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Rezar até ao fim

por Teresa Power, em 05.07.14

Oração familiar. Já passava das nove e meia da noite e ainda não tínhamos começado o terço. Insisti para que a Lúcia e o David se fossem deitar.

- Não, por favor, deixa-me rezar o terço até ao fim! - Pediram. Fui cedendo. Um mistério, outro, outro...

- Pronto, agora já rezaram três mistérios. Cama!

- Mas eu quero rezar tudo - Insistiu a Lúcia. O David aceitara a proposta e já estava a caminho do quarto.

- Olha, levas o terço contigo e acabas na cama - Sugeri à Lúcia, um pouco à pressa. - Vamos, deitar! Quando eu acabar de rezar vou dar-te um beijinho.

A Lúcia cedeu e lá se foi deitar. Acabei de rezar com o Niall, o Francisco e a Clarinha, e eis que de repente a Lúcia entrou na sala, de terço na mão e mo entregou.

- Que fazes aqui, Lúcia? - Perguntei - Pensei que te tinha dito para te deitares!

- Disseste para eu rezar na cama, eu rezei e estou a trazer o terço de volta para o cantinho de oração - Explicou-me ela - E queria que me ajudasses a rezar a Salvé-Rainha, porque não estou a conseguir sozinha!

Fiquei sem palavras durante uns instantes.

- Tu rezaste sozinha mesmo? Os dois mistérios?

- Sim, rezei. Contei muito bem as Avé-Marias. Ajudas-me na Salvé-Rainha?

Com a Lúcia ao colo e no meio de muitos beijinhos, fiz o que ela me pedia. Depois deitei-a com ternura. Nunca mais a mando para a cama sem acabar o terço! E fiquei a pensar... Terei eu a sua fidelidade à oração a que me proponho todos os dias? Ou, contrariamente à Lúcia, deito-me e adormeço sem dar a Deus o primeiro lugar?

 

 

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publicado às 07:29

Férias sem preguiça

por Teresa Power, em 04.07.14

Segunda-feira estive o dia inteiro a fazer as matrículas da minha direcção de turma, ao mesmo tempo que entregava as avaliações. A maior parte dos pais vieram acompanhados dos filhos, por isso tive oportunidade de conversar com os meus alunos.

- Que tal as férias? - Perguntei a cada um.

Eles encolhiam os ombros e respondiam quase invariavelmente:

- Uma seca!

- Então porquê?

- Não há nada para fazer! Durmo até ao meio-dia, depois vejo televisão, jogo computador, vou ao Face, e pronto! Estou sozinho em casa...

 

Quando regressei a casa, no final do dia, a Clarinha tinha duas surpresas para mim. A primeira era uma linda bolsa de pano para o meu telemóvel, feita com muito carinho na sua máquina de costura:

 

A segunda era esta bela dezena de elásticos:

 

Adorei as minhas prendas, claro! E entusiasmei a Clarinha: porque não fazia ela mais algumas para oferecer e até, quem sabe, vender entre amigos? Ela achou a ideia muito boa. Chamou uma amiga, a Marta, e puseram mãos à obra!

 

Passaram algumas tardes à volta dos elásticos:

 

Fizeram muitas dezenas e ainda um belíssimo terço:




Já repararam que cada Pai-Nosso é uma letra do nome Jesus? Jesus é, na verdade, o centro da oração do Rosário, o centro de cada Avé-Maria! 

Ontem, as duas amigas descobriram que também podiam fazer terços com missangas e fios, e bolsinhas para os guardar. Os crucifixos são em feltro:

 

 

 

Agora resta pedir ao senhor padre para vir até cá fazer-nos uma visita simpática e abençoar, com os seus super poderes, estes belos auxiliares de oração. Depois, ao serão, iremos passar estas lindas missangas entre os dedos ao som das Avé-Marias... A Clarinha já sabe a quem quer oferecer as suas lindas obras de arte. E no seu coração generoso já decidiu que vai levar algumas para os retiros Famílias de Caná, para as poder vender, e assim ajudar a cobrir alguns pequenos gastos com material. Bem, se quiserem que ela vos ofereça algum terço, peçam para o mail!

