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Ó namoro, por onde andas?

por Teresa Power, em 16.02.15

Escrito pelo Francisco:

 

Na sexta-feira foi proporcionado aos jovens de Anadia um encontro extremamente interessante e atual sobre o namoro, intitulado: "Ó namoro, por onde andas?". Na véspera do dia de S. Valentim, nada mais original do que ouvir Inês Pereirinha a falar, conversar connosco, ensinar-nos imensas coisas importantes sobre o namoro.

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Começámos logo, todos reunidos num ambiente agradável, a tentar perceber melhor a amizade, em todos os aspetos do ser humano, o que significa a amizade e o que é necessário para haver uma boa amizade. “A amizade é querer o bem para a outra pessoa. Não apenas que essa pessoa seja feliz, mas que essa pessoa se torne a melhor pessoa possível”. Só depois de discutirmos isto, pudemos passar ao namoro, visto que o namoro começa sempre com a criação de laços de amizade muito fortes.


Explorámos um pouco as diferentes vertentes do ser humano, do corpo ao “Eu interior” e vimos como o namoro deve ser vivido segundo todas essas vertentes e não apenas com o corpo, como, infelizmente, as novelas e os media nos fazem crer. O namoro passa pelo corpo, mas mais importante que isso, passa pelos sentimentos, uma decisão, uma atitude, um compromisso.
Neste encontro aprendemos como viver um namoro feliz. Um namoro em que cada um respeita a si próprio e ao outro, um namoro em que é possível o autocontrolo, para que tudo corra bem.


“A castidade está na moda” foi uma frase que chamou a atenção de muita gente. Será verdade? Sim, é verdade, explicou-nos Inês. Mas não parece, pois nunca se ouve falar de castidade nos media, só se ouve o que é mau, nunca o que é bom. Mas a verdade é que há cada vez mais pessoas a perceberem que devem respeitar o seu próprio corpo, a perceberem que fazer sexo no namoro não é uma prova de que ele/ ela me ama, que isso é apenas uma prova de que ele /ela gosta do meu corpo. Sim, a castidade está na moda! Ora vejam:

Entretanto, na caixa de comentários do post que a minha mãe escreveu sobre o namoro, o João Miranda Santos fez uma sugestão, que aqui divulgamos:

"Nos dias 11 e 12 de Abril de 2015 realiza-se na no seminário de Almada um retiro para namorados sobre o tema "Da Castidade à Liberdade para o Dom". O pregador será o pe. Nuno Amador. O retiro começa no Sábado dia 11 pelas 10h30 e termina no Domingo dia 12 pelas 15h30. O preço do retiro são 50€ por pessoa. http://www.familia.patriarcado-lisboa.pt/eventos/calendario/icalrepeat.detail/2015/04/11/167/-/retiro-para-namorados"

 

Como eu, também os outros jovens adoraram o encontro que tivemos. Nós, jovens, precisamos de momentos assim para crescer!

 

 

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publicado às 06:31

Eterna juventude

por Teresa Power, em 14.02.15

Ontem à noite, o Francisco teve um encontro de jovens aqui em Anadia. A atividade estava programada para jovens dos quinze aos dezoito anos, e o tema era o namoro. Sobre o que falaram e trataram, ele mesmo escreverá, se o entender. Segundo ouvi dizer, foi um sucesso! Eu quero falar de outra coisa - e não me levem a mal...

Como animador de um grupo de jovens, o Niall esteve nas reuniões de preparação para este encontro. Foi também ele quem sugeriu e convidou a oradora, da Associação Família e Sociedade. Mas as divergências chegaram com a definição da faixa etária do encontro. O Niall e a oradora propunham idades entre os quinze e os dezoito; alguns dos restantes elementos do grupo arciprestal queriam alargar o encontro, propondo idades entre os doze ou treze e os trinta. Por fim, no espírito de amizade e procura que caracteriza este grupo, todos chegaram a um acordo, e ficou assente que o encontro seria para jovens entre os quinze e os dezoito.

O que é um jovem? As crianças hoje em dia deixam de ser crianças muito cedo. Eu lembro-me de saltar à corda e jogar ao elástico no sétimo ano... Os pais falam dos seus filhos de nove anos como "pré-adolescentes" (o que é isso?), e os modernos concertos musicais estão atolhados de crianças vestidas de adultos.

