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Um euro

por Teresa Power, em 05.06.15

O David chegou a casa excitadíssimo, depois da sua visita de estudo. Na lancheira, trazia dois pães e uma maçã, deixando-me cheia de curiosidade sobre o que, de facto, comera durante o dia.

- Não tiveste fome, David?

- Não - Respondeu-me - Comi os nuggets todos e as batatas fritas, mãe! Ah, e comi um gelado. No papel dizia que era para levarmos um euro para o gelado e tu esqueceste-te!

- Ai dizia? Devo ter lido o papel à pressa. E então, como é que compraste o gelado?

- Um amigo deu-me um euro.

- Amanhã levas-lhe o euro de volta - Disse, enquanto procurava na carteira uma moeda. - Aqui tens. Não te esqueças!

- Não.

Dois dias depois, de manhã ao entrar no carro, o David pediu-me:

- Mãe, tens um euro para mim?

- Para quê, David?

- Para dar ao amigo que me comprou o gelado.

- Mas pensei que já to tinha dado!

- Já. Mas ele faltou à escola nesse dia, e como o Lucas estava muito triste porque tinha vomitado, eu dei-lhe o euro a ele.

- ??????

 

Guardei para mais tarde a conversa necessária sobre a imensa possibilidade de ofertas que o David pode fazer aos amigos a partir daquilo que lhe pertence, como cromos e carrinhos, e não a partir do que pertence aos pais, como euros e cêntimos. Mas naquele momento lembrei-me da economia divina... Quantas graças perdemos por "faltarmos ao encontro" com o Senhor - na eucaristia dominical, no sacramento da reconciliação, na meditação da Palavra! E pelo contrário, quantas graças podemos receber de forma totalmente imerecida, se estivermos atentos aos acontecimentos de cada dia, apenas porque o Senhor assim decidiu, compadecido da nossa fraqueza! Ponhamo-nos "a jeito" e aproveitemos bem a generosidade divina...

 

"É da sua abundância que todos nós recebemos, graça sobre graça." (Jo 1, 16)

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publicado às 06:14

Rosas desfolhadas

por Teresa Power, em 27.05.15

- Mamã, temos de levar uma flor para Nossa Senhora, hoje na missa!

- Não é hoje, David, é no próximo sábado. Hoje será a bênção da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora em Saída, e no próximo sábado, na catequese, todos os meninos levarão uma flor. A procissão é só no outro domingo.

- Mas há uma rosa tão bonita no jardim... Tão bonita mesmo!

Sair para a missa ao domingo de manhã é sempre uma grande corrida contra o tempo, e não pude concluir este breve diálogo com o David. Mas durante a Eucaristia apercebi-me de uma curta troca de palavras entre o David, acólito, e o celebrante, o padre Aníbal, que veio expressamente de Lisboa para a ocasião. O padre Aníbal inclinava-se para o David e sorria-lhe. Já em casa, ao almoço, perguntei:

- David, que te disse o padre Aníbal na missa?

- Disse-me para não ficar triste, que no próximo domingo posso trazer a flor.

Engoli em seco.

- Então tu estavas triste?

- Não. Quer dizer, antes da missa eu disse ao senhor padre que queria ter trazido uma rosa muito bonita, mas não tivemos tempo...

- Queres mostrar-me qual é essa rosa?

- Vem cá!

O David levou-me ao jardim, onde uma única rosa vermelha erguia as suas pétalas, triunfante.

- Tens razão. É mesmo bonita! Olha, fazemos assim: mais logo colhemo-la e levamo-la ao santuário. Pode ser?

Os seus olhos brilharam.

- Sim!

Estava eu a deitar a Sara para a sesta, quando o António apareceu a correr junto de mim.

- Mamã, a Lúcia destruiu uma flor vermelha e escondeu as pétalas! E as pétalas eram para os dois!

Senti o coração aos pulos. Uma flor vermelha?

- António, que flor é que ela destruiu?

- Vem ver - E o António levou-me ao jardim. Procurei com o olhar o vermelho brilhante da rosa do David. Mas no lugar da rosa, havia apenas um caule triste.

- Lúuuuuucia! - Gritei, exasperada. Ela apareceu a correr.

- O que foi, mamã?

- Que fizeste à rosa vermelha? QUANTAS VEZES TE DISSE QUE NÃO SE PODEM ARRANCAR AS FLORES DO JARDIM?

Ela ficou muito calada. A minha brusquidão fez surgir duas grossas lágrimas nos seus olhos esverdeados.

- O David queria levar a rosa a Nossa Senhora, Lúcia. - Expliquei-lhe, sempre muito irritada.

- Eu não sabia... A sério, eu não sabia...

- Mas não podes arrancar flores. As flores não são para destruir, são para colher e colocar em jarras. Destruir, não!

- Eu não sabia...

Ficámos as duas em silêncio. Eu procurava acalmar-me, como convém a uma mãe cristã. Depois, abracei a minha filha e pedi-lhe perdão pelos gritos. Não tinham sido necessários. Aliás, raramente são necessários, e geralmente são detestáveis quando os vemos nos outros. A Lúcia sorriu, feliz, perdoando-me de coração - cá em casa, temos um grande treino nestes gestos de pedir e oferecer o perdão - e continuou a brincar.

