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O Natal (ainda) é a festa de Jesus?

por Teresa Power, em 12.12.14

- Mamã, eu queria um robô super mega fixe no Natal.

- E eu queria um carro telecomandado!

- Tanto disparate, meninos! O David já fez anos, e o António vai fazer em Fevereiro, portanto, ambos recebem uma prenda de anos. No Natal, todos receberão um presente mais simples e pequeno, porque há outra pessoa que faz anos, não é verdade?

- Pois, é Jesus...

- Então quem precisa de prendas é Jesus, e não os meus filhos, que têm brinquedos mais do que suficientes. Já prepararam hoje uma prenda para Jesus?

- Uma estrela?

- Sim, uma estrela...

Suspiros.

- Eu dou a Jesus a estrelinha de não pensar mais no robô...

- E eu não vou fazer nenhuma birra hoje. Prometo!

- Isso seria mesmo bom. Um bocadinho de silêncio nesta casa...

- Mamã, queres fazer um sacrifício para também dares uma estrelinha a Jesus?

- Quero, António, quero sim. Tens alguma sugestão?

- Tenho: fazes o sacrifício de nos deixar ver televisão!

- ????????

DSC00164.JPG

Educar e educarmo-nos para uma vivência profundamente cristã do Advento exige um trabalho contínuo e sério. Não vale a pena deitarmos mãos ao arado se depois olharmos para trás. Não vale a pena começarmos se tivermos medo das comparações inevitáveis que as crianças vão fazer entre o seu Natal e o Natal dos seus amigos.

O Natal como Jesus o quer não está escondido algures na nossa infância. As nossas memórias de simplicidade não contam toda a verdade, pois as crianças que eramos não tinham como entender tudo o que se passava; e nem sempre a simplicidade que algumas famílias recordam estava impregnada de Deus!

O Natal como Jesus o quer está disponível hoje, aqui e agora, no nosso presente. Talvez possamos ir buscar ideias e inspiração à nossa infância; ou talvez precisemos antes de arriscar e de inventar os nossos próprios rituais familiares!

Saibamos integrar-nos com humildade e em clima de harmonia naquilo que são as tradições das nossas famílias alargadas, sem deixar de dar testemunho da nossa fé. A aprendizagem que resulta do encontro festivo da família, mesmo quando este é difícil, é muito superior aos conflitos que vão surgindo! Se forem à caixa de comentários ao post  Tempo de Família em Época de Natal, encontrarão as mais variadas sugestões para simplificar a troca de prendas nas famílias. Na família do Niall (nove irmãos e nove cunhados), no início do Advento um dos irmãos tira à sorte quem vai oferecer um presente a quem, em nome de toda a família. Assim, cada um de nós só precisa de comprar um presente, e não dezasseis.

Dentro das nossas próprias casas, contudo, não estamos dependentes de tradição alguma, e temos liberdade completa para as transformar no presépio onde Deus hoje quer incarnar e habitar. Sim, nós podemos reinventar o Natal! E asseguro-vos de que é fantástico, quando percebemos que estamos a escrever a História da nossa família!

DSC00059.JPG

 

No início do Advento, Jesus aconselhou-nos a estar atentos, para que a sua chegada não nos apanhasse distraídos com os nossos afazeres, mas centrados no essencial:

 

"Vigiai, portanto, não se dê o caso que, vindo o dono da casa inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: vigiai!" (Mc 13, 37)

 

Sentemo-nos hoje mesmo, ao serão, em família, e façamos uma "chuva de ideias" em redor do verdadeiro Natal de Jesus. Como vamos celebrar o seu nascimento na nossa pequena família, antes, depois ou durante todas as festas familiares que acompanham esta época? Sejamos ousados, criativos, alegres e simples. E o Senhor virá, e habitará entre nós! Ámen.

 

PS - Enviem-me por favor, para o mail, fotografias dos vossos céus estrelados, das vossas Árvores de Jessé, ou da forma que descobriram aí em casa de preparar simbolicamente o Natal! Estou a escrever um post com algumas fotografias já recebidas, e teria todo o gosto em publicar as vossas também!

 

 

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publicado às 06:35


10 comentários

De Catarina Silva a 12.12.2014 às 14:53

Bom dia Teresa,
Como já referi no outro post, na família onde vim parar não há o Natal, como a festa do nascimento de Jesus. Há sim o natal das prendas e da boa comida.
Por isso, e para além daquilo que já referi no outro post, decidi também que ninguém poderia entrar cá em casa sem um postal (que eu própria arranjei e estou a distribuir, para não dar trabalho a estas almas) com uma mensagem de Natal alusiva ao nascimento do menino.
As reacções não se fizeram esperar: “ Postal com mensagem de Natal!!!??? Mas para quê??? Não podemos antes distribuir presentes?”
Houve um que me disse: “ Olha, só vou escrever Oh! Oh! Oh!”
Ao que respondi: “ Faz como quiseres, mas olha que as mensagens vão ficar todas expostas por cima do presépio e todos as vão ler e se se considerar que não houve nenhum empenho da vossa parte pelo menos numa mensagem de Natal digna desse nome, então para o ano terá de ser o menos empenhado a reunir a família e a organizar a festa”. Isto fê-los entrar em pânico e pensar que, nem que fosse procurando na Net, haveriam de encontrar uma mensagem decente.
Se fosse mencionar as dificuldades com que me deparo (visto que há sempre necessidade de manter a harmonia e a união familiar), a “ginástica” emocional que é preciso fazer, e sobretudo os disparates que tenho de ouvir, este post seria ENORME.
Há uma coisa que já aprendi: há que ser capaz de uma entrega total, todos os gestos têm de ser gestos de amor, mesmo quando denunciamos injustiças (sobretudo quando denunciamos injustiças). Temos de ser capazes de fazer tudo isto e esperar sempre a ingratidão. Temos de fazê-lo uma e outra vez até essa ingratidão já não nos magoar. Se conseguirmos isto então conseguimos tudo! Ah, e não esquecer também uma grande dose de paciência :)

De Teresa Power a 12.12.2014 às 15:08

Que trabalho de evangelização fantástico, Catarina! E quando custar, não se esqueça de que Deus tem muito mais paciência connosco... Ânimo e continue a trabalhar pela glória do Senhor! Ab

De Catarina Silva a 12.12.2014 às 19:20

Teresa, não se pode chamar evangelização ao que eu faço (ou tento).
A evangelização é a divulgação do evangelho, e eu estou muito longe de ter conhecimentos para isso.
Eu só tento que respeitem quem acredita, quem tem fé.
Só o Amor é digno de fé, e a certeza do Amor de Deus por mim, por nós, é aquilo que me tem dado força ao longo da vida. Porque quando todos me faltaram, o Seu Amor nunca me faltou (mesmo com o meu rol de defeitos interminável). E eu só queria que eles se deixassem contagiar por esse Amor. Só isso.
Beijinhos

De Teresa Power a 12.12.2014 às 19:47

Catarina, isso é evangelização Porque os maiores conhecimentos que é preciso ter sobre o Evangelho é o Amor, o Amor que a salvou a si, a mim e a todos nós! Ab

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