No verão passado, enquanto vigiava um exame de décimo segundo ano, depois de rezar dois terços e de continuar sem nada para fazer além de olhar para os alunos (que é o meu trabalho como vigilante, mas que é mesmo muito aborrecido), decidi olhar para os seus pés. Onde estão as sapatilhas desbotadas da minha juventude? As unhas arranjadas com precisão e os saltos altos fizeram-me por momentos pensar que estava numa festa de adultos... A Clarinha tem várias colegas que se maquilham diariamente, na casa-de-banho do colégio. E ainda não fizeram catorze anos!

 

Os meus filhos sempre tiveram alguma dificuldade em se integrar nestas modernas definições de infância e juventude. A falta da televisão e do telemóvel e as longas horas passadas em Náturia causam um natural prolongamento do tempo de infância. Recordo os comentários de alguns professores do Francisco, durante o segundo ciclo, que me faziam sorrir de satisfação: "O Francisco é um aluno de excelência, com um comportamento exemplar, mas é um pouco infantil, quer dizer, não na forma de pensar, mas porque precisa muito de brincar..." E lembro-me das queixas do Francisco ao chegar a casa, depois da escola: "Os rapazes da minha turma são uns chatos! Não querem jogar aos polícias e ladrões nem correr. Toca para o intervalo, e eles ficam sentados, a conversar e a jogar com as consolas..." Mais tarde, o colégio lembrou-se de proibir as consolas e os telemóveis durante o intervalo da manhã e de tarde, e o Francisco recuperou algum tempo de brincadeira com os amigos.

 

Ao mesmo tempo que se apressam as crianças a deixar a infância, prolonga-se indefinidamente a juventude. Trinta anos, jovens? Noitadas, farras, carnavais, vida sem grandes responsabilidades, e sem qualquer pressa em casar, em ter filhos ou em assumir algum outro compromisso? Eu sei que me vão falar no desemprego e na crise, nos estudos prolongados e na dificuldade em arranjar casa, mas nada justifica a completa infantilização de muitos jovens adultos de hoje.

Naturalmente que nem todos são assim, graças ao Senhor (eu pertenço à famosa "geração rasca", e por isso tenho raiva a generalizações!). Eu conheço vários jovens adultos, alguns leitores deste blogue, com histórias belíssimas de audácia e responsabilidade; e bastam uns quantos com garra para mudar o mundo...

Quando ouço comentários de colegas, na brincadeira, com saudades dos tempos de juventude, sinto sempre um arrepio. Eu detestaria ter de passar de novo pelas crises da adolescência, as paixões não correspondidas, as dúvidas de namoro, os conflitos com os amigos, as horas de estudo e o stress dos exames. Deus me livre! É tão bom ser adulta! Eterna juventude? Haja paciência! Tive uma juventude recheada de felicidade, mas uma vez bastou... Gosto de dizer que tenho 42 anos e sinto muito orgulho nos meus cabelos brancos, que são bastantes!

Viver o presente, em plenitude, com alegria, com realismo. Agradecer a Deus o dom do dia de hoje. Estar plenamente aqui, onde estou, seja criança, adolescente, jovem, adulto, idoso. Como diz o grande Livro do Eclesiastes:

 

"Há um tempo para cada coisa debaixo do céu.

Tempo de nascer e tempo de morrer

Tempo de plantar e tempo de colher

Tempo de matar e tempo de curar

Tempo de destruir e tempo de construir

Tempo de chorar e tempo de rir..." (Ecl 3, 1-8)

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publicado às 06:25

Oito centímetros de vida e a bioética

por Teresa Power, em 10.02.15

A semana passada, uma leitora deste blogue enviou-me a primeira fotografia do seu bebé:

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O anúncio de uma nova vida é sempre um momento que nos transcende e, com maior ou menor intensidade, nos perturba. O ser minúsculo que Deus nos entrega, neste dom que é a maternidade, vem desalinhar a nossa vida, desarrumar as nossas ideias, desiquilibrar o nosso barco. E nem sempre é fácil acolher...

Para a mãe que me enviou esta fotografia, não está a ser fácil! Ainda há em Portugal patrões que despedem as mulheres grávidas, e algumas famílias olham para o futuro com muita apreensão. Que será deste menino? Pergunta-se ela. E a alegria que sente por ser novamente mãe, é toldada por algum receio e algum desalento.

