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Deus nunca Se deixa vencer em generosidade

por Teresa Power, em 23.07.15

Quando o Senhor nos chama para orientarmos um Retiro Famílias de Caná, eu fico sempre cheia de curiosidade. Sim, curiosidade ante as surpresas que o Senhor nos reserva! Esta vida de missão tem-me revelado um Deus que nunca Se deixa vencer em generosidade. No Evangelho, Jesus disse:

 

"Quem der um copo de água fresca a um destes pequeninos por ele ser meu discípulo, não ficará sem recompensa." (Mt 10, 42)

 

Jesus não estava a brincar quando disse isto! Ele falava a sério. Na verdade, nos Retiros Famílias de Caná nós oferecemos aos pequeninos do Reino um pouco de água fresca, nas bilhas singelas da nossa vida; e que nos oferece Deus em troca? Amigos em todo o país e doses extra de felicidade!

É realmente giro escutar os mais novos a falar dos amigos que têm em Viana e na Raposa, em Almada e em Cascais, em Coimbra e em Proença; ou escutar o Francisco a conversar sobre cavalos com cavaleiros a sério, daqueles que o Francisco só via em filmes... e que agora são Famílias de Caná!

Bem, escutem então a surpresa deste nosso retiro:

 

A Clarinha foi para o Retiro de Proença a coxear, como se devem lembrar. Uma lesão nos ligamentos impedira-a de participar no espetáculo final do ano do clube de ginástica, arrancando à Clarinha muitas lágrimas e um sorriso de aceitação. Em vez de sessões de ginástica, a Clarinha passara a ter sessões de fisioterapia, mas a dor no joelho não cedia. E foi assim que chegámos ao retiro.

Ora quis a Providência Divina que uma das famílias participantes neste retiro - e que já conhecíamos do Retiro de Natal e do Retiro de Quaresma - fosse um casal de fisioterapeutas. O Tiago tem uma vasta experiência no trabalho com atletas de alta competição, bem como uma vasta experiência de ensino de fisioterapia como professor universitário. Enquanto caminhávamos da igreja paroquial para o seminário, depois da missa, fomos conversando, e lembrei-me de lhes falar da Clarinha.

- Terei todo o gosto em ver o que se passa com o seu joelho - Disse o Tiago, como se uma sessão de fisioterapia de alta qualidade, gratuita, no meio de um retiro fosse a coisa mais natural deste mundo.

Agradeci-lhe a generosidade, e depois do almoço, a Clarinha, de calças de ganga, deitou-se num dos bancos compridos do seminário. O Tiago manipulou o joelho da Clarinha através da ganga, durante algum tempo, sem recorrer a qualquer tipo de instrumento. Meia hora mais tarde, a Clarinha apareceu ao meu lado, com um sorriso de orelha a orelha:

- Mãe, estou curada!

Olhei para a minha filha sem conseguir falar. Como podia ser isso? Depois sorri, piscando interiormente o olho a Jesus, capaz de me surpreender a cada dia com a sua generosidade. E lembrei-me que o grande objetivo do retiro era encontrarmo-nos pessoalmente com o mesmo Cristo que passou na Galileia fazendo o bem e curando todas as doenças... Naquela tarde de domingo, como há dois mil anos atrás, Jesus passou e tocou a minha filha, devolvendo-lhe a saúde.  Fê-lo através da generosidade e do talento de um outro seu filho muito amado, porque acima de tudo, Deus gosta de fazer os seus milagres através uns dos outros!

 

Ontem, a Clarinha regressou aos treinos de ginástica e às piruetas na praia. A sua felicidade transbordante encheu o meu coração de gratidão. Que o Senhor abençoe quem assim nos ajudou! E que o nosso coração seja sempre um coração agradecido. Ámen!

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Neblinas de verão

por Teresa Power, em 26.06.15

Sair de casa às nove da manhã, entrar no carro e fazer trinta quilómetros com o limpa-parabrisas a funcionar...

