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Que tenho para Te dar?

por Teresa Power, em 10.01.15

Dia de Reis. Diante do presépio, fazemos a nossa oração, muito animada porque no dia de Reis os mais pequeninos têm direito a coroa real! Depois, com jeitinho, colocamos os Reis Magos junto da manjedoura. Um deles tem a cabeça colada, pois a Sara decidiu passeá-lo um bocadinho pelos montes e prados do presépio, e num segundo de distracção, o Rei tropeçou e partiu a cabeça. Nada que a Clarinha não resolvesse com super-cola.

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"Abrindo os seus cofres, os magos ofereceram presentes ao Menino: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11)

 

E nós? Que temos nós para Lhe oferecer? No início de um novo ano, é altura de oferecer os nossos presentes. Teremos nós um coração de ouro para Lhe dar? Teremos o incenso da nossa oração? Ou talvez a mirra do nosso sofrimento? Tudo, absolutamente tudo pode ser oferecido ao Senhor. 

Recordo aqui um livro que li há muitos anos atrás: Do Robbins Cough? 

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Conta a história verídica de uma mulher inglesa, casada e mãe de um filho já quase adulto, com uma vida estável e em tudo vulgar. Esta mulher tinha quarenta anos quando viu na televisão a reportagem chocante sobre os orfanatos romenos, depois da queda do ditador Ceaucesco. Eu lembro-me bem de assistir a estas reportagens, nos anos noventa, e de chorar com as imagens! Crianças atadas às camas e aí abandonadas dia e noite, ao frio e quase sem alimento... Enfim, o mundo chorou diante do televisor durante alguns dias. E no mundo, alguns decidiram agir. Os primeiros, como sempre, foram as missionárias da Madre Teresa de Calcutá. E de seguida, voluntários de vários países ocidentais.

Pois bem, Beverly também se sentiu chamada a partir como voluntária, oferecendo o seu mês de férias. Quando se viu com os papéis na mão, para fazer a sua candidatura, deparou com várias perguntas sobre o que tinha para oferecer às crianças romenas. Muito desanimada, Beverly viu-se obrigada a responder “não” a todas elas:


“Eu não apenas não possuía as qualidades profissionais que me eram pedidas, como também não possuía as qualidades amadoras: Sabe guiar? Não. Sabe pintar? Não. Sabe tocar um instrumento musical? Não. Não havia uma única questão que eu pudesse responder afirmativamente. Seria eu um fracasso tão grande? Não teria eu mesmo nada para oferecer? Durante a noite, sem conseguir dormir, levantei-me e sentei-me à secretária. Comecei então a escrever o que sabia fazer. Escrevi que estava sempre bem-disposta, que fazia de boa vontade qualquer tarefa que me atribuíssem, que era muito boa a trabalhar em equipa e que gostava de obedecer. No dia seguinte enviei o formulário. E alguns dias depois recebia a resposta: tinha sido aceite.”

 

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Beverly partiu para a Roménia, e a sua vida nunca mais foi a mesma. Na Roménia, onde o mês de férias se estendeu por longos períodos nos anos seguintes, Beverly reencontrou a fé, regressou à religião, descobriu o amor no serviço dos mais pobres, e encontrou um segundo filho a quem amar. Afinal, o pouco que Beverly tinha para dar era mais do que suficiente...

 

Que tenho eu para dar ao Menino neste ano novo? Uma vida cheia de dons e talentos que todos valorizam? Fantástico! Talvez possa tocar violino na missa, ou ensinar teatro às crianças de um orfanato, ou pintar um quadro para oferecer, ou dar catequese na paróquia... Está na hora de me colocar ao serviço!

Mas talvez eu não tenha talentos que brilham... Talvez eu tenha apenas a minha capacidade de trabalho, os meus braços que gostam de abraçar, a disponibilidade para escutar quem está só e precisa de desabafar...Talvez eu saiba cozinhar, ou fazer arranjos de electricidade, ou acartar tijolos... Não haverá quem precise desta ajuda também?

Talvez eu nem sequer tenha isso para dar: talvez me reste uma dor imensa, a solidão, a tristeza de quem vê ruir todos os sonhos, a doença ou a incapacidade... Também isso é dom que posso fazer ao Senhor.

Como os magos, como Beverly, iremos descobrir que aquilo que damos muda um pouco o mundo que nos rodeia - mas muda por completo o nosso coração...

 

 

 

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publicado às 06:34


1 comentário

De Marisa Milhano a 29.01.2015 às 15:13

Sabes Teresa, a pergunta que fizeste neste post, "o que tenho eu para Te dar Senhor?" tem estado diariamente na minha mente, desde que o ano novo começou. Infelizmente, ainda não encontrei nenhuma resposta que me satisfizesse. Parece tudo sempre tão pouco...

Vou continuar a insistir! Veremos
Beijinhos

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