 

As férias não têm de ser "uma seca"! Sim, nas férias é importante começar por nos aborrecermos um bocadinho, com a quebra do ritmo escolar. Mas não nos precipitemos a matar esse aborrecimento com a televisão ou o computador! Utilizemo-lo como espaço de criatividade. Deus dotou-nos a cada um com cerca de cem biliões de neurónios, o que, traduzido da biologia para a engenharia, equivale a mais de quatro mil computadores novinhos em folha. Não nos queixemos de faltas de ideias! A preguiça sempre foi tradicionalmente considerada um dos sete pecados capitais, porque na verdade, ela abre a porta ao Maligno. A Bíblia é muito clara na sua condenação da ociosidade:

 

"Até quando dormirás tu, ó preguiçoso? Quando te levantarás do teu sono?" (Pr 6, 9)

 

Férias é tempo de descanso, de quebra de ritmo, de mudança de rotinas, de tirar o relógio do pulso, de divertimento e de aventura; mas férias não é tempo de preguiça! Desafiem os vossos artistas a meter mãos à obra. Neste post já deixei algumas sugestões para a construção de terços artesanais. Hoje ficam mais algumas. Enviem as vossas fotos!

 

E por falar em Famílias de Caná... De que estão à espera para se inscreverem no retiro?

 

 

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publicado às 07:45

A cruz e as rosas

por Teresa Power, em 27.05.14

No fim do retiro, a Olívia tinha um presente para nós: uma dezena do rosário lindíssima, adquirida junto de uma amiga, a Isabel Figueiredo. O que me surpreendeu nesta dezena, mais ainda do que a beleza de cada conta e da forma como estão ligadas, foi o crucifixo. Ora vejam com atenção:

 

Sim, é uma roseira! A Olívia recordava-se do post sobre a poda das roseiras, que escrevi na quaresma passada, e da reacção dos meninos aos espinhos das rosas. E assim, pediu à sua amiga que rematasse a linda dezena com um crucifixo em forma de roseira. Domingo à noite, antes a procissão de Nossa Senhora Auxiliadora, o senhor padre abençoou esta dezena, e foi com ela entre os dedos que rezei.

Para colhermos as rosas que nesta altura do ano iluminam o nosso jardim, precisamos de não ter medo dos espinhos. Às vezes, eles ferem-nos os dedos e deixam que uma gota de sangue caia na terra. Mas que importa isso diante da beleza de cada rosa? Com um encolher de ombros, limpamos o sangue e concentramo-nos no perfume. No jardim, onde crescem ao sol, ou no Canto de Oração, onde alegram o pequeno altar de Maria, tudo nas rosas nos fala de alegria, de cor e de luz. Quem se lembra dos espinhos então?

 

Na sua primeira homilia papal, a 14 de março de 2013, o Papa Francisco recordou-nos:

 

"Quando professamos um Cristo sem cruz não somos discípulos do Senhor"

 

Na verdade, a cruz onde Jesus nos amou até ao fim tornou-se para nós em Árvore da Vida, e é esse o mistério pascal, que celebramos de forma mais intensa nestes dias. Temos problemas financeiros, profissionais, e até familiares? Custa-nos a rotina diária, o cuidar da família, o cuidar dos outros? Estamos doentes? O teste correu mal? O Pantufa fez um arranhão? O amigo magoou-nos? Dói a cabeça? A mãe ralhou sem razão, e o professor também? O filho fez-nos perder a paciência? Choveu durante todo o piquenique? Que alegria, podermos partilhar alguns dos espinhos que coroaram o nosso Rei! Pois se a sua coroa floriu, a nossa também florirá. Se partilharmos o seu trono (já sabem cantar aquele pequeno refrão sobre a realeza de Jesus?), com Ele reinaremos também. Disse Jesus - e neste tempo pascal já escutámos estas palavras na Eucaristia:

 

"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por Mim." (Jo 14, 6)

 

Parece-me importantíssimo ensinarmos os nossos filhos - e vivê-lo nós também - este grande mistério: tudo, tudo, tudo pode ser, na nossa vida, fonte de alegria, desde que realizado com amor e por amor, em íntima união com o Amor, que por nós deu a vida numa cruz. É este o segredo da felicidade cristã, a razão profunda que faz com que os cristãos estejam sempre alegres!