Agora faltava contar ao David.

- David, tenho uma coisa a dizer-te... Acho que a tua rosa... Bem, acho que temos de levar outra flor a Nossa Senhora.

- Porquê?

- Porque a Lúcia arrancou todas as pétalas. Ela não fez por mal, estava só a brincar...

O David ficou calado, depois o seu rosto iluminou-se:

- Podemos apanhar as pétalas e levá-las a Nossa Senhora! Deitamo-las no chão junto à sua imagem, como se faz nas procissões!

E foi o que fizemos.

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 Enquanto observava a alegria do David, cobrindo de pétalas o chão em redor da imagem de Nossa Senhora, fiquei a pensar...

Também eu tenho um jardim interior, um jardim criado por Deus, lá nos primórdios da criação da minha vida. É nesse jardim onde, como diz o Livro do Génesis, o Senhor gosta de passear pela brisa da tarde:

 

 "Então ouviram o som dos passos de Deus, que passeava no jardim pela brisa da tarde." (Gn 3, 8)

 

No meu jardim interior há muito poucas rosas vermelhas de que me possa orgulhar. Eu gostava de poder escrever aqui que nunca perco a paciência, que nunca ralho sem razão, que sou sempre justa, que nunca me engano, que nunca me distraio na oração, mas nada disso é verdade. Como me escreveu uma simpática leitora deste blogue: "Às vezes tenho dificuldade em me aturar!" Fico com a sensação de passar anos e anos a construir virtudes, como quem faz crescer rosas com cuidado, para depois, numa fração de segundo, o meu pecado arrancar todas as pétalas e deixar à vista de todos apenas um triste caule. Um grito totalmente desproporcionado, e lá cai mais uma rosa por terra... De que valeram anos de esforço, se o meu jardim está cheio de rosas desfolhadas?

Mas dos braços de Maria, Jesus pareceu sorrir-me. E eu pensei escutar...

"Só há pétalas espalhadas pelo chão onde antes houve rosas. O que a Mim importa é que continues, todos os dias, a cultivar as tuas rosas, esforçando-te por praticar a Minha Palavra. O teu esforço cativa o meu Coração! Se depois, num segundo, o teu pecado arrancar todas as pétalas, não te aflijas. Quando não tiveres rosas para Me oferecer, ajoelha-te na poeira do teu chão e recolhe as tuas pobres pétalas, como o David fez. São-me mais agradáveis as pétalas recolhidas com a humildade de quem se sabe pecador do que as rosas oferecidas com o orgulho de quem se julga irrepreensível..."

Senhor, ensina-me a praticar o bem sem vaidade, recomeçando cada dia; e que o meu pecado nunca seja ocasião de desânimo na minha vida, mas antes fonte de humildade. Senhor, são para Ti todas as minhas pétalas...

 

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publicado às 06:20

Amor de irmão

por Teresa Power, em 22.05.15

Na viagem de regresso do Retiro Famílias de Caná em Castelo de Neiva, a Lúcia lembrou-me:

- Mãe, amanhã vou a uma visita de estudo!

- É verdade, Lúcia, ainda nos falta essa! Chegar a casa, despejar os restos do piquenique e preparar novo piquenique para ti!

A Lúcia bateu palmas de excitação:

- Vou ao Portugal dos Pequeninos! E vou comer gelado. O gelado é grátis!

Ao chegarmos a casa, como se devem recordar, tínhamos uma ninhada de gatinhos recém-nascidos à nossa espera, e tralha e mais tralha para arrumar. Pouco tempo sobrou para pensar na merenda da Lúcia ou no seu passeio. De vez em quando, contudo, ela lembrava-nos:

- Mamã, não podemos esquecer de levar o banquinho do carro! É obrigatório! E eu quero levar Nuggets. O papá pode ir comprar?

Respondíamos a tudo que sim, e lá continuávamos a arrumar. Até que chegou a hora de deitar. Um a um, deitámos os mais pequeninos, depois foi a vez do David... Fechei as luzes dos quartos e regressei à cozinha, onde continuei a trabalhar.

Foi então que senti passinhos no corredor. Era o David.

- David, não estás a dormir? Passa-se alguma coisa?

Baixinho, para não acordar ninguém, o David murmurou:

- Vim dizer-te para não te esqueceres da visita de estudo da Lúcia... Ela tem de levar uma boa merenda, mamã!

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Tenho recebido mails e trocado palavras com mães de um ou dois filhos, cansadas e sobressaltadas com todo o trabalho que envolve a maternidade.

Eu lembro-me muito bem da passagem de um para dois filhos, e de como foi difícil gerir uma família a crescer! Lembro-me das crises de ansiedade, do stress, do cansaço, do desânimo. Lembro-me das lágrimas, das dores de cabeça. Lembro-me das noites mal dormidas e das birras longas e difíceis dos mais velhos. Lembro-me de achar que não ia ser capaz... Lembro-me de ver outras famílias com muitos filhos e de me perguntar: "Como é que eles fazem?" Lembro-me de perguntar à minha cunhada, na altura com três filhos, se dava banhos todos os dias ou como fazia para dar de mamar e ao mesmo tempo impedir que o mais velhito não se atirasse de uma escada abaixo. Lembro-me de me sentir incapaz e inútil. Lembro-me...

