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Na crista da montanha

por Teresa Power, em 18.08.15

Escrito pela Clarinha:

 

Houve um dia durante as férias na serra do Gerês em que eu me senti um pouco assustada, nervosa e ansiosa. Foi o que eu chamei "o momento do cavalo".

No dia anterior, ouvi os meus pais a falarem em me inscreverem a mim e ao Francisco num passeio a cavalo, com monitores, no Centro de Atividades da Montanha, que víamos todos os dias na estrada da barragem de Vilarinho das Furnas. Quando eu era mais nova, eu também montava a cavalo, mas um dia caí do cavalo, e alguns dias mais tarde desisti. Depois apaixonei-me pela ginástica e já nem me passava pela cabeça montar outra vez. Portanto, quando soube que ia voltar a montar um cavalo, senti-me assutada. O meu irmão procurava acalmar-me. Ele estaria sempre a meu lado.

Chegou a hora...

"Mãe, dói-me a barriga!"

"Como é que eu subo?"

"Será que me lembro do que tenho de fazer?"

Mas em poucos minutos, já todos os movimentos me eram familiares e relaxei.cavalos 2.JPG

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 Partimos! Que bom! Atravessámos a estrada. O cavalo da frente começou a descer por um trilho  pequeno, mas inclinado. O meu coração desatou aos saltos, mas fui acalmando à medida que avançávamos em terreno de terra batida e floresta e pedras e buracos. 

Valeu a pena! Chegámos à crista da montanha e tudo o que víamos à nossa volta era montanha. Ao longe víamos a aldeia onde ficámos. Era tudo tão belo! Apetecia montar umas tendas e passar ali a noite!

Por fim, regressámos ao Centro de Atividades da Montanha. Tinha passado uma hora! Não podia ser, pareciam apenas uns minutos!

Todo aquele medo inicial para quê? Ao ver o belo que me rodeava tudo desapareceu. Fiquei eu, o cavalo e Deus. Não posso esperar por uma aventura igual!

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publicado às 06:20

O espelho e o lago

por Teresa Power, em 17.08.15

Num dia de manhã cedo, nas nossas férias na serra do Gerês, fizemos, como costume, a viagem até à barragem de Vilarinho das Furnas, rezando o terço no carro. O dia estava luminoso, tranquilo e quieto, e tudo respirava paz. Ao chegar, também nós ficámos sem palavras diante desta paisagem:

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A montanha não parecia uma, mas duas, tal a nitidez e a tranquilidade do reflexo sobre a superfície das águas! Que maravilha! Até fazia pena mergulhar ali, quebrando o espelho em mil estilhaços... Bem, com pena ou sem ela, não resistimos:

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 Apeteceu-me ficar ali para sempre, quieta como a montanha, silenciosa como a água antes de nela mergulharmos. Depois lembrei-me do texto de S. Paulo:

 

"Todos nós que, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor como um espelho, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória..." (2Cor 3, 18)

 

O lago só reflete a montanha se se mantiver sereno e tranquilo. A minha alma só refletirá a glória do Senhor se não se deixar perturbar por coisa alguma... Serei eu capaz de tal tranquilidade, diante das tempestades que a vida vai trazendo? Estarei eu totalmente abandonada à vontade do Pai, confiante no seu amor infinito e absoluto? Escrevia Santa Teresa de Ávila:

 

"Nada te perturbe,

nada te espante.

Tudo passa,

Deus não muda.

A paciência tudo alcança.

Quem a Deus tem,

nada lhe falta.

Só Deus basta!"

 

Ah! No dia em que nos abandonarmos assim, a glória do Senhor refletir-se-á como num espelho, e seremos transfigurados, renovados, recriados no seu amor... Que felicidade! Custa assim tanto deixarmo-nos amar?...

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publicado às 06:11

Coração de Jesus, Coração de Maria

por Teresa Power, em 15.08.15

- Já foram lá acima ao Bom Jesus das Mós? - Perguntou-nos um dia a senhora responsável pela casa onde estávamos de férias, na serra do Gerês.