No entanto, mesmo com medo, com perturbação, com dor, esta mãe está decidida a lutar pela felicidade do seu filho. Ela sabe que, antes de ser seu filho, este menino, com oito centímetros de comprimento, é filho de Deus; e antes de ser amado por ela, é amado, imensamente amado por Deus!

 

Já ouvi, na minha escola, alguns comentários de passagem entre adolescentes: "Se correr mal, sempre se pode fazer um aborto." Mas também já fui testemunha de três adolescentes que levaram a sua gravidez até ao fim, regressando às aulas pouco depois dos bebés nascerem e levando-os consigo. Num dos casos, bem engraçado, o bebé ficava na salinha dos funcionários, num bercinho arranjado pelos professores, com roupinhas também arranjadas por nós, e era cuidado um pouco por todos, durante as aulas da menina. Nos intervalos, o bebé fazia a delícia das amigas da nova mamã (mais até do que da própria mamã...).

 

A vida é o primeiro dom do amor de Deus. Até que ponto estamos dispostos a defendê-la? Conhecemos as fronteiras da ciência e os atropelos que se vão fazendo no campo da bioética? Embriões congelados, técnicas de reprodução medicamente assistida, aborto, contracepção... Os cristãos merecem ser esclarecidos nestas matérias. Jesus deixou um mandamento muito claro a todos os que, de alguma forma, têm o dever de guiar os outros, sejam pais ou consagrados:

 

"Seja a vossa palavra sim, se for sim, não, se for não." (Mt 5, 37)

 

Para ajudar a clarificar a palavra e o pensamento, está a ser apresentado, um pouco por todo o país, o Manual de Bioética para Jovens. A sua leitura, clara e concisa, faz bem também aos menos jovens! E os debates nas sessões de apresentação têm sido muito interessantes. O Francisco irá assistir a esta apresentação no dia 14 de março, aqui em Anadia, feita precisamente pela sua tia, professora na Faculdade de Farmácia de Coimbra. Entretanto, recebi este cartaz, sobre a apresentação do manual em Vila Nova de Famalicão, no dia 20 deste mês de fevereiro. De certeza que haverá ainda outras datas e outros lugares. Informem-se, que vale a pena!

 

 

E se quiserem, hoje, depois de ler este post, façam comigo uma oração por esta mãe, agradecida pelo dom do seu filho, e por todas as mães em dificuldade...

 

"Por vezes, ao contemplarmos a maravilha que somos,

arrebata-nos uma vertigem"

(Jean-Marie Le Méné, Manual de Bioética)

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publicado às 06:25

Arregaçando as mangas

por Teresa Power, em 06.12.14

Durante todo o tempo que esteve na Alemanha - bem como, depois, na França - o Niall trabalhou duramente em restaurantes, lavando a louça e preparando as refeições da noite, para poder pagar o seu alojamento. Assim, os nossos encontros ao serão eram raros, e eu ficava sempre cheia de pena por não podermos aproveitar todos os minutos do dia para namorar.

Um belo dia, e apesar de a minha família nunca tal me ter sequer sugerido, decidi que também era capaz de trabalhar. Afinal, iria precisar de juntar algum dinheiro, se queria visitar o Niall na Irlanda, no verão! E foi assim que me dirigi ao mesmo restaurante onde o Niall lavava a louça.

O dono do restaurante foi muito simpático comigo. Apresentou-me o pessoal da casa e depois conduziu-me à sala de jantar. O meu trabalho não seria na cozinha, mas na sala, servindo refeições. Apressado, mostrou-me os armários dos pratos e as gavetas dos talheres, explicando tudo a uma velocidade relâmpago - em alemão; ensinou-me a segurar a bandeja e a fazer o pedido, e deu-me um bloco de notas para eu fazer os registos necessários - em alemão. Depois, lançou-me ao trabalho "como cordeiro no meio dos lobos": acabava de entrar um grupo barulhento de treze pessoas, que se sentaram, a rir, à volta de duas mesas. Era preciso ir servir!

