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As grutas do Senhor

por Teresa Power, em 20.02.15

No domingo passado fizemos um passeio em família às Grutas da Moeda, a dois quilómetros de Fátima. Naturalmente que antes, cumprimentámos Nossa Senhora no seu Santuário!

A Lúcia e o António iam com algum receio:

- Vamos andar debaixo da terra? E há lá minhocas?

- Não, Lúcia, são buracos muito grandes por isso há lá toupeiras. Há lá toupeiras, mamã?

- Não, António, nem minhocas nem toupeiras!

- Então só há moedas?

- Moedas?

- Não disseste que são grutas de moedas?

- Bem, moedas é capaz de haver. Depois tu vês!

Mas quando o António e a Lúcia chegaram às grutas e descobriram que podiam descer em pé, em túneis iluminados e de mão dada com o pai e a mãe, o medo dissipou-se!

Visitámos uma sala conhecida por "Sala do Presépio", dada a semelhança das figuras do presépio com as estalactites:

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 E vimos um crocodilo com muitos milhares de anos, ali no meio de um lago subterrâneo, onde realmente não faltavam moedas:

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Vimos colunas com trinta mil anos, e descobrimos que cada centímetro de estalactite ou estalagmite leva cem anos a formar...

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 - Não sabia que debaixo de terra podia haver uma coisa assim! - Exclamava a Lúcia, de mão na minha mão.

- É verdade, Lúcia, lá em cima só vemos chão, e quando descemos um pouco, descobrimos esta maravilha!

Entretanto, o guia explicava-nos:

- Estas grutas foram encontradas por acaso, por dois caçadores em 1970 que perseguiam uma raposa...

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Quando Samuel foi ungir David Rei de Israel, Jessé apresentou-lhe os seus sete filhos, antes de finalmente chamar o mais novo, o pastorinho. Enquanto via desfilar diante de si cada um destes filhos, Samuel escutava no seu coração a voz do Senhor:

 

"Que não te impressione o seu belo aspeto, nem a sua alta estatura, pois Eu rejeitei-o. O que o homem vê não importa; o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16, 7)

 

Finalmente, Samuel viu David, ainda com cheiro a ovelha, despenteado e pequeno. E logo o Senhor lhe sussurrou:

 

"Ei-lo, unge-o: é esse." (1Sm 16, 12)

 

Dentro de cada um de nós, sob a roupagem do nosso corpo, da nossa vida, das nossas rotinas e ocupações, existe uma gruta que só Deus conhece e só Deus sabe construir.

Dentro da História Universal, sob a roupagem dos acontecimentos, das guerras, dos acordos, das épocas, das artes e das ciências, o Reino de Deus vai crescendo em segredo. E se a História se mede em horas, anos e séculos, o Reino de Deus, como as Grutas da Moeda, mede-se numa unidade cronológica diferente - que nem sequer é uma unidade geológica ou astronómica, mas antes divina...

 

"Mil anos, diante de Ti, são como o dia de ontem, que passou."

(Sl 90/89)

 

Quaresma é tempo de desviar um pouco o olhar do exterior e de o concentrar no interior, nas grutas belíssimas que só o Senhor sabe fazer, em nós, nos outros, no mundo e na História. Quaresma é tempo de trabalhar na Catedral divina que Deus quer construir na nossa vida.

Não podemos encontrar estas grutas enquanto não descermos. Quaresma é também tempo de descer... Tempo de nos humilharmos diante do Senhor, descobrindo o nada que somos, o pecado que fizemos, e o Tudo que Ele é. E a escada perfeita para entrar nesta gruta divina é o sacramento do Perdão.

Quaresma é tempo de esperança. Um centímetro a cada cem anos, e as grutas estão aí, belas, imponentes, deslumbrantes. Contra todas as aparências e as previsões, também a nossa história pessoal e a História do mundo serão um dia uma bela gruta, ricamente trabalhada para glória de Deus... Acreditamos nisto?

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publicado às 06:30


1 comentário

De Sara a 20.02.2015 às 09:55

Wow, lindo!

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