Mas lembro-me de outras coisas também! Lembro-me das gargalhadas, das festas, dos saltos, da alegria. Lembro-me da primeira vez que o Francisco pegou na Clarinha ao colo. Lembro-me dos abraços que os dois davam ao Tomás. Lembro-me da festa que foi o nascimento do David, três meses depois da morte do Tomás. Lembro-me de como o Francisco, então com sete anos, me repetia vezes sem conta:

- Obrigada, mamã, por me dares este mano!

Custa, dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Custa. Irá ser difícil adaptarmo-nos? Sim. Vão surgir momentos em que nos parece que fizemos asneira? Vão. Os mais velhos irão fazer birras? Certamente que sim, não porque tiveram um irmão (nós é que gostamos de fazer associações...), mas porque todas as crianças fazem birras ao crescer.

Vale a pena dar um irmão - ou dois, ou três, ou quatro... - aos nossos filhos? Dificilmente lhes daremos presente melhor! Oferecer um irmão a uma criança é oferecer-lhe a oportunidade de amar e cuidar de alguém. Os irmãos fazem-nos vencer o nosso egoísmo natural, ensinam-nos a resolver conflitos, forçam-nos a partilhar afetos, tempo e brincadeiras, e despertam em nós a solidariedade e a compaixão.

O David estava cheio de sono, mas na sua cabecinha de criança de oito anos não passavam apenas imagens do passeio do fim-de-semana: na sua cabecinha de criança de oito anos estava bem marcada a imagem da sua querida irmã Lúcia, que corria sérios riscos (segundo ele, claro...) de acordar de manhã e não ter uma merenda digna de visita de estudo. O seu amor fraternal foi mais forte que o cansaço, e o David não hesitou em saltar da cama para me recordar as minhas obrigações maternais...

 

"Que fizestes de teu irmão?" (Gen 4, 10)

 

A voz de Deus ecoa ao longo de toda a Bíblia. Possam os nossos filhos aprender, em família, a fraternidade dos filhos de Deus. Ámen!

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E por falar em irmãos... Já assinaram a Petição pelo Dia dos Irmãos? São precisas quatro mil assinaturas. Assinem e passem palavra!

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 06:25

Acólitos em Fátima e três presentes

por Teresa Power, em 05.05.15

O dia um de maio foi um dia muito especial para o David: ia participar na sua primeira peregrinação anual de acólitos a Fátima! Acordou cheio de energia e, pelas oito da manhã, estava no Santuário, pronto para a viagem. Nós acompanhámo-lo com a nossa oração e o nosso amor, e ao longo do dia fomos imaginando os seus passos. Mas tivemos de esperar pelas oito horas da noite para escutar, da sua boca, o relato de um dia fantástico.

- Mãe, eram seis mil acólitos! Nem imaginas! Tantos, tantos!

- Deve ter sido lindo, David! Como foi na missa? Parecia um manto de neve na basílica, não?

- Sim, parecia mesmo! Tudo branco...

 

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- E sentiste-te bem com o grupo? São todos amigos?

- Muito bem! As crescidas tomaram conta de mim.

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 - E sabes, mãe, os acólitos são muito animados. Fizemos brincadeiras e cantámos canções de Jesus!

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- Mas o mais bonito foi a procissão do Santíssimo. Mãe, tu terias adorado! Eu sei que terias! Nem imaginas como foi bonito, dar a volta ao Santuário atrás de Jesus...

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 Enquanto escutava o David, pensava no Livro do Apocalipse:

 

"Depois disto, apareceu na visão uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão. E aclamavam em alta voz.

Ele disse-me: «Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram a suas túnicas e branquearam-nas no sangue do Cordeiro.»"

(Ap 7, 9.14)

 

O David ainda não tinha terminado:

- Mãe, o senhor padre pagou o almoço.

- Ai sim? Então trouxeste de volta os dez euros que te dei esta manhã?

- Não! Quer dizer, trouxe uma moeda.

- Uma moeda? Dois euros?

- Não! Cinquenta cêntimos. Toma!

E estendeu-me a moeda, muito orgulhoso. E antes que eu pudesse reagir, estendeu-me três embrulhos:

- Comprei presentes para o Dia da Mãe. Nem imaginas como são lindos! Eu sei que vais adorar. Abre, abre!

- Mas hoje ainda não é Dia da Mãe, David!

- Ah, mas são tão lindos, vais adorar!

Abri os presentes, depois de trocar um olhar divertido com o Niall e decidir interiormente dar em breve uma lição de economia ao meu filho. Os presentes, contudo, deixaram-me sem palavras:

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Abracei o David com força, emocionada com o seu amor.

 - Gostas, mãe?