- Isto é chuva, mãe?

- Não, filha, não é. São só gotas de orvalho!

Seria uma pena não aproveitar a única manhã livre de todos, sem exames do Francisco ou trabalho na escola da mãe - exceção feita para o pai, que só terá férias em agosto.

O nosso destino é o paredão dos pescadores, na Praia da Barra, onde a ria se encontra com o mar e os navios entram para o porto... A neblina é húmida e fresca, mas ninguém se importa: de patins nos pés ou com os pés no chão a dar balanço na bicicleta sem pedais, a alegria é completa.

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 Depois de uma hora a patinar, o lanche sabe mesmo bem!

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O mar estende-se, imenso, diante de nós...

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 - Mãe, estamos cheios de calor! Podemos ir tomar banho ao mar?

- Vá lá!

- Vá lá!

Há duas grandes vantagens em ir à praia com mau tempo: temos muito espaço para brincar, e não gastamos tempo e dinheiro em... protetor solar!

- OK, então vão lá dar um mergulho!

E assim acontece... E não, não encontrei cubinhos de gelo a boiar na água, embora tenha procurado :)

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Não será esta também uma forma de pobreza evangélica? Aproveitar as circunstâncias da nossa vida, sejam elas quais forem, para saborear o amor de Deus? Só um coração verdadeiramente pobre é um coração grato, porque reconhece que nada lhe é devido e a nada tem direito... Embora o tempo atmosférico seja das circunstâncias mais fáceis de aceitar - quando comparado a uma doença, ao desemprego, a um divórcio, a uma traição - é capaz de gerar tanto descontentamento no nosso povo!

 

"Aleluia!

Como é bom cantar ao nosso Deus!

O Senhor cobre os céus de nuvens,

prepara a chuva para a terra,

faz brotar a erva sobre os montes...

Ele faz cair a neve como lã,

espalha a geada como cinza,

lança granizo aos punhados.

Aleluia!" (Sl 147)

 

 

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Obrigado!

por Teresa Power, em 13.04.15

Manhã de quinta-feira. Entrei no Centro Social para deixar o António e a Sara e, como costume, a Irmã estava à porta para os cumprimentar com um beijinho simpático.

- O que é hoje a comida? - Perguntou-me, também como costume, o António. Aproximei-me da parede, para ler a ementa no cartaz semanal, e respondi-lhe. A Irmã, que escutara a pergunta do António, disse-me então:

- O seu António é um menino muito querido, sabe? Com muita frequência, no final do almoço, o António vem ter comigo e diz-me: "O comer estava muito bom, Irmã, obrigado!" É raro escutar estas palavras da parte de uma criança. Ele nunca se esquece de quem fez a refeição! Calculo que aprenda isso em casa...

- Sim - Respondi, a sorrir e obviamente orgulhosa do meu rapaz - O pai nunca os deixa sair da mesa sem antes agradecerem à mãe a refeição. É tão fácil criticar quando falta o sal, ou quando o arroz queimou, mas tão difícil lembrarmos as palavras de agradecimento! O pai é muito exigente nesse ponto, e pelos vistos, dá resultado!

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Vim para casa a pensar nas palavras da Irmã. É na verdade raro, hoje, encontrar palavras de agradecimento gratuitas e espontâneas... Nos nossos trabalhos, quantas vezes nos agradecem o que fazemos uns pelos outros - seja ou não nossa obrigação? E quantas vezes agradecemos aos outros o que eles fazem por nós - seja ou não sua obrigação? Quantas vezes agradecemos aos professores dos nossos filhos o seu trabalho e a sua dedicação? E aos catequistas, que dão o seu tempo de forma totalmente gratuita? Quantas vezes agradeço a quem limpa as salas da minha escola, ou ao funcionário que me abre o portão para eu passar com o carro? Quantas vezes agradecemos uns aos outros em casa?

