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Canto de Oração quaresmal 2016

por Teresa Power, em 10.02.16

O dia em que preparamos o Canto de Oração para novo tempo litúrgico é sempre um dia de festa cá em casa, e todos querem participar.

- Vamos falar de portas este ano, não vamos?

- Sim, Clarinha, este é um ano especial, especialíssimo. É o primeiro Ano Santo na História da Igreja em que o Papa autorizou a abertura de milhares de Portas Santas em todo o mundo, para além das quatro Portas Santas de Roma...

- E por que é que se fala tanto em Porta Santa?

- Porque Jesus disse que Ele mesmo é a Porta. No Evangelho de S. João, Jesus afirma:

 

"Eu sou a porta das ovelhas. Se alguém entrar por Mim estará salvo; há de entrar e sair e achará pastagem." (Jo 10, 7.9)

 

Pouco a pouco, durante a refeição familiar do almoço, as ideias foram nascendo. À tarde, a Clarinha e eu pusemos mãos à obra, enquanto os mais novos entravam e saíam da sala, exclamando de vez em quando "Que lindo! Que lindo!" Pontualmente, pedíamos alguma ajuda ao Francisco, que como sempre prefere ver o trabalho final concluído.

A festa não seria completa sem um lanche apropriado, claro! E para isso, não há melhor que a Clarinha. Todas as famílias deviam ter uma Clarinha, acreditem em mim! Ora vejam só este lanchinho:

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É preciso gastar o chocolate todo que há em casa antes de começar a quaresma, pois uma das nossas renúncias é sempre o chocolate...

E ao fim da tarde, o Canto de Oração estava pronto. Querem ver?

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- Mamã, por que é que a cruz de Jesus está dentro da Porta?

- Porque foi pelo seu sacrifício, pela sua morte e ressurreição que Jesus nos abriu a Porta Santa, David.

- É por isso que puseste os cartões com os mistérios dolorosos a toda a volta?

- Sim. Foram os mistérios dolorosos - o Caminho da Cruz - que nos salvaram. Abrir uma Porta Santa dá trabalho! A Lena explicou no seu blogue que é preciso primeiro derrubar um muro inteiro, pois a Porta Santa fica não só trancada, como murada de jubileu para jubileu. Jesus derrubou o muro do nosso pecado com a sua entrega de amor...

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- Ah, e então a bilha representa o Coração de Jesus, não é?

- Sim. A bilha representa o seu Corpo entregue por nós, a jorrar o Sangue da Nova Aliança, perfurado por três cravos. As bilhas das Famílias de Caná têm tanta, tanta simbologia... Que símbolo tão rico o Senhor nos ofereceu!

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- E estão aí os cartões da Via Sacra! Há tanto tempo que não rezamos a Via Sacra!

- É verdade, vamos rezá-la, como todas as quaresmas, nos domingos à tarde.

- Havemos de ir rezá-la também a Fátima...

- Esperemos que sim! E à nossa igreja. E aqui em casa, com os cartões que vocês fizeram, tão bonitos.

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O Canto de Oração Quaresmal está pronto, desde domingo à tarde. A quaresma é sempre um tempo tão intenso na vida de cada um de nós, e na nossa vida familiar, que tivemos pressa em preparar o espaço familiar de oração ainda antes do carnaval, para o fazermos com calma durante a interrupção letiva. Hoje começa verdadeiramente esta aventura de conversão, sempre começada, sempre fracassada, sempre perdoada, sempre renovada, a cada ano e a cada ciclo... Como Deus é bom!

Rezemos então uns pelos outros durante este tempo magnífico de misericórdia! A todos os leitores deste blogue, uma santa quaresma! Ámen.

 

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publicado às 06:00

O carnaval da Heidi

por Teresa Power, em 09.02.16

Quatro meninos vestidos a preceito, sexta-feira de manhã, a caminho da escola:

carnaval.JPG

- Eu sou a Heidi - Afirma a Sara, feliz.

- Não, Sara, a tua professora disse que os meninos da escolinha iam vestidos com roupa tradicional portuguesa, por isso tu és uma... bem, uma espécie de varina, misturada com minhota, com um estilo saloio de trazer por casa. Entendeste?

- Sim - Anui a Sara, muito séria - Sou a Heidi...

