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Amoras

por Teresa Power, em 25.08.15

Uma das coisas que gostamos de fazer nas tardes longas de verão é apanhar amoras. Fazemo-lo por detrás da nossa casa, em Náturia (para quem ainda não sabe o que é Náturia, por favor cliquem aqui), e fazemo-lo nas caminhadas que vamos dando.

Outro dia, numa pequena aldeia da serra do Caramulo, onde fizemos um belo piquenique na companhia de amigos, fomos surpreendidos com uma abundância inusitada de amoras ladeando as ruas e preenchendo as ruinas de granito. Que maravilha! Bastava esticar o braço, para logo se poderem saborear as mais deliciosas amoras, escuras e doces.

Bem, esticar só o braço não chegava... Era preciso também afastar os espinhos que envolviam os arbustos! Por cada amora saboreada, aguentávamos várias picadas nos dedos e nas pernas...

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- Abre a mão, Sara! Toma uma amora docinha!

- Cavalitas! Cavalitas!

- Sim, Sara, eu sei, às cavalitas é mais fácil!

 

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Enquanto me saciava de amoras e as partilhava com a minha família, lembrei-me do salmo 33/34, que nos três últimos domingos temos cantado na missa:

 

"Saboreai e vede como o Senhor é bom!"

 

Caminhando pelas majestosas ruinas de uma aldeia passada, eu saboreava amoras - e saboreava a bondade do Senhor, de Quem recebo todos os bens: a vida, a família, a casa, o trabalho, os amigos, o amor, o Pão Vivo, a fé, o alimento, a saúde... Tanto a agradecer!

Mas quantas vezes deixo de receber algum bem que Deus me quer oferecer, simplesmente porque tenho medo de me picar nos arbustos que o envolvem?... Ah, o que o medo pode fazer!

Senhor, não deixes que o medo do sofrimento me impeça de saborear o teu amor! Senhor, não deixes que a dor me faça encolher os dedos e fechar a mão diante dos bens que me queres dar... Ámen.

 

 

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publicado às 06:09

As ruinas

por Teresa Power, em 24.08.15

O nosso piquenique na semana passada teve a agradável companhia de amigos. O tempo estava encoberto, a água estava fria, mas os meninos não pareciam cansar-se de mergulhar e apanhar rãs! Por fim, decidimos que eram horas de todos se vestirem e de fazermos uns passeios pela aldeia. E foi assim que os nossos seis filhos e o seu pequeno amigo tiveram a alegria de explorar uma aldeia de granito, com casas lindíssimas, ruas estreitas e íngremes, e muitas, muitas ruinas. Haverá alguma coisa mais interessante para se fazer aos cinco, aos seis, aos nove anos do que explorar casas em ruinas e imaginar aventuras fantásticas no seu interior?

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Ou aos aos catorze, ou aos dezasseis anos, claro!

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Espreitando por entre os pilares de um espigueiro abandonado, vislumbrei a torre da igreja paroquial, envolvida em nuvens...

 

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Enquanto os meninos exploravam as ruinas com alegres gargalhadas, a minha imaginação fértil pôs-se a recriar esta mesma aldeia há muitos anos atrás, quando as famílias tinham dez, doze filhos, e as crianças brincavam em bando, rua acima, rua abaixo... Ao domingo, o sino da igreja congregava as famílias para a festa da eucaristia, e aos serões, rezava-se o rosário...

Talvez não fosse tudo assim tão cor-de-rosa como no meu sonho, ou talvez o meu sonho ainda esteja por realizar. Recordo-me das palavras poderosíssimas do Papa Francisco na homilia sobre as Bodas de Caná, que fez no dia 6 de julho de 2015:

"O melhor dos vinhos aguardamo-lo com esperança, ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. O melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje vêem desmoronar-se tudo. Murmurai isto até acreditá-lo: o melhor vinho ainda não veio. Murmurai-o cada um no seu coração: o melhor vinho ainda não veio. Deus sempre Se aproxima das periferias de quantos ficaram sem vinho, daqueles que só têm desânimos para beber; Jesus sente-Se inclinado a desperdiçar o melhor dos vinhos com aqueles que, por uma razão ou outra, sentem que já se lhes romperam todas as talhas."

 

Afinal, o nosso Deus é um Deus acostumado a restaurar ruinas. Ao longo da História de Israel, não fez Ele outra coisa! Com grande entusiasmo, os profetas ensinam-nos a exultar de alegria, mesmo quando a nossa vida não passa de um monte de ruinas:

 

"Ruinas de Jerusalém, irrompei em cânticos de alegria, porque o Senhor consola o seu povo, com a libertação de Jerusalém!"

(Is 52, 9)

"As velhas ruinas serão restauradas, levantarão os antigos escombros, restaurarão as cidades destruídas e os escombros de muitas gerações!" (Is 61, 4)

 

E Jesus não hesita em transformar a nossa água em vinho, se Lhe oferecermos as nossas bilhas, as nossas talhas, os pequenos tanques da nossa vida...

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Talhas rotas, escombros de muitas gerações, casas abandonadas, ruinas de vidas inteiras... Ah, se tivermos a coragem de tudo oferecer ao Senhor, e nos abrirmos à sua ação libertadora, irromperemos em cânticos de alegria!

Um dia, a nossa vida ressurgirá dos escombros e seremos plenamente felizes!

Um dia - e não é só um sonho lindo - as antigas aldeias ressurgirão renovadas, brilhantes como pérolas preciosas, transbordando de crianças e de vizinhos que se entreajudam. Não estarão já entre nós, como Aldeias de Caná?...

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publicado às 06:04

A aldeia dos cristãos

por Teresa Power, em 14.04.14

Sim, Sara, a estrada estende-se para além do nosso jardim, e o mundo lá fora é grande, é enorme... Sim, o gradeamento branco que nos separa da estrada não nos pode separar de quem nela passa...

 

Quem vive no campo sabe bem como as pessoas se cumprimentam ao passarem umas pelas outras, a pé ou de bicicleta. Os meus filhos mais novos adoram subir ao muro do jardim e ficar a ver quem passa, para terem o prazer de dizer "Bom dia!" ou "Boa tarde!" e para poderem receber em troca um sorriso e uma palavra também. Os mais velhos faziam o mesmo há alguns anos atrás! Quando vão a casa da avó, que vive na cidade, mantêm o hábito da aldeia, e distribuem "bons dias" e "boas tardes" por toda a gente, até se darem conta de que não é possível continuar a esse ritmo enquanto passeiam pela avenida.

 

Mas mesmo na aldeia, são cada vez mais as casas que mantêm as portadas e as persianas corridas durante todo o dia e as crianças bem delimitadas no espaço da casa ou do jardim. E paradoxalmente, são cada vez mais as pessoas que se sentam ao computador para se conectarem com o mundo lá fora...

 

Segundo S. João, o próprio Caifás, sumo-sacerdote, "profetizou que Jesus devia morrer para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos." (Jo 11, 52) Só um amor como o de Jesus, um amor que dá a vida pelo amado, é capaz de congregar na unidade!

Durante a Semana Santa, vamos certamente entrar numa igreja e participar numa eucaristia. Descobriremos então que, estejamos nós em Mogofores ou na Raposa, em Coimbra ou em Lisboa, na Argentina ou em Moçambique, vamos escutar as mesmas passagens das Escrituras e comungar o mesmo Pão. É preciso que a Igreja seja a aldeia dos filhos de Deus, onde os estranhos se cumprimentem no abraço da paz e onde todos falem a mesma língua: a língua franca do amor!

 

 

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publicado às 09:19



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