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Acólitos em Fátima e três presentes

por Teresa Power, em 05.05.15

O dia um de maio foi um dia muito especial para o David: ia participar na sua primeira peregrinação anual de acólitos a Fátima! Acordou cheio de energia e, pelas oito da manhã, estava no Santuário, pronto para a viagem. Nós acompanhámo-lo com a nossa oração e o nosso amor, e ao longo do dia fomos imaginando os seus passos. Mas tivemos de esperar pelas oito horas da noite para escutar, da sua boca, o relato de um dia fantástico.

- Mãe, eram seis mil acólitos! Nem imaginas! Tantos, tantos!

- Deve ter sido lindo, David! Como foi na missa? Parecia um manto de neve na basílica, não?

- Sim, parecia mesmo! Tudo branco...

 

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- E sentiste-te bem com o grupo? São todos amigos?

- Muito bem! As crescidas tomaram conta de mim.

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 - E sabes, mãe, os acólitos são muito animados. Fizemos brincadeiras e cantámos canções de Jesus!

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- Mas o mais bonito foi a procissão do Santíssimo. Mãe, tu terias adorado! Eu sei que terias! Nem imaginas como foi bonito, dar a volta ao Santuário atrás de Jesus...

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 Enquanto escutava o David, pensava no Livro do Apocalipse:

 

"Depois disto, apareceu na visão uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão. E aclamavam em alta voz.

Ele disse-me: «Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram a suas túnicas e branquearam-nas no sangue do Cordeiro.»"

(Ap 7, 9.14)

 

O David ainda não tinha terminado:

- Mãe, o senhor padre pagou o almoço.

- Ai sim? Então trouxeste de volta os dez euros que te dei esta manhã?

- Não! Quer dizer, trouxe uma moeda.

- Uma moeda? Dois euros?

- Não! Cinquenta cêntimos. Toma!

E estendeu-me a moeda, muito orgulhoso. E antes que eu pudesse reagir, estendeu-me três embrulhos:

- Comprei presentes para o Dia da Mãe. Nem imaginas como são lindos! Eu sei que vais adorar. Abre, abre!

- Mas hoje ainda não é Dia da Mãe, David!

- Ah, mas são tão lindos, vais adorar!

Abri os presentes, depois de trocar um olhar divertido com o Niall e decidir interiormente dar em breve uma lição de economia ao meu filho. Os presentes, contudo, deixaram-me sem palavras:

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Abracei o David com força, emocionada com o seu amor.

 - Gostas, mãe?

- Lindo, David! Presentes lindos mesmo! Obrigada! Escolheste as prendas mais belas do mundo. Vou colocar o crucifixo e o terço com perfume de rosas na minha mesa de cabeceira, e o anjinho diante da fotografia do Tomás. Pode ser?

- Eu sabia que ias gostar!

- E não compraste nada para ti?

- Comprei. Comprei estes binóculos! O que eu queria mesmo comprar era um avião, mas achei que podia fazer um sacrifício, já que estava em Fátima. Assim comprei os binóculos, que foram mais baratos e fiquei com mais dinheiro para comprar as tuas prendas, e ainda pude oferecer o sacrifício.

Cancelei interiormente a minha lição de economia.

À noite, quem parecia uma criança era eu, adormecendo de terço na mão e com o crucifixo ao lado da almofada. Antes de fechar os olhos, pedi ao Senhor que mantenha sempre limpa a túnica interior do David; e se por acaso ele a sujar na lama do mundo, que tenha a simplicidade de a branquear de novo no Sangue do Cordeiro...

 

No blogue da Lena podem encontrar alguns vídeos e textos sobre este dia. Espreitem!

 

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publicado às 06:26

Dia da Mãe

por Teresa Power, em 03.05.15

Hoje, na Eucaristia, distribuiremos pagelas com a imagem da Mãe de Caná e a nossa consagração. Depois, juntos, todos nos consagraremos à Mãe, pedindo que interceda por nós e pelas nossas famílias.

Rezem connosco:

 

Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná

Consagramos-te hoje e sempre a nossa família.

Confiamos na tua intercessão de Mãe,

Para que o vinho da fé, da esperança e do amor

nunca acabe em nossa casa.

Faz de nós servos do Senhor, como tu,

e ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser.

Ámen!

 

Que o Senhor, por Maria, abençoe a minha mãe!