- Não, mas já vimos indicações na estrada para lá chegar! - Respondemos.

- Ah, não percam! Vale bem a pena! Nós vamos lá acima todos os dias, em caminhada. Rezamos o terço e andamos um bocadinho!

Nessa altura, eu já me acostumara à vivacidade destas mulheres serranas, fortes, simpáticas e conversadoras. Decidimos aceitar a sugestão, e lá fomos nós até ao cimo do monte.

Valeu a pena? Oh, se valeu...

As catorze estações da Via Sacra marcavam o caminho, sempre a subir. Esperamos, para o ano, fazer a Via Sacra aqui, porque desta vez pareceu-nos demasiado difícil o percurso para a Sara, o António, a Lúcia e até a mãe e por isso, fomos de carro. Ao chegar ao cimo do monte, esperáva-nos um magnífico monumento ao Sagrado Coração de Jesus, que nos deixou sem palavras:

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- Que lindo! Vamos subir lá acima?

- Força! Todos a subir! Cuidado, ninguém se debruça!

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- Ah, como é bonita a vista a partir do Coração de Jesus!

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 - Já espreitaram pela cruz? É bem mais seguro, porque não corremos o risco de cair!

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Na igreja mesmo ali ao lado, fomos surpreendidos por um tronco de árvore artisticamente decorado. Aproximámo-nos, e vimos que nele tinham sido gravadas a canivete as palavras da Mãe de Jesus guardadas no Evangelho. Que maravilha!

- Mãe, já viste o que está aqui escrito?

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"Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2, 5)

 

No cume da montanha, acariciados por uma brisa quente e em silêncio quase absoluto, não pude deixar de pensar na Mãe... Hoje é a festa da sua assunção, da sua subida ao cume dos cumes, da sua entrada triunfal no verdadeiro santuário, que é o Coração de Jesus. E que melhor forma de a honrarmos do que procurarmos imitá-la?

Como Maria, subamos um a um todos os degraus do amor, acolhendo a Via Sacra de Jesus na vida de todos os dias... Como Maria, coloquemo-nos ali, de pé, diante do Coração donde jorra a fonte da Vida... Como Maria, não hesitemos em contemplar o mundo através da cruz, pois não há vista mais bela do que aquela que a cruz abarca!

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Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná,

Ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser.

Ámen!

 

 

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publicado às 06:00

O mistério do saco roubado e os gigantes de Canaã

por Teresa Power, em 14.08.15

Durante as nossas férias na montanha, os cães estiveram sempre connosco. Que alegria para nós e para eles, podermos disfrutar juntos de tanta natureza!

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À noite caíam, redondos, no tapete da sala, donde só se levantavam de manhã. Mas houve uma noite em que ladraram imenso, excitadíssimos. Que se passaria lá fora? Decidimos esperar pelo dia para descobrir, pois já estávamos todos na cama.

E descobrimos: de manhã, o saco de três quilos de comida de cão tinha... desaparecido! Como era possível? Quem teria vindo roubar a comida dos cães? Surpreendidos e ávidos de aventura, os meninos decidiram investigar.

Descobriram então um rasto abundante de comida de cão desde o portão da casa até ao tanque. Que estranho fenómeno! 

- Cá para mim foi uma raposa - Disse o Niall, verdadeiramente surpreso. - Nenhum ladrão que se preze deixaria um rasto assim!

- Ou um lobo. Há lobos no Gerês, não há?

- Há, claro. Alguns. Pode ter sido um lobo...

À medida que o dia passava, as pistas iam-se acumulando:

- Mãe, mãe, vê só o que encontrei! - Gritou a Lúcia, entrando a correr em casa.

- O que foi, filha?

- Isto!

Olhei. Era uma pena de galinha.

- O que é que tem?

- É uma pista! Esta pena estava junto do portão. Acho que quem roubou a comida foi um monstro!

- Um monstro com penas?

Nesse momento, o António chamou da rua:

- Anda, Lúcia, vem investigar mais!

