Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Oração pela paz

por Teresa Power, em 14.06.14

No domingo passado teve lugar um encontro histórico entre o Papa Francisco, o presidente de Israel e o presidente da Palestina, acompanhados pelo Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu. Nos Jardins do Vaticano, durante duas horas e meia, os três chefes de estado rezaram. Estavam presentes judeus, cristãos e muçulmanos, e no mundo inteiro, certamente milhares de pessoas uniram os seus corações e rezaram com eles pela paz.

Liguei a televisão para poder acompanhar a oração, mas nenhum canal a transmitiu na íntegra. Assim, acabei por o fazer através da net. Enquanto escutava belíssimos cantos israelitas e a repetição constante da palavra Shalom (paz em hebraico), fui cozinhando, passando a ferro e brincando com os meninos. De vez em quando, lembrava-lhes: "Vamos rezar um bocadinho com o papa!"

Nos poucos minutos em que tive a televisão ligada, antes de optar pela net, pude escutar os comentários politicos de alguns "sábios e entendidos" (Mt 11, 25). Diziam eles que é preciso muito mais do que uma oração para se alcançar a paz, e também diziam que os políticos não depositam qualquer esperança neste acto. Santa ignorância! Não há nada na Terra mais poderoso do que a oração. E se somos capazes de gestos de paz, é porque rezamos, ou porque alguém reza por nós!

 

Na entrada da nossa casa, está este quadro com a Oração de S. Francisco de Assis:

 

 

"Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz:

onde houver ódio, que eu leve o amor;

onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

onde houver discórdia, que eu leve a união;

onde houver dúvida, que eu leve a fé;

onde houver erro, que eu leve a verdade;

onde houver desespero, que eu leve a esperança;

onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

onde houver trevas, que eu leve a luz.


Ó Mestre, fazei com que eu
procure mais consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe;
é perdoando que se é perdoado;
e é morrendo que se ressuscita para a vida eterna."

 

Temos este quadro na entrada da casa, bem visível quando abrimos a porta da rua para entrar ou sair. De manhã, quando é preciso ir trabalhar e ir ao encontro do outro, precisamos destas palavras. Mas quando regressamos a casa tantas vezes cansados e levemente irritados com o dia, precisamos delas também, para que a nossa família possa permanecer em paz.

 

O Papa Francisco rezou esta oração na presença dos chefes de estado de dois países em guerra. Quero hoje rezar esta oração, recordando uma família que eu conheço, onde a mãe e a filha, já casada, não se falam. Se não conseguimos viver a paz na nossa casa, como queremos que o mundo a viva?

 

Pelo contrário, uma outra mãe, mãe de uma das muitas Famílias de Caná que já fizeram um dos nossos retiros, escreveu-me há uns tempos atrás: "Um dos mais belos frutos do retiro foi que, desde então, o meu marido reza connosco diariamente e escuta as histórias da Bíblia connosco. Graças ao retiro, re-aproximou-se da Igreja e, consequentemente, da família".

E a Liliana escreveu num maravilhoso comentário ao post O carteiro:"Graças ao seu blog já não ralho tanto com os meus filhos, o que acontecia diariamente..." Permitam-me corrigir apenas uma coisa ao comentário da Liliana: não é graças ao blog, mas graças à Palavra de Deus, claro!

Estas duas mães e esposas já perceberam que, ao aproximarmo-nos de Deus, nos aproximamos também dos irmãos, sejam eles o marido, a mulher, os filhos ou os pais. Por isso, o ditado já velhinho "Família que reza unida permanece unida" é profundamente verdadeiro! A oração, levando-nos ao encontro de Deus, leva-nos sempre também ao encontro do irmão. Rezar é o começo da paz.

 

Ajuda-me hoje, Senhor, como escreveu S. Francisco, a dar o primeiro passo, perdoando o outro e morrendo para o meu orgulho e a minha satisfação pessoal... Ajuda-me hoje, Senhor, como disse o Papa Francisco no domingo, a ter a coragem de fazer a paz, pois é preciso muito mais coragem para fazer a paz do que para fazer a guerra... Faz de mim um instrumento da tua paz, na minha casa, na minha rua, na minha terra, no meu trabalho, no mundo inteiro! Ámen.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:19

Brincando aos manos

por Teresa Power, em 23.03.14

Os meus filhos mais novos gostam muito de brincar aos pais e às mães. O António é o filho, a Lúcia a mãe, o David o pai, e vão trocando papéis até todos estarem felizes na sua função. Mas ontem dei com eles a brincar de forma diferente: estavam a brincar aos manos.

- Olá mana! - Dizia o António.

- Olá mano! - Respondia a Lúcia.

- Vamos dar um passeio, mana? - Perguntava o António.

- Vamos, mano! - Respondia a Lúcia.

Fiquei a observá-los durante uns instantes. Depois não resisti:

- A que é que vocês os dois estão a brincar?

- Aos manos! - Foi a resposta.

- Mas vocês são mesmo manos!

- Pois, mas agora estamos a brincar aos manos. É diferente - Explicaram.

 

Fiquei a pensar na utilidade de tal brincadeira.

Também nós, cristãos, somos todos irmãos. A nossa oração distintiva diz assim: "Pai Nosso..." No entanto, quantas vezes nos lembramos de que somos, de facto, irmãos? Se nos lembrássemos disso mais vezes, haveria tanta gente a morrer de fome no mundo?

