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Tempo para brincar

por Teresa Power, em 11.01.16

A chuva cai desalmadamente do céu, como tem acontecido quase ininterruptamente nas duas últimas semanas. No jardim, apenas as galinhas esgravatam, felizes. Já pensámos até em vestir os fatos-de-banho para fazer natação no jardim, pois não sabemos de que outra forma podemos aproveitar o "lindo" relvado...

Mas é o último dia de Natal, e há que festejar! À mesa, acendemos as cinco velas da nossa "Coroa de Advento" e cantamos cânticos natalícios.

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Durante a tarde, ao desmanchar e arrumar o Presépio e a Árvore de Jessé, recordamos as férias de Natal.

- Lembras-te do passeio de bicicleta que fizemos?

- Sim, David, e aquele jogo de bola?

- Ah, a mãe fez um castelo de legos comigo!

- E o pai levou-nos ao parque...

- Estava tanto sol!

Sorrio, enquanto escuto os meus filhos a conversar sobre tanta brincadeira. Férias significa muita coisa. E uma das mais importantes é, sem dúvida alguma, a brincadeira. Em férias, temos tempo para brincar juntos, pais e filhos, sem pressas, sem horários. Ah, com que sofreguidão nós aproveitámos aqueles dias bonitos de sol! Mal sabíamos que seriam os últimos durante longas semanas!

Brincámos na praia...

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Brincámos no parque da Mealhada...

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Brincámos no parque da Curia...

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Brincámos no dia do Retiro, brincámos ao acordar e brincámos ao deitar. Quando chegou a chuva, brincámos em casa, pois então...

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E não pensem que só brincamos com os mais novos! Vejam como o Niall e o Francisco têm passado os seus serões, desde que o Natal trouxe este lindo presente ao Francisco...

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- Teresa, já reparaste no tempo que passamos a brincar? - Pergunta-me o Niall, feliz, depois de todos os enfeites de Natal arrumados e da sala aspirada. - Há quarenta e poucos anos que, mais do que tudo, brincamos... Brincámos em crianças, brincámos em jovens, os filhos vieram pouco depois e retomámos a brincadeira. E como ainda não deixámos de ter crianças em casa, ainda não deixámos de brincar!

- Tens razão!

- Para muitas pessoas, brincar é uma memória do passado, uma memória da sua infância ou da infância do seu filho, que entretanto cresceu. Há dezassete anos que temos crianças pequeninas... Ainda vai faltar algum tempo para que brincar com elas seja uma memória!

- Bem, o mais provável é que, ao deixarmos de brincar com os filhos, comecemos sem intervalo a brincar com os netos...

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Retomamos a conversa já depois dos filhos estarem todos a dormir.

- Sabes, Niall, para brincar com os filhos, como tu dizes, é preciso algum esforço. A brincadeira de que tu falas não é a brincadeira infantilizada de muitos adultos, que ocupam os seus tempos livres à volta de si mesmos, deixando a família sentada diante do televisor. Tu falas de uma brincadeira diferente, a brincadeira de quem se esquece de si mesmo para dar alegria ao outro...

- Sim, claro que sim. A partir do momento em que temos uma família ao nosso cuidado, a nossa felicidade passa sempre por ela. Brincar com os filhos, ou proporcionar aos filhos momentos divertidos, é bem mais interessante do que deixar os filhos em casa para satisfazer os nossos interesses pessoais!

- Nem todos acham isso...

- Porque nunca experimentaram verdadeiramente esquecer-se de si. Como fez Maria, correndo a visitar Isabel.

- Sabes o que descobri outro dia? Descobri que o Antigo Testamento termina com uma frase muito sugestiva.

- Ai sim? E que frase é essa?

- Ora escuta:

 

"Fará com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos seus pais..." (Ml 3, 24)

 

- E assim somos lançados no Novo Testamento, com Jesus. Não é bonito? Só Jesus pode fazer com que os corações dos pais e dos filhos se aproximem. Porque só Jesus pode dar sentido à nossa renúncia, à capacidade de nos esquecermos de nós para que o outro, o filho, se sinta amado.

