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Uma caixa cheia

por Teresa Power, em 31.08.15

- Mãe, mãe, vem ver o que eu encontrei em Náturia! Vem depressa! Vem depressa!

Corro para o jardim.

- O que foi, Lúcia?

- Amoras! Tantas, tantas! Olha, posso levar uma caixa para trazer para todos?

- Claro. Leva esta.

Dez minutos mais tarde, nova algazarra:

- Mãe, mãe, olha só! Tantas! Tantas!

Espreito para dentro da caixa. Escondo um sorriso para não ofender a Lúcia. Querem espreitar também?

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 A verdade é que, alertados pelos gritos de entusiasmo, o David, a Sara e o António correram para o jardim; e contagiados pela alegria da Lúcia, também concordaram que a caixa estava cheia de amoras escuras e doces. Com jeitinho, cada um deles tirou uma amora da caixa, que saboreou delicadamente, e - surpresa! - ainda sobraram amoras! Deu para outra ronda e deu para a mãe também provar...

A enorme crise de migração que estamos a viver nestes dias na Europa revela-nos a dificuldade, também enorme, que temos em partilhar. Cada um dos países deste velho continente tem muito mais do que uma caixa cheia de amoras para dar... No entanto, continuamos a achar que, se dermos tudo, ficaremos sem nada.

Ah, dois mil anos de cristianismo não chegaram para nos revelar o rosto de Deus! O nosso Deus é o Senhor da multiplicação, o Deus da abundância, e para fazer milagres só precisa que lhe ofereçamos o pouco que temos, com amor. A Jesus, bastaram cinco pães e dois peixes oferecidos por um rapazinho generoso. Sabem o que aconteceu então?

 

"Então Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelo que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram. Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.» Recolheram, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer." (Jo 6, 11-13)

 

Felizmente, há cada vez mais gente disposta a aceitar o desafio da multiplicação e a experimentar o poder imenso do amor...

Senhor, transforma o nosso coração de pedra num coração de carne, generoso e disponível, capaz de partilhar, de acolher e de amar como Tu sempre fazes! Senhor, dá-nos a audácia para sermos verdadeiramente cristãos, e experimentaremos na nossa vida os teus milagres de amor. Ámen!

 

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Amoras

por Teresa Power, em 25.08.15

Uma das coisas que gostamos de fazer nas tardes longas de verão é apanhar amoras. Fazemo-lo por detrás da nossa casa, em Náturia (para quem ainda não sabe o que é Náturia, por favor cliquem aqui), e fazemo-lo nas caminhadas que vamos dando.

Outro dia, numa pequena aldeia da serra do Caramulo, onde fizemos um belo piquenique na companhia de amigos, fomos surpreendidos com uma abundância inusitada de amoras ladeando as ruas e preenchendo as ruinas de granito. Que maravilha! Bastava esticar o braço, para logo se poderem saborear as mais deliciosas amoras, escuras e doces.

Bem, esticar só o braço não chegava... Era preciso também afastar os espinhos que envolviam os arbustos! Por cada amora saboreada, aguentávamos várias picadas nos dedos e nas pernas...

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- Abre a mão, Sara! Toma uma amora docinha!

- Cavalitas! Cavalitas!

- Sim, Sara, eu sei, às cavalitas é mais fácil!

 

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Enquanto me saciava de amoras e as partilhava com a minha família, lembrei-me do salmo 33/34, que nos três últimos domingos temos cantado na missa:

 

"Saboreai e vede como o Senhor é bom!"

 

Caminhando pelas majestosas ruinas de uma aldeia passada, eu saboreava amoras - e saboreava a bondade do Senhor, de Quem recebo todos os bens: a vida, a família, a casa, o trabalho, os amigos, o amor, o Pão Vivo, a fé, o alimento, a saúde... Tanto a agradecer!

Mas quantas vezes deixo de receber algum bem que Deus me quer oferecer, simplesmente porque tenho medo de me picar nos arbustos que o envolvem?... Ah, o que o medo pode fazer!

Senhor, não deixes que o medo do sofrimento me impeça de saborear o teu amor! Senhor, não deixes que a dor me faça encolher os dedos e fechar a mão diante dos bens que me queres dar... Ámen.

 

 

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