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A Imaculada Conceição e a lei do aborto

por Teresa Power, em 09.12.14

No dia da Imaculada Conceição, na nossa paróquia acontece também a bênção das grávidas. É um momento muito bonito da Eucaristia, em que as mães que aguardam o nascimento dos seus filhos inclinam as cabeças para receber a bênção, geralmente diante do altar.

- Fiquei nervoso quando ouvi o senhor padre anunciar que ia abençoar as grávidas - Disse-me o Niall na brincadeira - É que estava muito curioso para ver se tu te ias aproximar para receber a bênção!

Dei-lhe um encontrão divertido.

- Não gozes!

O Niall piscou-me o olho. Não, desta vez, a bênção não foi para mim!

 

Mas também não costuma ser para muita gente. É triste ver como são pouco numerosas as mulheres grávidas no nosso país, que está cada vez mais envelhecido. Falta riso, falta choro, falta o barulho alegre das crianças e dos bebés nas Eucaristias, nas praças, nos parques infantis, e até nas escolas. Já contei aqui no blogue a surpresa que foi encontrar tantos bebés na Irlanda, e como até o próprio ar parece diferente quando soam por todo o lado as suas gargalhadas.

É difícil criar um filho em Portugal. Eu tenho seis, e não tenho direito a abono de família, por exemplo!

Mas é muito fácil matar um filho em Portugal. Se o filho tiver menos de dez semanas de vida no útero, basta assinar um papel e tomar uns comprimidos. Já está. Tudo pago com o dinheiro que não chega para pagar os abonos de família; passando à frente de quem aguarda operações para melhorar a sua vida.

Tenho uma amiga que um dia, grávida do quarto filho e num grande sofrimento psicológico, decidiu abortar. Dizia-me ela:

- O aborto é legal, por isso posso fazê-lo, embora me custe muito.

Respondi-lhe que sim, que o aborto era legal de acordo com a lei dos homens; mas o referendo português não alterara uma vírgula na Lei de Deus.

 

No final da Caminhada pela Vida, no passado dia 4 de Outubro, foi apresentada uma proposta de lei que visa conseguir algumas alterações à lei do aborto. Por exemplo, não permitir que o aborto seja equiparado a uma gravidez a nível de subsídios e isenções; propor realmente alternativas à mulher que quer abortar, e alternativas válidas, de apoios existentes a todos os níveis; não ouvir apenas a mulher grávida, mas conversar também, sempre que possível, com o pai ou com familiares que possam ajudar a gravidez a ir para a frente; e muitas outras pequenas alterações, mas capazes de obter grandes resultados. Talvez a minha preferida seja esta: exigir que a mulher grávida veja uma ecografia do seu bebé antes de abortar...

São precisas 35 mil assinaturas para que esta iniciativa legistativa possa ser entregue no parlamento e levada a plenário. A recolha de assinaturas acontecerá até ao fim deste mês, pelo que todos precisamos de nos empenhar nesta causa.

O Papa Francisco tem repetido muitas vezes uma ideia fundamental, quando se fala em aborto: este tema não é religioso, mas científico. Não há dúvida alguma - embora a cegueira de alguns não tenha limites - de que uma pessoa é uma pessoa desde o momento da sua concepção, sendo essa a única fronteira temporal capaz de marcar o início da vida humana. Todas as outras distinções - mórula, embrião, feto, bebé, criança, jovem, adulto - são pontos marcados mais ou menos arbitrariamente numa recta contínua.

Se quiserem assinar e recolher assinaturas para esta proposta de lei, façam-no aqui.

Entretanto, fiquemos com a alegria exuberante dos bebés Jesus e João Baptista, que se cumprimentaram ainda no seio das suas mães, Maria e Isabel:

 

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Quando soou em meus ouvidos a voz da tua saudação, o bebé saltou de alegria no meu ventre." (Lc 1, 42-44)

DSC00088.JPG

Que os bebés portugueses ainda não nascidos não cresçam com medo de morrer, mas antes saltem de alegria no ventre acolhedor de suas mães. Ámen!

 

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publicado às 06:24


16 comentários

De Isabel Prata a 10.12.2014 às 09:01

Eu votei sim.

