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A mulher forte

por Teresa Power, em 08.03.16

- Teresa, trouxe-te um presente! - O Niall acabava de entrar em casa e ainda nem sequer tirara o casaco, mas o entusiasmo era enorme. Tirei-lhe a mala das mãos e abri-a, curiosa. Depois soltei um grito de alegria.

- Há um ano que espero por este livro, Niall! Eu não sabia que ele já tinha sido escrito, mas tinha a certeza de que, um dia, alguém iria escrever esta história. Tinha a certeza! E como vês, não me enganei... Há histórias que precisam de ser escritas, para não serem esquecidas, para brilharem nas trevas. E esta é uma delas! Obrigada, oh, obrigada!

Lembram-se da Meriam Ibrahim? Escrevi vários posts sobre ela aqui aqui, aqui, aqui.   A mulher de 27 anos, com um filho pequenino e grávida novamente, que o Sudão condenou à morte por ser cristã? E que nunca, por um segundo, renegou a sua fé? E que deu à luz acorrentada, sozinha na escuridão da cela? E que foi depois recebida pelo Papa Francisco?

A Bíblia apresenta-nos muitas mulheres fortes. Nos Provérbios, descreve-as assim:

 

"Uma mulher de valor, quem a poderá encontrar? O seu preço é muito superior ao das pérolas. O coração do marido nela confia e jamais lhe falta coisa alguma. Ela proporciona-lhe o bem e nunca o mal, em todos os dias da sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha de boa vontade com as suas mãos. Levanta-se, ainda de noite, distribui o alimento pelos da sua casa... Cinge fortemente os seus rins, e os seus braços têm sempre força. A sua lâmpada não se apaga durante a noite." (Pr 31)

 

A lâmpada de Meriam também nunca se apagará. A mim, ela ilumina-me e aquece-me o coração. Escrevo este post às onze da noite, cheia de pressa, porque quero sentar-me na cama para ler o meu presente do Dia da Mulher... Que neste dia o Senhor abençoe todas as mulheres da Terra, a todas proteja, e a todas fortaleça com a sua graça como fez com Meriam! Ámen.

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Natal

por Teresa Power, em 28.12.15

- Sara, amanhã é dia de Natal! Não chores!

A Sara estava triste porque não queria ir embora. Estávamos na casa das avós, onde passámos toda a tarde e a consoada de dia 24. Depois de um belo jantar, cantámos cânticos de Natal em volta do presépio e agora chegara a altura de ir para casa. Mas a Sara não queria ir embora.

- Amanhã, Sara, quando acordares é Natal! Sabes o que é Natal?

A Sara sabia:

- Jesus vai nascer.

- Pois é, Jesus vai nascer. E para celebrar tão grande festa, tu vais ter prendas!

Por esta não esperava a Sara.

- Prendas?

- Sim! - Os manos conhecem todos os segredos do Natal: - Amanhã, quando acordares, acordas o papá e a mamã, porque eles têm a chave da sala bem guardada debaixo da almofada...

- Claro! Não queremos correr o risco de ter os presentes todos desembrulhados às duas da manhã, como já quase aconteceu! E não se atrevam a acordar-nos antes das seis horas, que nós só abrimos a porta às seis!

A expetativa das prendas de Natal convenceu a Sara a entrar no carro para regressar a casa. A viagem de regresso, pelas estradas desertas, sob a luz das estrelas e ao som dos cânticos de Natal, é em si mesma uma oração.

Sete da manhã, dia de Natal:

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E quando a porta se abriu, que alegria! Papel de embrulho por todo o lado, gritos de excitação, a sala transformada em cenário de fantasia...

Depois, entre exclamações de felicidade, ajoelhámos e agradecemos ao Menino todas as bênçãos deste ano e deste Natal.

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E depois de um pequeno almoço de festa, com bolos e panquecas, chegou o momento principal do Natal: a missa.

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 O dia foi de festa, entre muitas brincadeiras com os primos e tempo de conversa calma para os adultos. Natal é também esta disponibilidade para estar com a família alargada, sem pressas.