- Já vou! - Respondeu-lhe ela, correndo para fora. Mais uns minutos, e voltaram ambos a entrar.

- Mãe, mãe, encontrámos mais pistas!

- O que foi agora?

- Estamos cheios de medo! Ouvimos gargalhadas de monstro ao pé do tanque!

- Sim, é mesmo um monstro, tipo fantasma, e está a dar gargalhadas! Ele não quer que a gente encontre a comida de cão!

Entre brincadeiras e investigações, apercebi-me de que o António e a Lúcia, levados por uma fértil imaginação, estavam a ficar realmente com medo. Foi mais ou menos nessa altura que os vizinhos nos perguntaram:

- Ouviram barulho ontem à noite? Sim? Anda aí um cão a incomodar. Penso que o dono o solta à noite para ele passear, mas tem causado estragos.

- Terá sido ele a roubar a comida dos nossos cães? - Perguntei, contando a história.

- Ah, certamente que sim! É um cão muito grande. Era bem capaz de arrastar o saco pelo monte abaixo!

Mistério resolvido. A Lúcia e o António ficaram um bocadinho desiludidos - afinal, o seu monstro com penas e gargalhadas não passava de um cão...

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Lembrei-me então de Moisés e dos investigadores de Canaã. Conhecem a história? Lemo-la a semana passada, nas leituras da missa diária. É uma história muito importante da Bíblia, pois o acontecimento em causa foi responsável pela demora de quarenta anos do povo no deserto.

O povo estava acampado diante da terra prometida de Canaã. Antes da conquista final, era preciso conhecer o terreno, os povos, as culturas, as histórias. Moisés enviou investigadores, que durante quarenta dias visitaram Canaã, provaram os seus frutos e conheceram as suas gentes. Por fim, regressaram. Mas o seu relato não foi o esperado:

 

"«A terra que fomos observar é um país que devora os seus habitantes e toda a gente que ali vimos são homens de grande estatura. Vimos lá os gigantes, os filhos de Anac, descendentes de gigantes. Ao seu lado, nós parecíamos gafanhotos e era assim que eles também nos olhavam.» Então toda a comunidade de Israel levantou a voz em altos brados e o povo passou aquela noite a chorar." (Nm 13, 32.14, 1)

 

O que o medo é capaz de fazer! Quando o deixamos dominar as nossas emoções e o nosso pensamento, o medo alimenta a imaginação, transformando os cães em monstros, os irmãos em gigantes, os vizinhos em gafanhotos, a vida numa grande e difícil batalha sem vencedores. Quantas vezes recuamos perante os desafios que se nos propõem - o trabalho na vida da paróquia, a decisão por uma vocação, o assumir de mais um filho, a mudança de terra ou emprego - porque vemos gigantes e gafanhotos por todo o lado?

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 Jesus ensinou-nos que Deus dá de acordo com a nossa fé. Se esperarmos muito, muito alcançaremos; se esperarmos pouco, pouco alcançaremos. Israel não acreditava na vitória? A resposta veio de acordo com a sua fé: o povo de Deus vagueou quarenta anos no deserto, um ano por cada dia que os exploradores passaram em Canaã a duvidar do poder do Senhor.

E nós? Quantos anos passaremos no deserto, cheios de medo e sem fé, rodeados de gigantes e gafanhotos ou, como o António e a Lúcia, de monstros com penas e gargalhadas aterradoras?

Senhor, dá-nos a tua paz, a tua serenidade, a tua confiança, para assumirmos os desafios que colocas no nosso caminho e entrarmos vitoriosos na "terra" onde corre leite e mel, a terra que prometeste a nossos pais, a Abraão e a toda a sua descendência para sempre. Ámen!

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publicado às 06:24

Quinze minutos de alegria

por Teresa Power, em 13.08.15

Há já alguns anos que temos uma tradição de férias muito divertida: durante a semana que passamos fora de casa, todas as noites jogamos às cartas com os mais velhos, enquanto bebemos chávenas de chá e comemos bolachas. A casa enche-se então de gargalhadas e de muita animação, porque o único jogo de cartas que gostamos de jogar é extremamente divertido.