- OK, se calhar tens razão, com esse chapéu de palha amarrotado, o xaile barato e a saia costurada pela Clarinha com todo o amor do mundo... Sim, acho que és a Heidi!

Carnaval Sara.JPG

Deus ama tanto a brincadeira, que criou algumas criaturas só para com elas brincar:

 

"No mar passeiam os navios e ainda o Leviatã, monstro que Tu criaste, para ali brincar!" (Sl 104, 26)

 

Há alguns dias do ano que foram feitos para... brincar! E às vezes os adultos complicam tanto com uma seriedade desproporcionada na escolha da roupa mais perfeita, mais cara e mais elegante, que roubam às crianças o prazer simples da fantasia infantil... Quanta vaidade paternal a estragar a festa dos pequeninos! Penso na Heidi, a menina dessa belíssima história de Joana Spyri, que longe das montanhas, guardava no fundo do baú o seu chapéu amarrotado e o seu vestido vermelho, juntamente com a sua infância feliz. É tão bom ser criança...

 

PS - Despachem-se a inscrever-se no Retiro Famílias de Caná, em Coimbra, já no dia 14! Não tenham receio, que apesar de ser um "retiro", tem muita brincadeira à mistura!

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publicado às 06:00

Um pequeno passo...

por Teresa Power, em 08.02.16

Há duas semanas atrás, quase todos os Power estiveram doentes. Os mais pequenos trouxeram para casa uma belíssima virose de vómitos, os mais velhos andaram enjoados e sem forças, e por fim, na noite de sábado para domingo (da outra semana), foi a minha vez.

- Meninos, despachem-se, vistam-se para a missa que hoje a mamã não vos pode ajudar - Disse o Niall, procurando orientar a manhã dos seis filhos.

- Porquê?

- Porque vomitou a noite toda e continua muito aflita - Explicou. - Quando viermos da missa já vai estar melhor. Agora vistam-se!

A Lúcia e o António entraram apressadamente no meu quarto.

- Mamã, que devemos vestir para a missa?

- O que quiserem - Respondi eu sem pensar, procurando controlar as dores de barriga - Vistam o que quiserem, mas deixem-me em paz!

Só na segunda-feira de manhã, quando finalmente saí da cama, é que me dei conta do erro que cometera com esta minha inocente resposta... Pelas camas e cadeiras estava espalhado todo o tipo de roupa, desde t-shirts a vestidos de verão.

- Clarinha, que aconteceu aqui? - Perguntei, desanimada.

- Ora, mãe, não lhes disseste para vestirem o que quisessem? Eles levaram à letra a tua resposta, e deram volta às roupas todas! Não tive como os controlar!

Bem, mas esta conversa foi na segunda-feira de manhã, porque durante todo o domingo eu lutei na cama contra a bela virose que me assaltou de surpresa. "Que perda de tempo!" Pensava, quando conseguia pensar. "Hoje que tencionava corrigir uma turma de testes... Hoje que escolhera cânticos tão bonitos para cantar e tocar na missa... Hoje que prometera à Sara construir um castelo de legos com ela... E em vez disso, estou na cama sem fazer nada!" Mas depois o meu pensamento foi buscar uma outra lógica, a lógica divina, que o Papa Francisco tão bem explicou em A Alegria do Evangelho: "Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode agradar mais a Deus que a vida externamente correta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar grandes dificuldades." (nº44) E logo exultei de alegria, tanto quanto pode exultar de alegria alguém doente na cama.

De facto, é muito mais fácil ser-se simpático, amável, misericordioso, quando se está saudável, quando se comeu bem e dormiu melhor, quando a vida não nos apresenta grandes dificuldades. Mas como é difícil sorrir quando sofremos! Então é altura de dar esse "pequeno passo", de oferecer ao Senhor um pequeno esforço. Talvez o sorriso seja um pouco "amarelo", mas é de certeza bem valioso! Um dia doente de cama é uma experiência extraordinária de humildade...