- Meninos, vamos rezar o terço - Anunciei, na viagem de regresso de Coimbra até casa. Geralmente, o terço leva pouco mais de quinze minutos a rezar, mas desta vez durou a viagem inteira, cerca de meia hora. É que a cada mistério da alegria, aproveitei para contar a história do Natal com todos os pormenores. Há tantos detalhes que as crianças desconhecem, e que tornam a história tão bela! Porque ficou Maria perturbada com o anúncio do anjo? Como se chamava a terra onde vivia Isabel? Porque teve Maria de ir a Belém? Quem estava no Templo à espera de Jesus, quando Maria e José O foram apresentar?

- Vamos para o último mistério da alegria - Anunciei, já muito perto de casa. - Quem sabe qual é?

- Eu sei! Eu sei!

- Então diz lá, António.

- Jesus e os médicos!

- ???????

Pois... Que outros "doutores" conhece o António? Por entre gargalhadas, fui explicando a diferença entre os médicos e os doutores da Lei. A oração do Rosário é para nós a forma mais simples e eficaz de ensinar a Palavra.

Chegou a noite, e com ela, a hora de oração familiar. O dia foi perfeito, e há que agradecer. Agora temos mais dois belos instrumentos a encher de música esta nossa oração:

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 E apesar de só terem passado doze horas desde que o David e a Clarinha descobriram os seus presentes de Natal, o som já é maravilhoso!

A Árvore de Jessé está pronta, cada símbolo uma história de amor...

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Por sobre o Presépio, as estrelinhas das nossas obras de misericórdia iluminam a noite...

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Que segredos de misericórdia guardará cada uma delas?

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"Anuncio-vos uma grande notícia: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador!" (Lc 2, 11)

 

Feliz Natal!

 

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publicado às 06:00

Reis muito bons

por Teresa Power, em 18.01.15

O David veio ter comigo para me oferecer um desenho. Trazia-o enrolado e atado com um fio de embrulho e disse-me que era uma prenda. Desenrolei-o com jeitinho e encontrei isto:

 

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Como o papel já está bastante amarrotado e como o David não gosta de colorir, o desenho percebe-se bastante mal aqui na imagem. Fica o texto:

"Os meus pais mandão em mim como reis muito bons."

 

Um sorriso desenhou-se-me nos lábios. Já me tinham chamado muita coisa, mas isto! Ver o Niall e eu vestidos de rei e rainha, com coroas na cabeça, assomando nas ameias do nosso castelo com ar seguro e feliz foi uma surpresa muito divertida. As crianças têm uma imaginação imensa, e o meu filho David consegue imaginar-me como uma rainha muito boa, e ao Niall como um rei muito bom. Mas o curioso é o que este rei e esta rainha fazem: eles "mandão" no pequeno David; e o pequeno David parece muito feliz com isso!

A obediência, como já referi, está em crise, e em crise muito séria. Na escola, quase todos os alunos a quem chamo a atenção têm uma resposta pronta que diz mais ou menos isto: "A professora não manda em mim." E a impressão com que fico é que nem eu, nem ninguém... No entanto, esta autonomia é apenas aparente, pois lá no fundo, estas crianças sofrem de uma enorme insegurança. Há uma idade para obedecer, e há uma idade para mandar. E quando não respeitamos a primeira, a segunda não será certamente uma idade de autoridade, mas de autoritarismo, que é uma das coberturas do medo.

 

Jesus ensinou-nos no Evangelho que, diante de Deus, somos todos, e sempre, filhos pequeninos. A nossa felicidade está portanto, como a do David, em obedecer a este "Rei muito bom" que é o nosso Pai e o nosso Deus. Fazer a sua vontade pode parecer custoso de início, mas com a prática torna-se fonte de alegria intensa! No evangelho, Jesus assegurou-nos que, se queremos ser, como Ele, da família de Deus, não temos outro caminho senão o da obediência simples e alegre:

 

"Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe." (Mc 3, 35)

 

E o salmo da missa de hoje, domingo, diz assim:

 

"Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade." (Sl 39/40)

 

Que a capacidade de obediência dos nossos filhos nos ensine a sermos melhores filhos do melhor dos Pais, do melhor dos Reis, do nosso Deus...