- E o paradoxal é que é precisamente nesse esquecimento que encontramos a felicidade... Não te sentes plenamente feliz com tanta brincadeira, mesmo que com isso não tenhas tanto tempo para os teus hobbies pessoais?

- Se queres que seja sincera, nunca reparei numa contradição entre uma coisa e outra... Os meus hobbies pessoais passam cada vez mais pelo tempo de qualidade que passamos juntos. Acho que faz sentido: quando Deus repara no nosso esforço em renunciar ao nosso tempo livre para o dar à família, Ele também aumenta o prazer que encontramos neste tempo familiar, ao mesmo tempo que nos faz perder o interesse nos prazeres também bons, mas mais egoístas.

- Oh, de que maneira! Deus nunca Se deixa vencer em generosidade...

 

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publicado às 06:00

Coração sem espinhos?

por Teresa Power, em 07.01.16

No início do Advento, um grupo de pessoas amigas, empenhadas na sua paróquia, pediram-nos emprestado o "Sagrado Coração de Jesus" que costumamos colocar à porta de casa, por alturas do mês de junho, mês do Sagrado Coração. Queriam fazer uma representação de Natal para as crianças do seu movimento e este Coração ficava muito bonito na peça que iam construir. Emprestei com todo o carinho, claro.

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Quando, dias mais tarde, mo devolveram, o Coração vinha diferente. Olhei-o com atenção:

- Tiraram as chamas?

- Chamas?

- Sim, as chamas do Sagrado Coração...

As minhas queridas amigas entreolharam-se, preocupadas. Naturalmente não se tinham apercebido que as flores amarelas representavam as chamas do Coração de Jesus, um Coração ardente de amor. Ri-me, para as descontrair, pois sabia que tinham as melhores intenções do mundo. A nossa arte não é muita, e as flores amarelas pareciam tudo menos chamas! Recuperei as flores e guardei-as num saquinho, para mais tarde reconstruir o Coração.

Mas depois reparei noutro pormenor:

- O Coração de Jesus tinha espinhos... Também tiraram os espinhos?

- Tirámos - Assentiram - Não fazia muito sentido por se tratar de uma representação do Natal. Deitámos os espinhos fora... Desculpa!

 

Quando cheguei a casa, entreguei o Coração de Jesus ao Francisco e à Clarinha:

- Meninos, toca a refazer o Coração! É preciso voltar a colocar as flores amarelas no sítio e procurar novos espinhos!

Eles resmungaram:

- Ora bolas! Os espinhos custam tanto a colocar! Picamo-nos todos!

Ri-me para comigo. Ainda bem que os espinhos custam a colocar! Se não custassem, não seriam espinhos... Agradeci interiormente aos meus amigos por nos permitirem meditar de novo no mistério imenso do Sagrado Coração de Jesus, por nos permitirem picarmo-nos novamente em cada um dos seus espinhos.

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 O Coração misericordioso de Jesus é um Coração atravessado de espinhos dolorosos. A misericórdia divina significa que a minha miséria toca o Coração de Deus, ao ponto de o despedaçar. Amor rima sempre, sempre com dor...

Mesmo no Natal? Os meus amigos, que transbordam de amor por Jesus e só Lhe querem agradar, estavam empenhados em não permitir que, pelo menos no Natal, o Coração de Jesus fosse dilacerado pelos espinhos.

Mesmo no Natal. No dia seguinte ao Natal, a Igreja celebra o martírio de S. Estêvão, apedrejado até à morte. Que horror! E dois dias depois, o martírio dos bebés de Belém, mortos por Herodes. Quanto sangue derramado nas ruas de Belém, apenas alguns dias depois do nascimento do Salvador! Ler e meditar nas leituras da missa do dia, no tempo de Natal, não é uma experiência muito... "natalícia"! Mártires, perigos de toda a espécie, a fuga para o Egito durante a noite, a perseguição... 