E ao Senhor?...

Recordo-me do episódio dos dez leprosos que Jesus curou. Os dez descobriram que estavam curados quando se afastavam de Jesus e regressavam às suas casas. E que fizeram então?

 

"Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em voz alta; caiu aos pés de Jesus com a face em terra e agradeceu-Lhe. Era um samaritano. Tomando a palavra, Jesus disse: «Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» E disse-lhe: «Levanta-te e vai. A tua fé te salvou.»" (Lc 17, 11-19)

 

Senhor, eu não tenho nada que Tu me não tenhas dado. Obrigada! Como o António, também eu Te quero dizer: o comer hoje estava muito bom...

 

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Humildade e gratidão

por Teresa Power, em 12.03.15

Num destes domingos passados, na Eucaristia, tivemos uma surpresa: o senhor Martins, irmão salesiano, despediu-se de nós. Irá passar o tempo final da sua vida na casa de repouso que os salesianos têm perto de Lisboa, pois a idade já não lhe permite cumprir a rotina diária da casa de Mogofores.

O senhor Martins tem noventa e dois anos, um sorriso magnífico, e um carinho imenso para partilhar com todos os que dele se acercam. Foram noventa e dois anos ao serviço do Senhor! Nunca o vi triste, desiludido, ou dando mostras do cansaço que deve sentir. Nunca me aproximei do senhor Martins sem regressar mais cheia de Deus. Quando o conheci, há oito anos atrás, lembro-me de pensar: "Este senhor, quando morrer, vai direitinho ao Céu!" E tenho a certeza de que assim será.

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Custa-me imaginar o Santuário sem o senhor Martins, sem o seu sorriso tão bonito, sem os seus gestos tão profundos no serviço do altar, sem o carinho que sempre oferecia às crianças e os conselhos que gostava de nos dar. Enquanto o escutava, não consegui evitar que as lágrimas me molhassem os olhos.

Mas o que mais me comoveu no seu discurso de despedida foi a imensa lista de agradecimentos que o senhor Martins nos apresentou. Em vez de nos relembrar a sua obra, feita dia a dia com tanto esmero, o senhor Martins usou o seu "tempo de antena" para nos recordar todas as pessoas, sacerdotes ou leigos, que foram passando pelo Santuário durante a sua vida. Recordou as senhoras da limpeza e os diretores do colégio, as cozinheiras e os professores. De ninguém se esqueceu, e a todos se referiu com imensa gratidão. Lembrei-me do salmo:

 

"Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças nenhum dos seus benefícios." (Sl 103/102)

 

A gratidão nasce no solo fértil da humildade. Quem não é humilde, pensa sempre que tudo lhe é devido e queixa-se do que não recebe. A humildade, pelo contrário, torna-nos gratos, porque nos damos conta de que nada merecemos do bem que recebemos. 

Senhor, que eu saiba agradecer! Senhor, que eu saiba contemplar o teu amor naqueles que me rodeiam e nos gestos simples de serviço que neles descubro... Senhor, se algum dia eu vier a ter noventa e dois anos, que sejam noventa e dois anos de humilde gratidão! Ámen.

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Gratidão...

por Teresa Power, em 07.03.15

...Porque hoje é o Retiro de Quaresma Famílias de Caná.

...Porque o Senhor Bispo estará connosco.

...Porque o sol brilha, a primavera chegou.

...Porque já não estou cansada.

...Porque nas últimas semanas, numa altura de cansaço imenso e algum desalento, recebi mais provas de amizade do que merecia, desde um postal que chegou pelo correio com uma mensagem de força, ânimo e oração...

...até esta belíssima lasanha, que uma amiga - mãe de família de caná - trouxe para alimentar a minha família sem que eu tivesse de fazer o jantar!

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             (Quem gosta de lasanha? EEEEEEuuuuuuu!)