Este ano, o Niall recordou-se de um jogo que a mãe costumava jogar com os filhos mais pequenos. É um jogo muito simples, tão simples que qualquer criança o pode jogar, com um bocadinho de ajuda. Chama-se "House": distribuem-se quatro cartas a cada jogador. Depois, uma outra pessoa - no nosso caso, a mãe - pega no restante baralho e vai colocando cartas na mesa, chamando-as em voz alta: "Dama", "Sete", "As", etc. Os jogadores que têm uma carta igual, apressam-se a virá-la ao contrário, até conseguirem virar as quatro. Então é hora de gritar bem alto: "House!"

Para facilitar, o Francisco fez par com o António e a Clarinha com a Sara, pois o António e a Sara não têm obrigação de distinguir todos os números. E lá começámos o nosso jogo familiar.

Não tenho como vos descrever a excitação, a alegria, os gritos e as gargalhadas que este simples jogo causou. A Sara percebeu perfeitamente como se jogava, e a sua carita ao virar a última carta, gritando muito alto "Hooose!" era digna de um vídeo, que infelizmente não conseguimos fazer. Ficam as fotos:

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Quinze minutos de pura alegria! Em quinze minutos, quantas gargalhadas! Em quinze minutos, quanta cumplicidade ganha, quanta amizade alimentada, quanta harmonia vivida! 

Concluíamos o nosso jogo sempre da mesma maneira: ali mesmo, à volta daquela mesa, enquanto as estrelas nasciam lá fora, alguém trazia a guitarra e o missal, e rezávamos. Os cânticos a várias vozes, as aventuras de Moisés pelo deserto, que há duas semanas nos acompanham, a consagração à Mãe de Caná e a partilha da ação de graças e do louvor (o terço era rezado pela manhã a caminho da barragem)... Mais quinze minutos de pura alegria!

S. Paulo, o Apóstolo da Alegria, escreveu aos cristãos de Corinto, falando da sua missão:

 

"Queremos contribuir para a vossa alegria!" (2Cor 1, 24)

 

Talvez seja essa a grande missão de cada pai e cada mãe: contribuir para a verdadeira alegria que só Deus pode dar aos nossos filhos. Missão difícil? Nem por isso! Bastam quinze minutos de cada vez...

 

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publicado às 07:57

Piratas e bolas de sabão

por Teresa Power, em 12.08.15

Férias é tempo de brincadeira. Na montanha, não fizemos nós outra coisa!

Conhecem o Barco dos Piratas da Terra do Nunca?

- Eu sou o Barrica! - Apressava-se a gritar a Sara, entusiasmadíssima. E olhem que nenhum caiu lá de cima!

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 Numa das idas do pai ao hipermercado, a vinte minutos da nossa casa, os meninos receberam um presente magnífico: bolas de sabão! Vejam só o que acontece quando se espalham bolas de sabão no céu, na terra e na água... Quanta beleza!

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 Perto da nossa casa de férias encontrámos uma fantástica casinha numa árvore. Teria pertencido a alguma criança no passado? Hoje, apenas quatro crianças habitam na aldeia durante o ano inteiro...

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 Numa das suas expedições, os meninos descobriram que podiam brincar no socalco por cima da casa, ou seja... no telhado:

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 E noutro dia descobriram o galinheiro com a vista mais bela do mundo:

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Numa das nossas manhãs na barragem, o Francisco utilizou o seu canivete e a sua imaginação e construiu esta deliciosa canoa em miniatura:

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Por fim, junto ao rio havia todo o tipo de objetos curiosos, pertencentes a uma casinha abandonada, e que serviram para grandes brincadeiras:

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 Um fim de tarde, o dono do galinheiro passou por nós e ofereceu-nos um saquinho com todos os ovos do dia. Ficámos encantados, e entabulámos uma agradável conversa. Mas houve uma frase deste simpático senhor que me chocou. Dizia eu:

- Que bonito que isto é! A serra, a fonte, os animais, tudo tão bonito!