 

 

 

 

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Que tenho para Te dar?

por Teresa Power, em 10.01.15

Dia de Reis. Diante do presépio, fazemos a nossa oração, muito animada porque no dia de Reis os mais pequeninos têm direito a coroa real! Depois, com jeitinho, colocamos os Reis Magos junto da manjedoura. Um deles tem a cabeça colada, pois a Sara decidiu passeá-lo um bocadinho pelos montes e prados do presépio, e num segundo de distracção, o Rei tropeçou e partiu a cabeça. Nada que a Clarinha não resolvesse com super-cola.

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"Abrindo os seus cofres, os magos ofereceram presentes ao Menino: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11)

 

E nós? Que temos nós para Lhe oferecer? No início de um novo ano, é altura de oferecer os nossos presentes. Teremos nós um coração de ouro para Lhe dar? Teremos o incenso da nossa oração? Ou talvez a mirra do nosso sofrimento? Tudo, absolutamente tudo pode ser oferecido ao Senhor. 

Recordo aqui um livro que li há muitos anos atrás: Do Robbins Cough? 

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Conta a história verídica de uma mulher inglesa, casada e mãe de um filho já quase adulto, com uma vida estável e em tudo vulgar. Esta mulher tinha quarenta anos quando viu na televisão a reportagem chocante sobre os orfanatos romenos, depois da queda do ditador Ceaucesco. Eu lembro-me bem de assistir a estas reportagens, nos anos noventa, e de chorar com as imagens! Crianças atadas às camas e aí abandonadas dia e noite, ao frio e quase sem alimento... Enfim, o mundo chorou diante do televisor durante alguns dias. E no mundo, alguns decidiram agir. Os primeiros, como sempre, foram as missionárias da Madre Teresa de Calcutá. E de seguida, voluntários de vários países ocidentais.

Pois bem, Beverly também se sentiu chamada a partir como voluntária, oferecendo o seu mês de férias. Quando se viu com os papéis na mão, para fazer a sua candidatura, deparou com várias perguntas sobre o que tinha para oferecer às crianças romenas. Muito desanimada, Beverly viu-se obrigada a responder “não” a todas elas:


“Eu não apenas não possuía as qualidades profissionais que me eram pedidas, como também não possuía as qualidades amadoras: Sabe guiar? Não. Sabe pintar? Não. Sabe tocar um instrumento musical? Não. Não havia uma única questão que eu pudesse responder afirmativamente. Seria eu um fracasso tão grande? Não teria eu mesmo nada para oferecer? Durante a noite, sem conseguir dormir, levantei-me e sentei-me à secretária. Comecei então a escrever o que sabia fazer. Escrevi que estava sempre bem-disposta, que fazia de boa vontade qualquer tarefa que me atribuíssem, que era muito boa a trabalhar em equipa e que gostava de obedecer. No dia seguinte enviei o formulário. E alguns dias depois recebia a resposta: tinha sido aceite.”

 

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Beverly partiu para a Roménia, e a sua vida nunca mais foi a mesma. Na Roménia, onde o mês de férias se estendeu por longos períodos nos anos seguintes, Beverly reencontrou a fé, regressou à religião, descobriu o amor no serviço dos mais pobres, e encontrou um segundo filho a quem amar. Afinal, o pouco que Beverly tinha para dar era mais do que suficiente...

 

Que tenho eu para dar ao Menino neste ano novo? Uma vida cheia de dons e talentos que todos valorizam? Fantástico! Talvez possa tocar violino na missa, ou ensinar teatro às crianças de um orfanato, ou pintar um quadro para oferecer, ou dar catequese na paróquia... Está na hora de me colocar ao serviço!

