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Conjugando o verbo amar

por Teresa Power, em 28.02.15

- Sabes, mamã, a minha melhor amiga é a Leonor. - Diz-me a Lúcia, enquanto a ajudo no banho. Geralmente, durante a hora do banho dos mais novos temos sempre conversas muito profundas.

- Ai sim? Nunca tinha ouvido falar na Leonor!

- Pois não. Ela é nova na escola.

- E já é a tua melhor amiga?

- Sim. Quando ela chegou à escola, ela veio ter comigo e perguntou: «Queres ser a minha melhor amiga?» Eu respondi: «Quero!» E agora somos as melhores amigas.

DSC00106.JPG

 A conversa da Lúcia acordou em mim memórias queridas da infância. Recordo com nitidez a escolha de cada uma das minhas "melhores amigas", e todas elas foram feitas da mesma forma, pelo menos até aos meus dez, onze anos. Uma decisão. A minha primeira "melhor amiga" tinha os cabelos tão longos, tão longos (tão diferentes dos meus, curtinhos e rebeldes), que me lembrava uma princesa dos contos de fadas. Quem não queria ser amigo de uma princesa? A segunda era a minha vizinha de cima, pelo que dava muito jeito sermos melhores amigas, para aproveitarmos bem todo o tempo juntas. A terceira era a minha vizinha de baixo. Decisões tomadas instantaneamente, e alimentadas todos os dias com muita brincadeira.

 

O amor é sempre uma decisão. Na base de qualquer relação de amor ou amizade podem estar as mais variadas razões - incluindo a semelhança do amigo ou amado com um príncipe ou princesa de conto de fadas... - mas depois de feita a escolha, é preciso alimentá-la diariamente, através da decisão. Amar é agir, fazer, atuar; porque amar é um verbo, tal como Deus é Verbo - o Verbo feito carne (Jo 1, 14).

Custa, manter a fidelidade a um amor que se sente como passado? Custa, amar sempre, e amar quem não merece ser amado? Custa amar os colegas de trabalho menos simpáticos, os amigos que nos magoaram, os alunos insolentes, os vizinhos barulhentos? Custa alimentar a amizade com os amigos distantes, não esquecendo as datas importantes e oferecendo o nosso serviço? E no entanto, se não amarmos, nunca conheceremos a verdadeira alegria... Um ato de vontade, uma decisão, e uma oração: "Senhor, ajuda-me a amar! Senhor, dá-me a alegria de amar..."

Nos Evangelhos, este verbo "amar" está no imperativo:

 

"É este o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei." (Jo 15, 12)

 

 

 

 

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publicado às 06:22


4 comentários

De Bruna Bastos a 28.02.2015 às 16:23

Teresa querida,
Essa historia da Lúcia me lembra de quando minha irmã mais nova, a Bárbara, chegou em casa contando de sua melhor amiga, que foi escolhida porque tinha a sandália igual a dela... Hahahah aos 4 anos e na infância, as decisões são levadas a sério, assim como as promessas feitas e a gratuidade da confiança.
Quero ser mais como criança, me libertar desse amor "sentimento" e alimentar sempre o Amor decidido, que tanto nos liberta e nos faz constantes e comprometidos.

Abraços em todos ! Sempre rezando por vocês!

De Teresa Power a 28.02.2015 às 17:30

Também rezamos por ti todos os dias, Bruna! :)

De Patrícia C. a 28.02.2015 às 21:17

para mim está é, ou deveria ser, a mensagem central. Se ela for cumprida, tudo o resto encaixa. Mas por vezes é tão difícil... Claro que é difícil amar quem nos desgraça ou quem nos é difícil respeitar por terem valores tão diferentes dos nossos. Mas tb e mto difícil,por vezes, "amar" quem de facto amamos (filhos, pais, cônjuges..). Não é difícil ama-los no abstracto, mas no.concreto dos quotidianos, no cansaço, na rotina. Isto é um grande desafio. Tento parar muitas vezes ao longo do dia, quando esse "amar" fica difícil, e lembrar-me da "big picture ": este é o meu,projecto de vida, a minha família...devo tratá-lá como do mais precioso se tratasse..
Desculpe o testamento, ainda são as hormonas!! ;)

Bjs e bom domingo!

De Teresa Power a 28.02.2015 às 21:24

As hormonas parecem ser bastante inspiradoras, Patrícia! Um beijinho à Teresinha! Ah, o cansaço... Torna tão difícil amar! Eu sei bem do que fala :)

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