Ao que ele comentou:

- Bonito? Isto? Não há nada bonito aqui! Nada bonito aqui!

E enquanto se afastava, continuava a murmurar, abanando a cabeça:

- Não há nada bonito aqui!

Fiquei em silêncio. Claro que percebi a mensagem: o que para mim são férias e lazer, para ele é trabalho e suor. Mas onde terá ele deixado a pureza de olhar que nos permite transformar um palheiro abandonado num barco de piratas? Quando terá ele crescido assim tanto?

Senhor, dá-me um coração de criança, capaz de se alegrar com as coisas simples que me ofereces! Ensina-me a amar a minha rotina, a minha realidade, sem reclamar, e a perder tempo com uma bola de sabão a fluturar nas águas de um rio...

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 "Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque dos que são como elas é o Reino dos Céus!" (Mt 19, 13-15)

 

Ámen!

 

 

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publicado às 06:00

De bicicleta a Santiago

por Teresa Power, em 11.08.15

Escrito pelo Francisco:

 

“Em que é que eu me fui meter???”. Perguntei-me a mim mesmo isto muitas vezes antes e durante o percurso de 350 km de Anadia até Santiago de Compostela que realizei de bicicleta com um grupo de amigos e professores do Colégio. Bem, hoje conto-vos em que é que me meti mesmo.

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Há 4 anos um grupo de professores e alunos do Colégio Nossa Senhora da Assunção, onde eu tenho aulas desde o 1º ano, decidiu abraçar a aventura de ir até Santiago de Compostela de bicicleta, desde o Porto, e fazer esse trajeto em 4 dias. Gostaram tanto da experiência que este ano decidiram repetir e eu tive a sorte de poder participar. Muita gente queria participar mas apenas 14 pessoas podiam ir por motivos logísticos. Fomos 7 jovens (entre nós um ex-aluno do colégio) dois encarregados de educação e 5 professores (um dos quais conduzia o carro de apoio). E desta vez decidimos partir de Anadia, fazer mais 100 km no mesmo tempo…

Partimos numa quarta-feira de manhã, às 7 horas, depois de uma oração na capela do colégio:

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Começámos a pedalar, seguindo as setas amarelas, que indicam o caminho para Santiago de Compostela. Mas, como era de esperar, os problemas com bicicletas não tardaram a aparecer: logo após 10 km rebentou uma câmara-de-ar de um colega meu. Entrámos todos logo em ação para a substituir o mais depressa possível para não perdermos tempo. Nesse dia houve mais uns três ou quatro problemas com bicicletas e no resto dos dias houve ainda mais… Faz parte!

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Chegámos ao final de um dia inteiro a pedalar, 84 km com paragem apenas para o almoço, completamente exaustos, como era de esperar. De facto, o Caminho de Santiago não é um caminho fácil, é um caminho com mais subidas do que descidas, terreno muito mau (maior parte do percurso é feito por trilhos que vão acompanhando a Estrada Nacional e cruzando-a de vez em quando) pelo meio de aldeias e florestas, calçada romana em mau estado, até zonas tão complicadas que nem os melhores ciclistas se atrevem a subir de bicicleta!

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 O primeiro dia não foi muito mau, excetuando a subida ingreme de 1,5 km de comprimento, que nos matou a todos e mais umas subidas antes e depois. Ao chegar ao albergue só queríamos tomar um bom banho e descansar. Mas havia um problema: o albergue só tinha uma casa de banho minúscula! Fomos todos, um de cada vez, tomar um banho rápido, rezando para que a água se mantivesse quente…

Nos albergues íamos conhecendo outros peregrinos e percebendo os motivos da sua peregrinação. Há pessoas de várias nacionalidades a fazerem o caminho Português: Espanhóis, Brasileiros, Belgas, até Irlandeses! (esses ficaram contentes por me conhecer, por ser semi-Irlandês). Um senhor Belga que conheci estava a fazer o caminho pela 4ª vez! E não era o único. Muitos peregrinos, após fazerem o caminho uma vez, repetem-no várias vezes. É realmente uma experiência fantástica.

