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Parabéns, Tomás!

por Teresa Power, em 16.12.15

Terias hoje onze anos. Como será fazer anos no céu? Haverá uma festa especial? O teu anjo da guarda saltará de alegria à tua volta? Jesus tomar-te-á nos braços com carinho a duplicar? Será que o bolo de anos de Maria é melhor que o meu?... São perguntas assim que os teus irmãos me fazem neste dia, quando acendemos a tua vela e te cantamos os parabéns, à mesa do jantar.

E no entanto, nada do que possamos responder se assemelha sequer à festa que tu vives... S. Paulo, que teve visões e êxtases sem fim, e que subiu, segundo contou, ao sétimo céu, reconhecia contudo que o céu verdadeiro, aquele que só conhece quem já não vive na Terra, esse céu é infinitamente melhor que a nossa mais bela imaginação. Escreveu ele:

 

"Nem olho viu, nem ouvido ouviu, as maravilhas que Deus tem preparadas para aqueles que ama..." (1Cor 2, 9)

 

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Eu sei que, se pudesses escolher, não quererias regressar a esta Terra de sombras. Eu sei que, aí onde estás, a tua capacidade de amar se aprofunda a cada instante de eternidade que passa, e hoje me amas mais do que qualquer um dos teus irmãos. Eu sei, com a sabedoria que só a fé pode dar, que és feliz, plenamente feliz, e que a tua alegria é completa. Há muito que deixei de me demorar em pensamentos estéreis, desejando uma realidade diferente da que é nossa... Hoje, quando vejo no colégio os meninos que deveriam ser os teus colegas de turma - sim, eu sei bem quem eles são, porque nunca os perdi de vista... - já não me deixo tomar pela nostalgia do que podia ter sido, mas não é. Tudo isso, querido filho, passou, porque Deus me concedeu a graça de querer apenas o que Ele quer. Deus, Tomás, só Deus nos basta...

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Obrigada, meu Deus, porque criaste o Tomás!

 

 

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publicado às 06:00

Parabéns, Olívia!

por Teresa Power, em 12.11.15

Ainda ontem escrevia que não iria haver mais nenhum post até segunda-feira, e já aqui estou a quebrar a minha palavra... Mas é por uma boa causa. Certamente já adivinharam qual! Sim, é verdade, a pequena Lúcia, a bebé da nossa querida Olívia, foi ontem para casa! Depois de muitos e complexos exames, a neuropediatra concluiu que a menina não tinha quaisquer sequelas resultantes da paragem cardio-respiratória durante o parto. O susto passou, com a graça de Deus e a oração poderosa de todos quantos se uniram a nós! Aguardamos agora com alegria que toda a família recupere emocional e fisicamente de tão dura batalha, e possamos ter notícias fresquinhas no belíssimo blogue da Família Batista. Tenho a certeza de que a Olívia terá muitas coisas para contar! Que dizem deste sorriso maroto?

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 Enquanto recebia as notícias de perfeita felicidade da Olívia, pus-me a pensar no que significa isto de estarmos vivos. Talvez não sejam muitos os momentos em que nos damos conta da preciosidade da vida humana, da grandeza do mistério que nos envolve, e simultaneamente, da fragilidade de que somos feitos... O Livro do Génesis oferece-nos esta meditação logo no seu início:

 

"Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo." (Gn 2, 7)

 

Somos pó da terra e pó das estrelas, descendentes dos astros e dos mares, habitantes da lama e dos abismos; mas somos também espírito, sopro, Vida. Que mistério! E Deus contém-nos na concha da sua mão...

De revelação em revelação, acordaremos um dia para a notícia mais bela de todas: finalmente, definitivamente, estamos curados! Nesse dia sem ocaso, o Senhor pegará em nós ao colo e, como fez a Olívia ontem à noite à sua bebé, levar-nos-á para Casa. Se os reencontros e as celebrações da Terra podem expressar tamanha felicidade, imaginem as do Céu...

 

 

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publicado às 06:00

Magusto, adoração e uma bebé recém-nascida

por Teresa Power, em 09.11.15

Sábado foi um dia de sol radiante. Tudo brilhava: as gotas de orvalho na relva, a roupa finalmente estendida, o chão lavado de fresco. Depois de uma longa semana de mau tempo, os meninos deliciaram-se no jardim e em Náturia, gritando de entusiasmo.

Também a nossa paróquia estava em festa, celebrando S. Martinho: sábado foi dia de magusto. Assim, depois da catequese, reunimo-nos todos no pátio do colégio salesiano para fazer a festa tradicional. Ora vejam a alegria!

