Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Filhos rebeldes, portas de vidro e o convite a subir

por Teresa Power, em 06.10.15

Primeiro dia de aulas. Estamos numa escola nova, moderna, bonita e muito, muito grande. Vou conhecer uma nova turma do Vocacional. São vinte e poucos alunos com um percurso escolar feito de fracassos, repetências, ordens de saída da sala de aula, recados na caderneta, faltas. Em casa, a grande maioria encontra ruinas em vez de castelos, gritos em vez de palavras de amor.

"Nós, Jesus", rezo, antes de entrar na sala de aula. Não tenho tempo para muito mais: enquanto abro a porta, sou empurrada por uma avalanche humana sem delicadeza, que tenta passar.

- Bom dia, meninos! - Cumprimento.

- Espero que seja para si, professora! Para mim já é mau. Escola, rrrrrrr!

- Isto é o quê, malta? Inglês? Ah, está ali a teacher! Olá teacher!

- No ano passado vim para a rua em todas as aulas de Inglês, sabia?

- E eu nem chegava a entrar! - Gargalhadas.

- Bem, sentem-se nos lugares destinados pelo Diretor de Turma. Tu és o...

- João!

- João, senta-te aqui.

Gargalhadas - Professora, ele não é nada o João! Está a brincar consigo!

- E tu, por favor, és o...?

- Ah, tem de adivinhar que também não vou dizer!

- OK. Têm caderno, caneta...?

- Para quê, teacher? Eu nunca aprendi inglês e não é agora que vou aprender!

- Professora, mande-os para a rua! Tanto barulho! Eu quero aprender!

Gargalhadas - Ele quer aprender, teacher! Podemos ir embora nós? Pode dar-lhe a aula só a ele?

Enquanto escuto, sinto nascer dentro de mim uma enorme empatia. Também a mim me apetece sair da sala antes mesmo de entrar, ser expulsa da turma, fingir que não vou conseguir ser professora destes meninos, desistir ainda antes de tentar, trocar de nome para que não desconfiem que sou cristã. Como eu os compreendo! Involuntariamente, começo a sorrir.

Noventa minutos e muito cansaço mais tarde, toca para saída. A escola nova tem as portas da sala todas envidraçadas, o que vai tornar difícil, ao longo do ano, um gesto que eu costumava fazer no final de muitas aulas do Vocacional: fechar a porta, deitar a cabeça nos braços sobre a mesa, e chorar. Terei de controlar melhor as minhas emoções no final destas aulas... "Nós, Jesus!" Repito.

Mas hoje não tenho vontade de chorar. Hoje não consigo deixar de pensar no trabalho que também eu dou a Deus... Chego a casa, abro o Livro do Profeta Oseias:

 

"Quando Israel era ainda menino, Eu amei-o, e chamei do Egito o meu filho. Mas quanto mais os chamei, mais eles se afastaram; ofereceram sacrifícios aos ídolos de Baal e queimaram oferendas a estátuas. Entretanto, Eu ensinava Efraim a andar, trazia-o nos meus braços, mas não reconheceram que era Eu quem cuidava deles. Segurava-os com laços humanos, com laços de amor, fui para eles como o que levanta uma criancinha contra o seu rosto (...) O meu povo é inclinado a afastar-se de Mim; quando se convida a subir ao que está no alto, ninguém procura elevar-se. Como poderia abandonar-te, ó Efraim? Como poderia entregar-te, ó Israel?" " (Os 11, 1-8)

 

Senhor, que eu não desista de elevar, chamar, trazer nos braços, cuidar, amar cada um dos meus alunos, por mais rebeldes que eles sejam... tal como Tu nunca desistes de me convidar a subir ao que está alto - e sou bem mais rebelde do que eles...

IMG_4972.JPG

IMG_4977.JPG

IMG_4979.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:00

Ainda que a mãe se esqueça

por Teresa Power, em 05.10.15

Quartas-feiras são o meu dia de motorista. Aliás, só me falta o chapéu a condizer! Já assim era o ano passado, pois às quartas-feiras à tarde, não há aulas no colégio nem no meu agrupamento de escolas para o terceiro ciclo e secundário, e a primária termina às três horas. De acordo com as minhas contas, eu fazia, no ano passado, seis vezes o percurso, ida e volta, casa / escola ou casa /colégio dos meninos. Este ano, as contas não são muito diferentes, e ainda estou em processo de adaptação a horários, meus e deles. A adaptação nem sempre é fácil, e a prova "vergonhosa" é a história que vos vou contar...