- Lindo, David! Presentes lindos mesmo! Obrigada! Escolheste as prendas mais belas do mundo. Vou colocar o crucifixo e o terço com perfume de rosas na minha mesa de cabeceira, e o anjinho diante da fotografia do Tomás. Pode ser?

- Eu sabia que ias gostar!

- E não compraste nada para ti?

- Comprei. Comprei estes binóculos! O que eu queria mesmo comprar era um avião, mas achei que podia fazer um sacrifício, já que estava em Fátima. Assim comprei os binóculos, que foram mais baratos e fiquei com mais dinheiro para comprar as tuas prendas, e ainda pude oferecer o sacrifício.

Cancelei interiormente a minha lição de economia.

À noite, quem parecia uma criança era eu, adormecendo de terço na mão e com o crucifixo ao lado da almofada. Antes de fechar os olhos, pedi ao Senhor que mantenha sempre limpa a túnica interior do David; e se por acaso ele a sujar na lama do mundo, que tenha a simplicidade de a branquear de novo no Sangue do Cordeiro...

 

No blogue da Lena podem encontrar alguns vídeos e textos sobre este dia. Espreitem!

 

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publicado às 06:26

Primeira Comunhão

por Teresa Power, em 25.04.15

O dia dezanove de abril está gravado no crucifixo que o David, desde então, traz ao peito; e está gravado no seu peito. Neste post, escrevi sobre a tranquilidade e a alegria pura deste dia. Hoje vou falar-vos um bocadinho daquilo que vivemos na Eucaristia...

Os meninos da primeira comunhão começaram o dia com uma breve procissão diante do santuário. Na mão, levavam uma flor, para no final da Eucaristia oferecerem a Nossa Senhora. O David ia, como costume, muito compenetrado:

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A entrada solene no santuário emocionou-me, e foi com dificuldade que continuei a cantar ao microfone. "Vinde e louvai-O!" Cantavamos todos, com voz sonora e decidida. E os meninos vieram e louvaram Jesus, sempre em procissão. Na coxia central, pararam cada um ao lado do banco onde se encontrava a sua família, e depois de uma genuflexão bem feita, mantiveram-se de pé.

Uma das belas surpresas que tive nesta paróquia foi a forma como, na primeira comunhão, as crianças permanecem junto dos pais e da sua família, e não em grupo nos primeiros bancos. Assim, nem elas, nem os pais se distraem, e o momento mais belo das suas curtas vidas acontece a nosso lado e sob o nosso olhar. Estar ao lado do David - como já estive ao lado da Clarinha, que também fez a sua primeira comunhão neste santuário - foi para mim um enorme privilégio.

A Clarinha cantou o salmo, o David leu uma oração dos fiéis, e todos participámos de coração na cerimónia. Às vezes, a voz faltava-me e sentia os olhos molhados, mas acho que ninguém deu conta...

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- David e Matilde, querem mostrar a todos o painel que o grupo construiu? - O senhor padre falava aos meninos do encontro profundo com Jesus, o Bom Pastor. - Cada um de vós é uma ovelhinha diferente, especial, única; e cada um de vós quer viver a sua vida nos prados do Bom Pastor, Aquele que dá a sua vida...

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Depois da comunhão, as catequistas tinham uma lembrança para os meninos: um livro de orações feito por elas e muito personalizado. Os meninos adoraram! Desde então, todos os dias o David se senta com o seu livro, acompanhando com ele os mistérios do Rosário.

Ao receber o seu livrinho, o David sussurrou à Carla, sua querida catequista: "Também tenho um presente para ti!" O presente era um simples cartãozinho, feito com muito esforço e carinho. Nele, o David escreveu o versículo da Carta de S. Paulo aos Gálatas:

 

"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!" (Gl 2, 20)

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Depois, nós, os pais, oferecemos às duas evangelizadoras dois lindos ramos de flores, com esta mensagem:

 

"Queridas evangelizadoras
Hoje, Jesus vive de modo especial no coração dos nossos filhos. A nossa alegria é profunda, e a nossa gratidão imensa: sabemos que este dia aconteceu graças também à vossa fé, ao vosso carinho, às horas que ambas passaram a preparar as evangelizações, a imaginar formas diferentes e interessantes de trabalhar com os nossos filhos as histórias de Jesus. Agradecemos a paciência com que os ensinam todas as semanas. Agradecemos, acima de tudo, o vosso amor por Jesus, pois é esse amor que vos faz trabalhar com os nossos meninos. Por tudo, e sempre, o nosso obrigado!"

 

E neste obrigado sentido, fica aqui a minha homenagem a todos os catequistas e evangelizadores que trabalham com as crianças cristãs. É um trabalho gratuito, difícil, demorado, às vezes sem ver frutos imediatos, e mais vezes ainda sem ouvir um "obrigado". Mas o Senhor, que vê o que está oculto, não os deixará sem a sua recompensa. Bem-hajam especialmente a Carla, aTeresa, o João e a Isabel, catequistas dos nossos filhos; e a Paula, na Barra, onde o Francisco fez a sua primeira comunhão há alguns anos atrás! 

