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Pertença

por Teresa Power, em 06.02.14

O triste video da defesa que os jovens universitários fazem da praxe está a correr a blogosfera. Quem o quiser visualisar pode fazê-lo aqui. Todos comentam o quão patéticas são as afirmações "temos o direito a ser humilhados", e "a vida é assim mesmo: andar de quatro e outras coisas". São, de facto, patéticas. Mais patéticas são as palmas que estas afirmações mereceram, pois permitem-nos concluir que não se tratam de casos isolados, mas de uma atitude que atravessa o ensino superior como um vírus.

Mas não é sobre isso que eu quero aqui falar. Depois de ver o vídeo com o Francisco e com o Niall, depois de conversarmos em família sobre o que vimos, detivémo-nos num ponto central e até agora ainda não discutido: a falta de pertença de que sofrem estes jovens. Quem aceita e procura a humilhação como forma de integração seja lá onde for, é porque está desesperadamente à procura de um grupo, de amigos, de família. Quando se está faminto, qualquer alimento serve. Quem está a morrer de sede, é capaz de beber a própria urina.

O Facebook, afinal, não gera comunidade. A Internet, os jogos de computador, o mundo virtual não é suficiente para criar laços de pertença efectiva. As famílias andam demasiado ocupadas com o trabalho ou a falta dele. Os nossos jovens estão famintos. Eles não são menos inteligentes nem mais patetas do que nós eramos: eles estão à procura de algo ou de alguém que os faça sentir família.

Precisamos urgentemente que os jovens cresçam juntos em relações saudáveis, em projectos de solidariedade, em grupos de jovens, em movimentos de Igreja. Precisamos que os jovens se encontrem, como diz o vídeo, para enfrentarem um inimigo comum - e que descubram esse inimigo não nos seus colegas de curso com mais matrículas e menos inteligência, mas na mundanidade e na superficialidade que a sociedade lhes quer impingir. Precisamos que eles cruzem os seus olhares, como diz o vídeo, quando os baixam, não porque estão a ser humilhados, mas porque no chão está alguém que eles vão levantar.

Os jovens universitários não precisam das nossas gargalhadas trocistas nem dos nossos comentários intelectuais; eles precisam que vamos ao seu encontro e lhes ofereçamos causas pelas quais lutar, pelas quais viver, pelas quais se unir.

O papa Francisco tem insistido e voltado a insistir na necessidade da Igreja sair para as periferias da vida, ao encontro dos que estão perdidos. De que estamos à espera?

 

 

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publicado às 09:02

Imagem e semelhança de Deus

por Teresa Power, em 01.02.14

A conversa sobre a praxe tem sido uma constante cá em casa. Embora ainda não tenhamos nenhum filho na universidade, o Francisco caminha a passos largos para lá. Já está no décimo ano e mantém uma paixão sempre crescente por engenharia. Assim, temos acompanhado o "mini-debate" em torno da praxe. Sim, mini, porque a praxe merece um debate bastante maior, não apenas a nível das universidades, mas de toda a sociedade e de todas as Igrejas.

 

Igrejas? Os cristãos, os judeus e os muçulmanos partilham a convicção de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Basta ler o primeiro livro da Bíblia, que contém em potência todos os outros livros:

 

"Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra.

Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus Ele os criou, homem e mulher Ele os criou." (Gen 1, 26-27)

 

À medida que, no nosso mundo ocidental, se perdem - e se atropelam - as referências cristãs, perde-se também a imagem do homem como semelhança de Deus. Basta olhar em redor: os excessos de tatus e de piercings, os rituais de sexta-feira 13, os excessos no Hallowe'en e as praxes modernas revelam um regresso a um primitivismo intolerável, a um tempo anterior ao cristianismo e consequente desenvolvimento dos Direitos Humanos. Desfear propositadamente o ser humano, rebaixá-lo ao nível dos "répteis que rastejam sobre a terra" e retirar-lhe o poder sobre a Criação é um atentado contra a sua dignidade e, porque somos semelhança de Deus, uma ofensa ao próprio Criador. Tudo o que rebaixe o ser humano, tudo o que o desfeie, tudo o que o mutile, tudo o que o destrua, só pode ser sinal do Maligno. Toda a humilhação do Homem é humilhação de Deus.

 

 A praxe é uma brincadeira? As brincadeiras deixam na alma e na vida um rasto de alegria e de paz. Acredito que seja uma brincadeira em muitos locais e com muitos jovens, como foi comigo no meu tempo de Coimbra. Mas não é dessa praxe que estamos a falar...

 

 

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publicado às 08:24



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