Quarta-feira. O Francisco veio para casa de bicicleta - depois da peregrinação a Santiago de Compostela, não há distâncias para ele - e eu chego uma hora mais tarde, para almoçarmos juntos. Depois de conversarmos um bocado e arrumarmos a cozinha, sento-me diante do computador para aprovar alguns comentários e para preparar as minhas aulas do dia seguinte, antes de interromper para estender uma máquina de roupa. Olho para o relógio: são duas e um quarto, e às três horas devo ir buscar o David e a Lúcia; às quatro, o António e a Sara; depois, levar a Clarinha à explicação de Matemática e, hora e meia mais tarde, ir buscá-la...

Ainda estou eu a fazer as contas às horas, quando ouço o portão da rua a abrir, seguido de passos apressados. A porta da cozinha abre-se de rompante:

- Mãe! Onde estás?

Dou um salto de susto.

- Clarinha! Que fazes em casa a esta hora?

Ela olha para mim, espantada, transpirada, sem fôlego:

- Mas, mãe, esqueceste-te de mim? Hoje era suposto teres ido buscar-me à uma e meia... Vim a pé do Colégio! 40 minutos a andar a toda a pressa... Não foi a distância, claro, porque até gostei do passeio... Mas estava tão nervosa! Pensei que te tinha acontecido alguma coisa!

E a Clarinha desata a chorar.

- Oh, filha, desculpa-me! Esqueci-me completamente! E olha que estava agora mesmo a pensar em ti, vê lá tu!

- E nem a pensar em mim te lembraste?!

- Não! Contava ir buscar-te à hora do costume... Desculpa! Desculpa! Desculpa!

Abraçamo-nos, e depois desatamos a rir.

- Não vais dizer isto no blogue, pois não? - Pergunta-me ela, enquanto lava a cara e os braços, todos transpirados - Vão ficar a pensar que és maluca!

- Claro que não! (Ups!)

Deixem-me aqui fazer um parêntesis: esta história só é possível acontecer, naturalmente, numa casa onde os únicos telemóveis são o do pai e o da mãe...

 

Mais tarde, vieram-me à mente as palavras da Bíblia:

 

"Poderá a mãe esquecer-se da criança que trouxe nas suas entranhas?"

(Pode...)

"Pois bem, mesmo que ela se esqueça, Eu não me esquecerei de ti, Israel!"

(Is 49, 15)

 

Ah! Quantas vezes me sinto abandonada, esquecida por Deus? Quantas vezes penso que Ele não tem tempo para pensar em mim, ocupado como deve estar com assuntos bem mais sérios do que os meus? Não, ao contrário de algumas mães desnaturadas (ups!) o Senhor não esquece nenhum dos seus filhos! Em cada momento da minha vida, Deus pensa em mim como se só Eu existisse sobre a Terra. Deus tem o seu olhar pousado sobre mim, o seu coração aberto para mim, o seu amor, transbordante, derramado a cada instante sobre mim...

Se por uma fração de segundo apenas, Deus se esquecesse da sua mais pequena criatura, homem ou estrela, animal ou flor, o universo inteiro ruiria como um castelo de cartas. Acreditamos nisto?...

Clara mirando o pôr do sol.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:00

Anjos disfarçados

por Teresa Power, em 16.09.15

15 de setembro. Primeiro dia de escola. O pai leva os filhos de manhã, e à hora de almoço - o primeiro dia é só uma manhã - a Isabel traz-mos a casa, pois ainda não posso conduzir.

Aguardo, impaciente, o som do carro a parar diante de casa, os passinhos apressados dos meninos, os sorrisos, os abraços. Foi só uma manhã, mas a primeira manhã de escola é uma manhã enorme para todos!

Finalmente, ei-los à porta.

- Olá mãe! Tenho uma menina nova na sala! - Diz-me a Lúcia de um fôlego só.

- Sim, vi as duas de mãos dadas no recreio a correr e a rir à gargalhada - Sussurra-me a Clarinha, com um sorriso cúmplice.

- E como se chama a tua amiga?

- Já não me lembro... Tem nome de desenho animado...

- Nome de desenho animado?!

- Chama-se Elsa - Diz o David, solícito como sempre.

- Ah, é isso! Elsa...

- Na minha sala há um rapaz com um nome bem mais esquisito - Diz a Clarinha. - Deve ser russo, ou ucraniano.

- Só eu não tenho meninos novos na sala...- Lamenta-se o David.

Sorrio, orgulhosa dos meus filhos, sempre desejosos de conhecer pessoas diferentes e disponíveis para acolher os que vêm de fora. Depois lembro-me que também eu, durante a manhã, me dediquei a estudar os nomes e os rostos da minha nova direção de turma, registados numa folha de papel que recebi por mail... Cheia de curiosidade, olhei cada rostinho simpático e pronunciei o nome correspondente. Como serão eles? Como será a nossa amizade?