Treze pessoas a fazer os seus pedidos, todos em alemão, a caneta a voar no bloco de notas, a cabeça a andar à roda... Cheguei ao bar para buscar as bebidas, e vi o olhar sério do patrão, que seguira todos os meus movimentos. Sem falar, ajudou-me a colocar tudo num tabuleiro. Depois dirigi-me à mesa, e com o meu melhor sorriso, coloquei o tabuleiro no centro, explicando em alemão:

- Não consigo lembrar-me de quem pediu o quê: façam favor de se servir!

Quando os clientes, bem dispostos, acabaram de se servir, e eu retirei o tabuleiro da mesa, reparei que todos os empregados do restaurante olhavam para mim com ar de caso e um sorriso disfarçado nos lábios. Então o patrão chamou-me, dirigiu-se ao balcão, pagou-me uma hora de trabalho e... despediu-me!

Saí do restaurante, onde o Niall continuou a lavar a louça, e corri à primeira cabine telefónica que encontrei, para telefonar à minha mãe. A chorar, contei-lhe que fora despedida do primeiro emprego da minha vida. Ela deu uma sonora gargalhada, enquanto respirava de alívio: as minhas lágrimas tinham-na feito pensar que algo de grave se passara mesmo!

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(Reconhecem-nos, ao Niall e a mim, num dos muitos jantares numa residência com amigos Erasmus?)

 

Esta foi uma das histórias que partilhámos com a equipa de reportagem que nos entrevistou. Ainda hoje me sinto a corar quando penso que fui despedida por não saber servir a uma mesa... O Niall, pelo contrário, ganhou um treino muito jeitoso a lavar quantidades industriais de louça. Hoje, como devem imaginar, este treino dá imenso jeito na nossa casa! É quase sempre o Niall quem arruma a cozinha ao jantar, alternando com o Francisco e a Clarinha alguns dias por semana.

Trabalhar também tornou o Niall mais realista, mais consciente do valor do dinheiro e do preço das coisas, mais sóbrio nos gastos. E trabalhar não impediu o Niall de se divertir ou de arranjar namorada...

 

Já referi aqui a frase do psicólogo italiano Andrea Fiorenza, perito em educação:

"Oxalá o teu filho tenha uma dificuldade por dia para enfrentar. E se a não tem, oferece-lhe tu uma diariamente."

 

A Bíblia diz exactamente o mesmo:

 

"Aquele que ama o seu filho, corrige-o com frequência, para que se alegre com isso mais tarde. (...) Educa o teu filho, esforça-te por formá-lo, para que não te aborreças com a sua vida vergonhosa." (Sir 30, 1.13)

 

Eduquemos portanto homens e mulheres fortes e corajosos, capazes de enfrentar as agruras da vida com a cabeça erguida e as mangas arregaçadas. Eles agradecer-nos-ão mais tarde!

 

 

 

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publicado às 06:21

Geração Erasmus

por Teresa Power, em 05.12.14

A grande reportagem da SIC deixou os mais novos muito desapontados:

- Porque é que não mostraram nós a jogar à bola?

- Porque é que não mostraram o António a apanhar os ovos no galinheiro?

- Porque é que não mostraram eu a andar de patins?

- Eles filmaram tanto, e não mostraram nada!

- Mas apanharam a Winnie, viste?

- E a Clarinha estava tão nervosa, que trocou as idades todas!

- Não faz mal.

- Também não mostraram a Sara no baloiço, nem o Canto de Oração...

- Não. Só mostraram um bocadinho da nossa conversa na sala!

- Não faz mal.

- Pois não.

O António já não ouviu o final desta nossa conversa, porque dormia profundamente no sofá. Para quem se costuma deitar às oito e meia...

Claro que, em televisão, com tempo contado, não se pode mostrar tudo o que foi filmado. Mas esta reportagem foi, realmente, uma reportagem bastante coerente com os sinais dos tempos actuais, toda ela centrada nas rendas de casa, nas expectativas de emprego, na vida de "borga" de um estudante. Para utilizar uma expressão muito cara do Papa Francisco: uma reportagem mundana. Para trás ficaram as imagens, que certamente foram muitas,  de crianças a brincar. Pelo menos cá em casa, as filmagens foram longas e divertidas, tratando aspectos culturais muito interessantes, como o contacto com a família que vive no estrangeiro e as diferenças de cultura de cada país. Imagino que assim tenha sido nas outras casas também. Mas Portugal está envelhecido, não tenhamos dúvidas. As imagens das brincadeiras infantis de todos estes "bebés Erasmus" teriam dado cor e alegria à reportagem, que ficou, como Portugal, demasiado séria.