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Domingo à noite, ao regressar do grupo de oração com a Clarinha e o Francisco, encontrei o Niall sentado diante do televisor. As notícias mostravam uma criança de dois anos morta por afogamento, ainda com o corpinho dentro de água, numa praia na Grécia. Foi o primeiro náufrago de 2016. Vinha numa embarcação pequenina, fugindo à guerra em busca de um pouco de bem-estar. Que imagem chocante! Por que não nos deixam celebrar o Natal em paz?! Hoje, como há dois mil e quinze anos atrás, o Natal continua a ser tempo de contradição. Assim o predisse S. Simeão a Nossa Senhora, na Apresentação no Templo:

 

"Este Menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição. Uma espada trespassará a tua alma." (Lc 2, 34-35)

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Escreveu o Cardeal Kasper no livro que inspirou o Papa Francisco, Misericórdia: "Esta não é a linguagem das sagas nem dos mitos: no início, o estábulo; no final, o cadafalso... Mas é precisamente por causa desta tenção e deste contraste entre o cântico celestial dos anjos e a brutal realidade histórica que todo o relato da Natividade irradia uma magia específica."

Natal é tempo de amor. Misteriosamente, este amor cresce no meio da dor, como as rosas no meio dos espinhos. O mundo está cheio de sofrimento, e a nossa vida também. Mas por uma razão que não conseguimos entender, é neste terreno regado com lágrimas que brotam as sementes da esperança. Sem sabermos como nem porquê, de Natal em Natal o Reino continua a crescer...

 

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publicado às 06:00

O nosso Retiro de Natal

por Teresa Power, em 05.01.16

No sábado tivemos o nosso Retiro de Natal, em Fátima. Que dia tão cheio de bênçãos! Ainda estamos em clima de retiro nos nossos corações, depois de uma experiência tão forte da misericórdia do Senhor.

E forte porque começou logo de madrugada, com a perceção da sua imensa bondade, nos raios do sol nascente que atravessavam as nuvens ao longo da nossa viagem. Depois de tantos dias de chuva intensa, o sol brilhou para nós! Das trevas nasceu a Luz...

Apesar de muitas baixas de famílias inteiras neste retiro, sobretudo por causa dos vírus da época, estávamos cerca de quinze famílias no Centro Pastoral Paulo VI. Algumas destas famílias fizeram um esforço muito grande para ali estar, pois vinham com bebés muito pequeninos! A mais pequenina era, claro, a Lúcia, da querida Família Batista. E que bem que ela se portou o dia inteiro!

É sempre uma grande alegria ver chegar as famílias aos nossos encontros. Que saudades uns dos outros, durante os períodos mais ou menos longos em que apenas comunicamos por mail - ou por oração!

Com a pontualidade característica das Famílias de Caná, começámos o nosso retiro com oração cantada e dançada, cheios de alegria no Senhor. Rezámos o Shemá, consagrámo-nos a Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, e por fim, o David ajudou-me a orientar um mistério do Rosário.

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Depois, enquanto as crianças saíam com o Niall e a Clarinha para brincar e falar de Jesus numa outra sala, eu fiz a meditação sobre a Misericórdia e o Natal, na sala S. João Paulo II. Os sorrisos abertos fizeram-me sentir que o Senhor estava connosco, também através desta meditação. A Palavra que Ele nos ofereceu ao longo de três quartos de hora foi verdadeiramente desafiante e cheia de esperança:

 

“Alarga o espaço da tua tenda sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas, alonga as cordas, reforça as estacas, porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda: a tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.” (Is 54, 1-3)

 

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 Seguiu-se a missa na Basílica da Santíssima Trindade, onde o nosso encontro foi referido, no início, como tratando-se do Encontro Nacional das Famílias de Caná. Na verdade, podemos ser poucas famílias, mas já somos de âmbito nacional... E se continuarmos a alargar o espaço da nossa "tenda", a "reforçar as estacas", a "estender as lonas", em breve conquistaremos o mundo para Deus.