A escola tem esta coisa fantástica de nos obrigar - professores e alunos - a sair do nosso pequeno círculo de amigos para ir ao encontro do outro. Acolhendo-nos uns aos outros nas nossas diferenças, aceitando os valores do outro sem deixar de vincar os nossos, pronunciando com carinho nomes estranhos - de desenhos animados ou com melodias exóticas - pomos em prática um dos mais elevados princípios bíblicos, praticado pelo povo de Deus desde tempos imemoriais: a hospitalidade. Disse S. Paulo, numa alusão a  Abraão e outros personagens bíblicos:

 

"Não vos esqueçais da hospitalidade, pois graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos." (Hb 13, 2)

 

Quantos anjos disfarçados chegam todos os dias à Europa, e em breve, a cada uma das nossas escolas! Quantos anjos disfarçados nos desafiam todos os dias nas nossas salas de aula, e aos nossos filhos nos recreios onde brincam! Geralmente chamamos-lhes muitas outras coisas...

Senhor, que eu não desperdice nenhuma oportunidade de acolher os anjos que me envias! Ámen!

 

Por falar em disfarce...

gatos e peluches.JPG

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:12

Aquele olhar

por Teresa Power, em 23.06.15

Com o fim do ano, chegam as festas. Cá em casa, é talvez a época mais ocupada do ano inteiro, com a multiplicação de festas do colégio, da pré-escola, da catequese, da ginástica rítmica e de mil e uma outras coisas. Passamos os fins-de-semana em festa, e confesso que estou a precisar de... férias!

No sábado, depois da festa da catequese, foi a vez do Centro Social S. José de Cluny. O António e a Sara deviam estar no centro pelas cinco e meia da tarde, e às seis horas iriam dançar as marchas populares. E assim foi.

O dia estava de calor intenso, e foi com bastante esforço que nos deslocámos ao colégio. O António e a Sara estavam excitadíssimos:

- Mamã, tu vais ver, eu sei dançar muito bem! - Dizia o António.

- Muito bem, muito bem! - Repetia a Sara, entre gargalhadas.

Sob o calor do sol, assistimos então à atuação dos nossos pequeninos. O António e a Sara dançaram marchas diferentes. Mas ambos entraram em cena com a mesma atitude: bem dispostos, atentos, compenetrados.

- Põe-te de pé, mamã, para ele te ver - Dizia-me o David.

- Oh, a Sara está à nossa procura com o olhar, mas não nos consegue identificar - Suspirou a Clarinha - Aqui, Sara! Aqui!

- Olha, ela já nos viu! Vê como está feliz! Adeus, Sara!

- E o António também! Adeus, António! Adeus!

- Ena, que bom, o António está a rir-se para nós! Cuidado, não o distraias! Já sabe que estamos aqui.

Gesticulando o mais possível, lá nos conseguimos fazer mostrar aos nossos filhos. Como todos os outros pais, também nós sabíamos que as crianças em palco não estavam a atuar para absolutamente mais nada nem ninguém, senão para aquele olhar... Aquele olhar de amor do pai e da mãe.

Conseguem identificá-los? Bem, eles estão mesmo a olhar para nós...

DSC02899.JPG

DSC02907.JPG

DSC02913.JPG

Crescer significa também procurar no público outros olhares diferentes, e descobrir na vida outras motivações para os nossos gestos. Talvez esta seja mais uma razão pela qual Jesus compara os verdadeiros discípulos às crianças pequeninas... Só elas estão totalmente focadas em trabalhar para fazer sorrir os olhos do pai e da mãe.

E eu?... No meu trabalho, na minha família, junto dos amigos e dos colegas, dos vizinhos e dos clientes, dos pais e dos filhos - e eu? Quem procuro eu com o meu olhar?

Quantas vezes faço o que tem de ser feito e dou o meu melhor para obter a aprovação dos olhares errados... Ajo para que falem de mim, para que não falem de mim, para que não me incomodem, para que fique feito, para despachar, para agradar ao patrão, para desagradar ao colega, para que ninguém tenha nada a dizer, para que todos tenham algo a dizer, para...

 

"O Senhor olha do céu e vê toda a humanidade.

Do lugar da sua morada Ele observa

todos os habitantes da terra

e está atento a tudo o que fazem.

Eis que o Senhor pousa o seu olhar sobre os que O temem..."