 

No meu jardim, e no meio de muitos espinhos, as roseiras estão em flor...

 

É agora que se inspiram para fazer as vossas dezenas ou os vossos terços caseiros?...

 

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publicado às 08:43

Terço - um tempo para o fazer, um tempo para o rezar!

por Teresa Power, em 02.05.14

No nosso Canto de Oração, temos terços e dezenas (dez contas para rezar a Avé-Maria) de todas as formas e feitios. Alguns foram comprados, outros foram feitos por nós, outros feitos por amigos e oferecidos. Alguns estão partidos, outros ainda inteiros. Tudo depende de quem os segura durante a oração! É que, se alguns de nós passam as contas pelos dedos com calma e cuidado, outros enrolam-nos nas mãos ou deixam-nos cair; e de vez em quando, já me apercebi de que o Francisco treina alguns gestos de "manipulação de objectos" necessários para o seu ilusionismo durante a nossa oração familiar (embora ele jure a pés juntos que nunca tal fez)!

 

Maio é o mês de Maria e, assim, o mês do terço. Se ainda não experimentaram rezar o terço em família aí em casa, Maio é um bom mês para começar! Foi realmente em Maio que, há muitos anos atrás, nós decidimos rezar o terço com as crianças, na altura apenas o Francisco e a Clarinha. A catequista do Francisco, que frequentava o primeiro ano de catequese, sugeriu aos meninos para rezarem o terço. Ao chegar a casa, o Francisco transmitiu o recado, e nós apercebemo-nos então de que talvez já fosse tempo dele se juntar à nossa oração. E assim foi! A partir daí nunca mais receámos que as crianças fossem demasiado novas para se unirem à oração do terço. Aliás, quando Nossa Senhora pediu aos pastorinhos para rezarem o terço todos os dias, a Jacinta tinha apenas sete anos! Eu confio na sua intuição materna.

 

Claro que, enquanto eles são pequeninos, não nos preocupamos com o seu grau de atenção ou com as brincadeiras que vão fazendo enquanto rezam. Queremos sobretudo que eles tenham gosto em nos acompanhar na nossa oração e a sintam como importante na sua vida, mesmo sem perceber exactamente o que nela acontece. À medida que crescem, procuramos que se concentrem nos mistérios e nas palavras que rezamos, para que a oração desça dos lábios ao coração. E assim, cheios de imperfeições e de boa vontade, lá vamos caminhando.

 

Fazer terços ou dezenas com as crianças é uma óptima forma de despertar o seu interesse por esta magnífica oração. The Catholics Next Door ensinam-nos a fazer terços com nós de uma forma muito simples e bonita. Para aprenderem com eles, através de um vídeo ou de instruções escritas e desenhos, podem clicar aqui.

A Vera e a Lurdes, duas magníficas educadoras de infância e catequistas da nossa paróquia, fizeram terços a partir de missangas com as crianças do último retiro para famílias. E quando vieram participar nesse mesmo retiro, a Rute, o Serge e os seus três filhos ofereceram a cada um dos nossos filhos uma dezena feita por eles. Fotografei todas estas dezenas para vos mostrar:

 

 

Gosto especialmente da dezena feita com botões. Temos sempre tantos botões perdidos em nossas casas! Esta é uma óptima forma de os reutilizar. A Rute fez os crucifixos a partir de um cinto de cabedal velho, que cortou e trabalhou com arte. Tirei uma foto mais de perto para vos inspirar a fazer as vossas próprias dezenas:

 

Agarrem o desafio, façam um terço ou uma dezena com as crianças, usando nós, missangas, botões ou o que quer que a vossa criatividade vos sugira, e enviem a foto para o meu mail, que eu encarrego-me de a publicar aqui no blog! Possamos todos, neste mês de Maio, honrar a nossa Mãe e Mãe de Jesus, rezando-lhe com fé e alegria. Ámen!

