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Desfazendo o feitiço

por Teresa Power, em 04.09.14

- David, vem tomar o pequeno-almoço!

- Espera!

- Agora!

- Espera!

O David costuma sentar-se a ler um livro na sala assim que acorda, e confesso que às vezes, na confusão dos pequenos-almoços - para mim, é a refeição mais difícil de gerir no dia inteiro - até me esqueço dele, tal é o seu silêncio à volta do livro.

- Não tenho o tempo todo! Os manos já foram brincar e tu ainda sem comer!

Zangado, o David apareceu na cozinha. Ao entrar, tropeçou e bateu com a cabeça na porta, o que o irritou ainda mais. Começou a chorar.

- Eu só queria acabar o capítulo!

- Bom dia, David - Disse o pai, tentando ser simpático.

- Calem-se todos! Estão a enervar-me! EU NÃO QUERO COMER!

- Ok, vamos fazer outra coisa - Atalhou o Niall, sem perder a calma - Vais voltar ao teu quarto, sentas-te na cama e fazes de conta que estás outra vez a acordar. Depois vens direitinho à cozinha e dás-nos os bons dias com um sorriso. Esquecemos tudo o que se passou até agora e fazemos de conta que o dia vai começar!

O David gostou da ideia. Alguns minutos depois entrou na cozinha com um sorriso bonito e deu-nos os bons dias muito bem disposto. Depois, finalmente, sentou-se para tomar o seu pequeno-almoço.

 

Escreveu Hannah Arendt, uma filósofa alemã de origem judaica (1906-1975):

 

"Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único ato do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço." (citado pelo Correio do Vouga, 3 de setembro de 2014)

 

Esta oportunidade de começar de novo, esta possibilidade de desfazermos o feitiço do mal sempre que necessário é na verdade uma das maiores graças que Deus nos concede. Que seria de nós sem o perdão contínuo de Deus? Que seria de nós sem o perdão contínuo uns dos outros?

 

"Não te digo para perdoares até sete vezes, mas até setenta vezes sete" (Mt 18, 21-22)

 

O sorriso feliz do David, ao entrar na cozinha pela segunda vez, deu-me um vislumbre da razão pela qual Deus ainda não destruiu o mundo...


 

 

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publicado às 06:54


1 comentário

De ana santos a 04.09.2014 às 14:47

E há tantas pessoas que se esqueceram que Deus nos perdoa sempre... talvez por isso hajam tantas pessoas infelizes interiormente... mesmo que aparentemente felizes. Temos que pedir perdão a Deus frequentemente, mesmo nós que sabemos que Ele está sempre disponível...

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