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O caminho para o paraíso

por Teresa Power, em 06.08.15

A Serra da Peneda-Gerês é um verdadeiro paraíso, mas um paraíso de difícil acesso. Senão vejamos:

Para chegarmos a casa, precisávamos de subir uma calçada estreita, onde o carro, para passar, ficava a cerca de meio milímetro da parede e outro meio do abismo... A pé era bem mais fácil!

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No primeiro dia em que acordámos na casinha de férias, decidimos ir tomar banho na barragem de Vilarinho das Furnas. A barragem ficava à distância exata de um terço, de carro, num percurso de montanha digno da Heidi:

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Ao chegarmos perto da barragem, vimos a água a brilhar lá em baixo, azul e tranquila, e procurámos na estrada sinais indicativos de praia fluvial. Nem um... Percorremos a estrada para cima e para baixo, para trás e para a frente, mas não conseguíamos encontrar forma de descer até àquela água tão bonita. A nossa vista da estrada era assim:

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- Se calhar não é possível descer até lá abaixo...

- Claro que é! Não vim até ao Gerês para ficar a ver paisagem. Vamos encontrar um caminho!

- Sim, dois adultos sozinhos conseguem encontrar um caminho, mas... Temos crianças pequeninas e dois cães cansadíssimos!

- De facto, não se vê ninguém dentro de água...Parece um espelho! Não há barquinhos, não há traços de creme solar... Não há lixo, não há confusão... Será que não dá mesmo para descer?

A conversa prolongava-se no carro, e nem sinais de escadas, caminhos ou pontes até à água. Quase uma hora depois, encontrámos um pequeno trilho por entre as árvores... É agora! Ajudando-nos uns aos outros, conseguimos descer... E repetimos a proeza todas as manhãs!

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O nosso esforço foi bem recompensado. Não vos parece? Uma "praia privada" deste tamanho...

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À tarde, descíamos até ao rio, que saltava de pedra em pedra lá em baixo, no vale junto da "nossa" casa. Havia uma pequena placa a indicar "Praia Fluvial", mas nunca vimos ninguém nesta "Praia". A razão não é difícil de descobrir: para a alcançar, era preciso estar disposto a fazer uma grande caminhada, sempre a descer - e no regresso, sempre a subir!

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Neste belíssimo caminho, e como em qualquer estrada que se preze, nem sequer faltava... uma rotunda :)

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 Também esta aventura tinha um final feliz:

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A regressar da barragem ou do rio, cansados e bem dispostos, recordávamos, a rir, a passagem do Evangelho:

 

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição,  e muitos são os que seguem por ele. Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!"

(Mt 7, 13-14)

 

Na verdade, se estas nossas praias fluviais estivessem bem sinalizadas, com acessos fáceis e bares carregados de música e cerveja, deixariam de ser paradisíacas... E nós, que somos amantes da natureza, do silêncio e da tranquilidade, não perderíamos tempo com elas! Os parques naturais só se mantêm "naturais" assim. Se queremos o paraíso, temos de estar dispostos a trilhar o caminho que poucos encontram, estreito, pedregoso, difícil, cansativo e pouco popular... Ah, mas vale bem a pena!

- Mãe, já pensaste numa coisa?

- Em quê, Clarinha?

- Se isto é tão bonito, como será o Céu?

- ...

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publicado às 06:20

A sede e a fonte

por Teresa Power, em 05.08.15

A nossa casa de férias ficava elevada num socalco. E no socalco imediatamente abaixo, havia este magnífico tanque:

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A água jorrava, pura, abundante, fresca, sem cessar. Desde muito pequena que adoro tanques, e lembro-me de me meter dentro deles para brincar, na quinta dos meus avós, ou de ver as lavadeiras a esfregar a roupa, na aldeia. Não imaginam a alegria que me invadiu quando vi este tanque! A máquina de lavar a roupa que havia na casa alugada deixou de me interessar, e várias vezes por dia desci os degraus perfumados de hortelã-pimenta para me dedicar a esta belíssima atividade, rodeada, claro, de crianças curiosas:

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Ainda mais vezes ao dia, porém, havia uma outra atividade que nos encantava a todos:
- Quem vai encher a jarra?
- Eu!
- Eu!
- Eu!
Até a Sara queria ir, se nós, claro, a deixássemos! Descalços na terra, os meninos desciam os socalcos e traziam cuidadosamente a jarra cheia, que colocavam sobre a mesa. A água da fonte sabia-nos infinitamente melhor, apesar da água canalizada ser também muito boa.