 

Olhando para as imagens daqueles jovens estudantes Erasmus, ocorreram-me muitos pensamentos, mais do que irei registar aqui. Mas ficam alguns:

Hoje, a vida de um estudante Erasmus é feita de muitos confortos! Pelo que pude perceber, até há empresas que prestam serviços de cozinha e tratamento da roupa. Ser estudante num país estrangeiro é uma oportunidade tão boa para aprender a cuidar de uma casa e a tomar conta de si, que me parece uma perfeita estupidez não a aproveitar. Eu aprendi a cozinhar quando fui para a Alemanha e estou muito contente por isso! Parabéns à jovem que, na reportagem, também disse estar a aprender a cozinhar!

Durante todo o tempo que esteve na Alemanha, o Niall sempre trabalhou em restaurantes, lavando a louça, para pagar a sua estadia (como referiu nas filmagens, mas não foi publicado). Não, as bolsas não são suficientes, mas quem disse que tinham de ser? Os jovens precisam de se fazer à vida, o mais cedo possível...

Estar longe de casa ou do namorado, mas poder aceder ao Skype 24 sobre 24 horas é um luxo que não consigo imaginar. Continuo grata às cabines de telefone e ao correio, com tempos bem marcados, que nos ajudavam a aprender a arte de saber esperar. Lembram-se da Raposa e do Principezinho?

 

"Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, eu já começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito..."

 

Quando se namora, a arte de saber esperar é extremamente útil, pois é a espera que produz a constância e a fortaleza interior.

Ah, e talvez com menos Skype a jovem retratada na reportagem fosse obrigada, como eu fui, a sair de casa e a lançar-se na grande aventura de fazer amigos...

Finalmente, a questão final: segundo Umberto Eco, "Erasmus" é sinónimo de "orgasmus". Fiquei tão chocada com esta afirmação, que levei alguns segundos mais de reacção do que gostaria, ao ser entrevistada. Eu casei virgem e acredito profundamente no valor da virgindade, não apenas fisica, naturalmente, mas capaz de abarcar a pessoa inteira, com um corpo, uma alma, uma vida.

É muito fácil perder a virgindade e ter todos os orgasmos que se quiser ter quando se é Erasmus, claro: como um dos estudantes entrevistados disse: "Ninguém te conhece, estás por tua conta, os teus amigos e familiares não te podem ver, fazes o que te apetece."

Deixar-se ir na corrente - fazer o que é mais fácil e que, afinal, todos fazem - não tem absolutamente nada de radical; e qual é o jovem que não gosta de ser radical? Um jovem que, quando ninguém o está a ver, continua a agir de acordo com os seus valores e princípios, desses que não se vendem, esse sim, é um jovem radical.

Acredito que seja muito difícil, no actual ambiente universitário, manter-se fiel à doutrina cristã. E sinto a urgência de trabalhar as questões do namoro, da castidade (sim, a palavra ainda existe), da fidelidade, da fortaleza, com casais de namorados e de noivos. Penso que as Famílias de Caná também terão de partir para esse grande apostolado... Deus o dirá. E à medida que os meus filhos vão crescendo e se vão aproximando da descoberta do amor, também estes temas serão tratados aqui no blogue. Àquele jovem, apetecia-me apenas dizer com o salmo 139:

 

"Onde é que eu poderia ocultar-me do teu espírito?

Para onde poderia fugir, longe da tua presença?

Nem as trevas são escuras para Ti,

e a noite seria, para Ti, tão brilhante como o dia..."

 

Mesmo que ninguém te veja, caro jovem, Deus vê-te...

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publicado às 06:17

Parabéns, Francisco!

por Teresa Power, em 08.10.14

Uma das alegrias numa família numerosa é o constante ambiente de festa, com aniversários atrás de aniversários. Cá em casa, entre setembro e outubro são logo quatro! Hoje, o Francisco encerra em beleza a época de aniversários de outono, festejando os seus dezasseis anos.

Francisco. Tinha escolhido este nome na minha juventude, muito antes de pensar em casar. Francisco, como o santo de Assis, apaixonado por Deus e cantando as suas glórias na natureza e na pobreza!