 

Timothy Tadcliffe, um autor que muito admiro, escreveu assim a propósito do baptismo:

 

"Muitas vezes, os pais preferem um baptismo privado, em família. Mas isto é um pouco estranho, já que no baptismo a criança é entregue à família mais alargada do amor ilimitado de Cristo. E por isso, faz mais sentido realizar-se o baptismo no dia de reunião de assembleia paroquial e, até, que haja muitos bebés diferentes a serem baptizados ao mesmo tempo, rodeados dos seus novos irmãos e irmãs em Cristo, o primeiro e mais importante título de cada cristão." (Imersos na Vida de Deus, página 64)

 

E Bento XVI escreveu, quando ainda era cardeal:

 

"A Eucaristia não é um assunto privado no círculo de amigos que constituem um clube de pessoas com as mesmas afinidades, em que todas se buscam reciprocamente. Pelo contrário, do mesmo modo que o Senhor Se submeteu publicamente à cruz, fora das muralhas da cidade, à vista de todo o mundo, e do mesmo modo que as suas mãos se estenderam de tal forma que abraçam a todos, assim também a celebração da Eucaristia significa uma assembleia pública de culto de todos os convocados pelo Senhor, a Quem é indiferente quem são os que a compõem. Os homens de qualquer partido, de qualquer posição ou de qualquer ideologia são congregados no momento culminante da sua palavra e do seu amor." (Homilia para a festa do Corpo de Deus, 25-5-78)

 

Enquanto os cristãos de todas as confissões e com diferentes visões da Igreja não viverem como irmãos, partindo um só Pão, o mundo não vai acreditar no nome de Jesus. Foi Ele quem o disse:

 

"Que eles sejam um, para que o mundo acredite que Tu, ó Pai, Me enviaste." (Jo 17, 21)

 

Aos domingos, na missa, somos tratados por "irmãos" e tratamos os estranhos que se sentam ao nosso lado por "irmãos" também: 

"Confesso a Deus, Todo Poderoso, e a vós, irmãos..."

"Orai, irmãos, para que este sacrifício seja aceite..."

 

Pelo baptismo, somos irmãos de Jesus e irmãos uns dos outros. A missa é uma bela ocasião para "brincar aos manos", treinando em oração o grande jogo da vida!

 

                           (Festa da Palavra, novembro 2012)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:07

Estará Cristo dividido?

por Teresa Power, em 29.01.14

Esta pergunta de S. Paulo, em tom de provocação, foi o lema da semana de oração pela unidade dos cristãos, este ano. Na verdade, desde o seu início que os cristãos tiveram de lutar contra a divisão. Os doze apóstolos não podiam ser mais diferentes uns dos outros! E como se não bastasse, pouco depois de Jesus ressuscitar veio juntar-se ao grupo "um de fora", alguém que não comera com Jesus, que não sofrera com Ele, que não testemunhara os seus milagres nem escutara as suas palavras: Paulo. As suas cartas e o livro dos Actos dos Apóstolos reflectem muitos dos conflitos que entretanto surgiram na Igreja por causa deste "intruso" escolhido pelo próprio Jesus!

 

No dia 25 de Janeiro, o papa afirmou aquilo que todos sabemos: "a divisão dos cristãos é um escândalo". E contudo, ela continua! Todos os anos temos uma semana de oração pela unidade. Quando a semana termina, regressamos às nossas vidas e às nossas divisões, e durante mais um ano inteirinho não voltamos a pensar no assunto... É de facto escandaloso.

 

Em Fátima, na semana passada, o Niall e eu participámos numa Eucaristia concelebrada por católicos, ortodoxos e anglicanos. E todos comungámos o mesmo Pão e bebemos do mesmo Cálice. Enquanto os teólogos vão debatendo as suas questões, a Igreja de Cristo tem de ir procurando viver a unidade no terreno. É preciso que o espírito se antecipe à letra, ou arriscamos esperar mais alguns milénios pela unidade pedida por Jesus.

 

 

 

 

Cá em casa, os frutos do ecumenismo são belos e doces: com a Família Duggar, uma família americana evangélica, aprendemos muitas coisas, entre elas, a contar histórias da Bíblia aos nossos filhos; com uma família metodista suiça, que conheci quando tinha quinze anos, aprendemos a cantar antes das refeições; com as igrejas pentecostais, aprendemos a louvar o Senhor cantando e dançando; com os ortodoxos, descobrimos ícones belíssimos, que veneramos e contemplamos...

 

A unidade não significa anulação da diversidade. Pelo contrário! É maravilhoso sermos todos tão diferentes e termos formas tão diferentes de rezar e evangelizar. Mas não pode haver unidade sem os dois grandes focos que permitiram a unidade dos cristãos no seu início:

- a Eucaristia, Corpo e Sangue de Jesus, que faz da Igreja uma mesma família, porque um único Corpo onde corre o mesmo sangue, e sangue divino;

- e Maria, a Mãe que congregava em oração os doze apóstolos. Maria, oferecida por Deus à Igreja como Mãe, para que a Igreja seja família e não um partido ou uma ONG. Maria que em Fátima, na sua Casa, congregou cristãos de confissões tão diversas, todos de terço na mão!

"A Deus nada é impossível" (Gen 18, 14; Lc 1, 37), repete-nos a Bíblia...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:50



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds


livros escritos pela mãe

Os Mistérios da Fé
NOVO - Volume III

Volumes I e II


Posts mais comentados


Pesquisa

Pesquisar no Blog  


Arquivos

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D