruz, da Vida, da Alegria. Fala daquilo que é afinal ser cristão...

 

"Os meus pés estão colados às suas pegadas, segui o seu caminho sem me desviar. Não me afastei dos seus mandamentos, guardei no meu peito as Palavras da sua boca." (Jó 23, 10-12)

 

Escutem-no, meditem-no e levem-no para as vossas famílias e as vossas paróquias!

 

AS MINHAS PEGADAS (Jó 23, 10-12)

 

Fá                       Rém                Sol                   Dó
Nós, Jesus: Tu e eu, juntos na cruz, juntos no céu!
        Lám           Rém               Sol 7                    Dó
Nós, Jesus: Tu e eu, juntos na cruz, juntos no céu! (Lc 23, 42-43)


Dó                                         Rém
Põe teus pés nas Minhas pegadas
      Sol 7                        Dó
E acerta o teu passo coMigo.
         Lám                          Rém
Elas estão de sangue manchadas
Sol 7                                          Dó
Mas Meu passo é alegre e decidido!

 

Dó                                          Rém
Põe teus pés nas Minhas pegadas
     Sol 7                           Dó
Não te canses de evangelizar!
        Lám                              Rém
Elas estão de sangue manchadas
Sol 7                                          Dó
Mas por elas a Vida vais encontrar!

 

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publicado às 06:27

Testemunho

por Teresa Power, em 03.07.15

- Mãe, lembras-te daquele dia em que a vovó Mimé bateu à porta, vocês abriram e ela estava vestida de urso? E todos desataram aos gritos? Era carnaval, não era?

- António, como é que tu sabes, se tu não tinhas nascido? Nessa altura eu era o bebé da família.

- Mas sei, David!

- Como? Sabes que todos gritaram? Sabes mesmo?

- Sei! Sei, porque já ouvi esta história muitas vezes!

Sorri, a conduzir o carro por montes e vales para mais um piquenique em família. Nos bancos traseiros, os mais novos continuaram a conversar sobre as recordações de uns e de outros. Apercebi-me de que era difícil distinguir entre os que tinham vivido as diversas situações e os que as tinham meramente escutado vezes sem conta, em viagens como esta. Ambos recordavam os mais curiosos detalhes e os episódios mais divertidos.

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As histórias de família passam de geração em geração, de pais para filhos, em passeios como este, ou aos serões de inverno, ao redor de uma lareira. E de história em história, nasce a cumplicidade, criam-se laços, edifica-se sobre alicerces antigos. Uns são os que vêem e contam, outros os que escutam e acolhem. As histórias passam, a tradição fica.

S. João inicia assim a sua primeira carta:

 

"O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e o que as nossas mãos apalparam a respeito da Palavra da vida - porque a vida se manifestou; e nós vimos, testemunhamos e vos anunciamos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada - o que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos, a fim de que também vós vivais em comunhão connosco." (1Jo 1-3)

 

E S. Paulo afirma:

 

"A fé vem pela escuta, e a escuta vem da Palavra de Cristo."

(Rm 10, 17)

 

Nós cremos na Igreja Apostólica, isto é, a Igreja que nasceu do testemunho dos Apóstolos - aqueles que viram e ouviram, tocaram e experimentaram - transmitido de geração em geração pela pregação de uns e a escuta de outros.

Como é na nossa casa? Será que os nossos filhos escutam as histórias de família desta grande Família que é a Igreja? Contaremos nós as histórias da Bíblia e da vida dos santos com o entusiasmo e o ardor das testemunhas oculares? Como o António a contar a história daquele carnaval que não presenciou - falaremos nós dos episódios da vida de Jesus como se os tivéssemos vivido na primeira pessoa? Afinal, foi precisamente para serem vividos por cada um de nós que eles foram escritos...

 

 

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publicado às 06:10




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