(Sl 33)

 

Senhor, que em cada momento da minha vida, eu trabalhe apenas para Ti. Senhor, que no palco da minha vida, todos os meus gestos sejam por causa do Teu olhar. Senhor, que eu não descanse enquanto não cruzar com o Teu o meu olhar... Ámen!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:23

Todos diferentes, todos iguais

por Teresa Power, em 22.06.15

Na última semana, passei algumas tardes a recolher as avaliações de todos os meus filhos. Só numa tarde fui prendada com quatro entregas de avaliações! Foi uma semana muito interessante, por tudo aquilo que escutei e refleti sobre cada um dos meus filhos, sobre a sua escola e sobre os seus professores.

Em cada sala, para além dos resultados escolares medidos em números, procurei informar-me sobre o caráter, as qualidades e os defeitos de cada um dos Power. Esforçam-se? Dão o seu melhor? São honestos com os professores quando se esquecem dos trabalhos de casa? Ajudam os colegas? Dão bom exemplo? Contribuem para manter o bom ambiente na sala de aula? São criativos? O que devem melhorar? O que podem corrigir?

Confiar seis irmãos a uma mesma escola é uma fonte de aprendizagem para todos. Ao longo dos anos, os professores de uns tornam-se também professores dos outros, e pouco a pouco, todos conseguem comparar os Power entre si. Felizmente - e essa é a primeira grande lição -, já todos se deram conta de que há coisas que não são comparáveis, como a personalidade e a capacidade de cada um e, consequentemente, os resultados escolares. Assim, alguns dos Power são teimosos, outros dóceis; alguns são  belíssimos alunos, outros mais medianos; alguns são faladores, outros calados. Como me disse a auxiliar que toma conta do recreio, foi preciso a Lúcia entrar na escola para ela chamar à atenção um Power... Espere até chegar o António!

Porque os Power são todos diferentes, estamos a ser injustos comparando resultados e sucessos. É que o sorriso pronto da Lúcia pode ter menos mérito que o sorriso esforçado do António, e as notas mais medianas, mas esforçadas, do David podem ter mais mérito que as notas excelentes do Francisco.

Conversando com os professores, apercebi-me que, apesar de todas estas diferenças, há coisas que são comparáveis e que permitem dizer: "Aquela menina é uma Power". Que coisas são essas? Talvez não sejam fáceis de nomear... Talvez seja apenas um traço de alegria, uma presença tranquila, uma forma simples de estar na vida. Talvez seja apenas o facto de se deixarem amar e educar pelo mesmo pai e pela mesma mãe...

DSC02859.JPG

 

manos.JPG

Não seria fantástico se os cristãos fossem facilmente identificáveis pela educação recebida do mesmo Pai e da mesma Mãe? Diferentes em personalidades, capacidades, histórias de vida, diferentes nos genes, na inteligência, no sotaque, na cor, na classe social, diferentes em tudo - mas iguais no amor... ?

 

"Permanecei unidos no mesmo pensar, no mesmo amor, no mesmo ânimo, no mesmo sentir. Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus." (Fl 2, 2.5)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:12

A escola das injustiças e o Reino de Deus

por Teresa Power, em 11.06.15

Só quem é professor imagina as angústias que os professores vivem nestes dias de avaliações. Em cada reunião, analisamos os alunos em risco de retenção até à exaustão, fazemos "futurismo", como dizemos na nossa gíria, imaginando o que irá acontecer caso o aluno passe e caso fique retido, recolhemos os bocadinhos de esforço e os restinhos de trabalho demonstrados por alunos mais problemáticos, refletimos, mudamos notas, voltamos atrás, avaliamos o impacto de uma retenção no contexto familiar, contamos pequenas histórias de cada aluno que ajudam a puxar um sorriso, a criar empatia. Um professor nunca é - embora haje quem o pense - indiferente ao destino dos seus alunos, por muito que estes alunos o tenham desafiado e até insultado. As reuniões de avaliação são sempre, para mim, uma grande lição de humanidade.

E no entanto, apesar de todos os esforços, de toda a boa vontade, somos sempre injustos. Porque o João passou, e o José, numa reunião diferente, com um conselho de turma diferente, ficou retido. Porque conseguimos comparar notas, mas não pessoas, histórias de vida, contextos familiares. E esta sensação de termos sido injustos algures durante o caminho insiste em nos acompanhar pela vida.

Nestes dias de avaliações, lembro-me da jovem beata Chiara Badano. Também ela sofreu muito com a escola! Durante a sua adolescência teve inclusive de repetir um ano. Os colegas de Chiara são unânimes a dizer que a Chiara foi vítima de uma enorme injustiça, chumbada num exame para o qual se preparou muito bem, mas avaliada negativamente por uma professora que não gostava dela, num tempo em que as avaliações não eram sujeitas ao controlo dos tempos atuais.