Mas talvez eu não tenha talentos que brilham... Talvez eu tenha apenas a minha capacidade de trabalho, os meus braços que gostam de abraçar, a disponibilidade para escutar quem está só e precisa de desabafar...Talvez eu saiba cozinhar, ou fazer arranjos de electricidade, ou acartar tijolos... Não haverá quem precise desta ajuda também?

Talvez eu nem sequer tenha isso para dar: talvez me reste uma dor imensa, a solidão, a tristeza de quem vê ruir todos os sonhos, a doença ou a incapacidade... Também isso é dom que posso fazer ao Senhor.

Como os magos, como Beverly, iremos descobrir que aquilo que damos muda um pouco o mundo que nos rodeia - mas muda por completo o nosso coração...

 

 

 

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Descanso em... férias?

por Teresa Power, em 02.01.15

Os meus sobrinhos, através das suas caríssimas mamãs, ou seja as minhas irmãs, pediram-me uma prenda de Natal diferente: uma ou duas noites cá em casa! Assim, antes do Natal tive a agradável companhia da Isabelinha e do Pedrinho, que vivem em Coimbra. O mano mais novo ficou em casa, que eu cá só recebo meninos que dormem a noite inteira :)

Os dois dias que passaram connosco foram tão cheios de aventuras, que quando chegaram a casa, a minha irmã disse que estavam KO... Juntos fomos ao gelo - sim, porque Anadia não é uma cidadezinha qualquer, perdida algures entre a serra e o mar! Anadia, este Natal, teve uma pista de gelo, e era ver as filas de miúdos (e alunos meus) à espera! Claro que quando os Power com os seus primos e mais duas amiguinhas chegaram à pista, ocuparam quase o espaço todo...

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Juntos, fomos ao parque, e fomos à Curia de bicicleta, carro, patins, trotinetas e skates:

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Depois do Natal, foi a vez dos meus três sobrinhos catalães. Nove crianças em casa, sete delas com menos de oito anos, não é tarefa fácil! Mas se o barulho e a confusão foram muitos, as gargalhadas e a alegria foram ainda mais:

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 Reparem bem neste sofá: sim, dispostas organizadamente, estão as roupas de muitas crianças, para as vestir na manhã seguinte à medida que saltarem das camas! Graças a Deus, o Francisco e a Clarinha já são suficientemente crescidos para não precisarem que organize as suas roupas...

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A mesa de que tanto nos orgulhávamos por ser tão grande, afinal é um bocadinho apertada:

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Vejam agora como um quarto de três meninas se converte numa camarata:

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Hoje, a casa está mais arrumada, mas também está mais vazia - tão arrumada e tão vazia quanto é possível com seis filhos, claro está...

A família alargada é uma oportunidade única de treinar o amor...

 

"Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos." (1Jo 3, 14)

 

PS - Apareçam em Fátima se quiserem, que ainda vão a tempo! Há muito espaço, pois alugámos uma sala maior... Venham rezar connosco!

 

 

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Natal

por Teresa Power, em 26.12.14

O dia 25 desponta sempre muito cedo cá em casa. Alguns meninos até acordam a meio da noite, a perguntar se já é de manhã! Quando, finalmente, autorizamos o despertar, lá pelas seis e pouco, todos correm para a sala, onde é preciso aguardar em fila até o pai abrir a porta, que sabiamente fechou à chave...

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 A alegria do abrir dos presentes, os gritos de excitação perante coisas tão simples, a descoberta de quem enviou o quê a quem, as pequenas surpresas inesperadas que os manos fazem uns aos outros, os papéis de embrulho espalhados por todo o lado e as sentenças da Sara, correndo de brinquedo para brinquedo e repetindo: "É meu!" - independentemente, claro está, de ser ou não... Tudo isto faz da manhã de Natal uma festa.

Mas a festa a sério acontece algumas horas mais tarde, na missa... É Natal!

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 À tarde, houve tempo para brincar com os primos, estreando jogos, contando histórias e inventando aventuras:

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Durante o jantar, acendemos as cinco velas da nossa Coroa de Advento. Ficou tão bonito...