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E a comunhão do David? A mesa está posta, o Pão e o Vinho preparados. Jesus já entregou a sua vida. Tudo está consumado. Falta a nossa parte... É preciso deixar o nosso lugar e correr ao manancial da vida, à Fonte de Eternidade. O David dá um passo e fica diante de Jesus. Depois, cheio de felicidade, recebe Jesus em sua casa.

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A seu lado,o Niall e eu acompanhamos o David em oração intensa. Depois, também nós comungamos.

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De volta ao lugar, o David reza, muito compenetrado.

Regresso ao meu lugar na condução do coro, cantando com emoção um cântico que escrevi há alguns anos, e escolhi de propósito para este dia: "Nada me separará do teu amor, ó Senhor!" Porque como diz S. Paulo,

 

"Nem a morte, nem a vida,

nem a altura, nem a profundidade,

nem a largura, nem o abismo,

nem o passado, nem o futuro,

nem os anjos, nem os principados,

nem qualquer outra criatura

nos poderá separar do amor de Deus,

manifestado em Jesus Cristo, Nosso Senhor."

(Rm 8, 35-39)

 

 

Que nada separe estes meninos do amor de Jesus!

Que cada Eucaristia seja um renovar da comunhão intensa com o Senhor!

Que cada comunhão seja a primeira e a última, a única, a definitiva. Ámen! Aleluia!

 

E se quiserem ver e escutar a alegria com que cantámos e dançámos o cântico final, vão ao blogue da Lena, nossa acólita e mãe de uma linda Família de Caná. Do altar, onde servia, ela filmou este belo cântico... Cantem connosco!

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publicado às 06:16

Um dia feliz

por Teresa Power, em 21.04.15

Há poucos dias mais belos na vida que o dia da primeira comunhão...

A manhã que desponta serena, luminosa e bela.

O jasmim florido e perfumado.

Os meninos transbordando entusiasmo.

A corrida contra o tempo, vestindo crianças e fazendo penteados, voltando a vestir e voltando a pentear, lavando a cara da Sara e do António e evitando as nódoas do leite com chocolate na roupa de festa, tudo isto ao som do salmo, que a Clarinha treina ininterruptamente.

Chegar ao santuário antes das nove e meia da manhã, suspirar de alívio, acalmar.

Levar o David junto da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora:

- David, antes de ires ter com os teus amigos, vamos rezar juntos, sim?

- A consagração?

- A consagração...

 

Assim que tenha as fotografias da missa, falar-vos-ei da Primeira Comunhão do David. Hoje falo-vos da serenidade do seu dia, da alegria com que, toda a tarde, brincou, interrompendo de vez em quando para, discretamente, contemplar o seu novo crucifixo, ler umas palavras nos livrinhos de orações recebidos, beijar a imagem do rosto de Jesus, na pagela que lhe oferecemos.

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Almoçámos em casa, na companhia dos padrinhos e da sua linda Família de Caná, da avó, dos tios e dos primos de Coimbra.

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Durante a tarde, o sol brilhou, os adultos puseram a conversa em dia, e os mais novos não pararam de correr e saltar:

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- Uma joaninha, mamã! E não quer voar! Quer ficar na minha mão!

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A meio da tarde, o senhor padre veio visitar-nos. Já tinha percorrido todas as casas e restaurantes onde havia festa, e a casa dos Power devia concluir as suas visitas de Pastor - de verdadeiro e bom Pastor! O David ficou cheio de alegria com a visita. Apressou-se a pedir a bênção para os terços e crucifixos recebidos, e a tirar uma fotografia para recordação:

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Antes do jantar, depois de todos irem embora, os meninos viram o DVD "David e Golias", em desenho animado, que oferecemos ao David. A Sara adormeceu no sofá...

- Mamã, acho que Jesus já está a trabalhar no meu coração - Disse-me o David, durante o jantar.

- Ai sim? E como sabes isso?

- Hoje, a jogar futebol no jardim, perdi contra o Martim. Sabes como costumo ficar irritado quando perco... Pois olha: hoje não fiquei irritado, e continuei alegre! Achas que vou ficar cada vez mais alegre, quando fizer a segunda, a terceira, a quarta, a quinta comunhão?

- Acho que sim, David...

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 À noite, depois de todos estarem deitados, enquanto o Niall e eu esvaziávamos e enchíamos a vigésima quinta máquina da louça (acho que estou a exagerar, mas só um bocadinho...), conversámos sobre a tranquilidade deste dia.

- No blogue temos muitos comentários, e no mail e telemóvel também, de amigos a enviar um abraço ao David - Disse ao Niall.

- Tantos amigos que Deus nos deu!

- Sinto-me a transbordar de gratidão... Gratidão para com tanta gente, gratidão, acima de tudo, para com o Senhor! Que dia tranquilo e belo passámos...

- Sabes, Teresa, neste mesmo dia em que Jesus entrou no coração do David, setecentas pessoas morreram ao largo de Itália. Refugiados, emigrantes, pobres... 

- A sério?

- Ouvi na rádio. Setecentas!