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Levantávamo-nos todos os dias às 5h30 da manhã e sempre que tínhamos tempo fazíamos uma oração com música, uma passagem do evangelho e a oração do peregrino. Depois começávamos a pedalar e quando chegávamos a um café tomávamos um pequeno-almoço rápido… e recomeçávamos a dar aos pedais.

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Durante o caminho, sempre que me isolava para a frente do grupo, aproveitava para rezar um pouco. Numa dessas ocasiões distraí-me de tal maneira a rezar que comecei a avançar demasiado depressa em relação ao resto do grupo sem me aperceber e um professor teve que sprintar para me apanhar e dizer para eu abrandar… A oração é, sem dúvida, o melhor “doping” que pode haver!

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A chegada a Santiago é muito bonita. Sentimos uma data de emoções juntas: “Finalmente chegámos”, “nem acredito que já estamos a terminar”, “conseguimos!”, “doem-me as pernas”… Ficámos essa noite num colégio Cluny e no dia seguinte fomos à missa do peregrino na Catedral. Foi uma missa muito bonita, com padres de todo o mundo a concelebrar. Tivemos que nos sentar no chão, mas depois de pedalar 350 km já nada custava. O famoso momento em que se balança o Bota-fumeiro enorme quase até ao teto também é emocionante e toda a gente começa a filmar, com os dois órgãos de tubos lindíssimos a tocar muito alto.

Depois de 4 dias, 350 km, não-sei-quantos problemas de bicicletas, estrada em calçada e terra batida até dizer chega, dezenas de “buen camino” ditos a outros peregrinos, chegámos ao fim da nossa jornada. Mas chegámos diferentes. Chegámos mais unidos como grupo, chegámos com mais experiência, olhando para as coisas de forma diferente. Aprendemos a levar connosco apenas o essencial, para não fazer peso na mochila, deixar os bens materiais que não necessitamos para trás. Já sabemos o que é um terreno difícil de percorrer (de tal modo que já estamos a combinar uma ida à praia de Mira de bicicleta. São só 66 km ida e volta, não é nada!).
Foi uma experiência fantástica e uma experiência que eu quero repetir. Talvez a pé ou a cavalo, para a próxima… quem me acompanha?

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publicado às 06:10

As Aldeias de Caná - de Tomar a Cascais

por Teresa Power, em 10.08.15

As Aldeias de Caná estão a nascer em força, um pouco por todo o lado. Olhando para elas tão felizes, pequenos encontros de duas ou três famílias que se juntam para rezar e servir, eu penso naquelas flores da montanha a crescer no meio das rochas... Na verdade, é preciso tão pouco, para uma Aldeia de Caná surgir! Não são necessárias estruturas complicadas, nem regras rígidas, nem "pessoas importantes"; basta querer amar e adorar, em família de famílias. E onde duas ou três famílias estiverem reunidas em nome de Jesus, Ele estará no seu meio, celebrando as Bodas de Caná da nossa vida...

No sábado, tivemos uma imensa alegria: estivemos presentes no nascimento de mais uma pequenina Aldeia de Caná! O convite veio da parte da família da Marta e do João, de Tomar, e da Olívia e do Álvaro, de perto de Almeirim, duas Famílias de Caná ribatejanas. Cheias do Espírito Santo, decidiram que chegara a altura de começarem a rezar juntas e a servir as famílias onde Jesus quiser, e decidiram começar no sábado. Assim, de manhã cedo rumámos até Tomar, a casa da Marta e do João, onde depois de muitos abraços, fizemos uma alegre oração da manhã:

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 Depois, a pé, dirigimo-nos à belíssima igreja de S. João Batista. Conversámos com o padre Mário, que nos acolheu muito bem e se mostrou disponível para acompanhar a nova Aldeia e estar atento aos frutos!