Que o Senhor, por Maria, me abençoe a mim, que o Senhor abençoe todas as mães!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães grávidas!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães que vêem os filhos sofrer, morrer, partir, caminhar errantes pela vida!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães felizes e cansadas, dedicadas e imperfeitas, desejosas de santidade!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães aflitas, preocupadas, com medo, maltratadas, as mães que vivem na guerra, as mães que não sabem o que dar de comer aos filhos!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães velhinhas abandonadas pelos filhos!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães que não sabem amar, e geram vida biológica sem gerar vida afetiva e espiritual!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães espirituais, aquelas que, mesmo sem nunca gerarem vida biológica, geram Vida abundante nas vidas dos outros, e se esquecem de si mesmas para que muitos sejam felizes!

Que o Senhor, por Maria, abençoe as mães que lêem este blogue e cuide de cada uma delas com carinho particular!

Que o Senhor, por Maria, nos abençoe a todos!

Ámen.

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publicado às 06:30

Mães abençoadas

por Teresa Power, em 05.05.14

O David e a Lúcia foram passar parte da tarde de sábado a casa de uns amigos. É uma casa grande, situada numa magnífica quinta, cheia de terra, areia, árvores, casebres abandonados, torres habitadas por morcegos vampiros (pelo menos eles juram que sim), hortas, silvas, uma eira, e até uma capela em ruínas (já em fase de restauração), onde o David praticou alguns gestos de futuro padre (foi o que ele explicou), como abrir os braços com muita força. A casa é realmente grande, mas o seu tamanho é justificado: lá dentro vivem nove crianças! Quando os fui buscar, levei o António e a Sara, e por lá andaram todos a brincar juntos, enquanto nós, as mães, punhamos a conversa em dia, passeando atrás deles. Ao colo, a minha amiga levava a filha mais nova, uma bebé linda, com trissomia 21.

- Esta bebé é uma verdadeira bênção na nossa vida - dizia-me.

- E uma bênção para os amigos, que têm a oportunidade de conviver com uma criança diferente e de aprender a amá-la - Acrescentei.

Continuámos a caminhar. De vez em quando, a Sara queria colo. Os outros corriam ao longe, gritando de alegria. A minha amiga ainda tinha outra coisa a dizer:

- O que nós desejamos acima de tudo é que os nossos filhos alcancem o céu. E eu sei que esta linda bebé tem o céu assegurado. Isso enche-me de verdadeira alegria! Tomara poder dizer o mesmo para os outros oito! Além disso, desde que esta bebé nasceu deixei de pensar: "Daqui a uns anos acaba-se o trabalho com as crianças e posso ficar descansada no sofá a ver televisão!" O meu horizonte mudou, sei que provavelmente esse dia nunca chegará. E isso também é uma bênção de Deus! É que ficar sentada no sofá não traz santidade!

 

Encontrar verdadeira alegria na dor é privilégio (não exclusivo!) dos cristãos. A partir da cruz de Jesus, tudo faz sentido. O sofrimento deixou de ser o fim, para ser o início. A morte tornou-se porta da vida; a dor, porta da alegria.

Conheço muitas outras famílias com filhos diferentes, e sei que há quem leia este blogue sentado numa cadeira de rodas. Como eu gostaria de lhes anunciar esta felicidade que Jesus nos traz!

 

"Na verdade, Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores. Pelas suas chagas fomos curados!" (Is 53, 4-5)

 

 

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publicado às 07:37

A mãe que eles fizeram nascer

por Teresa Power, em 04.05.14

Estou e estarei sempre grata aos meus filhos pela mãe que eles fizeram de mim. Na verdade, os meus filhos têm sido os melhores professores da minha vida. A cada novo dia, eles exigem de mim, sem sequer o saberem, maior generosidade, mais paciência, um sorriso, maior capacidade de escuta e de acolhimento. Graças a eles, vou-me tornando num ser humano mais bondoso e mais sábio e crescendo no conhecimento de Deus.

Nos meus primeiros anos de maternidade sentia-me muito frequentemente frustrada, irritada, perdida e confusa. Tudo parecia tão complicado! Queria fazer tudo bem, e achava que fazia tudo mal. Mas à medida que os filhos foram nascendo, e à medida que fui lendo, perguntando e procurando respostas - se eu tenho alguma virtude, é a de nunca me acomodar ao que já sei ou julgo saber, e procurar sempre aprender com quem me rodeia - fui também aperfeiçoando a arte de gerir as rotinas e os desafios de uma família numerosa.