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Antes de dormir, a oração familiar à volta do presépio foi de acção de graças. Bendito sejas, Jesus, porque Te fizeste pequenino, para que nós, os pequeninos, Te possamos encontrar! Bendito sejas, Jesus, porque Te fizeste humano, para que nós, os humanos, nos possamos tornar divinos...

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 "Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu,

a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus;

e realmente, o somos!" (1Jo 3, 1)

 

 

 

 

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Esposos e Santos

por Teresa Power, em 14.12.14

Como eu tenho muito pouco tempo livre, costumo ter dois ou três livros de leitura espiritual espalhados pela casa, para poder aproveitar cada dois minutos disponíveis. Tenho geralmente também um livro na pasta da escola, para quando chego mais cedo às aulas ou durante os intervalos. Assim, somando todos os meios minutos aqui e ali, consigo uma boa dose de leitura espiritual diária. E confesso que sem ela, acho difícil rezar sem cessar, isto é, pensar em Deus o tempo todo. A leitura espiritual ajuda-me a manter o pensamento ocupado com as coisas divinas e estimula a minha criatividade para as coisas santas.

As crianças aprendem por imitação, claro! Com quem acham que a Sara aprendeu esta forma construtiva de aproveitar o tempo?

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 Há uns tempos atrás, ao chegar a casa, tinha na caixa do correio uma bela surpresa: um embrulho muito bonito com o livro "Esposos e Santos", enviado pelos nossos amigos Carmina e Edu, Tirciana e Vitor, com quem estivemos no retiro de Almada. Já contei aqui uma das histórias que li neste livro magnífico, e vou certamente continuar a falar dele. Afinal, a Palavra de Deus é para todos: 

 

"Sede santos, porque Eu, o Senhor, sou Santo."(Lv 19, 2)

 

Entretanto, pedi à Carmina e ao Edu que me contassem o que descobriram com a leitura deste livro. Deixo-vos aqui o texto que me enviaram, e fica a sugestão deste livro como presente de Natal para toda a família!

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"Esposos e Santos
Ser Santo deve ser objectivo de qualquer baptizado independentemente da forma como vive a fé em Deus ou da vocação à qual é chamado. Crescemos a achar que a santidade não está ao nosso alcance por ser o destino de poucos (certamente muito diferentes de nós), por terem uma vida extraordinária, capacidades sobrenaturais ou uma vida pia, orante ou contemplativa da qual não somos capazes.
Apesar dos constantes apelos à santidade que insistimos em ignorar durante toda a nossa vida (por acreditar que ela é apenas para os outros), a santidade não só é possível, como está acessível e é um dever de todo aquele que, como nós, acredita em Cristo.
O amado Santo João Paulo II não só acreditava nisto como, na sua sabedoria, estava certo de que a santidade não é só para indivíduos, mas também para casais que escolham viver plenamente a sua vocação matrimonial, na fidelidade do amor a Deus vivido através da entrega total ao outro todos os dias, no dia-a-dia da sua vida conjugal e na abertura dos dois aos outros. Assim procurou e encontrou casais que pelo seu testemunho de vida vieram confirmar o que já sabia, que os esposos também podem ser santos.
Se as notícias pareciam boas, estão prestes a tornar-se óptimas: não é preciso ser-se um casal especial nem extraordinário para ser santo, basta amar, o resto vem por acréscimo.
Se formos capazes de viver cada dia confiando em Deus, procurando fazer a Sua vontade e aceitando que a vida não nos pertence temos meio caminho andado, independentemente dos tropeços, quedas ou pecados de ambos ou de cada um.
A cada um de nós compete ser o arauto, o guardião e o garante da santidade daquele que Deus nos confiou para connosco ser um. É nessa unidade, na vida em comum, na certeza da pertença um ao outro e dos dois a Deus que a santidade se torna possível.
Curiosamente, é por sermos dois que escolheram (com e em Deus) viver como um só que temos a vida facilitada no nosso caminho rumo à santidade. O outro não é um estorvo, mas uma ajuda preciosa para o caminho. E esse caminho faz-se todos os dias com e por amor ao outro e Àquele que nos une. Amor esse que se manifesta e se concretiza na entrega e no serviço aos filhos de sangue e/ou de coração, à família, aos amigos, aos colegas, à comunidade, à paróquia, aos estranhos, aos pobres…. em suma, ao próximo.
Para ser santos não precisamos mudar de casa, de vida, nem de rotina, basta trazer Deus para a dentro da nossa casa, para viver connosco e fazer parte da nossa rotina.
O livro Esposos e Santos recentemente publicado pelas Edições Paulinas traz-nos dez maravilhosos testemunhos de casais que, como nós, se amavam, amavam a Deus e estavam dispostos a fazer a Sua vontade. São dez vidas diferentes entre si, mas comuns no amor a Deus e à Igreja, na entrega e no serviço aos outros que só um amor que vem de Deus consegue justificar.
Leiam, deliciem-se e atrevam-se a fazer o que o matrimónio nos exige e Cristo nos pede: sede Santos.