Deixo aqui 2 depoimentos de 2 padres católicos que recolhi na altura e que vão de acordo ao que penso



Creio que é compatível o voto na despenalização e o ser - por pensamentos, palavras e obra - pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto. O "SIM" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, embora haja sempre doidos e doidas para tudo.

Frei Bento Domingues, Público, ontem. Retirado daqui


Nesta magna questão, há níveis diferentes de debate, concretamente o jurídico-penal e o moral. Sem esquecer os aspectos biológicos, o problema moral e as suas raízes filosóficas e religiosas, o que se pergunta é se a mulher que aborta, num determinado quadro legal - se cumprida, a actual lei bastaria -, deve ser penalizada.No seu drama, em lugar de uma punição penal, do que ela precisa sobretudo é de solidariedade. Estão a sociedade e a lei dispostas a apoiar eficazmente a mulher e, concretamente, a grávida?Este apoio tem de traduzir-se em educação, prevenção, aconselhamento, combate à pobreza e exclusão, co-responsabilização do homem, incentivos à família e à natalidade. Também para que despenalização se não confunda com liberalização nem se torne método contraceptivo.


Padre Anselmo Borges no DN de Domingo

De Bruxa Mimi a 11.12.2014 às 08:35

Eu votei não (lendo o meu comentário anterior dá para perceber porquê, certamente). Percebo que haja ou tenha havido "boas intenções" na defesa do sim, nomeadamente o tentar "evitar o sofrimento redobrado na mulher que aborta/ou", mas, muito sinceramente, duvido que alguma mulher que tenha abortado depois da lei ser posta em prática esteja mais descansada ("afinal, nem é crime, porquê o stress...") do que uma mulher que tenha abortado anteriormente.

Haveria tanto para dizer, mas não tenho tempo nem seria, de certeza, a pessoa mais eloquente para o fazer. De qualquer maneira, a proposta de lei que é divulgada neste post não tenta que a lei volte atrás na despenalização. O que se tenta é que deixe de ser como ir às compras ("É um aborto, se faz favor.") ou marcar umas férias de duas semanas... às custas dos impostos que todos pagamos (ou deveríamos pagar). O que se tenta é que se deixe de equiparar a situação da mulher que quer abortar com a situação da mulher que quer continuar grávida. Desejo que os meus impostos sejam tão canalizados quanto possível para ajudar grávidas em dificuldades e não para suportar os custos de um aborto de uma mulher que até tem dinheiro para o pagar, mas, ó que conveniente!, o Estado oferece! A proposta tenta ainda outras coisas, que li e com as quais concordo, mas que não posso aqui referir (recomendo a leitura).

De Isabel Prata a 11.12.2014 às 08:43

Desculpe-me a sinceridade mas não sei como é que uma mãe pode pensar que outra mãe faz um aborto como "quem vai às compras". Se é assim é de dizer "Deus nos livre destes católicos".

De Teresa Power a 11.12.2014 às 09:18

Oh, Isabel, seria tão bom se todas as mães fossem pessoas bem formadas, como a Isabel! Eu trabalho numa escola secundária, e já trabalhei em muitas outras, e infelizmente digo-lhe que muitas meninas-mães não se dão conta sequer de que "aquilo" é um filho... O comprimidinho resolve tudo tão depressa, que não dá para pensar muito sobre o assunto... O que se pretende com esta proposta é simples: não deixar que "despenalização" seja equivalente a "facilitação". Tornar as coisas um pouco mais difíceis, obrigando a adolescente grávida ou a grávida adulta a reflectir, em companhia (e não sozinha), sobre a verdade do que está a viver. E a verdade é só uma: ela tem dentro de si o seu filho a lutar pela vida. Ab

De IsabelPrata a 11.12.2014 às 13:19

eu não sou mais bem formada do que a maioria das pessoas. O maior problema dessas adolescentes é que muitas vezes as mães delas já as tiveram (como poderiam não ter tido) sem terem a noção de que aquilo é um filho ou uma filha. E o problema eterniza-se geração após geração.

De Bruxa Mimi a 11.12.2014 às 20:48

Isabel, usei uma expressão exagerada propositadamente! Claro que não acho que haja alguma mulher para a qual os dois atos sejam equivalentes, mas a verdade é que podendo-se abortar livremente (porque se pode, sem ter de apresentar a mínima justificativa), isso leva à desvalorização do ato.

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