- Sabem que aqui na igreja temos um tríptico das Bodas de Caná? - Disse-nos o padre Mário, sorridente. Não o pudemos ver, porque está em restauro, mas pareceu-nos um ótimo indício!

- Chamemos à nova Aldeia, Aldeia de S. João Batista, em honra da igreja que nos acolheu - propôs a Olívia, mais tarde. Que lindo nome!

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Um pouco adiante, no parque, fizemos o nosso piquenique. Os mais novos, felizes, brincaram à sombra, enquanto os mais velhos conversaram sobre a nova Aldeia e partilharam ideias. As Bodas de Caná serviram-nos de meditação e de oração...

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- Vamos subir ao castelo?

- Vamos!

- Será que a Olívia aguenta, com aquela barriguinha tão jeitosa?

- Parece que a pequena Lúcia é uma menina muito forte e corajosa! Na barriga da mamã aguenta tudo...

- Vamos então!

Houve quem se aventurasse a escalar muralhas...

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 ... E depois, claro, precisasse de ajuda para descer...

 

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 ... enquanto outros assistiam a tudo, sem saber se haviam de rir ou de chorar!

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- Não era bom se fossemos vizinhas?

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Também houve quem preferisse fazer uma sestinha ao colo...

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O dia estava quase a chegar ao fim. Faltava uma coisa: a oração do terço! Subimos então à Ermida da Senhora da Piedade, onde fizemos novo piquenique - as Famílias de Caná têm sempre muita fome, ou não nascessem elas em clima de Bodas!

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E finalmente, rezámos o terço e louvámos o Senhor, cantando, no cimo do monte, rodeados de beleza...

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Despedimo-nos, e enquanto o fazíamos, escutávamos o diálogo das duas famílias fundadoras desta nova Aldeia: alegres e entusiasmadas, marcavam novo encontro, propunham formas de chamar mais famílias e partilhavam sugestões de oração. Que alegria, quando uma Aldeia de Caná se faz ao caminho!

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E não é a única! No norte, a Aldeia de Caná de Santa Isabel (assim chamada porque nasceu no dia da Rainha santa) está cheia de entusiasmo. Famílias de Braga, Viana, Famalicão - querem juntar-se a eles? Contactem-me para o mail! Em Proença e aqui em Mogofores, as Aldeias de Caná (ainda por batizar) também vos desafiam a vir e ver...

E se vivem na zona de Cascais e arredores, não faltem ao primeiro encontro da nova Aldeia de Caná que aí vai nascer, no dia 16 de agosto, das 15h às 17h, na Paróquia da Abóboda, Cascais. O padre Miguel fará um pequeno ensinamento de acolhimento a todas as famílias que queiram estar presentes, e como é costume nos encontros das Famílias de Caná, haverá atividades de evangelização para pequenos e grandes. Todos são bem vindos, mesmo que ainda não sejam "formalmente" Famílias de Caná! Nós não estaremos lá, mas estará a Família da Rute e do Serge, bem como a família responsável por esta nova Aldeia, que é a família da Sónia e do João Miranda Santos.

E em Coimbra? Aveiro? Lisboa? Almada? Évora? Algarve? ... Para quando, novas Aldeias de Caná?

 

"Fazei tudo o que Jesus vos disser!" (Jo 2, 5)

 

Que seja este, sempre, o nosso lema! Ámen.

 

 

 

 

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publicado às 06:14

Flores na rocha

por Teresa Power, em 08.08.15

- Mãe, já viste como são bonitas as flores da montanha?

- Sim, António, são maravilhosas... E já reparaste que não precisam de quase nada para viverem?

- Pois é! Elas nascem nas pedras!

- Basta-lhes um espacinho entre as rochas, um bocadinho de terra, umas gotinhas de chuva aqui e ali, e olha que bonitas ficam!