 

Obrigada, Senhor, por tantos, tantos dons! Obrigada por esbanjares o teu amor na minha vida, e cobrires com as tuas ondas de misericórdia esta praia que eu sou!

Obrigada!

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"Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios..."

(Sl 103/102)

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Lembra-te

por Teresa Power, em 23.01.15

Hora da oração familiar. No Canto de Oração, cantamos, dançamos, batemos palmas e louvamos o Senhor. Depois, à vez, cada um de nós agradece a Jesus as graças deste dia. Uns agradecem a brincadeira na escola, outros agradecem o teste ter corrido bem, ou a ginástica ter sido divertida. Agradecemos o trabalho apostólico, os mails recebidos, os amigos encontrados. Agradecemos o alimento, a amizade e o amor.

Como esta oração de acção de graças é feita por ordem crescente de idades, a primeira a rezar é a Sara. De joelhos e com as mãos juntas, a Sara diz sempre a mesma coisa:

- "Bigada" Jesus, poque escola, missa, Curia, parque, loja. Ámen!

Nós rimo-nos sempre baixinho desta oração trapalhona. Na verdade, a Sara entretem-se a repetir o que ouve os irmãos dizer. Acontece que não repete apenas uma das suas orações, mas todas, fazendo memória de todas as acções de graças por eles feitas nos últimos meses. Assim, até bem perto do Natal, a Sara agradecia pela praia - que não visita desde outubro; e a partir do Natal, a Sara começou a agradecer pela Curia, onde foi várias vezes durante as férias e onde se deleitou a dar pão aos peixinhos e aos patinhos:DSC00578.JPG

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Também agradece pela loja, isto é, a padaria onde o pai leva os irmãos de manhã cedo a comprar o pão, ao fim-de-semana, e que eles de vez em quando agradecem - a Sara fá-lo diariamente; e pela missa, claro está, mesmo nos dias de escola mais demorada.

 

O que a Sara faz, meus caros amigos, é afinal aquilo que todos somos chamados a fazer: a memória das bênçãos recebidas. A oração da Sara, que nos faz sorrir, faz-nos também recordar os belíssimos tempos de família passados à beira-mar, no longo verão, ou nos parques onde gostamos de brincar. A Sara não nos deixa esquecer! Diz-nos o salmo 77/78:

 

"O que ouvimos e aprendemos,

o que os nossos pais nos contaram,

não o ocultamos aos nossos descendentes,

mas o transmitiremos à geração seguinte:

os feitos gloriosos do Senhor,

o seu poder e as maravilhas que Ele fez.

O Senhor ordenou a nossos pais

que ensinassem a sua lei aos filhos,

para que os seus filhos, quando crescessem,

a transmitissem a seus próprios filhos,

para que pusessem a sua confiança em Deus

e não esquecessem os feitos de Deus..."

 

Estaremos nós suficientemente atentos às bênçãos recebidas? Será que recordamos e fazemos memória agradecida de tudo quanto do Senhor recebemos, ao longo da vida? Diremos vezes suficientes "Obrigado, Senhor"? Contamos aos nossos filhos a longa e bela História da nossa Salvação, registada na Bíblia?

Que a simplicidade da oração da Sara nos ajude a ver para além das nossas dores e das nossas queixas, para além das nossas limitações e do nosso pecado, e a fixar o olhar n'Aquele que nos criou, que nos salvou, e de Quem tudo recebemos...

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Limpezas de verão

por Teresa Power, em 19.08.14

Uma casa dá muito trabalho! Regressar de férias é também isto:

 

 

 

 

 

Lavar os cães, lavar o pátio, lavar a roupa, lavar os peluches. Enquanto o sol seca o pátio e a roupa num instante, os cães se rebolam na relva para se sujarem de novo, e a máquina da roupa gira sem parar, o coração transborda de alegria e de gratidão...

