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A grande travessia

por Teresa Power, em 23.09.15

Hora de jantar. Sentados à mesa, conversamos sobre o dia que está a chegar ao fim. Todos têm muitas novidades nestes primeiros dias de regresso à escola. Até o Niall!

- Hoje chegaram à universidade os alunos indianos - Conta-nos ele.

- Indianos? A Índia é muito longe, não é?

- Sim, António, muito mesmo! Fizeram uma longa viagem. Um deles tem apenas dezassete anos, vejam só! Tão novinho, e já tão longe de casa!

- E deve ser tudo tão diferente aqui...

- Sim. Contaram-me que hoje, na sua terra, é a festa de um dos seus deuses. Mostraram-me a imagem e tudo: parece um homem-elefante! É estranho... Conversei um pouco sobre o tema com eles...

- Um homem-elefante?! E eles acreditam mesmo em vários deuses? Isso não foi há muito, muito tempo?

- David, há muito, muito tempo, todos os homens acreditavam em vários deuses. Um dia, Abraão escutou uma voz diferente, a voz de Deus, que ele não conhecia, mas que era tão real, tão bela... Abraão foi o primeiro homem a acreditar no Deus único. A partir daí, o mundo mudou! Mas foi uma caminhada difícil, passar da crença em vários deuses para a adoração do Deus único. Ainda há religiões no mundo que acreditam em vários deuses!

- Não são apenas os Hindus. Há cristãos que também adoram outros deuses, infelizmente!

- Como assim, mamã?

- Por exemplo, o deus-dinheiro. Ou o deus-prazer! Ou o deus-saúde-a-qualquer-preço... Ou o deus-beleza, sucesso, prestígio...

- Isso são tudo deuses?!

- Sim, Lúcia. Se a nossa vida for governada por eles, são!

- Estivemos a falar sobre isso na aula de Francês.

- Sobre deuses, Clarinha?

- Não! - Gargalhadas - Sobre o dinheiro, e sobre os valores bem mais importantes.

Estamos a chegar ao fim da refeição. Penso em Abraão, que deixou o Vale do Ur, penso em Moisés, que deixou o Egito, penso no deserto imenso que ambos precisaram de atravessar para abandonar a idolatria e encontrar a felicidade da adoração do Deus único... Talvez esta travessia nunca esteja feita de uma vez por todas, talvez esta travessia tenha de ser feita por cada geração ao longo da História, talvez esta travessia tenha de ser feita por cada um de nós afinal...

 

"Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor!

Amarás o Senhor com todo o teu coração,

com toda a tua alma e com todas as tuas forças.

E amarás o próximo como a ti mesmo.

Faz isto e serás feliz!"

(Shemá, a partir de Lc 10, 27-28)

Ámen.

DSC04469.JPG

 

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publicado às 06:26

"Vou levar-te ao deserto..."

por Teresa Power, em 13.03.14

Foi há sete anos atrás. Era o início da quaresma. O Niall foi confessar-se ao seminário de Aveiro. Quando chegou a casa, vinha pensativo.

- Na capela do seminário havia um cartaz com um versículo bíblico - disse-me. - Dizia assim:

 

"Vou levar-te ao deserto e falar-te ao coração." (Os 2, 16)

 

- É uma frase do profeta Oseias - disse-lhe eu. - É natural que esteja em destaque durante a quaresma, pois os quarenta dias da quaresma representam os quarenta anos que foram necessários para o povo de Deus encontrar a Terra Prometida, caminhando pelo deserto.

- Não entendeste - continuou ele - Aquela frase era para mim! Deus quis dizer-me qualquer coisa com aquela frase... E eu não consigo descobrir o quê. E isto está a incomodar-me!

- Fica atento - disse-lhe por fim - e descobrirás!

 

Não foi preciso esperar muito tempo. Dois dias depois, dávamos entrada nas urgências do Hospital Pediátrico de Coimbra com o Tomás, o nosso terceiro filho, na altura com 15 meses. Vomitava sem parar e estava completamente desidratado. Os médicos fizeram-lhe uma TAC e a resposta chegou de imediato: tumor cerebral maligno. O nosso querido menino viveu mais dois dolorosos meses, e por fim, partiu para Casa.

 

Nunca esquecerei o cuidado com que Deus nos preparou para os tempos difíceis que se avizinhavam, naquela tarde de quaresma. Com que carinho nos falou do deserto, lá onde se testam os limites do ser humano, lá onde se experimenta a fome, a sede, o calor, o frio, o cansaço... O deserto da solidão, da dor, da angústia, do medo, da morte.

Mas em momento algum Deus nos abandonou, ou nos sentou no "banquinho do castigo", como escrevi no meu último post. Em momento algum ficámos sozinhos na nossa dor. Porque no deserto, Deus tomou-nos pela mão e, com uma ternura indizível, falou-nos ao coração...

A voz do Senhor continua a ressoar com poder e majestade na nossa vida, falando-nos ao coração através de toda a Palavra das Escrituras. Do céu, o Tomás continua a ser sinal de que Deus está connosco, como o foi no dia do seu nascimento.

 

Ainda não chegámos à Terra Prometida. Mas o deserto já se cobriu de flores!

 

Tomás, reza por nós!

 

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publicado às 16:53



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