Eduardo e Carmina Cardoso"

 

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O Natal (ainda) é a festa de Jesus?

por Teresa Power, em 12.12.14

- Mamã, eu queria um robô super mega fixe no Natal.

- E eu queria um carro telecomandado!

- Tanto disparate, meninos! O David já fez anos, e o António vai fazer em Fevereiro, portanto, ambos recebem uma prenda de anos. No Natal, todos receberão um presente mais simples e pequeno, porque há outra pessoa que faz anos, não é verdade?

- Pois, é Jesus...

- Então quem precisa de prendas é Jesus, e não os meus filhos, que têm brinquedos mais do que suficientes. Já prepararam hoje uma prenda para Jesus?

- Uma estrela?

- Sim, uma estrela...

Suspiros.

- Eu dou a Jesus a estrelinha de não pensar mais no robô...

- E eu não vou fazer nenhuma birra hoje. Prometo!

- Isso seria mesmo bom. Um bocadinho de silêncio nesta casa...

- Mamã, queres fazer um sacrifício para também dares uma estrelinha a Jesus?

- Quero, António, quero sim. Tens alguma sugestão?

- Tenho: fazes o sacrifício de nos deixar ver televisão!

- ????????

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Educar e educarmo-nos para uma vivência profundamente cristã do Advento exige um trabalho contínuo e sério. Não vale a pena deitarmos mãos ao arado se depois olharmos para trás. Não vale a pena começarmos se tivermos medo das comparações inevitáveis que as crianças vão fazer entre o seu Natal e o Natal dos seus amigos.

O Natal como Jesus o quer não está escondido algures na nossa infância. As nossas memórias de simplicidade não contam toda a verdade, pois as crianças que eramos não tinham como entender tudo o que se passava; e nem sempre a simplicidade que algumas famílias recordam estava impregnada de Deus!

O Natal como Jesus o quer está disponível hoje, aqui e agora, no nosso presente. Talvez possamos ir buscar ideias e inspiração à nossa infância; ou talvez precisemos antes de arriscar e de inventar os nossos próprios rituais familiares!

Saibamos integrar-nos com humildade e em clima de harmonia naquilo que são as tradições das nossas famílias alargadas, sem deixar de dar testemunho da nossa fé. A aprendizagem que resulta do encontro festivo da família, mesmo quando este é difícil, é muito superior aos conflitos que vão surgindo! Se forem à caixa de comentários ao post  Tempo de Família em Época de Natal, encontrarão as mais variadas sugestões para simplificar a troca de prendas nas famílias. Na família do Niall (nove irmãos e nove cunhados), no início do Advento um dos irmãos tira à sorte quem vai oferecer um presente a quem, em nome de toda a família. Assim, cada um de nós só precisa de comprar um presente, e não dezasseis.