 

Vamos aproveitar também para lavar a alma. Preciso, para isso, de marcar com o senhor padre uma hora para nos atender a todos (ou quase) em confissão! Assim as limpezas ficarão completas, pelo menos durante alguns dias...

 

"Senhor, lava-me todo inteiro da minha culpa

E purifica-me do meu pecado!

Purifica-me com o hissope e ficarei limpo!

Lava-me, e ficarei mais branco do que a neve!

Faz-me ouvir júbilo e alegria..." (Sl 51/50)

 

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Regresso

por Teresa Power, em 14.08.14

A nossa viagem de regresso começou ainda não eram quatro horas da manhã:

 

À saída do aeroporto, em Lisboa, enfiámo-nos de novo o melhor que pudemos no carro de sete lugares, sabendo no entanto que, em casa, nos esperava o nosso carrinho de cinco lugares já bem arranjado (felizmente foi apenas o motor de arranque!) e pronto para novas aventuras...

Quando, finalmente, chegámos a casa, foi uma festa! A algazarra dos cães, dos gatos e das galinhas, a alegria de toda a Criação com que Deus nos abençoou, as flores no jardim, os tomates e as alfaces na horta, tudo festejou a nossa chegada!

 

 

Os cães não paravam de pular à nossa volta, excitadíssimos. Estavam muito bem cuidados, graças ao amigo do Francisco que, todas as tardes, os levava a passear.

Ao entrarmos em casa, esperavam-nos muitas surpresas. Logo à entrada, um enorme cartaz desejava-nos as boas vindas. Fora preparado com amor por uma Família de Caná que nos ajudou a tomar conta dos animais:

 

Mais à frente, no frigorífico, outra bela surpresa: o almoço pronto a comer, com direito a sobremesa, deixado na véspera com muito carinho pela "avó portuguesa"!

E muitas outras surpresas nos esperaram, deixando-nos sem palavras para poder agradecer, e com o coração cheio de gratidão. Deus, que vê o que está oculto, tratará de recompensar a generosidade de quem assim nos quer tanto bem!

 

Durante o resto da tarde, enquanto eu desfazia as malas e o Niall tratava do jardim e dos animais, os meninos brincaram com os cães e os gatos, correram pelo jardim e redescobriram os seus brinquedos. A Clarinha agarrou-se à guitarra, tocando música após música, depois de quase duas semanas sem tocar, e encheu o ar de canções.

É bom regressar a casa, sentir a presença de tantos amigos e da família portuguesa, saborear a alegria da vida com que Deus nos abençoou e continua a abençoar. No Canto de Oração, e como por um milagre de Deus, as plantas cresceram na nossa ausência. Acendemos as velas, pegámos nas guitarras, e dançámos, louvando o Senhor que nos criou...

 

Este mês, propus às Famílias de Caná um ensinamento sobre a parábola do tesouro e do campo:

 

“O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Quem o encontra, esconde-o de novo e, cheio de alegria, vai vender tudo o que tem e compra o campo.” (Mt 13, 44)

 

A cada um de nós, Deus confiou um campo: a nossa casa, a nossa família, a nossa vida. Somos responsáveis pelo nosso campo, como o Principezinho era responsável pelo seu pequeno planeta. Diz-nos o Evangelho que foi neste campo que Deus escondeu um tesouro!

O nosso campo é cada vez mais vasto e mais belo, pois deixou de ser apenas a nossa família para incluir as Famílias de Caná. E o tesouro, esse, faz com que tudo o resto seja apenas lixo...