Francisco. Um bebé que me fez passar vários meses deitada, em repouso (como contei aqui), para poder nascer. Como saboreei então as dores intensas que me anunciaram a vitória!

Francisco. Com o primeiro filho, abre-se um universo inteiro diante de nós! Tantas dúvidas, tantas descobertas, tantas lágrimas, tantos erros, tantos dramas... O Francisco diz, no seu estilo brincalhão, que foi a nossa cobaia. E tem razão! Com ele, aprendemos tudo o que não devíamos fazer; mas com ele, também aprendemos muita coisa que continuámos a repetir até hoje! E o resultado não foi mau de todo, não é verdade, Francisco? (Eu sei que ele vai ler este post como faz com todos...)

Quando não se vêem novelas nem filmes, quando não se têm consolas nem videojogos, quando se passa o tempo livre quase todo a brincar, no jardim e na rua, é-se criança e preserva-se a inocência até muito tarde. Com o Francisco, foi assim. As aventuras em Náturia davam um livro! Mas agora, o Francisco cresceu... Continua a passar horas na rua, fazendo tiro com arco, lançando papagaios de papel feitos por ele e boomerangs, fazendo competições de bicicleta contra ele mesmo (marcando records no seu relógio), andando a cavalo... mas já não é uma criança.

Na sua mente e no seu coração, amadurecem pensamentos e ideias, que partilha com amigos fiéis. Já toma algumas decisões quanto ao dinheiro, tendo uma pequena conta onde guarda o dinheiro que vai recebendo de prémios escolares e de espectáculos de magia em festas de anos. Apaixonado por física e engenharia, tem uma gaveta no quarto com pedaços de lixo, leia-se restos de objectos partidos, fios eléctricos retirados a aspiradores estragados, motores de máquinas de lavar a roupa avariadas, que de tempos a tempos transforma em máquinas da sua invenção. Aluno de excelência, não precisa que ninguém vigie os seus estudos, e esforça-se sinceramente por ser o mais prestável possível em casa. Ainda suspira discretamente quando lhe peço para dar de comer às galinhas, aspirar a sala ou passar a ferro. Mas não está escrito em lado algum que suspirar seja um problema! E é mesmo muito discretamente... O Francisco cresceu.

Vi-o regressar, na quarta-feira passada, de bicicleta da equitação. Vinha feliz e transpirado, confiante e belo. Ao entrar no portão, pegou ao colo na Sara e atirou-a ao ar, fazendo-a rir; mais à frente, respondeu com um apropriado "uau" à Lúcia, que lhe mostrou um desenho; e ainda antes de arrumar a bicicleta, teve de subir ao telhado para ir buscar a bola do António, que um chuto mais distraído (ou propositado) atirou para lá. Depois entrou em casa, com um "Olá mãe" simpático, e logo a Clarinha o chamou para lhe pedir ajuda com a Matemática. Vi o esforço que fez para responder a todas estas solicitações sem fugir para o longo banho, que gosta de tomar ao chegar da sua tarde de cavaleiro.

Mais um pouco, e o Francisco entra na universidade, encontra uma namorada, decide partir para Erasmus... Mais um pouco, e o Francisco deixa de ser meu.

Nunca foi, claro! Como todos os filhos, o Francisco é um dom que Deus me fez, um presente de amor para me ajudar a crescer.

Hoje, querido Francisco, peço para ti a bênção do Senhor com as palavras bíblicas antigas, tão antigas, de bênção, e que o teu santo padroeiro gostava de repetir:

 

"Que o Senhor te abençoe e te guarde!

Que Ele volte para ti a sua face e tenha piedade de ti!

Que Ele te mostre o seu rosto e te dê a paz!" (Nm 6, 24-26)

 

Ámen.

 

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publicado às 06:30

Nossa Senhora do Bom Conselho

por Teresa Power, em 15.05.14

Quando nos vieram visitar, os jovens do Monte Horeb e os seus fantásticos animadores, a Paula e o irmão Guillermo, do Colégio de La Salle ofereceram-nos uma belíssima imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho. A imagem é tão linda, tão linda, que não me sai do pensamento. O Niall, o Francisco e a Clarinha fartam-se de rir cada vez que me vêem parada diante dela, entronizada à entrada da nossa casa. Realmente, não consigo passar diante deste imagem de Maria com o seu Menino sem a contemplar e lhe dirigir a minha oração. Ora vejam lá se não tenho razão:

 

E agora contemplem o pormenor dos rostos... Deixem-se tocar pelo amor que circula entre Mãe e Filho:

 

Que paz, que serenidade! Jesus pressiona a sua carinha suavemente contra a face materna de Maria, ao mesmo tempo que olha para o céu, como que agradecendo ao Pai a Mãe extraordinária que Lhe deu.

