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Eterna juventude

por Teresa Power, em 14.02.15

Ontem à noite, o Francisco teve um encontro de jovens aqui em Anadia. A atividade estava programada para jovens dos quinze aos dezoito anos, e o tema era o namoro. Sobre o que falaram e trataram, ele mesmo escreverá, se o entender. Segundo ouvi dizer, foi um sucesso! Eu quero falar de outra coisa - e não me levem a mal...

Como animador de um grupo de jovens, o Niall esteve nas reuniões de preparação para este encontro. Foi também ele quem sugeriu e convidou a oradora, da Associação Família e Sociedade. Mas as divergências chegaram com a definição da faixa etária do encontro. O Niall e a oradora propunham idades entre os quinze e os dezoito; alguns dos restantes elementos do grupo arciprestal queriam alargar o encontro, propondo idades entre os doze ou treze e os trinta. Por fim, no espírito de amizade e procura que caracteriza este grupo, todos chegaram a um acordo, e ficou assente que o encontro seria para jovens entre os quinze e os dezoito.

O que é um jovem? As crianças hoje em dia deixam de ser crianças muito cedo. Eu lembro-me de saltar à corda e jogar ao elástico no sétimo ano... Os pais falam dos seus filhos de nove anos como "pré-adolescentes" (o que é isso?), e os modernos concertos musicais estão atolhados de crianças vestidas de adultos.

No verão passado, enquanto vigiava um exame de décimo segundo ano, depois de rezar dois terços e de continuar sem nada para fazer além de olhar para os alunos (que é o meu trabalho como vigilante, mas que é mesmo muito aborrecido), decidi olhar para os seus pés. Onde estão as sapatilhas desbotadas da minha juventude? As unhas arranjadas com precisão e os saltos altos fizeram-me por momentos pensar que estava numa festa de adultos... A Clarinha tem várias colegas que se maquilham diariamente, na casa-de-banho do colégio. E ainda não fizeram catorze anos!

 

Os meus filhos sempre tiveram alguma dificuldade em se integrar nestas modernas definições de infância e juventude. A falta da televisão e do telemóvel e as longas horas passadas em Náturia causam um natural prolongamento do tempo de infância. Recordo os comentários de alguns professores do Francisco, durante o segundo ciclo, que me faziam sorrir de satisfação: "O Francisco é um aluno de excelência, com um comportamento exemplar, mas é um pouco infantil, quer dizer, não na forma de pensar, mas porque precisa muito de brincar..." E lembro-me das queixas do Francisco ao chegar a casa, depois da escola: "Os rapazes da minha turma são uns chatos! Não querem jogar aos polícias e ladrões nem correr. Toca para o intervalo, e eles ficam sentados, a conversar e a jogar com as consolas..." Mais tarde, o colégio lembrou-se de proibir as consolas e os telemóveis durante o intervalo da manhã e de tarde, e o Francisco recuperou algum tempo de brincadeira com os amigos.

 

Ao mesmo tempo que se apressam as crianças a deixar a infância, prolonga-se indefinidamente a juventude. Trinta anos, jovens? Noitadas, farras, carnavais, vida sem grandes responsabilidades, e sem qualquer pressa em casar, em ter filhos ou em assumir algum outro compromisso? Eu sei que me vão falar no desemprego e na crise, nos estudos prolongados e na dificuldade em arranjar casa, mas nada justifica a completa infantilização de muitos jovens adultos de hoje.

Naturalmente que nem todos são assim, graças ao Senhor (eu pertenço à famosa "geração rasca", e por isso tenho raiva a generalizações!). Eu conheço vários jovens adultos, alguns leitores deste blogue, com histórias belíssimas de audácia e responsabilidade; e bastam uns quantos com garra para mudar o mundo...

Quando ouço comentários de colegas, na brincadeira, com saudades dos tempos de juventude, sinto sempre um arrepio. Eu detestaria ter de passar de novo pelas crises da adolescência, as paixões não correspondidas, as dúvidas de namoro, os conflitos com os amigos, as horas de estudo e o stress dos exames. Deus me livre! É tão bom ser adulta! Eterna juventude? Haja paciência! Tive uma juventude recheada de felicidade, mas uma vez bastou... Gosto de dizer que tenho 42 anos e sinto muito orgulho nos meus cabelos brancos, que são bastantes!