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 No entanto, nos nossos corações nem tudo exultava: as Famílias de Caná presentes no magusto não se esqueciam da pequena Lúcia, a bebé recém-nascida da Olívia, que está a fazer uma entrada no mundo tão dolorosa. Depois de um parto muito difícil, a Lúcia sofreu uma paragem cardio-respiratória e teve de ser levada para uma incubadora e para muitas avaliações. Como podíamos nós alegrarmo-nos enquanto a nossa amiga sofria? Fomos conversando entre nós, partilhando as notícias que tínhamos, e depois, um a um, fomos conversar com Quem tudo pode e tudo conhece:

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Tratava-se do primeiro sábado do mês, o que significa, na nossa paróquia, adoração ao Santíssimo durante todo o dia. Vinha mesmo a propósito! Era mesmo com Jesus que eu queria falar. Queria dizer-Lhe o quanto me custa saber que há bebés a sofrer, saber que os nossos amigos sofrem, saber que a pequena Lúcia não pode ir já para sua casa e aproveitar o colinho bom dos seus papás e maninhas. Queria dizer-Lhe que não concordo nada com este sofrimento, porque a Olívia não merece.

"Achas que Eu mereci?"

Jesus olhava-me do ostensório, carinhoso e firme.

"Achas que Eu mereci?"

Jesus-Eucaristia estava diante de mim, exposto como na Cruz, Pão que primeiro foi grão e que o sofrimento amassou. Eu gosto de fazer adoração eucarística em lugares que tenham um crucifixo por perto, pois ajuda-me a concentrar no mistério que tenho diante dos olhos: Jesus só se pode dar a mim na Eucaristia, como alimento e remédio, como vida e amor, porque morreu na Cruz. O Corpo de Jesus, oferecido na Eucaristia, é o mesmo Corpo suspenso da Cruz... Que fez Jesus para merecer a Cruz? Amou, perdoou, curou, salvou de dia e de noite, sem descanso? Imaginei os anjos de Deus na hora da crucifixão, estarrecidos, em choque perante a loucura do amor divino. Porquê, Senhor? Por que Te deixaste matar? Por que permites que haja dor? Depois lembrei-me de S. Paulo:

 

"Cristo, que era de condição divina,

não Se valeu da sua igualdade com Deus,

mas aniquilou-Se a Si mesmo.

Assumindo a condição de servo,

obedeceu até à morte,

e morte de Cruz!"

 

Mas S. Paulo continua:

 

"Por isso Deus O exaltou

e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes,

para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem

no Céu, na Terra e nos infernos,

e toda a lingua proclame que Jesus é o Senhor,

para glória de Deus Pai.

Amen!" (Fl 2, 6-11)

 

Há uma ligação intensa, misteriosa e profunda entre o sofrimento e a alegria, a dor e a glória, como duas faces da mesma moeda. O sofrimento da pequenina Lúcia é certamente muito mais fecundo do que a menor das minhas orações, e a dor da Olívia e do Álvaro é capaz de converter mais corações do que qualquer das minhas palavras. A Cruz tem um poder que nada mais consegue ter sobre a Terra. Mas estas coisas não podem ser explicadas, apenas vividas. 

Saí da oração para brincar um pouco com os meus filhos. Eles estavam felizes, sujos e transpirados, chutando bolas e enfarruscando a cara. O telemóvel vibrou, e eu li um SMS da Olívia: "A Lúcia está a ficar mais forte a cada hora! Obrigada a todos quantos se preocupam e não desistem de rezar. Nós seremos sempre gratos." Ao telefone, horas mais tarde, a Olívia explicou-me que a Lúcia terá ainda um longo caminho a fazer no hospital, para avaliar o seu comportamento neurológico, mas que já deixou a incubadora, embora continue nos cuidados intensivos neo-natais. Há fortes esperanças de que a bebé não fique com sequelas neurológicas. No mail, esperavam-me  duas lindas fotografias:

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A alegria do magusto e a dor da família Batista... Crianças a brincar e crianças nos hospitais a sofrer... Jesus Ressuscitado e Jesus Crucificado... Dizia Santa Teresinha, pouco antes de morrer: "Não sei como será quando eu chegar ao céu. Deus terá de modificar o meu temperamento, pois eu não consigo imaginar uma felicidade que não tenha uma mistura de dor." Enquanto vivermos neste mundo, nunca encontraremos alegria perfeita. Mas de uma forma misteriosa, esta mistura de dor e alegria é a fonte da nossa felicidade...