Ficámos em silêncio uns instantes. O Jesus que o David recebera em seu coração puro era o mesmo Jesus que morrera nas águas do Mediterrâneo, disfarçado de emigrante; o Jesus ressuscitado e glorioso do Apocalipse é o mesmo Jesus crucificado e abandonado do Calvário.

Mas a grande maravilha do amor de Deus é esta: cada criança que acolhe Jesus em seu coração, aproxima o mundo um bocadinho mais da Luz; cada criança que se santifica, santifica um bocadinho mais o mundo inteiro... O "Nós" da Comunhão, que nos une a Jesus, é a fonte primeira do "Nós" da humanidade, que nos une uns aos outros como filhos do mesmo "Pai Nosso, que está nos Céus"...

 

"Se dissermos que estamos em comunhão com Deus e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas se caminhamos na luz como Ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado." (1Jo 1, 6-7)

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Que cada Eucaristia e cada Comunhão nos aproximem mais uns dos outros, e todos de Deus. Ámen! Aleluia!

 

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publicado às 06:14

Saboreai e vede

por Teresa Power, em 18.04.15

Hora de oração familiar. Na sala, diante do Canto de Oração, rezamos o salmo da missa do dia. Um dos versículos diz assim:

 

"Saboreai e vede como o Senhor é bom!" (Sl 34/33)

 

- David, que te lembra este versículo? - Pergunto.

O David fica confuso, depois reage com alegria e surpresa:

- A hóstia! Saborear o Senhor! Ver como Ele é bom...

- Claro! Vais fazer a tua primeira comunhão. Vais pela primeira vez saborear e ver como o Senhor é bom!

- Mas eu já sei que Ele é bom.

- Agora falta saborear o Pão que Ele te dá, o Pão que é a sua carne, o seu próprio corpo entregue por ti.

- Como é saborear? Tenho de deixar a hóstia na boca muito tempo?

- Não. Jesus vai entrar na tua boca, mas Ele quer chegar ao teu coração. Saborear um alimento significa comer com gosto, pensando no que estamos a fazer, não é? Saborear o Senhor significa tomar gosto no seu amor, pensar na sua Palavra, estar consciente da sua presença. Quando Jesus entrar no teu coração, podes dizer com toda a verdade: "Nós, Jesus." Porque a partir desse momento, Jesus e tu estarão para sempre unidos.

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O David deitou-se cheio de alegria, a pensar na sua primeira comunhão, tão próxima. Eu fui para a sala e procurei na estante um livro magnífico: O Preço a Pagar por me tornar Cristão, de Joseph Fadelle. Já referi várias vezes este livro. Conta a história verídica e atual de um muçulmano que se converteu ao cristianismo, e as torturas e os tormentos por que teve de passar a partir de então, até finalmente conseguir ser batizado e refugiar-se em França, onde vive com a mulher e os filhos. Na base da sua conversão esteve um sonho, e foi esse sonho que me fez procurar de novo o livro na estante. Passo a citar:

"Este sonho - e lembro-me dele muito nitidamente - coloca-me na margem de um rio, não muito largo. Na outra margem, uma personagem com cerca de quarenta anos, talvez mais velha, vestida com uma roupa bege de uma só peça, à oriental, sem gola. E sinto-me irresistivelmente impelido para aquele homem, desejando passar para o outro lado, para me encontrar com ele.

Quando começo a atravessar o regato, fico suspenso no ar, durante alguns minutos que me parecem uma eternidade. E receio até com algum horror não poder descer à terra.

Como tinha sentido que o meu mal-estar aumentava, o homem da outra margem estende-me a mão, para me ajudar a atravessar o curso de água e aterrar ao seu lado. Nesse instante, posso facilmente observar o seu rosto: olhos azuis acizentados, uma barba rala e cabelos meio longos. Fiquei impressionado com a sua beleza.

Pousando sobre mim um olhar de uma doçura infinita, o homem dirigiu-me suavemente uma única frase, enigmática, com um timbre de voz tranquilizador e convidativo: «Para atravessares o ribeiro, precisas de comer o pão da vida.»"

Nesse mesmo dia, este jovem muçulmano tem pela primeira vez na mão o Novo Testamento (terão de ler o livro para perceber como teve acesso a ele!). Sem saber por onde começar, decidiu-se pelo último evangelho, o de João:

"Quando chego ao capítulo seis, paro repentinamente a minha leitura, atordoado, no meio de uma frase. Tenho o cérebro em ebulição: "Eu sou o Pão da Vida", leio. Então passa-se em mim algo extraordinário, como se repentinamente, uma luz deslumbrante iluminasse a minha vida de maneira inteiramente nova e lhe desse todo o seu sentido. No mesmo instante, compreendo que o meu sonho da noite anterior era mais do que um sonho: sinto, muito nitidamente, que havia nele como que um chamamento ou uma mensagem pessoal que me era dirigida através daquelas palavras..."

 

Saborear e ver como o Senhor é bom... Comer o Pão da Vida para podermos passar para a outra margem, a margem da eternidade e da perfeita felicidade... É já amanhã, a primeira comunhão do David!