Viver o presente, em plenitude, com alegria, com realismo. Agradecer a Deus o dom do dia de hoje. Estar plenamente aqui, onde estou, seja criança, adolescente, jovem, adulto, idoso. Como diz o grande Livro do Eclesiastes:

 

"Há um tempo para cada coisa debaixo do céu.

Tempo de nascer e tempo de morrer

Tempo de plantar e tempo de colher

Tempo de matar e tempo de curar

Tempo de destruir e tempo de construir

Tempo de chorar e tempo de rir..." (Ecl 3, 1-8)

 DSC00960.JPG

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publicado às 06:25

A responsabilidade de expressão e um novo blogue

por Teresa Power, em 19.01.15

No início de dezembro, se não me falha a memória, a Sónia descobriu este blogue. Lembro-me muito bem do dia em que isso aconteceu. Como? - Perguntam vocês, e com razão! Na verdade, eu não tenho qualquer forma de saber quem lê ou deixa de ler o blogue, nem de onde é, nem qualquer outro detalhe. Mas soube que a Sónia descobriu o blogue numa tarde de dezembro, porque nessa tarde ela fez vários comentários a diferentes posts, e enviou-me vários mails a propósito de diferentes tópicos que desenvolvo no blogue. Ao longo de toda a tarde, a Sónia foi lendo - a mim pareceu-me que leu o blogue de ponta a ponta - , foi pensando, foi questionando, e foi partilhando comigo o que lia. À noite, sentada à mesa para jantar com a minha família, contei-lhes:

 - Temos uma nova leitora do blogue e chama-se Sónia.

Eles ficaram curiosos:

- De onde é? Tem filhos? É simpática?

E eu fiquei feliz por poder responder a todas estas questões, pois tinha bastado uma tarde para ficar bem informada! Continuo a não saber como é o seu rosto, mas já vi uma fotografia da sua imagem de Nossa Senhora com o Menino, que entretanto a Sónia comprou para o Natal e para o seu novo Canto de Oração:

2014-12-23 19.43.17.jpg

A Sónia decidiu ser Família de Caná. Quando tiver possibilidade, fará connosco um retiro. Mas não ficou à espera da oportunidade para começar a viver as Cinco Pedrinhas do nosso compromisso com o Senhor e a Mãe de Caná! O Senhor chamou-a através desta nossa partilha de vida, e a Sónia respondeu "sim". O seu receio de não ser capaz de viver o compromisso na perfeição dissipou-se naturalmente, ao perceber que a santidade se conquista passo a passo, caindo e levantando-nos de novo, avançando e recuando; porque o importante é manter o olhar fixo no Céu.

Esta semana, descobri que a Sónia tinha um blogue desde 2014, onde partilha a sua caminhada. A partir da sua decisão de se tornar Família de Caná, o seu blogue passou a estar mais cheio de partilha de fé também. Li-o com imenso prazer! A Sónia tem uma escrita simples e profunda, conhece as Escrituras e conhece o seu Autor. Fica a sugestão para uma visita: Momentos e Apontamentos.

 

No avião a caminho das Filipinas, e a propósito do ataque terrorista a Charlie Hebdo, o nosso querido Papa Francisco falou precisamente nos limites da liberdade de expressão, que só é liberdade se for também responsabilidade. A liberdade de expressão, exercida com espírito cristão, tem destas coisas fantásticas: se quisermos, podemos encher a Internet de conteúdo cristão, alargando ao mundo inteiro a partilha do Evangelho vivido em cada dia. Afinal, é esta a responsabilidade a que o apóstolo nos chama, ao exclamar:

 

"Ai de mim se não evangelizar!" (1Cor 9, 16)

 

Possamos nós, cristãos, inundar a internet de blogues católicos! Possamos nós afirmar com palavras, com a vida e com todo o nosso ser: "Eu sou cristão". Ámen!

 

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publicado às 06:18



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