 

 

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publicado às 06:00

Parabéns, Tomás!

por Teresa Power, em 16.12.14

No céu, onde tu habitas, e cá em casa, há hoje uma grande festa: faz dez anos que nasceste! Nesse dia, pensei que eras meu. Eras tão lindo! Tinhas uns olhos azuis grandes e quase nunca choravas. Mamavas bem, dormias sem chupeta, eras o bebé perfeito...

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Um ano e meio depois, compreendi a verdade: afinal, tu não eras meu. Tu pertences a Deus, Tomás, como eu também pertenço. Foste-me confiado por Deus por pouco tempo, para me ensinares muitas coisas, e para me ajudares a crescer.

A tua passagem pela Terra foi curta, mas aos olhos de Deus, foi completa. E sabes porquê? Porque na tua simplicidade de criança, tu não fizeste senão a vontade de Deus. E o tempo é-nos oferecido para isso mesmo! Diz o salmista:

 

"Mil anos a teus olhos são como o dia de ontem, que já passou,

e como uma vigília da noite." (Sl 90)

 

Cada vez que o meu pensamento se demora em ti, sou de novo obrigada a devolver-te ao Senhor e a renunciar à alegria humana de te ver crescer, como vejo os teus irmãos. E é por isso que também te quero agradecer: tu desafias-me a viver na verdade, tomando consciência de que nada do que tenho é meu. Tu desafias-me a perder o medo, especialmente o medo do sofrimento e o medo da morte, pois agora eu sei que "dor" rima com "amor", e que a morte não passa de uma leve cortina oscilando ao vento entre duas realidades.

Que liberdade interior, quando vivemos sem medo de sofrer! Que felicidade, quando percebemos que esta vida é a madrugada da eternidade! Também eu, Tomás, caminho em direcção a Casa, essa Casa onde um dia nos encontraremos em Deus, e então seremos tão felizes!

Reza por esta família que tens aqui na Terra. Pede ao Senhor que, como tu, também cada um de nós seja santo. Parabéns pelo que és, Tomás Emanuel!

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publicado às 06:12

Parabéns, Lúcia!

por Teresa Power, em 02.10.14

Hoje a Lúcia faz seis anos! Que grande dia! Olhei para ela ontem à noite, quando lhe dei um beijo de boas noites. Sorrindo-me com o seu sorriso desdentado, as tranças trapalhonas na cabeça e um ursinho de peluche debaixo do braço, a Lúcia recordou-me:

- Amanhã quando acordar já estou mais crescida!

Claro que está. Muito mais crescida!

Recordo com nitidez o dia do seu nascimento e os primeiros meses da sua vida. Muito emotiva, a Lúcia alternava entre o choro e o riso várias vezes por dia e queria colinho a toda a hora, desejo que eu sempre realizei com muito agrado!

A Lúcia aprendeu a andar, a falar e a deixar a fralda muito cedo. Foi sempre uma menina muito independente, segura de si e confiante. Durante alguns anos, a Lúcia chorava baixinho e fazia birras difíceis de contornar, porque eram longos períodos de amuos silenciosos. Hoje, tudo isso está ultrapassado, e a Lúcia raramente perde o controlo de si própria. Gosta de brincar com as bonecas, mas ainda gosta mais de subir às árvores, patinar e andar de bicicleta:

 

 

 

 

Agora, a Lúcia é menina da primária e finalmente irá realizar o seu grande desejo de ir à catequese com os manos mais velhos. Na missa, também já perdeu o direito de andar a rodopiar pela igreja, pois aos seis anos é preciso aprender a estar quieta, concentrada e silenciosa. A Lúcia assumiu mais esse encargo com determinação, para grande alívio do pai, que agora já "só" precisa de vigiar e ralhar à Sara e ao António!

 

Hoje é dia dos santos anjos da guarda. No meu coração, ecoam as palavras bíblicas de bênção, com que peço ao Senhor a bênção para a minha menina:

 

"Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque o Senhor mandará aos seus anjos

que te guardem em todos os teus caminhos." (Sl 90/91)

Ámen!

 

 

 

 

 

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publicado às 06:51

Parabéns, Sara!

por Teresa Power, em 20.09.14

Hoje a Sara faz dois anos! Quando lerem este post, estaremos certamente a caminho de Almada, para o retiro Famílias de Caná. A Sara irá a dormir no carro, esperamos nós, e quando acordar terá direito, no carro, a um pequeno-almoço VIP, com croissants, bolos e sumo, ou não fosse ela a aniversariante! Esperamos ainda que não se suje demasiado, para chegar bonita ao retiro! E, claro, esperamos que não se canse de estar três horas no carro! Tantos desejos, e ainda só são cinco horas da manhã...