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Que desculpa terei eu a dar a Deus por não ter sido santa, quando um dia O encontrar face a face, se tudo na minha vida me facilita o caminho? Sem qualquer mérito meu, nasci e cresci num país do primeiro mundo, longe da guerra, da fome, da violência, numa família onde sempre fui amada e muito bem tratada, numa casa praticamente ao lado de uma igreja... Nunca tive de percorrer quatro quilómetros a pé, debaixo de sol e de chuva, para ir à missa, nem tive de participar em celebrações clandestinas durante a noite sob ameaça de bombas, nem tive de atravessar o Mediterrâneo numa gincana, nem tenho de suportar um marido violento, nem tenho de enfrentar uma família avessa à religião, nem tenho de roubar para comer, nem... Ah, que seria de mim, se a minha vida fosse feita de doença, sofrimento, solidão...? Seria eu a mesma mulher de fé? Seria eu capaz de me esforçar por ser santa e por educar os meus filhos na Lei de Deus? Não seria antes tentada a baixar os braços e a responder "Façam como quiserem", como respondi aos meus filhos naquele único dia de mal-estar?

Recebo muitos e-mails de leitoras deste blogue, confidenciando-me como a sua vida é difícil, e como procuram manter a sanidade mental, a fé, ou simplesmente o seu casamento, no meio de grandes adversidades. Como eu admiro estas pessoas! Algumas partilham comigo terem conseguido, finalmente, levar os filhos à missa, ou rezar em família à hora das refeições. Tenho a certeza de que esta missa esforçada ou esta oração rápida e meio envergonhada tem, diante do Senhor, mais valor que a minha missa confortável e a nossa longa oração diária... Um pequeno passo no meio de grandes limitações vale mais que todo o ouro do mundo. Lembro-me da viúva do evangelho:

 

"Levantando os olhos, Jesus viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas. Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas e disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.»" (Lc 21, 1-4)

 

Animada com este espírito, procurei aproveitar muito bem o meu dia de sorte, naquele domingo passado na cama, não desperdiçando nenhuma oportunidade para sorrir no meio da dor, ser amável quando apetecia responder torto, calar-me quando apetecia queixar-me. Não consegui corrigir testes, não consegui trabalhar neste blogue durante uma semana inteira (graças a Deus tinha o post sobre o retiro preparado nos rascunhos), mas certamente que os meus pequenos sofrimentos foram mais valiosos que muitos textos aqui escritos, e certamente que Deus sorriu ao ver o meu (vão) esforço.

Já passou... Foram apenas algumas horas oferecidas - pobremente oferecidas - ao Senhor. Agora vem aí a Quaresma, e com ela, o grande convite à mortificação, à renúncia, ao jejum, ao silêncio. Serei capaz de a aproveitar?...

PS - Prometo compensar esta semana a falta de posts da semana passada!

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Novo retiro Famílias de Caná

por Teresa Power, em 01.02.16

No próximo dia 14 de fevereiro, dia de S. Valentim, domingo, na paróquia de S. Martinho do Bispo, em Coimbra, teremos novo Retiro Famílias de Caná, para quem nunca viveu esta experiência (ou para quem a queira repetir, claro). Conhecem melhor maneira de festejar o S. Valentim? Falaremos de amor, de família, de casal, de namoro, de filhos, de Deus, de céu... Teremos tempo para rezar, para cantar, para dançar, para fazer festa. Que grande alegria! O programa e as inscrições (online, disponíveis através do programa) estão aqui:

Programa do retiro de Coimbra

Já sabem: nos nossos retiros, todos são bem vindos, sejam famílias ditas tradicionais ou não, venha a família completa ou apenas a mãe e um filho, ou o pai e uma filha, ou o casal sem filhos, ou o casal de namorados ainda longe de pensar em casamento... Basta que se sintam desafiados a aprofundar este mistério imenso da revelação de Deus na família, e tenham sonhos grandes!

Como sempre, todos estarão em evangelização, ou seja: enquanto eu faço os ensinamentos com os adultos, o Niall trabalhará com os jovens e outras famílias de Caná trabalharão com as crianças. Será um grande dia para todos!

Que precisam de trazer? Uma merenda para partilharmos à hora do almoço e durante alguns lanches ao longo do dia, um caderno e uma caneta se quiserem tirar apontamentos, a Bíblia e o terço se os tiverem, e um coração aberto, disponível e humilde, porque sem ele, não conseguimos encontrar o Senhor!

Inscrevam-se (saibam como e onde no programa do retiro) e venham estar connosco no dia 14! Será um belo dia de S. Valentim...

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publicado às 07:02

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