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   (David e Lúcia ontem de manhã na Gruta de Lourdes, no seu Colégio)

 

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publicado às 06:24

Alegria nas pernas

por Teresa Power, em 10.04.15

Na semana santa, o Niall e eu fomos a celebrações penitenciais diferentes, para que estivesse sempre um em casa com os mais novos. Assim, na quarta-feira santa à noite, foi a vez do Niall e do Francisco irem ao santuário confessar-se.

- Eu também preciso de ir - Disse o David, à hora de jantar.

- Precisas, David? Pensei que te tinhas confessado há duas semanas, na catequese!

- Pois foi, mas já fiz pecados muito feios depois disso e tenho de os confessar antes da Páscoa.

- OK, então vai com o pai e o Frankie. Come depressa, que as confissões começam às oito e meia!

 

O santuário, segundo contou o Niall, estava cheio. O David precisou de esperar pela sua vez, até finalmente conseguir confessar os seus pecados. Chegou a casa cheio de alegria.

- Então, David, confessaste tudo o que querias?

- Confessei. Agora estou prontinho para a Páscoa! O senhor padre que me confessou foi muito simpático. Ele disse para eu rezar o salmo do Rei David. Disse que era o salmo 50. Sabes qual é?

- Sei. Anda, vamos rezar os dois. Melhor: chama o pai e os manos, e rezamos todos!

O David assim fez. Então abri a Bíblia e pedi-lhe para ler:

 

"Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade;

pela tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.

Lava-me de toda a iniquidade;

purifica-me dos meus delitos.

Reconheço as minhas culpas

e tenho sempre diante de mim os meus pecados.

Lava-me e ficarei mais branco do que a neve.

Faz-me ouvir palavras de gozo e alegria

Desvia o teu rosto dos meus pecados

e apaga todas as minhas culpas...

Dá-me de novo a alegria da tua salvação!" (Sl 50)

 

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 - Cada um pode partilhar o versículo que mais o tocou - Sugeri.

- Eu gostei da parte da neve - Disse o David. - Os pecados podem ser muito sujos, mas ficam brancos como a neve depois da confissão.

- David, os teus pecados eram assim tão graves? - Eu começava a ficar preocupada.

- Eram. - O David pôs a sua cara mais marota - Posso contar-te, ou é segredo?

- É segredo para o padre! Eu explico: os sacerdotes não podem contar a ninguém o que ouvem em confissão, nem que os matem. Não podem mesmo! Isso seria um pecado gravíssimo. Por exemplo, não podem denunciar um criminoso a partir do que ouviram em confissão. Agora tu não és obrigado a fazer segredo dos teus pecados! Claro que também não tens de mos contar.

- Mas eu quero. O meu pecado foi ter enganado a Lúcia... E o outro ainda foi pior: bati no António! Mas eu já lhes pedi desculpa, e agora fui pedir a Jesus. Por isso agora estou perdoado.

- Pois estás. Que bom! Mais algum versículo que te recordes do salmo?

- Sim, aquele da alegria. Quando saí do confessionário senti-me tão, mas tão feliz! Sentia uma alegria muito grande no coração. Não, não era bem no coração, era no corpo todo, mas sobretudo nas pernas.

- Nas pernas?

- Sim: apetecia-me saltar de alegria!

 

Lembrei-me deste episódio nesta quarta-feira, ao ler a passagem dos Atos dos Apóstolos. Pedro e João cruzaram-se com um coxo que pedia esmola. E em vez de lhe darem uma moeda, que fizeram eles?

 

"«Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.» E tomando-o pela mão, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar; depois entrou com eles no Templo, caminhando, saltando e louvando a Deus." (At 3, 1-10)

 

Cada vez que entramos no confessionário, Jesus toma-nos pela mão e levanta-nos. Nesse instante, fortalecem-se as nossas pernas, como as do David, e podemos de novo saltar de alegria... Ámen! Aleluia!

 

 

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publicado às 06:14

Acólito

por Teresa Power, em 31.03.15

No sábado, o David participou pela primeira vez num convívio dos acólitos de Mogofores, no Santuário de Schonstatt, perto de Aveiro. Eu estava com algum receio de o deixar ir, porque o David é sem dúvida o acólito mais novo, e eu não queria que ele se sentisse só durante o dia. Mas a Lena, responsável pelos acólitos da nossa paróquia, assegurou-me de que o David não se iria sentir deslocado, e de que todos cuidariam dele. A Vera e a São, as duas educadoras que nos ajudam nos retiros Famílias de Caná (a propósito... Já se inscreveram no Retiro de Viana?) e que são também acólitas, vieram cá a casa de propósito "implorar" para eu deixar o David ir, que "as cotas" tomavam conta dele... A Vera até prometeu fazer um bolo especial caso o David fosse: um bolo que, a cada fatia que se corta, transborda de pintarolas! Bem, perante tanta amizade e tanto entusiasmo, não tive outro remédio senão deixar ir o meu rapazinho.