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 Que alegria, passar pela Porta Santa!

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 O almoço foi partilhado em grande festa, e durante o tempo livre do início da tarde, muitos tiveram ocasião de se confessar. Depois demos início à Via Stellae, a nossa meditação natalícia, pelo Caminho dos Pastorinhos. O céu ameaçava chuva, pelo que fizemos o caminho com passo rápido e sem demoras. Mas o Senhor segurou as nuvens com a sua mão poderosa, não permitindo senão algumas gotas de chuva de vez em quando!

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Como a Cláudia tinha esquecido o carrinho da Alice em casa, decidimos que a Sara faria o caminho a pé e cederia o seu carrinho à amiga, bem mais pequenina. Para nossa grande surpresa, a Sara percorreu o caminho inteiro a pé, como gente grande. Um grande "viva" à Sara!

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As crianças fizeram a sua caminhada quase por inteiro no meio das flores, que brotavam abundantes nas ervas dos campos em redor. Felizes, colhiam flores que iam oferecendo aos pais e uns aos outros.

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Em cada estação, ajoelhámos, guardámos uns momentos de silêncio e meditámos no texto que vos tinha proposto. Depois, sempre em clima de oração e silêncio, continuávamos o nosso caminho até à estação seguinte.

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Ouvido de passagem:

- Coitado de Jesus aqui nesta estação! Vou dar-lhe as minhas flores!

E a Lúcia depositou o seu ramo aos pés de Jesus, caído sob o peso da cruz.

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- Os pastorinhos faziam este caminho todos os dias?

- Sim, todos os dias! Sem estrada marcada, claro, sempre pelos montes...

- E sem sapatos também...

- Ah...

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Alguns bebés foram carregados ao colo, outros às costas, e outra ainda, muito pequenina, teve de voltar atrás porque precisava de mamar e a chuva miudinha dificultava a operação ali, em plena Via Sacra. Mas que sentido teria uma Via Sacra - uma Via da Estrela - sem algum sofrimento? Amor rima sempre, sempre com dor. No Natal também.

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Finalmente chegámos ao Calvário Húngaro, onde terminámos a nossa caminhada. A chuva cá fora empurrou-nos para dentro da capela, e como não estava lá mais ninguém, pudémos cantar e rezar em voz alta, agradecendo ao Senhor, ali presente entre nós no Santíssimo Sacramento, o dom deste dia.

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A Via Stellae terminou. Chegou o tempo de brincar! De um momento para o outro, a chuva parou, o sol brilhou, e as crianças puderam correr de novo, felizes, brincando na Loca do Anjo e junto das casas dos pastorinhos, que visitámos por fim.

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Quantas lições de humildade e simplicidade, nestas casas pequeninas e pobres!

Tal como no ano passado, também neste retiro terminámos o nosso encontro junto ao poço da casa da Lúcia. Algumas famílias já tinham ido embora, mas ainda tínhamos crianças suficientes para cobrir o poço de canções...

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A Sara recuperou o seu carrinho de passeio para um muito merecido descanso e uma bolacha:

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 "Alarga o espaço da tua tenda", foi-nos dizendo o Senhor ao longo de todo o dia. E nós alargámos... E o milagre da alegria, da paz, da esperança aconteceu!

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 Ámen.

 

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publicado às 06:00

A história do Natal numa ilusão com cartas

por Teresa Power, em 04.01.16

Amanhã, se Deus quiser, conto-vos tudo sobre o nosso maravilhoso Retiro de Natal, em Fátima. Por hoje deixo-vos com a história do Natal contada num gesto de ilusionismo que a todos nos encantou, no sarau de Natal cá em casa, e que o Francisco decidiu gravar para vos poder encantar também a vós! No seu canal no YouTube encontram este vídeo e também a versão em inglês. Disfrutem!

 

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