 

(Passeando pelas ruas da nossa aldeia, utilizando meios de transporte variados :) no dia do nosso 18ºaniversário de casamento)

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publicado às 06:22

Queixinhas

por Teresa Power, em 22.07.14

Por causa da infecção que o Francisco arranjou na perna com a picada de vespa, estivemos uma semana "fechados" em casa. Finalmente, a perna ficou curada, e ontem de manhã lá nos pusemos nós a caminho da praia. Contentes, os meninos cantavam e batiam palmas no carro. Mas a meio caminho, um qualquer impedimento na estrada (obras? Um acidente?) fez-nos ficar parados meia hora, e porque a fila continuava a perder de vista, tivemos mesmo de regressar. Eu vinha bastante irritada. Uma semana trancados, e quando finalmente podemos ir de novo à praia, acontece isto! Decidi parar na mercearia e na farmácia para umas compras de última hora e, com a pressa, escorreguei e estatelei-me no chão contra o vidro da farmácia. Uma dor aguda penetrou-me no joelho, pensei que ia desmaiar, e quase morri de vergonha ao ver toda a gente à minha volta, ou melhor, uma série de pés e pernas, porque eu não conseguia levantar a cabeça para ver a quem pertenciam...

Quando cheguei a casa, o Niall telefonou-me também com uma má notícia: perdera o comboio que o levaria a Lisboa a uma reunião importante, e quer fosse de carro, quer no comboio seguinte, já ia chegar atrasado. Também ele não tivera culpa: a ligação entre Mogofores e Coimbra atrasara-se! Ao telefone, queixámo-nos da vida, ambos a tentar controlar os nervos, e eu a coxear, com o joelho magoado.

 

Pouco tempo depois, o Niall telefonou-me de novo. Enquanto esperava pelo comboio seguinte, estivera num café e vira as notícias na televisão. Na Faixa de Gaza, centenas de pessoas tinham morrido no dia anterior. O Niall assistiu a uma cena que lhe gelou o sangue: uma bomba explodiu sobre uma criança, o pai pegou nela ao colo e, em pânico, levou-a nos braços até ao hospital, apenas para escutar dos médicos que a menina estava morta. MORTA! Uma criança... Que revolta, que angústia, que dor não atravessará a alma daquele pai, e de tantos outros como ele!

Nós vivemos no primeiro mundo, com todas as comodidades da vida. Talvez não tenhamos dinheiro para compras supérfluas, talvez não tenhamos dinheiro para férias, talvez nos falte até o essencial no final do mês... Mas não temos de que nos queixar! Os nossos filhos e as nossas filhas não nos são roubados na guerra nem morrem de fome nas sargetas. Temos tanto, vivemos com tanto, e queixamo-nos tanto! Quanta ingratidão! Lembra-me a censura de Jesus a Simão, o fariseu, que o convidou um dia para jantar em sua casa. Simão tinha tudo, mas não era agradecido; e a adúltera, um ser miserável e desprezível aos olhos de todos, não tinha nada, mas transbordava gratidão:

 

"Vês esta mulher, Simão? Entrei em tua casa e tu não Me deste água para lavar os pés; mas esta mulher lavou os meus pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Tu não Me saudaste com um beijo; mas ela, desde que entrou, não parou de Me beijar os pés. Tu não Me ungiste a cabeça com óleo. Ela ungiu-Me os pés com perfume..." (Lc 7, 44-46)

 

Não fomos à praia de manhã, como gostamos de fazer, mas terminámos o dia numa magnífica praia fluvial. No caminho, rezámos o terço, e oferecemo-lo por duas intenções: acção de graças pela vida maravilhosa que temos, e súplica pelos milhões de irmãos nossos que sofrem no mundo...

 

 

 

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Irmãos na alegria - e na dor também!

por Teresa Power, em 17.05.14

Na semana passada, quando cheguei ao Centro Social S. José de Cluny para buscar os três mais novos, a educadora do António tinha uma história para contar:

 

Nessa tarde, no refeitório à hora do lanche, a Sara demorara um pouco mais de tempo a comer o pão, e consequentemente, ficara sentadinha na sua cadeira já depois dos seus pequenos amigos terem ido brincar. Da sua mesa, o António observava a irmã, e ao vê-la sozinha na "mesa dos bebés", a inquietação começou a crescer dentro dele. Quando a educadora levou os meninos da sala do António para o recreio, o António recusou-se a brincar, pois a sua maninha estava sozinha a lanchar! E, sentado num canto, ali ficou muito triste. Passaram-se uns dez minutos, e por fim, a educadora lembrou-se de pedir à educadora da Sara que viesse por favor mostrar ao António a sua mana. A Sara, sorridente, já tinha acabado o lanche há algum tempo e estava bem mais feliz do que o António! Só então ele se decidiu ir brincar.