E que bem que eu fiz! O David chegou a casa felicíssimo, cheio de histórias para contar e de vontade de participar em novo encontro. A Vera, a São e a Lena falaram-me da alegria do David ao longo de todo o dia e, sobretudo, do seu imenso interesse em aprender. O David escutou, observou, fez jogos, comeu o bolo das pintarolas, brincou, rezou, adorou o Senhor na Eucaristia. Como o Menino Jesus no Templo, também o David surpreendeu com as suas imensas perguntas e algumas respostas, que foi buscar ao tesouro das histórias bíblicas que bem conhece. Por fim, participou na Missa Vespertina de Ramos.

Ontem, a Lena enviou-me as fotografias do encontro:

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- Mamã, hoje já não preciso de rezar o terço, porque já rezei - Disse-me o David, enquanto jantava.

- Que bom, rezar o terço no Santuário de Nossa Senhora! E que mais rezaste tu?

- Estivemos a fazer adoração. Havia lá uns papelinhos onde podíamos escrever uma oração secreta, e depois deitar num vaso.

- E tu escreveste?

- Sim, escrevi.

- E que escreveste tu?

- Eu não te disse que é segredo?

- Ah, pois disseste. Mesmo para a mãe?

- Se calhar posso contar à mãe. Eu pedi a Jesus que me fizesse santo, e outras coisas assim. Também fomos à missa.

- Ena! Não te cansaste, numa missa tão longa?

- Não foi longa! Foi até curta. Eu gostei muito. Ouvimos a história da morte de Jesus, e tu sabes como eu gosto dessa história. Amanhã, na nossa missa dos ramos, vou levar a caldeirinha da água abençoada.

- E que mais aprendeste tu?

- Aprendi a história do padre de Schonstatt. Sabias que ele esteve num campo de concentração?

- Sabia.

- Oh! Tu sabes tudo!

- Ah, mas já não me lembro bem! Contas-me?

- Conto. Ele esteve preso e sofreu muito, mas depois ele rezou muito a Nossa Senhora e fez-se santo.

Já na caminha, o David tinha outra coisa para me dizer:

- Olha, a Irmã que nos contou a sua história disse que o pai dela não queria que ela fosse Irmã. Mas ela foi! Então eu perguntei: "Quando Deus pede uma coisa e os pais pedem outra, a quem devemos obedecer?" E a Irmã respondeu-me. Ela disse que temos de obedecer a Deus primeiro, porque só quando obedecemos a Deus é que somos felizes.

- A Irmã tem toda a razão, David! Mas eu espero nunca te pedir nada que vá contra a vontade de Deus. Agora dorme!

- Posso ir a outro encontro de acólitos?

- Podes, claro! Boa noite, querido filho!

O David já descobriu o primado de Deus. A sua descoberta lembrou-me a resposta de Jesus a Maria e a José, quando era pouco mais velho do que o meu filho:

 

"Não sabíeis que Eu devia estar em casa de meu Pai?" (Lc 2, 49)

 

Nessa noite, já deitada, a minha oração, transbordante de gratidão pelo dom do meu filho, foi assim: Senhor, que os pais e as mães cristãos nunca afastem os seus filhos da Casa do Pai. Ámen!

 

PS - A Lena, responsável pelo grupo de acólitos de Mogofores, é mãe de uma bela Família de Caná. E sabem que mais? Há poucos dias decidiu começar a partilhar as suas vivências num blogue, que a todos convido a visitar: As surpresas de Deus. Haja muitas Famílias de Caná a inundar de Deus a internet! Para quando, um blogue brasileiro das Famílias de Caná? ...

 

 

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publicado às 06:21

Papagaio de papel

por Teresa Power, em 27.03.15

- Frankie, Frankie! Está muito vento! Vem cá depressa!

- E o que tem o vento, David?

- Está mesmo bom para lançar o meu papagaio! Ajudas-me?

- Vamos lá então. Tens tudo a postos?

- Tenho, olha! O António também quer vir. Corre, antes que o vento páre!

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Os meus filhos brincaram toda a tarde ao vento, e eu fui escutando as suas exclamações de alegria. Felizes, esforçaram-se por lançar o papagaio, que teimava em cair ao chão. Por fim, tomaram-lhe o jeito e puderam contemplar o seu esforço em tons de azul, sobrevoando Náturia. À noite, na oração familiar, agradeceram o papagaio e o vento.

Podemos queixar-nos do vento o quanto quisermos, mas sem vento, os papagaios de papel não se elevam no ar! Fico a pensar na quantidade de vezes que nos queixamos precisamente daquilo que nos lança no céu de Deus: as dificuldades, os problemas, as humilhações, as críticas, as frustrações, as doenças, o sofrimento... Ultimamente tenho procurado imitar os meninos com o seu papagaio de papel, e aproveitar o "vento" que me é diariamente oferecido para crescer em amor. Ainda não salto de entusiasmo como o David diante deste "vento", mas estou mais perto! 

 Diz o Amado do mais belo Cântico da Bíblia:

 

"Desperta, vento norte!

E tu, vento sul,

Vem soprar em meu jardim,

para que se espalhem seus aromas!"

(Cc 4, 16)

 

Que o vento da vida, ao soprar nos nossos jardins, espalhe os perfumes do Senhor. Ámen!

 

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publicado às 06:24



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