Dentro das nossas próprias casas, contudo, não estamos dependentes de tradição alguma, e temos liberdade completa para as transformar no presépio onde Deus hoje quer incarnar e habitar. Sim, nós podemos reinventar o Natal! E asseguro-vos de que é fantástico, quando percebemos que estamos a escrever a História da nossa família!

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No início do Advento, Jesus aconselhou-nos a estar atentos, para que a sua chegada não nos apanhasse distraídos com os nossos afazeres, mas centrados no essencial:

 

"Vigiai, portanto, não se dê o caso que, vindo o dono da casa inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: vigiai!" (Mc 13, 37)

 

Sentemo-nos hoje mesmo, ao serão, em família, e façamos uma "chuva de ideias" em redor do verdadeiro Natal de Jesus. Como vamos celebrar o seu nascimento na nossa pequena família, antes, depois ou durante todas as festas familiares que acompanham esta época? Sejamos ousados, criativos, alegres e simples. E o Senhor virá, e habitará entre nós! Ámen.

 

PS - Enviem-me por favor, para o mail, fotografias dos vossos céus estrelados, das vossas Árvores de Jessé, ou da forma que descobriram aí em casa de preparar simbolicamente o Natal! Estou a escrever um post com algumas fotografias já recebidas, e teria todo o gosto em publicar as vossas também!

 

 

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Sorri!

por Teresa Power, em 03.10.14

Num dia da semana passada, recebemos um telefonema urgente da Visão. Andavam à procura de famílias "Erasmus", ou seja, de casais que se tivessem conhecido através do programa de intercâmbio universitário "Erasmus". Alguém lhes falou no nosso caso, e a Visão não perdeu tempo. Fizemos a entrevista por Skype, com muita dificuldade da nossa parte, pois todos queriam mexer no computador, dizer adeus à Luísa Oliveira, a nossa entrevistadora, falar com ela e interromper constantemente a conversa. Depois enviámos por mail algumas fotos, das que temos publicadas no blogue.

No dia seguinte, novo telefonema: as fotos não tinham qualidade suficiente, pelo que um fotógrafo da Visão iria deslocar-se até nossa casa para nos fotografar. Sentimo-nos verdadeiramente importantes! A Família Power iria fazer um pobre fotógrafo atravessar meio país apenas para nos fotografar! Marcámos a única hora disponível para a fotografia - entre as 18h30, hora de chegada a casa do Niall, e as 19h, hora de saída da Clarinha para a ginástica. Assim, às 18h30 em ponto, uma simpática fotógrafa do Porto estava à nossa porta, e os meninos apressaram-se a lavar a cara e a trocar de roupa, pois a essa hora costumam estar sujos de terra e de leite com chocolate. O Niall chegou quase ao mesmo tempo, e lá fomos nós fazer a fotografia.

Na sala, no jardim, sob a oliveira, no escorrega, com cães e com gatos, sem cães e sem gatos, a fotógrafa lá foi clicando, fazendo foto atrás de foto e conversando animadamente. Mas de repente, o inevitável aconteceu: o António cruzou os braços, fez cara feia e disse: "Eu não tiro mais fotos!" A fotógrafa tentou todas as técnicas maternais de que foi capaz, o Niall fez-lhe cócegas, os manos falaram com ele, mas o António manteve-se irredutível. E uma birra do António não é para qualquer um! Olhei para o relógio e vi o tempo a escoar-se; a Clarinha fez menção de ter de mudar de roupa, que a hora da ginástica é sagrada; pensei na pobre fotógrafa, que viera de longe para fazer o seu trabalho e não ia conseguir. Não tive alternativa: baixinho, falando-lhe ao ouvido para ninguém me ouvir, eu pequei contra todos os meus princípios educativos:

- António, se tu sorrires mais uma vez, eu dou-te uma prenda!

Apanhado de surpresa, completamente aturdido perante tanta generosidade - quando ele sabia bem que o que merecia não era prenda nenhuma - o António fez o seu mais belo sorriso, o sorriso que a Visão guardou e publicou. E quando a fotógrafa saiu, o António veio ter comigo de mão estendida, porque promessa é promessa...