IMG_20150609_0001.jpg

Terá esta injustiça quebrado a fortaleza de Chiara? Pelo contrário: esta injustiça foi, para a jovem Badano, um trampolim para a santidade. Chiara aproveitou a oportunidade de ter sido injustiçada para crescer no amor fraterno: jamais permitiu que, junto dela, se falasse mal da professora em causa; continuou a cumprimentá-la com o seu sorriso pronto; e ofereceu o o seu sofrimento "a Jesus Abandonado". Chiara entrou na escola, no ano seguinte, de cabeça levantada, tomando lugar na sua nova turma com simplicidade e alegria. A injustiça que sofreu desafiou Chiara a tornar-se santa.

Cá em casa, ouço com alguma frequência os meus filhos a queixar-se de injustiças, quer da parte dos professores, quer dos colegas - porque o trabalho de grupo que não foi bem avaliado, porque o teste que foi demasiado curto ou demasiado extenso, porque o colega fez barulho e não deu para ouvir qual era o trabalho de casa. Que fazer com estas pequenas injustiças (e atenção que não estou a falar de bullying ou de coisas realmente graves)?  Ajudemos os nossos filhos a aproveitar estas oportunidades para crescer em perdão, compreensão, auto-controlo, fraternidade. Não os encorajemos a queixar-se por pequenas coisas - geralmente são mais pequenas do que as imaginamos! Ninguém se torna santo sem sofrer contrariedades. Diz Isaías, profetizando sobre Jesus:

 

"Entreguei as minhas costas aos que me batiam, e as minhas faces aos que me arrancavam a barba; não escondi o rosto aos ultrajes e às cuspidelas. Conservei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei envergonhado." (Is 50, 6-7)

 

Ah, vamos ficar tão surpreendidos quando chegarmos ao céu, e descobrirmos quais os trampolins luminosos que nele nos lançaram...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:20

Roupas cristãs?

por Teresa Power, em 04.06.15

- S., a T-shirt que trazes vestida não é apropriada... Já viste que tem desenhada duas mamas à mostra?

- Mas não são as minhas, professora!

- Pois não, mas quem olha de repente, até dá ideia de que sim! E aliás, é esse o objetivo da T-shirt, não é?

Silêncio, depois um sorriso provocante:

- Ora! E que mal tem?

Todos os anos, com a chegada do calor, tenho estas conversas com os alunos e com os adolescentes da catequese. As alças, os umbigos à mostra, as cavas, os calções, os decotes, os chinelos. Os alunos vêm para a escola - e vão para a igreja - vestidos como quem vai para a praia.

Que mal tem? Repetem-me as meninas, quando lhes digo que os calções curtados pelas virilhas não são apropriados senão para a praia ou o desporto, por muito modernos que pareçam. Que mal tem?

A roupa que vestimos fala da pessoa que somos. Uma roupa limpa, bonita, cuidada, simples, dá de nós a imagem de uma pessoa limpa, bonita, cuidada, simples;  uma roupa provocante, demasiado decotada ou com dizeres indecentes, dá de nós a imagem correspondente (verdadeira ou não). O que queremos que os outros vejam, quando olham para nós? Um corpo bem feito? Só isso? Ou uma pessoa inteligente, simpática e interessante? Para que lado cai o pêndulo? Para a roupa que usamos, capaz de chamar a atenção pelo desleixo, pelo luxo, pelo sujo ou pela indecência? Ou para a pessoa que somos, para as palavras que dizemos e para a expressão facial que transmitimos, e que a nossa roupa, pela sua discrição, não consegue ofuscar?

Vão responder-me que o pecado está no olhar mais ou menos puro de quem nos avalia. Claro. Ninguém pode ser acusado de ter feito outra pessoa pecar pela forma como se vestiu, porque o pecado está sempre com quem o pratica. Mas eu estou a falar de outra coisa... Estou a falar da minha verdadeira intenção, consciente ou não, ao escolher esta ou aquela peça de vestuário para me dirigir para este ou aquele local específico. Há muito menos ingenuidade do que desejaríamos em nós mesmos e nos nossos filhos, se formos verdadeiros nesta avaliação... E nesta ambiguidade, oferecemos ao outro uma ocasião de pecado - mas oferecêmo-la sobretudo a nós mesmos.

- Eu gosto que os rapazes reparem em mim, professora - Confessou-me a S., exibindo a sua estranha t-shirt. Tem treze anos e frequenta o sétimo ano. Os colegas tratam-na por "a boazona".