 

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publicado às 08:43

Qual é a história hoje?

por Teresa Power, em 04.02.14

Oração familiar. Sentados nos banquinhos de cortiça, rezamos em silêncio. Depois peço ao Francisco para distribuir os terços, enquanto vamos partilhando intenções de oração: pela paz, pelos doentes que nos pediram oração, pelos nossos amigos, pelas Famílias de Caná...

- Qual é a história hoje? - Pergunta o David.

- Queres dizer, quais os mistérios que vamos meditar? - Corrijo.

- Sim, é a mesma coisa - Explica ele, encolhendo os ombros.

 

Rezar o terço é uma das maiores fontes de graças que conheço. E conheço não por ouvir falar, mas por experimentar na minha vida pessoal e na vida da minha família.

Uma dessas graças é aprender a meditar na "história" de Jesus, episódio a episódio, o mesmo é dizer, mistério a mistério. Quando rezamos o terço, desenvolvemos uma relação dinâmica com o Senhor: hoje pensamos em Jesus criança, amanhã meditamos na sua vida adulta, do seu baptismo no Jordão até áquele anoitecer magnífico e terrível de quinta-feira santa em que nasceu a Eucaristia; depois acompanhamos Jesus carregado com a sua e a nossa cruz, e assistimos, de pé, com Maria, à sua morte de amor; por fim, exultamos com a sua ressurreição e, como os apóstolos, damos por nós a olhar para o céu, à espera do seu regresso glorioso. São os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos do rosário.

Quem reza o terço diariamente, no final de cada semana vai dar-se conta de ter passeado por todo o evangelho e de ter feito companhia a Jesus em todos os momentos da sua vida, dos mais bonitos aos mais dramáticos. Sem o terço, corremos o risco de nos centrarmos apenas num ou outro ponto da sua vida e de relegar os outros apenas para os tempos fortes do ano litúrgico. Mas Jesus quer ser amado e adorado em toda a sua existência humana, desde o momento precioso em que incarnou no seio de Maria. Jesus bebé, Jesus menino, Jesus adulto, Jesus glorioso. Jesus.

 

- Hoje vamos meditar nos mistérios gozosos - Respondo ao David.

- É a história de Maria e de José?

- Sim, essa mesma - Acrescento, sorrindo.

Pegamos nos terços e começamos a rezar.

 

 

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publicado às 08:55

Avé Maria

por Teresa Power, em 03.12.13

Tal como combinado, o David lê um pedacinho do Novo Testamento todas as noites, depois do jantar. Ontem leu o Nascimento de Jesus, em Lucas 2, e hoje pediu-me para encontrar a passagem sobre Maria grávida. Coloquei-lha nas mãos e deixei-o sozinho com a Palavra, enquanto fui deitar os três mais pequenos. Quando regressei para junto dele, o David estava muito entusiasmado:

- Mamã, sabes que o anjo já sabia rezar a Avé-Maria? Olha aqui, lê comigo:

 

"Avé, cheia de graça, o Senhor está contigo!" (Lc 1, 28)

 

Expliquei-lhe então que, na verdade, o anjo Gabriel foi o primeiro a rezar a Avé-Maria. Em conjunto, descobrimos depois que Isabel, a sua prima, completou as palavras do anjo com o seu cumprimento a Maria:

 

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!" (Lc 1, 42)

 

O David estava feliz com a sua descoberta. Acho que percebeu por que razão é tão importante rezar a Avé-Maria: se os anjos o fazem, se santa Isabel o fez, quem somos nós para não o fazer? Rezar a Avé-Maria é uma inspiração do Espírito Santo, como S. Lucas nos diz (cf. Lc 1, 41).

Com o seu terço na mão, o David foi repetindo "Avé-Maria" e acompanhando a oração familiar, até serem horas de ir para a cama. E nós lá continuámos, "Avé- Maria..."

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publicado às 22:00



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