Neste início da catequese, vejo muitos pais com atitudes bastantes semelhantes à do António:

- Se o meu filho faltar não faz a comunhão?

- Quantas vezes tem de vir à catequese para passar?

- O que acontece se ele tiver que estudar e não puder vir?

- Ir à missa conta ou não conta para falta?

Traduzindo:

- O que é preciso fazer para receber um presente?

Bem nos alerta S. Paulo:

 

"Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança." (1Cor 13, 11)

 

Que este começo de ano pastoral nos lance numa nova relação com Deus, e nos ajude a fazer o que sabemos ser correcto, não pelo que daí nos possa advir de lucro ou vantagem, mas por amor...

 

 

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O Evangelho dos cinco dedos

por Teresa Power, em 05.09.14

O David nasceu em setembro, quatro meses após a morte do Tomás. O seu nascimento esteve por isso envolto em muita emoção, e os dias passavam-se com muitas lágrimas onde a tristeza e a alegria, a saudade e a felicidade alternavam a uma velocidade relâmpago, empurradas pelas alterações hormonais do pós-parto.

 

Esta pequena história aconteceu quando o David tinha uns oito dias de vida. Ouvi tocar a campaínha. Era a carteira. Vinha na sua motorizada, como costume. Quase todos os dias parava à nossa porta com um embrulho novo, vindo de Lisboa, da Irlanda ou de Barcelona, com um presente para o nosso bebé recém-nascido. Fui abrir.

- Bom dia! Nova prenda! De onde vem esta hoje? - Perguntei.

- Bem, esta não vem de lado nenhum - Respondeu-me a carteira, a sorrir timidamente.

- Mas... Como assim? É um embrulho...

A carteira pareceu hesitar um instante. Depois explicou:

- Já dei conta de que o seu bebé nasceu, porque vejo tantos embrulhos todos os dias. Também dei conta de que o seu outro bebé morreu... Sim, trouxe tantos telegramas e cartas de condolências... Nós os carteiros sabemos tudo... Bem... Eu também tenho filhos, e tenho chorado ao pensar na sua história! Agora quero alegrar-me consigo: esta prenda é... minha!

Abri o embrulho, com lágrimas nos olhos. Trazia dentro um lindo babygrow e um gorro pequenino. Abracei a carteira, que sorria envergonhada.

 

Hoje é o dia da Madre Teresa de Calcutá. E em sua honra, é também o Dia Internacional da Caridade. Foi ao ler alguns pensamentos da Madre que hoje recordei esta pequena história. Nas suas visitas ao ocidente, a Madre repetia muitas vezes as mesmas perguntas: "Será que nós sabemos onde está o nosso irmão que sofre? Conhecemos a dor dos nossos vizinhos?" Quando lhe pediam para resumir o principal do Evangelho, a Madre costumava pegar na mão aberta do seu interlocutor e soletrar, tocando em cada um dos cinco dedos: "YOU DID IT TO ME" (A Mim o fizestes). Chama-lhe o Evangelho dos Cinco Dedos...

 

A carteira que servia a nossa rua, na Gafanha da Encarnação, estava atenta. Distribuir o correio era para ela ocasião de fazer o bem, de partilhar a dor e a alegria do seu próximo, vivendo no trabalho o Evangelho dos Cinco Dedos.

Cá em casa, estamos todos de volta à escola e ao trabalho. É altura de todos aprendermos a praticar o Evangelho dos Cinco Dedos! A história da Madre Teresa foi uma belíssima forma de recordarmos em família o essencial da mensagem de Jesus...

 

"«Senhor, quando foi que Te vimos com fome ou com sede e Te demos de comer e beber, despido e Te vestimos, preso ou doente e Te visitámos, estrangeiro e Te acolhemos?» «Sempre que o fizestes a um desses vossos irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.»" (Mt 25, 37-40)

 

 

 

 

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