S. Paulo fala do nosso corpo como de um templo, porque nele habita Deus. E escreve:

 

"Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque O recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo." (1Cor 6, 19)

 

O Espírito Santo faz de nós príncipes e princesas do Reino de Deus... Vistamo-nos apropriadamente!

sara princesa 2.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:16

A cobra

por Teresa Power, em 03.06.15

Cheguei a casa apenas com os dois mais novos - A Sara e o António - e, como costume, abri a porta da cozinha para que ambos pudessem brincar alegremente no jardim. De repente, os cães começaram a ladrar aflitivamente. Deixei o que estava a fazer e corri para o jardim. Os cães estavam à porta da garagem, numa grande algazarra. Aproximei-me, curiosa. Que teria acontecido? Entrei na garagem, e no momento em que passei pela porta, um enorme e prolongado "zzzzzzzzzzzzzzzzz" fez-me gelar. Não havia dúvidas de que era uma cobra. Mas onde? Sem me mexer, fui procurando com os olhos, até que dei um salto para trás: a cobra estava mesmo ao meu lado, no cimo do escadote que está à entrada da garagem.

cobra.JPG

- O que se passa, mamã? - Perguntou então o António, entrando na garagem com a Sara. Com um grito, afastei-os e levei-os para a cozinha. Depois telefonei ao Niall.

- Estou quase a chegar a casa - Respondeu-me ele. - Por favor, não faças nada! Eu morria de pena se não chegasse a tempo de ver a cobra!

O Niall tem uma paixão por cobras. Em jovens, ambos fizemos expedições na natureza com um sacerdote jesuíta profundamente conhecedor de cobras, que aliás possuía várias no seu gabinete, o padre Carlos Azevedo Mendes. Uma das coisas que nos ensinou foi precisamente a não ter medo e a saber como lhes pegar.

- Niall, mas há os gatinhos e os pitinhos!

Mesmo que esta cobra fosse inofensiva para o ser humano, eu sabia que uma das funções que a natureza lhe atribui é manter controladas as ninhadas de ratos e afins. Os nossos quatro gatinhos e os quatro pintaínhos que entretanto também nasceram corriam sério risco.

- Tens razão. Retira imediatamente os gatinhos do armário e tranca a garagem.

Entrei na garagem com um salto. Rapidamente, abri o armário e reuni os quatro gatinhos num cestinho, que levei para dentro de casa, para deleite da Sara e do António. Depois tranquei a cobra na garagem, e suspirei de alívio.

O Niall chegou entretanto. Entusiasmado, dirigiu-se à garagem, onde foi recebido por um enorme "Zzzzzzzzzzz".

- Ena, que bonita! Mas está tão agressiva! Mantém as crianças longe. Vou baixar o escadote, para ser mais fácil apanhá-la. Depois levo-a para longe da nossa casa, fica descansada.

Assim que o Niall baixou o escadote, uma cena curiosa aconteceu: a Winnie e o Jack, os nossos dois rafeiros atiraram-se à cobra e agarraram-na com os dentes, à vez, chicoteando-a contra o chão com violência. Em menos de dez segundos - para frustração do Niall e para meu alívio - a cobra estava morta.

No galinheiro, os pintaínhos saíram debaixo das asas da sua mamã:

 

E os gatinhos regressaram ao seu armário, onde a mamã se apressou a lambê-los vigorosamente e a dar-lhes de mamar:

DSC02490.JPG

Quais as "cobras sibilantes" que pretendem roubar-nos as nossas "ninhadas"? Deveremos nós, pais, separar os nossos filhos dos contactos humanos "perigosos", impedindo que se relacionem com todo o tipo de pessoas, nomeadamente na escola e noutros lugares lícitos? Não o creio. Afinal, a Boa Notícia do Evangelho é que Jesus, o Filho de Deus, se senta à mesa com os publicanos e as prostitutas, recusando o medo farisaico do contágio. E o que está bem para Jesus, está bem para mim.

Mais perigosos são os canais abertos de "cobras" para o interior das nossas casas e dos corações dos nossos filhos, através dos livros, de várias redes sociais, dos programas de televisão e dos jogos de computador que são visionados sem qualquer discriminação e que nenhum pai ou mãe consegue acompanhar convenientemente. Na verdade, muito do que por aí se produz nos meios de comunicação social tem um objetivo claro ou oculto de destruir os valores da nossa civilização cristã.

Se substituirmos o tempo gasto em visionamentos deste tipo por conversas familiares honestas e profundas em torno de valores, estaremos a equipar os nossos filhos com o necessário para saberem escolher as suas amizades e avaliar os comportamentos de quem os rodeia. Diz-nos S. Paulo:

 

"Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é respeitável, tudo o que possa ser virtude e mereça louvor, ocupe o vosso pensamento." (Fl 4, 8)

 

É o que nós procuramos fazer todos os dias, no tempo de oração familiar, quando confrontamos o dia de cada um com a Palavra de Deus! E para uma maior certeza da vitória, confiamos no auxílio daquela que esmagou a serpente com o calcanhar...

