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Sorri!

por Teresa Power, em 03.10.14

Num dia da semana passada, recebemos um telefonema urgente da Visão. Andavam à procura de famílias "Erasmus", ou seja, de casais que se tivessem conhecido através do programa de intercâmbio universitário "Erasmus". Alguém lhes falou no nosso caso, e a Visão não perdeu tempo. Fizemos a entrevista por Skype, com muita dificuldade da nossa parte, pois todos queriam mexer no computador, dizer adeus à Luísa Oliveira, a nossa entrevistadora, falar com ela e interromper constantemente a conversa. Depois enviámos por mail algumas fotos, das que temos publicadas no blogue.

No dia seguinte, novo telefonema: as fotos não tinham qualidade suficiente, pelo que um fotógrafo da Visão iria deslocar-se até nossa casa para nos fotografar. Sentimo-nos verdadeiramente importantes! A Família Power iria fazer um pobre fotógrafo atravessar meio país apenas para nos fotografar! Marcámos a única hora disponível para a fotografia - entre as 18h30, hora de chegada a casa do Niall, e as 19h, hora de saída da Clarinha para a ginástica. Assim, às 18h30 em ponto, uma simpática fotógrafa do Porto estava à nossa porta, e os meninos apressaram-se a lavar a cara e a trocar de roupa, pois a essa hora costumam estar sujos de terra e de leite com chocolate. O Niall chegou quase ao mesmo tempo, e lá fomos nós fazer a fotografia.

Na sala, no jardim, sob a oliveira, no escorrega, com cães e com gatos, sem cães e sem gatos, a fotógrafa lá foi clicando, fazendo foto atrás de foto e conversando animadamente. Mas de repente, o inevitável aconteceu: o António cruzou os braços, fez cara feia e disse: "Eu não tiro mais fotos!" A fotógrafa tentou todas as técnicas maternais de que foi capaz, o Niall fez-lhe cócegas, os manos falaram com ele, mas o António manteve-se irredutível. E uma birra do António não é para qualquer um! Olhei para o relógio e vi o tempo a escoar-se; a Clarinha fez menção de ter de mudar de roupa, que a hora da ginástica é sagrada; pensei na pobre fotógrafa, que viera de longe para fazer o seu trabalho e não ia conseguir. Não tive alternativa: baixinho, falando-lhe ao ouvido para ninguém me ouvir, eu pequei contra todos os meus princípios educativos:

- António, se tu sorrires mais uma vez, eu dou-te uma prenda!

Apanhado de surpresa, completamente aturdido perante tanta generosidade - quando ele sabia bem que o que merecia não era prenda nenhuma - o António fez o seu mais belo sorriso, o sorriso que a Visão guardou e publicou. E quando a fotógrafa saiu, o António veio ter comigo de mão estendida, porque promessa é promessa...

Neste início da catequese, vejo muitos pais com atitudes bastantes semelhantes à do António:

- Se o meu filho faltar não faz a comunhão?

- Quantas vezes tem de vir à catequese para passar?

- O que acontece se ele tiver que estudar e não puder vir?

- Ir à missa conta ou não conta para falta?

Traduzindo:

- O que é preciso fazer para receber um presente?

Bem nos alerta S. Paulo:

 

"Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança." (1Cor 13, 11)

 

Que este começo de ano pastoral nos lance numa nova relação com Deus, e nos ajude a fazer o que sabemos ser correcto, não pelo que daí nos possa advir de lucro ou vantagem, mas por amor...

 

 

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publicado às 06:45



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