 

A Sara nasceu num instante. E num instante, cresceu... Recordo a emoção do seu nascimento, mas recordo sobretudo a alegria e a emoção dos irmãos. Quando cheguei a casa com a Sara na alcofa, toda enroscadinha, de olhos fechados, o António perguntou-me muito admirado:

- Como é que a Sara vai fazer hoje à noite para rezar?

- Como assim, António?

- Acho que ela ainda não sabe falar...

Mais tarde, o Francisco pediu para a ter ao colo. E quando eu lha dei, um sorriso cheio de emoção atravessou-lhe o rosto e o olhar. Foi  quando eu me dei conta de que também o Francisco crescera... A Sara não era para ele mais uma mana a entrar em casa, como tinham sido o David, a Lúcia ou o António. Pela primeira vez, o Francisco contemplava um bebé com olhar adulto, emocionando-se diante da sua inocência.

 

 

A Sara nasceu numa casa cheia de gente, e talvez por isso, só está bem em clima de festa e de multidão. A Sara acha que, no mundo, há sempre alguém com quem brincar, alguém que lhe faça cócegas ou a leve às cavalitas, alguém que lhe passe uma bola ou ofereça uma bolacha. Se um irmão não está em casa, a Sara procura-o insistentemente por todo o lado, para depois fazer um gesto triste: "Não há!"

A Sara quase nunca chora. A Sara tem um sorriso lindo e uma gargalhada contagiante. A Sara é o meu bebé.

 

"O Senhor te abençoe e te guarde!

O Senhor faça brilhar sobre ti a sua Face e te seja favorável!

O Senhor volte para ti o seu Rosto e te dê a paz!"

(Nm 6, 25-26)

 

Parabéns, querida Sara!

 

 

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publicado às 05:13

Parabéns, David!

por Teresa Power, em 14.09.14

Hoje é dia de festa a triplicar: Festa da Exaltação da Santa Cruz, primeiro aniversário das Famílias de Caná e... 8º ANIVERSÁRIO DO DAVID!

Faz hoje oito anos que o nosso menino nasceu, com pouco mais de dois quilos e sobrolho franzido, depois de uma gravidez muito atribulada! Era muito pequenino, muito magrinho, mas extremamente amado e desejado. O seu nascimento, entre risos e lágrimas, foi um dos momentos mais marcantes da nossa família...

 

Hoje, o David é uma criança segura, calma, discreta, que gosta de estar sozinho com um livro ou com a sua colecção de animais, que já foi a colecção de animais do Francisco. O David tem um coração grande e uma vontade forte, e detesta zangar-se seja com quem for. Por enquanto acha que vai ser surfista (embora nunca tenha estado numa prancha de surf), ciclista e padre, se for possível ser tudo isso ao mesmo tempo. Se não for possível, o David diz que ainda tem tempo para escolher. Sim, David, tens muito tempo!

 

Com o nascimento do David, quatro meses depois da morte do Tomás, cumpriu-se em nós a Palavra da Escritura que diz:

 

"Eu mudarei o teu luto em alegria! Eu te consolarei!" (Jr 31, 13)

 

O David nasceu na Festa da Exaltação da Santa Cruz. A primeira leitura desta belíssima festa, que hoje escutamos, diz-nos que

 

"Moisés fez uma serpente de bronze e colocou-a num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente venenosa, olhava para a serpente de bronze e ficava curado." (Nm 21, 9)

 

Quando o David nasceu, a Cruz de Jesus libertou-nos, como ao Bom Ladrão, do peso da nossa própria cruz, curando-nos do veneno da tristeza. Ah, os mistérios do amor de Deus...

 

Parabéns, querido David!

 

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publicado às 06:40

O Evangelho dos cinco dedos

por Teresa Power, em 05.09.14

O David nasceu em setembro, quatro meses após a morte do Tomás. O seu nascimento esteve por isso envolto em muita emoção, e os dias passavam-se com muitas lágrimas onde a tristeza e a alegria, a saudade e a felicidade alternavam a uma velocidade relâmpago, empurradas pelas alterações hormonais do pós-parto.

 

Esta pequena história aconteceu quando o David tinha uns oito dias de vida. Ouvi tocar a campaínha. Era a carteira. Vinha na sua motorizada, como costume. Quase todos os dias parava à nossa porta com um embrulho novo, vindo de Lisboa, da Irlanda ou de Barcelona, com um presente para o nosso bebé recém-nascido. Fui abrir.