DSC02470.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:12

Tesouros perdidos e encontrados

por Teresa Power, em 12.05.15

Na semana passada, um daqueles pesadelos que às vezes nos assustam de noite aconteceu-me: abri a pasta da escola e não encontrei a minha capa com os resultados dos testes e outras avaliações dos alunos. Sim, eu ainda faço as cotações em papel quadriculado; não, não tenho todas as informações em excel, porque gosto de ir tomando notas sobre o trabalho de cada aluno durante as aulas, e não sinto a necessidade de posteriormente passar essa informação para computador; sim, eu sei, devia passar... Mas não passo. E a capa plástica não estava na minha pasta. Fiquei literalmente em pânico. E agora?

Depois de procurar por toda a casa e por toda a escola, não esquecendo os lugares mais óbvios, como as almofadas dos sofás, o cesto dos brinquedos, o cesto da roupa para passar a ferro e o chão por debaixo dos armários, decidi que teria de ir às várias escolas por onde tenho andado a fazer provas orais de Inglês, nas últimas semanas.

- Que vais fazer se não aparecer? - Perguntavam-me os meus filhos. - Vais dar cinco a todos os alunos?

Eu suspirava, e nem queria pensar na hipótese da pasta não aparecer. Durante dois dias, não pus roupa a lavar e quase não cozinhei, pois todos os momentos livres eram passados a vasculhar a casa à procura da dita capa.

- Que é hoje o jantar? - Perguntou-me o Niall no segundo dia, olhando para a banca da cozinha, vazia.

- Sopa, e depois, o que houver no frigorífico - Respondi, sem parar de procurar.

Ele abriu o frigorífico e começou a tirar pequenas caixas com sobras de comida.

- Vou pedir a Jesus que faça o milagre da multiplicação das sobras - Disse, divertido - Ele é perito em multiplicar alimentos, não é verdade?

Jesus não se fez rogado, e sobre a mesa conseguimos colocar um belo e variado jantar. Foi então que o telefone tocou.

- Olá Teresa! Olha, hoje de manhã dei-me conta de que tenho andado com uma capa plástica que te pertence... Já tinhas dado pela sua falta? Imagino... Não te preocupes! Está aqui!

Caí sobre o sofá, dando uma gargalhada de verdadeiro alívio. Deus escutara as minhas orações e as de muitos outros que rezavam por mim! Nunca o jantar me soube tão bem.

 

O meu rodopio durante aqueles dois dias, à procura de uma pequena capa plástica carregada com o meu trabalho do ano inteiro, fez-me pensar numa bela e curiosa história da Bíblia: a história do Rei Josias. Conhecem? Vem narrada no Segundo Livro das Crónicas, no capítulo 34. Tratei dela no segundo volume do meu livro, Os Mistérios da Fé.

Josias tinha oito anos quando subiu ao trono. A sua principal preocupação era seguir as pegadas do Rei David, e fazer o que é reto diante de Deus. Assim, Josias decidiu purificar os lugares santos, abolir os ídolos, e empreender reformas religiosas. Contudo, faltava uma coisa: faltava conhecer o Livro da Lei, ou seja, a Bíblia da altura, que ninguém conseguia encontrar. Tinha sido muito bem guardado algumas gerações atrás, para evitar a sua profanação aquando de grandes perseguições religiosas, e desde então estava perdido.

Um dia, durante as escavações e os trabalhos de recuperação do Templo, os trabalhadores tiveram uma grande surpresa: o Livro da Lei surgiu debaixo de uma pedra. Imediatamente foi levado a Josias, que deixou tudo o que estava a fazer para escutar a Palavra. Então...

 

"O Rei Josias convocou todos os anciãos de Judá e de Jerusalém. Depois, ele próprio subiu ao templo do Senhor seguido por todo o povo, do maior ao menor. Proclamou-lhes integralmente as palavras do livro da aliança, encontrado no templo do Senhor. Pondo-se de pé sobre um estrado, o rei fez uma aliança na presença do Senhor, segundo a qual se comprometia a seguir o Senhor, a guardar os seus mandamentos, as suas ordens e os seus preceitos, de todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo todas as palavras da aliança escritas nesse livro." (2Cr 34, 29-31)

 

Eu pus a minha casa de pernas para o ar à procura de uma capa plástica... Teria o mesmo empenho em procurar a minha Bíblia? Bem, posso sempre comprar outra, coisa que os nossos antepassados não podiam, e que milhares de cristãos no mundo inteiro não podem fazer, porque lhes é proibido e correm risco de morte...