 

Escutando aquela história do António, pensei na imagem do Corpo Místico que S. Paulo nos dá:

 

"Pois como o corpo é só um e tem muitos membros, assim também Cristo.

Se o pé dissesse: "Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo", nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. Não pode o olho dizer à mão: "Não tenho necessidade de ti"..." (1Cor 12)

 

Seguindo esta mesma imagem, quando qualquer parte do nosso corpo está magoada, é o corpo inteiro que sofre. Um só espinho cravado no dedo mindinho é suficiente para que o mal-estar seja geral!

Se a Sara está triste, a alegria do António não pode ser completa, pois são membros de um mesmo corpo: a família.

 

No início do mês, as estradas de Portugal encheram-se de gente que caminhava até Fátima, cantando, rezando - e fazendo bolhas e feridas nos pés e nas pernas. Para quê tanto sacrifício, perguntam alguns. Deus não exige o sofrimento! Que razões apontam os cristãos para a dor desnecessária, isto é, aquela que não advém da doença, da vida, da morte, mas que é escolhida propositadamente para ser oferecida?

 

Em Fátima, o Anjo de Portugal falou assim aos pastorinhos:

 

"Orai, orai muito. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

- Como nos havemos de sacrificar?

- De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa pátria, a paz. Sobretudo, aceitai o sofrimento que o Senhor vos enviar."

(Memórias da Irmã Lúcia I, p. 57)

 

A partir desse dia, conta-nos a Lúcia, os pastorinhos aproveitavam todas as ocasiões para oferecer uma linda prenda ao Senhor: privavam-se de alimento, adiavam a água nos dias de calor, ajoelhavam nas pedras duras. 

Somos membros do mesmo corpo: a família humana, a família de Deus. E se o meu irmão sofre de fome, ou está doente, ou é agredido, ou vive no meio da guerra, ou é escravo do vício e de toda a espécie de maldade, então eu preciso de partilhar um pouquinho da sua dor. Como o António em relação à Sara, preciso de experimentar um pouquinho de desconforto para que me possa sentir solidário com quem quero amar.

 

Mas o mais belo disto tudo é a imensa generosidade de Deus: nada do que eu Lhe oferecer, nada do que eu sofrer, é em vão. Se eu entregar a Deus a dor dos meus pés caminhantes; se eu Lhe oferecer o chocolate que não comi; se eu Lhe der o copo de água que adiei, se Lhe entregar a minha dor de cabeça, a minha desilusão, o meu fracasso, a minha falta de dinheiro, a minha doença, Deus pegará carinhosamente nestas pequenas prendas e, com elas, aliviará a dor de algum irmão que não conheço. A minha pequena renúncia converter-se-á para ele em salvação. A oração e o sacrifício de três crianças pode atraír a paz sobre um país? O Anjo de Portugal assegurou-nos que sim. O que não fará a oração e o sacrifício de todo o povo cristão!

 

Que mistério imenso esconde Deus, para assim querer necessitar da nossa solidariedade espiritual? Esse mistério chama-se gratidão: como um bom pai de família, Deus quer que os seus filhos estejam ligados por laços de gratidão uns para com os outros, para assim se amarem de verdade. No céu, vou encontrar-me com todos aqueles que, pela sua oração e sacrifício - sem disso terem consciência - me permitiram conhecer e amar Jesus. Que surpresas iremos ter, ao descobrir a quem devemos a nossa felicidade! E que grande festa faremos então!

 

 

 

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