 

Mas só mais tarde descobri o imenso poder da oração neste percurso da maternidade. De joelhos, rezando sozinha e em família, compreendi que sem o Espírito Santo, nunca poderia ser uma mãe cristã autêntica. Só Ele pode formar em mim e na minha família o Corpo de Jesus, como formou em Maria de Nazaré. De joelhos, aprendi a pedir perdão sempre que falho. De joelhos, aprendi a vencer o complexo de culpa que nos impede de saborear o momento presente. De joelhos, aprendi a pedir a ajuda do céu para lidar com os problemas que vão surgindo. De joelhos, aprendi a estar em cada momento onde Deus quer que eu esteja, e não onde eu acho que uma super-mulher devia conseguir estar. E tudo se tornou muito mais simples! Compreendi finalmente que Deus não nos pede o impossível - Deus pede-nos que Lhe entreguemos tudo o que somos, com generosidade, para depois Ele mesmo fazer o impossível. Educar uma família numerosa não é uma batalha, mas a escola de santidade onde Deus, meu Pai, me inscreveu. Educar é portanto, em primeiro lugar, pôr-me à escuta do Senhor, para aprender a fazer a sua vontade.  O salmista explica isto como ninguém:

 

"Se o Senhor não edificar a casa,

em vão trabalham os construtores.

Se o Senhor não guardar a cidade,

em vão vigiam as sentinelas." (Sl 127/126)

 

Os meus filhos ensinam-me muitas coisas boas pelo seu exemplo de vida. Eles fizeram-me interessar por temas que nunca antes me haviam entusiasmado, como ilusionismo, ginástica artística, equitação, parkour, engenharia, trabalhos manuais, carros de rolamentos, costura.

Mas eles ensinam-me também por aquilo que a sua educação exige de mim:

Com o Francisco, vou crescendo na escuta - ele é capaz de contar um episódio inteiro de um programa do National Geographic ou do mais recente site matemático que visitou, durante a nossa refeição familiar, sem que o choro ou o barulho dos irmãos o pareçam incomodar!

Com a Clarinha, torno-me mais carinhosa, pois ela precisa de muitos abraços para crescer.

Com o António, treino-me na paciência. Todos os dias peço ao Espírito Santo o seu dom de paciência, mas é graças ao António que eu o vou alcançando!

Com a Lúcia, cresço em doçura e treino-me a ralhar sem gritar, pois a Lúcia não suporta um grito - e eu sou capaz de gritar bastante!

O David arranca de mim um sorriso quase permanente.

A Sara relembra-me que não posso estar desatenta nem demasiado confortável, enquanto, com o seu passinho incerto, ela caminha de perigo em perigo.

O Tomás abriu em mim a fonte da fortaleza. Depois da sua morte, aprendi a não me queixar da vida.

Os meus filhos obrigam-me a vencer o meu egoísmo e o meu comodismo e a crescer, a cada dia, em generosidade e amor.

Os meus filhos fizeram de mim uma mãe.

 

Espero que, um dia, eles se orgulhem da mãe que tiveram e do que com ela aprenderam, como eu me orgulho - e muito - da mãe que tenho e de tudo o que com ela continuo a aprender. Mas já não me julgo tão importante nas suas vidas como julguei, já não tenho tanto medo de fracassar como tive, já não me culpabilizo de tudo o que corre mal, já não perco a cabeça porque nada corre como planeei. Agora sei que os meus filhos são antes de tudo, filhos de Deus, e precisam mais de Deus do que de mim. Terá de ser "o Senhor a edificar a casa", e não eu. Se Deus me escolheu para os conduzir até Ele, eu só tenho de agradecer tão grande privilégio! Pois como continua o salmista a dizer:

 

"Os filhos são uma bênção do Senhor,

o fruto das entranhas, uma verdadeira dádiva." (Sl 127/126)

 

Cada momento passado com os meus filhos é para mim mais uma oportunidade de aprender nesta escola onde o Senhor me inscreveu e onde Ele Se quer encontrar comigo, agora e na eternidade.

Obrigada Francisco, Clarinha, Tomás, David, Lúcia, António e Sara, pela mãe que fizeram nascer!

Obrigada, Senhor, pelo dom da maternidade!

Ámen.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 08:36



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