- David, importas-te de encher a taça dos cães? - Pediu um dia o Niall, distraído a fazer o jantar. Uns  bons cinco minutos mais tarde, o David apareceu no terraço, rabugento:

- Estou todo molhado! A taça está sempre a entornar!

Olhámos para ele, espantados: o David tinha ido à fonte com a taça dos cães, e trazia-a encostada à barriga, cheia de água.

- David, os cães bebem a água da torneira, como aliás também nós bebemos em casa! - Explicou-lhe o pai - Não era preciso ir à fonte!

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 Na nossa vida moderna, raramente sentimos sede, sede a sério. Aos primeiros sinais, dirigimo-nos à cozinha, abrimos a torneira, enchemos um copo e bebemos. Mas em algumas partes do mundo não é assim... Ainda há quem não tenha água canalizada, e milhares de crianças, da África à Índia, têm de fazer diariamente vários quilómetros para ir buscar a água de que a sua família necessita. Será que sabemos o que significa a palavra "sede"?

Cada vez que descia os degraus de terra com uma jarra na mão, cada vez que bebia até à saciedade daquela água cristalina e fresca, cada vez que subia os degraus com cuidado, para não perder uma única gota, eu lembrava-me das palavras do salmista:

 

"Ó Deus, Tu és o meu Deus, anseio por Ti!

A minha alma tem sede de Ti,

todo o meu ser anela por Ti,

como terra árida, ressequida, sem água."

(Sl 63/62)

 

Terei eu verdadeira sede de Deus? Estarei eu consciente de que tenho sede? Serei eu capaz de deixar o conforto da minha casa e da minha vida para fazer a caminhada necessária até à Fonte? E quando encontro a Água, lembro-me de a trazer com cuidado comigo, para com ela saciar os que vivem na minha casa, e que também têm sede?...

A Fonte está tão próxima, jorrando abundante, fresca, cristalina em cada igreja paroquial, a alguns metros das nossas casas... E quantos morrem de sede sem nunca a encontrar!...

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publicado às 06:20

S. José - Da casinha de Nazaré à casinha da montanha

por Teresa Power, em 04.08.15

Marcámos as nossas férias muito tarde, quando já quase tudo estava reservado. Como sempre, queríamos ir para a montanha – visto termos a praia tão perto durante todo o verão – e pensámos na Serra da Estrela, onde já passámos algumas das melhores férias da nossa vida. Mas os lugares que conhecíamos e que o nosso orçamento familiar permitia já estavam reservados. Então, o Niall e eu fizemos o que costumamos fazer nestas ocasiões: confiámos as nossas férias a S. José. A nossa oração foi mais ou menos assim:


- S. José, na tua vida terrena, tu tiveste uma bela missão: entre muitas outras coisas, coube-te encontrar uma casinha para Jesus nascer, organizar a fuga para o Egito, procurar certamente muitas outras casinhas para viver em terra estrangeira, encontrar o caminho de regresso a Nazaré e, de novo, uma casinha para Maria e para Jesus. Tu sabes que nós precisamos de umas pequenas férias, e sabes também que amamos muito a tua Maria e o teu Jesus… Assim, pedimos-te o grande favor de nos encontrares uma casinha de férias na montanha. O lugar fica à tua escolha! Aceitaremos o que nos ofereceres. Obrigado!


Na verdade, a Escritura guarda uma palavra profética sobre a missão de S. José:

 

“Não entrarei na minha tenda

nem me deitarei no meu leito de descanso,

não deixarei dormir os meus olhos

nem descansar as minhas pálpebras,

enquanto não encontrar uma casa para o meu Senhor.”