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 Na Laudato Si - Louvado Sejas - , a nova encíclica do Papa Francisco, o Papa escreveu (nº222):

 

"É importante adotar um antigo ensinamento, presente em distintas tradições religiosas e também na Bíblia. Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais». Com efeito, a acumulação constante de possibilidades para consumir distrai o coração e impede de dar o devido apreço a cada coisa e a cada momento. Pelo contrário, tornar-se serenamente presente diante de cada realidade, por mais pequena que seja, abre-nos muitas mais possibilidades de compreensão e realização pessoal. A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres."

 

Deixem-me sublinhar esta frase: "sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos."

 

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 A vida é tão simples, e nós complicamo-la tanto! Um pedacinho de terra, um espacinho entre duas pedras, umas gotinhas de chuva...

 

"Olhai os lírios do campo: não fiam nem tecem, e nem Salomão, com toda a sua magnificência, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis..." (Mt 6, 28-31)

 

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 Encontrar alegria nas pequenas coisas, saborear cada detalhe que nos é concedido viver, descobrir o trigo no meio do joio, brincar à chuva e ao sol, não invejar os bens alheios, não nos apegarmos aos nossos, e sobretudo, recusar o queixume - eis o segredo da verdadeira felicidade!

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 Ah, e se quiserem ir mais longe e encontrar magia na montanha, escondida nas fontes e crescendo nas rochas, visitem o canal de magia do Francisco... Divirtam-se e mostrem aos vossos filhos. Há lá muito para descobrir!

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publicado às 06:12

Nevoeiro

por Teresa Power, em 07.08.15

A nossa semana de férias foi muito variada e interessante em termos atmosféricos. Tão depressa tomámos banhos de sol...

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 ... como de chuva - literalmente!

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A chuva nunca foi, para nós, um impedimento a mergulhar nas águas atraentes da lagoa. Um dia em que tive de contactar a proprietária da casa por telefone, ela manifestou a sua preocupação connosco, por causa da chuva miudinha que caía. Dei uma gargalhada: naquele preciso momento, todos os meus filhos estavam dentro de água!

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Um dia, ao acordar, olhámos pela janela e não vimos absolutamente nada... Estava tudo branco!  Não se via o jardim, nem o caminho, nem a fonte, nem sequer a montanha, que parecia ter-se dissolvido no ar.

Depois, com uma velocidade incrível, o nevoeiro derreteu-se em gotinhas minúsculas, que o sol aqueceu...

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... e num instante evaporou!

- Como é possível? Ainda agora não se via nada...

- Parecia que não havia montanha!

- Mas ela sempre lá esteve!

- Quem diria! Uma montanha tão grande, e não se via nem uma pontinha!

- Ah!

O nevoeiro tem este poder de nos fazer esquecer o que ele esconde e, se apanhados em plena caminhada, de nos fazer acreditar que estamos perdidos. De facto, se não vemos a montanha, quem nos assegura de que ela lá está? E se não vemos o caminho, como podemos ter a certeza de que estamos no trilho certo? Todos os anos, várias dezenas de caminhantes se perdem nas montanhas.

Mas o nevoeiro são apenas gotículas de chuva, que num instante o sol faz evaporar. De que temos medo?

Cantou o Rei David, no seu belíssimo salmo:

 

"O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Em verdes prados me faz descansar

e conduz-me às águas refrescantes.

Ainda que atravesse vales tenebrosos,

de nenhum mal terei medo

porque Tu estás comigo.

A tua vara e o teu cajado dão-me confiança."

(Sl 23/22)

 

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Que importa o nevoeiro, a chuva, o frio, a tempestade? A montanha continua no mesmo sítio, imensa, imóvel e serena... A fonte continua a cantar, e os caminhos não desapareceram. Na nossa caminhada pelas montanhas da vida não estamos sozinhos! Temos connosco o melhor dos guias de montanha... Não percamos o nosso tempo à espera que o nevoeiro se dissipe ou que a chuva páre! Avancemos, confiantes, de mão dada com o Pastor, Aquele que conhece todos os cumes e todos os abismos, todos os trilhos e todas as fontes...

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publicado às 06:10




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