 

 

E Maria, olhando para baixo, olhando para cada um de nós, desafia-nos a confiar sem limites. O nosso Salvador é o bebé que Ela segura nos braços e que a envolve em carinho; o que havemos de temer? Como podemos resistir-lhe? Como podemos ficar indiferentes a tanto amor? A ternura de Maria e de Jesus Menino é verdadeiramente inspiradora para a nossa vida familiar. Afinal, Maria é tão parecida com qualquer outra mãe, agradecida pelo dom de seu filho, e Jesus faz-me lembrar a minha Sara! Deus fez-Se realmente "Carne da nossa carne, Osso dos nossos Ossos" (Gen 2, 23), para que cada um de nós possa ser "imagem e semelhança" da Trindade (Gen 1, 26). Que mistério!

 

Esta bela imagem é uma réplica da imagem da igreja do Mosteiro de Bujedo, em Espanha. Esta escultura foi terminada em 1942 e é possivelmente a única escultura entronizada no mundo da imagem miraculosa da Virgem de Genazzano, a Mãe do Bom Conselho. Eu não conhecia a história e procurei informar-me. Meu Deus, há tantas histórias maravilhosas da nossa fé que desconhecemos! Fiquei simplesmente encantada...

A imagem original de Nossa Senhora do Bom Conselho estava exposta numa igreja da Albânia, em Scutari. Em 1467, esta cidade foi conquistada pelos turcos muçulmanos. Foi então que o milagre se deu, tendo sido testemunhado por populações inteiras tanto na Albânia, como em Itália, e reconhecido como autêntico por vários papas, entre os quais, João Paulo II: a imagem foi miraculosamente envolta em nuvens de luz e transportada da pequena igreja de Scutari para uma igreja em reconstrução em Genazzano, Itália. Esta igreja foi mais tarde elevada à condição de Basílica Menor, e nela podemos confirmar o milagre permanente desta imagem, que continua exposta à veneração dos fiéis sem que nada a suporte ou a segure à parede da igreja. As graças atribuídas a Nossa Senhora do Bom Conselho não páram de crescer!

Em 1993, João Paulo II visitou a Albânia e, como presente, ofereceu à igreja de Scutari uma réplica da imagem que de lá partira no dia 25 de abril de 1467, confirmando assim a história do milagre de Genezzano.

 

A humildade de Nossa Senhora é tão grande, que Ela conseguiu esconder-se dos nossos olhos até nas Escrituras Sagradas! De facto, os evangelhos falam muito pouco da nossa Mãe... Mas Deus tinha reservado para os cristãos este presente imenso: tornar Maria conhecida ao longo de toda a História, para que a possamos amar e, amando, receber das suas mãos imaculadas o seu Filho Jesus.

 

Agora, a imagem da Virgem do Bom Conselho está em minha casa, para que eu nunca me esqueça de a invocar, de a louvar e de a imitar... A ela entrego hoje, dia 15 de maio, as famílias do mundo inteiro, para que Maria sempre seja a sua conselheira.

 

E por falar no dia mundial das famílias... Que tal inscreverem-se no retiro de famílias? Ainda temos espaço para muitas inscrições!

 

 

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publicado às 07:07

Monte Horeb

por Teresa Power, em 14.05.14

Há alguns tempos atrás, uma leitora deste blogue contactou-nos no sentido de poder proporcionar um encontro entre a nossa família e um grupo de jovens minhotos em caminhada vocacional. Aceitámos o desafio e, no domingo, descobrimos o Monte Horeb.

A experiência Monte Horeb foi introduzida em Portugal pelos Irmãos de La Salle, em Barcelos. Durante um ano, os jovens adultos participantes são acompanhados de forma muito especial na descoberta da sua vocação. Para além de encontros mensais, fazem experiências de retiro e contactam com pessoas de diversas vocações, para melhor as conhecerem. Este ano, são sete os jovens em caminhada, e através da Paula, professora no Colégio de La Salle, tivémos o prazer de os conhecer.