(Sl 132/131)

 

Nessa mesma noite, o Niall regressou à pesquisa no Google. E nessa mesma noite, encontrou o que não encontrara durante toda a semana anterior: uma casa na montanha, dentro do nosso orçamento, disponível na semana que pretendíamos! Percebi que se tratava da casa que S. José escolhera para nós. Quando fiz o telefonema para reservar e a voz do outro lado não levantou qualquer obstáculo ao facto de termos seis crianças e dois cães, tive a certeza.
A nossa casinha de férias ficava situada numa aldeia minúscula, com esta vista:

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A nossa rua chamava-se assim:

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A palavra “Mestre” não vos lembra nada? A casa de S. José, na Galileia, foi certamente a casa do único e verdadeiro Mestre…


- Vi que há uma bela igreja nesta aldeia – Comentei eu com a senhora que nos abriu a porta – Será que há missa aqui ao domingo?
- Ao domingo e três vezes por semana! – Respondeu-me a senhora, cheia de alegria – Sempre que há missa, eu vou. Olhe, amanhã é às nove horas da manhã!
Sorri para comigo. Claro, tendo a casa sido arranjada por S. José, não podia faltar a Eucaristia diária!
No dia seguinte, às nove da manhã, lá estávamos nós na igreja, para a Eucaristia. A igreja era lindíssima, cheia de luz, de cor e de vida, com mais fiéis reunidos em oração, em dia de semana, do que muitas igrejas da cidade:

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 O António gostou particularmente desta imagem…

Santo António.JPG

 E eu gostei desta, claro!

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S. José, Castíssimo Esposo de Maria e Pai de Jesus, rogai por nós! Ámen.

 

 

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publicado às 06:07

De Fátima ao Sameiro

por Teresa Power, em 03.08.15

... E a semana sem net já terminou... Tanto, tanto para vos contar! Mas vamos por partes:

 

A nossa partida para férias coincidiu com o nosso 19º aniversário de casamento, dia 27 de julho. Que grande alegria! Os meninos estavam excitadíssimos, e os cães não paravam de pular – desta vez tinham direito a viajar connosco! O destino era uma pequena aldeia junto ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde alugáramos uma casa de férias pequenina e simples.


- Vamos preparar um piquenique para o caminho? – Perguntou o Niall. Nós somos amantes de piqueniques, como já devem ter reparado.
- Bem, se o caminho é para norte, e se vamos passar por Braga, então sugiro o Sameiro…
- O Sameiro?
- Sim. O Santuário de Nossa Senhora, a sua casa no norte do país. Lembras-te? Fomos lá no Jubileu do ano 2000, quando estava à espera da Clarinha…
- Pois fomos!
- E casámos em Fátima… Faz todo o sentido celebrar o nosso aniversário em terra de Nossa Senhora, não achas?
E foi assim que rumámos ao Sameiro. Que maravilhoso santuário! O céu muito azul, a escadaria, a cidade dos homens lá em baixo sob o olhar atento de Maria, a cúpula a apontar para o céu…

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No chão, nas pedras azuis e brancas, uma frase: “Mais bela, só no céu!” Veio-me ao pensamento o texto do Apocalipse:

 

“Depois apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça…” (Ap 12, 1)

 

De joelhos diante do altar, renovámos a consagração à Mãe de Caná, e pedimos a sua bênção para as nossas férias e a nossa vida. O nosso coração transbordava de ação de graças e de louvor perante tantas bênçãos, e perante esta bela prenda de aniversário! A paz e a alegria inundaram-nos a jorros. A vida é tão diferente, quando nos confiamos nos braços da Mãe, como crianças de colo que se abandonam sem medo! Com uma Mãe destas, que mal nos poderá acontecer?

Sameiro 2.jpg

Depois, enquanto rezávamos o terço e meditávamos nos mistérios da vida de Jesus, retornámos à nossa viagem, a caminho de umas das mais belas férias de sempre.

Sameiro 11.JPG

 Mas sobre isso falamos amanhã :)

 

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publicado às 06:12

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