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A Barbie e Maria de Nazaré

por Teresa Power, em 13.05.14

A Lúcia recebeu uma Barbie na sua última festa de anos. Foi uma amiga muito querida que lha deu, e que a escolheu com carinho na loja. Assim, a prenda foi recebida com alegria e, pela primeira vez na sua curta vida, a Lúcia teve uma Barbie. Como qualquer menina de cinco anos, ficou delirante!

Acontece que a Barbie não é apenas uma boneca: a Barbie é uma antropologia. Ela foi pensada para fazer passar uma imagem bem definida de mulher. A Barbie não é uma criança, mas uma mulher adulta jovem, com o corpo delgado, o peito grande e bem desenhado, os cabelos longos e belos, o olhar sedutor. A Barbie usa saltos altos, carteira, óculos escuros e maquilhagem. A Barbie está sempre na moda. A Barbie é elegante. A Barbie é bonita. A Barbie é magra. A Barbie é uma super-modelo, desfilando nas passerelles da imaginação.

 

Durante uns tempos, a Lúcia brincou com a sua Barbie, embora nunca sabendo muito bem o que fazer com ela. Não lhe podia mudar a fralda nem dar o biberão, como ao nenuco; não podia sentá-la na "escola" e ensiná-la a desenhar, como à "Mariana", uma boneca com a aparência de uma criança de dez anos; não podia abracá-la e dormir com ela, como faz com a sua boneca de pano.

Da minha parte, nunca a proibi de brincar com a Barbie. Ela foi-lhe oferecida com carinho e quero que a Lúcia aprenda a reconhecer o afecto de quem dá, mais do que o valor do objecto em si mesmo.

Contudo, também nunca a encorajei. Sempre que brincava com a Lúcia, dizia-lhe que gostava mais de brincar com o nenuco e as outras bonecas, pois eram mais divertidas e podíamos fazer mais coisas com elas. Na verdade, que necessidade tem uma criança de cinco anos de brincar com uma boneca adulta? Como funciona, em termos psicológicos, a identificação entre as duas? Que sonhos futuros, que idealizações da vida adulta, que propostas de valores está a Barbie a oferecer nas nossas casas? Vestindo e despindo a Barbie, que pensamentos povoam a imaginação das nossas filhas? Será que a Barbie desafia as meninas a serem trabalhadoras e alegres, a serem mães de família ou a dedicarem as suas vidas a fazer os outros mais felizes? Não despoletará a Barbie frustrações inúteis por não alcançarmos um ideal de beleza inatingível - e indesejável? Olhando à nossa volta, nos recreios das nossas escolas, são cada vez mais - e cada vez mais novas - as meninas que procuram imitar o ideal de sedução da Barbie.

 

Tal como referi em relação aos livros, também em relação aos brinquedos precisamos de estar atentos ao conflito entre valores do mundo e valores cristãos. Ajudemos - sem proibir nem causar perturbação, naturalmente - as nossas crianças a escolher os brinquedos que as fazem crescer em harmonia!

A Barbie está esquecida na gaveta das bonecas e já pouco sai para brincar com a Lúcia. A novidade perdeu-se.

Ontem, a Lúcia passou a ferro as roupinhas dos seus bebés:

 

Depois, vestiu-os todos com roupas lavadas e levou-os a passear:

 

 

Abrindo a Bíblia no Livro dos Provérbios, meditei na imagem de mulher que procuro ser e que desejo que as minhas mulherzinhas venham a ser. É uma imagem muito diferente da Barbie e muito mais parecida com Maria de Nazaré. É uma imagem de mulher sábia, trabalhadora, sorridente, forte, corajosa, confiante, sem medo do trabalho, sem medo do futuro, atenta ao Senhor:

 

"Uma mulher de valor, quem a poderá encontrar? O seu preço é muito superior ao das pérolas. (...) Ela pensa num campo e adquire-o, planta uma vinha com o ganho das suas mãos. Cinge fortemente os seus rins e os seus braços têm sempre força. A sua lâmpada não se apaga durante a noite. (...)

Fortaleza e graça são os seus adornos. Sorri perante o dia de amanhã. Abre a boca com sabedoria, tem na língua instruções de bondade. Vigia o andamento da casa e não come o pão da ociosidade. Os filhos levantam-se a felicitá-la, o marido ergue-se para a elogiar." (Pr 31, 10-31)

 

Foi a Mulher forte e sábia por excelência que apareceu em Fátima, no dia treze de Maio de 1917. E com a sua sabedoria simples, ensinou três pastorinhos a rezar e a amar sem limites. A Jacinta e a Lúcia não foram "Barbies"; foram santas. A sua beleza não foi exterior, mas interior. E que beleza! Leiam as Memórias da Irmã Lúcia, I e II, as primeiras sobre as aparições, as segundas sobre a vida familiar da Lúcia... As Barbies passam. As santas iluminam o céu da humanidade como estrelas cintilantes a brilhar na noite.

Neste mês de Maio, mês de Maria, rezemos pelas nossas meninas, para que cresçam em sabedoria, graça, fortaleza e simplicidade como a nossa Mãe e modelo,  a Rainha dos Céus. Ámen!

 

E por falar em Maria: já fizeram os vossos terços artesanais? Enviem fotos para eu publicar!

 

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publicado às 06:57


2 comentários

De Glória a 13.05.2014 às 23:39

Em resposta a Fm...
Com o devido respeito, penso que terá entendido mal as palavras da Teresa. Em momento algum o texto manifestou radicalismo \"anti-barbie\", pelo contrário, a única radicalidade é a do amor. Em momento algum pôs em causa a possibilidade de um bom desempenho acadêmico ou profissional... O que está em causa são as referências e modelos sociais e nisso, o seu comentário até acaba por reforçar a opinião da Teresa. A título de exemplo, penso que não deveria ser a barbie (o facto de a ter) o determinante da integração/socialização. E as que não tinha barbies, tiveram aceitação \"do grupo\"? De facto o seguir a maré é confortável à primeira vista mas a grande marca que deixa é o problema de ofuscar todo o nosso belo interior que nós proprios deixamos de conhecer e tememos expor, apenas para seguir e ser como o resto do mundo...

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