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Nossa Senhora do Carmelo de Coimbra

por Teresa Power, em 13.10.14

Nestes últimos dias estive a ler ao David e à Lúcia a história dos três pastorinhos de Fátima, escrita pelo padre Januário dos Santos. Como sempre, comovi-me até às lágrimas com a simplicidade e a pureza de coração das três crianças.

Recordo ainda com vívida nitidez o funeral da Irmã Lúcia, em Coimbra, onde, de lenços brancos, nos despedimos da querida vidente, “até ao Céu!” E lembro-me de como me sentia emocionada, quando era estudante em Coimbra, por viver ao lado do Carmelo. Eu imaginava então que Nossa Senhora apareceria várias vezes ali ao lado, visitando a Irmã Lúcia. Na altura, não havia qualquer notícia sobre isso, mas hoje sabemos que sim: a Irmã Lúcia foi várias vezes visitada pela Santíssima Virgem, no segredo da sua cela de carmelita. Lúcia teve oportunidade de ver aquilo em que nós acreditamos pela fé: a Mãe acompanha cada um dos seus filhos com um amor infinito, e a todos acolhe, acarinha e ama. Nos corredores do Carmelo, Maria abençoava todas as carmelitas.

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- Quando estamos a rezar no coração – Confidenciou-me outro dia a Lúcia – eu faço sempre o mesmo pedido a Jesus.

- E que pedido é esse? – Perguntei-lhe.

- Ver Nossa Senhora!

- No Céu vais ver de certeza – Respondeu o David, muito seguro de si. E acrescentou: - Que sorte a da Irmã Lúcia, já estar no Céu! Gostava tanto de já estar também no Céu!

- Ainda precisas de trabalhar muito na Terra antes de ir para o Céu – Apressei-me a dizer – Não te esqueças de que só entra no Céu quem lá construiu uma casinha!

- Eu tenho feito tantas coisas boas! A minha casa deve estar quase pronta – Continuou o David. Ele diz-me isto muitas vezes, em especial, sempre que faz uma boa acção.

- Bem, já tens alguns tijolos no Céu, mas tens ainda muito para fazer!

- O Tomás construiu a casa dele muito depressa…

- Não, o Tomás não teve tempo de construir nenhuma casa. Jesus ofereceu-lha já pronta… Mas isso, Jesus só faz de vez em quando. Nós temos de trabalhar muito para ter uma casa no Céu!

- Gostava de ir já hoje para lá! – Concluiu o David, com olhar sonhador.

Recordei o desabafo, em jeito de oração, da Irmã Lúcia, tantas vezes escutado no Carmelo:

“Minha querida Mãe, Tu disseste-me que eu tinha de ficar na Terra mais algum tempo, mas nunca pensei que fosse tanto!”

Enquanto deitava os meus filhos e lhes aconchegava a roupa da cama, dei comigo a pensar… Teremos nós sede suficiente de Deus? Teremos nós desejo suficiente do Céu?

 

“Tu és o meu Deus!Anseio por Ti!

A minha alma tem sede de ti,

como terra árida, exausta, e sem água.” (Sl 63/62)

 

A "Senhora mais brilhante do que o Sol" (como a descrevia Jacinta), que no dia 13 de outubro de 1917 se nos revelou, veio fazer-nos sentir a sede que nos lança no Céu…

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publicado às 06:45


6 comentários

De Lilian a 13.10.2014 às 08:22

Passo à porta do Carmelo todos os dias, mais que uma vez, e comovo-me ao pensar em Lúcia...

De Isabel Prata a 13.10.2014 às 15:29

Boa tarde

Cheguei a este blog a partir do Pais de Quatro. Fui educada por uma mãe católica, o meu pai nem tanto, numa família católica. Tenho 3 filhos e acho magnífico o modo como gere uma família tão numerosa (eu também sou a mais velha de 8). Mas tenho que lhe dizer que se um meu filho de 7 ou 8 anos me dissesse o que disse o David eu ficaria seriamente preocupada. Desculpe-me a frontalidade.

De Teresa Power a 13.10.2014 às 15:37

Compreendo perfeitamente o que quer dizer! A imagem que temos do céu, e que transmitimos aos nossos filhos, geralmente é uma imagem muito diferente daquilo que o céu de facto é. No PD4, onde nos cruzamos várias vezes, já li um post cujos comentários me deixaram seriamente preocupada com a forma como o céu é apresentado... Lembro-me de um comentário que dizia: "Algumas pessoas são importantes demais na nossa vida para ficarem limitadas a viver no céu"... O David é uma criança felicíssima, não tenha dúvidas, que chega a casa todos os dias sujo de lama e transpirado de jogar à bola. Não tem pensamentos suicidas! Querer ir para o céu é a sua forma de dizer que está apaixonado por Jesus e quer ver Nossa Senhora. Tão simples quanto isso. Quando lhe explico que, indo para o céu, deixa de viver na Terra, ele deixa de querer ir! Mas aos sete anos (oito acabados de fazer) não há a noção desta distinção, e as crianças são incapazes de associar o céu à morte ou separação definitiva. Mais tarde sim, e o Francisco, acredite, não tem vontade nenhuma de correr para o céu :) Ab (não sabia que andava por cá! Bem vinda então ao nosso blog!)

De Teresa Power a 13.10.2014 às 15:48

Só mais uma achega: a forma de uma criança pensar no céu foi-me clarificada quando o Tomás morreu, e eu pedi ajuda a um psicólogo para ajudar o Francisco e a Clarinha a entender a partida definitiva do irmão. Fiquei então a perceber que a noção do "sempre" ou "nunca mais" não existe para uma criança com a clareza que existe para nós. Assim, o David pode querer ir ao céu agora, porque lá é tudo tão belo e a casinha dele está pronta, e logo à noite volta para comer o bolo de chocolate. Fiz-me entender? O importante, para mim, é que ele associe o céu a tudo o que conhece de melhor, e não o tenha como um lugar chato onde os anjos cantam em coro. Bjs

De Maria Isabel Prata a 13.10.2014 às 15:56

Obrigada pelas respostas . Assim ficou mais terreno. Eu tenho uma relação complicada com a religião, uns dias sim, outros nem por isso. Por isso este blog me fascina e me causa simultaneamente estranheza.

Hoje li numa crónica do António Lobo Antunes uma "citação" do Frei Bento Domingues que achei magnífica e que se cola perfeitamente à minha pele.

"Contou-me também que não vai aos cemitérios porque não está lá ninguém.
Eu: Então onde estão as pessoas que se foram embora? o Bento respondeu-me, com aquele extraordinário sorriso que é o dele: Andam por aí e portanto andamos todos por aí."

De Teresa Power a 13.10.2014 às 21:34

Ora nem mais E obrigada por partilhar a sua estranheza! É também para isso que estamos na blogosfera :) Todos temos a nossa forma de lidar com a religião, e se mantivermos o coração bem aberto e os ouvidos bem atentos, Deus mostrar-nos-á o caminho seguro até... ao Céu! Bjs

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