Que empenho coloco eu em conhecer e estudar o Livro da Aliança, a Palavra do meu Senhor, proclamada na Bíblia e explicada no Catecismo da Igreja Católica? Será que a meditação da Palavra de Deus ocupa o primeiro lugar, à frente do cesto da roupa, à frente do jantar, à frente da televisão...? Não é preciso deixar de cozinhar para ler a Bíblia, mas talvez seja preciso deixar muitas outras coisas. Que o jovem rei Josias seja um modelo de fé para nós!

 

DSC02128 (2).JPG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:22

Amor de mãe

por Teresa Power, em 09.05.15

- A partir de hoje, desisto do meu filho - Gritava uma mãe, visivelmente aborrecida, diante da pauta com as notas da turma. Eu estava a atender os pais e a entregar as avaliações da minha direção de turma, antes das férias da Páscoa. O filho em questão tem quase dezassete anos e continua no nono ano. É um rapaz simpático e muito trabalhador - no mini-mercado dos pais, que na escola só gosta de brincadeira.

Senti-me constrangida diante do desespero daquela mãe. Ela parecia ignorar os olhares dos outros pais, e continuava, gesticulando e falando muito alto:

- Cria uma mãe um filho para isto! Só o temos a ele, o pai e eu não fazemos outra coisa senão trabalhar, trabalhar, trabalhar de manhã à noite, para ele, naturalmente. E como é que ele agradece? Repetindo o ano novamente, claro!

Tentei acalmá-la, mas percebi que não tinha palavras suficientes. Tudo o que ela dizia era verdade, e o meu aluno não faz um esforço, por pequeno que seja, para dar alegria aos seus pais nos estudos. Registei interiormente a necessidade de conversar com o rapaz, assim que recomeçasse a escola. Sabia, no entanto, que a minha tarefa seria quase impossível se a mãe, de facto, desistisse de lutar pelo sucesso do seu filho.

Oito e meia da manhã, primeiro dia de aulas do terceiro período. À porta da minha sala, tenho a mesma mãe, acompanhada do filho.

- Bom dia, professora! Tem um minuto para falar connosco?

- Claro que sim! Daqui a quarenta e cinco minutos tenho hora de atendimento. Aguarda um bocadinho?

Quarenta e cinco minutos depois, a mãe e o filho estavam sentados diante de mim. O meu aluno mantinha a cabeça baixa, enquanto a mãe, com os olhos cheios de lágrimas, falava.

- Professora, eu vou fazer tudo o que puder para ajudar o meu filho a passar o ano - Disse-me, sempre emocionada. - Ele é tudo o que nós temos. Acha que ainda vamos a tempo?

 

Recordei-me desta conversa ontem, enquanto rezava diante da imagem de Nossa Senhora, na oração do Mês de Maria.

Nossa Senhora Auxiliadora 2.JPG

Olhando para a imagem da Senhora Auxiliadora dos cristãos, eu dizia interiormente:

- Querida mãe, deves estar cansada das desilusões que te causei ao longo da minha vida, e que te continuo a causar! Será que ainda acreditas que sou capaz de santidade?

Foi então que me lembrei da mãe do meu aluno. Uma mãe que o seja verdadeiramente nunca desiste do seu filho, mesmo que, num momento de desespero, tenha a intenção de o fazer. Maria não é apenas uma mãe, mas a melhor das mães. Em Medjugorje, Maria disse um dia: "Se soubesseis quanto vos amo, choraríeis de alegria." No Livro de Isaías, o Senhor diz-nos:

 

"Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria." (Is 49, 15)

 

Nem Deus, nem Maria alguma vez desistirão de nós. Ao longo da nossa vida, o Senhor irá servir-se de tudo para nos ajudar a encontrar o Caminho para Casa. Servir-se-á de um amigo, de um problema, de uma doença, de uma crise, de um momento de oração, de um blogue, de um retiro (já se inscreveram no Retiro de Neiva?) e até de um pecado. Não seremos nunca capazes de O desiludir ao ponto de nos abandonar!

E Maria, que viu o Filho morrer por nossa causa, continua a visitar a Terra para nos aconselhar, nos corrigir e nos encorajar... Conhecemos nós a mensagem de esperança que nos deixou em Fátima? Ah, como é forte e poderoso, o amor de uma mãe!...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:20



subscrever feeds


livros escritos pela mãe

Os Mistérios da Fé
NOVO - Volume III

Volumes I e II



Pesquisa

Pesquisar no Blog  


Arquivos

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D