- Bom dia! Nova prenda! De onde vem esta hoje? - Perguntei.

- Bem, esta não vem de lado nenhum - Respondeu-me a carteira, a sorrir timidamente.

- Mas... Como assim? É um embrulho...

A carteira pareceu hesitar um instante. Depois explicou:

- Já dei conta de que o seu bebé nasceu, porque vejo tantos embrulhos todos os dias. Também dei conta de que o seu outro bebé morreu... Sim, trouxe tantos telegramas e cartas de condolências... Nós os carteiros sabemos tudo... Bem... Eu também tenho filhos, e tenho chorado ao pensar na sua história! Agora quero alegrar-me consigo: esta prenda é... minha!

Abri o embrulho, com lágrimas nos olhos. Trazia dentro um lindo babygrow e um gorro pequenino. Abracei a carteira, que sorria envergonhada.

 

Hoje é o dia da Madre Teresa de Calcutá. E em sua honra, é também o Dia Internacional da Caridade. Foi ao ler alguns pensamentos da Madre que hoje recordei esta pequena história. Nas suas visitas ao ocidente, a Madre repetia muitas vezes as mesmas perguntas: "Será que nós sabemos onde está o nosso irmão que sofre? Conhecemos a dor dos nossos vizinhos?" Quando lhe pediam para resumir o principal do Evangelho, a Madre costumava pegar na mão aberta do seu interlocutor e soletrar, tocando em cada um dos cinco dedos: "YOU DID IT TO ME" (A Mim o fizestes). Chama-lhe o Evangelho dos Cinco Dedos...

 

A carteira que servia a nossa rua, na Gafanha da Encarnação, estava atenta. Distribuir o correio era para ela ocasião de fazer o bem, de partilhar a dor e a alegria do seu próximo, vivendo no trabalho o Evangelho dos Cinco Dedos.

Cá em casa, estamos todos de volta à escola e ao trabalho. É altura de todos aprendermos a praticar o Evangelho dos Cinco Dedos! A história da Madre Teresa foi uma belíssima forma de recordarmos em família o essencial da mensagem de Jesus...

 

"«Senhor, quando foi que Te vimos com fome ou com sede e Te demos de comer e beber, despido e Te vestimos, preso ou doente e Te visitámos, estrangeiro e Te acolhemos?» «Sempre que o fizestes a um desses vossos irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.»" (Mt 25, 37-40)

 

 

 

 

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publicado às 06:50

Tomás

por Teresa Power, em 16.12.13

Faz hoje nove anos que nasceste. Foste o mais belo presente de natal que recebemos, o teu pai e eu. Deitado nos meus braços, abriste os teus olhos azuis, brilhantes  como dois faróis, e eu fiquei ali, contente apenas por te poder contemplar.

Porque nasceste no Natal, juntámos ao teu nome a palavra Emanuel, "Deus Connosco", como Isaías profetizara sobre Jesus tantos séculos antes do seu nascimento:

 

"Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho chamado Emanuel." (Is 8, 8-10)

 

Estávamos, nesse dia feliz, longe de imaginar que o teu nome, tal como o nome de Jesus, era também uma profecia. Na verdade, aos dezassete meses tu deixaste a Terra e entraste no Céu. E porque estás no Céu, mas continuas a ser um de nós, então toda a nossa família já tem um pé no Céu enquanto ainda vive sobre a Terra. Por ti, nós estamos em Deus e Deus está connosco.

 

Disseram-me para pensar em ti como uma pequena estrela a brilhar no firmamento. Nunca o consegui fazer. As estrelas estão tão longe, e tu estás tão perto! Prefiro imaginar-te aqui, ao meu lado, espreitando esta carta que te escrevo e guardando os meus passos e os dos teus irmãos, como um anjo da guarda. Estás mais perto de mim que qualquer outro dos teus irmãos, e certamente bem mais perto que qualquer estrela. Que nos separa então? Estamos no mesmo quarto e vivemos lado a lado, mas tu estás no Céu, e eu na Terra; tu caminhas ao sol, e eu caminho na sombra; tu só conheces a alegria, e eu conheço também a dor e a saudade.

 

Faz hoje nove anos que nasceste. Parabéns, Tomás Emanuel! E como todas as manhãs e todas as noites pedimos em coro, também agora te peço:

 

Tomás, reza por nós!

 


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publicado às 07:12



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