 

Que grupo tão bonito! A sua alegria, simplicidade e verdade foram verdadeiramente contagiantes. Juntos, participámos na eucaristia paroquial, às 10h. A minha experiência de retiros tem-me ensinado que as pessoas mais pontuais são os que vêm de mais longe, e este domingo não foi excepção. Os nossos novos amigos minhotos chegaram à Eucaristia a tempo do ensaio de cânticos!

Depois, encontrámo-nos no parque das merendas para um alegre convívio, onde demos testemunho da nossa vocação familiar e partilhámos o ideal das Famílias de Caná. O Francisco e a Clarinha também deram o seu testemunho de adolescentes cristãos, expressando a sua alegria e a sua fé. Para mim, mãe, foi bonito escutá-los a responder com tanta simplicidade às perguntas dos jovens!

Naturalmente que não faltou uma curta sessão de ilusionismo, que nos fez a todos rir até às lágrimas. No retiro, está desde já prometida uma sessão mais longa!

Por fim, terminámos o nosso encontro rezando juntos no Santuário. Cantámos, dançámos, louvámos o Senhor em voz alta, meditámos o terço. E Deus, que faz maravilhas quando Lhe abrimos o coração e lhe oferecemos o nosso tempo, recompensou-nos generosamente com a sua alegria e a sua paz!

 

 


 

Quando nos propusémos a escrever este blogue, deixámos registada a nossa vontade de partilhar com outros cristãos a alegria da fé e do amor de Jesus. E na verdade, tem sido muito bonito ver como Deus actua através deste nosso blogue para aproximar os seus filhos uns dos outros em oração sincera. Só Ele tem poder para agir assim nos corações! 

Que este dia de oração e partilha dê frutos abundantes nestes jovens e seja também, para muitos outros jovens que nos lêem, um desafio à escuta sincera da voz do Senhor. Aliás, como Elias no monte Horeb, para onde o Senhor o desafiara a caminhar:

 

"Tendo chegado ao Horeb, Elias passou a noite numa caverna. (...) O Senhor disse-lhe então: «Sai e mantem-te neste monte; eis que o Senhor vai passar!» Nesse momento, passou por ali um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. Depois ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna." (1Rs 19, 9-13)

 

Que as palavras trocadas e os laços nascidos através deste blogue possam ser como o murmúrio de uma brisa suave, ecoando a voz do Senhor...

 

 

 

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publicado às 07:13

A missa de um jovem

por Teresa Power, em 13.01.14

Escrito pelo Francisco...

 

O meu pai contou-me que quando era estudante e estava na Alemanha, numa aldeia muito pequenina dos Alpes, nenhum dos seus colegas ia à missa. Assim ele não tinha boleia para a igreja.  Só havia uma missa em cada domingo em toda a região e, para piorar a situação, ele tinha de ir a pé, atravessando campos gelados (pois a estrada principal era muito perigosa), demorando cerca de cinquenta minutos só para chegar à igreja. No entanto fazia-o todos os domingos, sem excepcão, caminhando na neve, durante os seis meses em que lá esteve, enquanto os colegas ficavam a dormir até tarde...

 

Felizmente eu não tenho esses problemas e não vivo num país como o Iraque em que é perigoso ir à missa, como eu li num livro que adorei, O Preço a Pagar por me Tornar Cristão. Pelo contrário, da minha casa até à igreja são só três minutos de bicicleta.

Para mim, a missa é muito importante: é uma oportunidade de estarmos frente a frente com Deus. Não digo que de vez em quando não possa ser uma maçada, especialmente quando a homilia é longa... Mas não é um esforço para mim acordar cedo todos os domingos de manhã para ir à missa. Algo que ajuda muito é estar diretamente envolvido na paróquia, pois canto e toco guitarra no coro da igreja. Essa é outra razão pela qual eu sinto que sou preciso na missa.

Hoje em dia há cada vez menos jovens a ir à missa, apesar de ser tão simples e seguro para nós fazê-lo, mas eu irei sempre, nem que seja o único. Temos de aproveitar esta oportunidade que Deus nos dá.

 

 

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