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A sede e a fonte

por Teresa Power, em 05.08.15

A nossa casa de férias ficava elevada num socalco. E no socalco imediatamente abaixo, havia este magnífico tanque:

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A água jorrava, pura, abundante, fresca, sem cessar. Desde muito pequena que adoro tanques, e lembro-me de me meter dentro deles para brincar, na quinta dos meus avós, ou de ver as lavadeiras a esfregar a roupa, na aldeia. Não imaginam a alegria que me invadiu quando vi este tanque! A máquina de lavar a roupa que havia na casa alugada deixou de me interessar, e várias vezes por dia desci os degraus perfumados de hortelã-pimenta para me dedicar a esta belíssima atividade, rodeada, claro, de crianças curiosas:

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tanque 6.JPG

tanque 3.JPG

Ainda mais vezes ao dia, porém, havia uma outra atividade que nos encantava a todos:
- Quem vai encher a jarra?
- Eu!
- Eu!
- Eu!
Até a Sara queria ir, se nós, claro, a deixássemos! Descalços na terra, os meninos desciam os socalcos e traziam cuidadosamente a jarra cheia, que colocavam sobre a mesa. A água da fonte sabia-nos infinitamente melhor, apesar da água canalizada ser também muito boa.

- David, importas-te de encher a taça dos cães? - Pediu um dia o Niall, distraído a fazer o jantar. Uns  bons cinco minutos mais tarde, o David apareceu no terraço, rabugento:

- Estou todo molhado! A taça está sempre a entornar!

Olhámos para ele, espantados: o David tinha ido à fonte com a taça dos cães, e trazia-a encostada à barriga, cheia de água.

- David, os cães bebem a água da torneira, como aliás também nós bebemos em casa! - Explicou-lhe o pai - Não era preciso ir à fonte!

tanque 11.JPG

 Na nossa vida moderna, raramente sentimos sede, sede a sério. Aos primeiros sinais, dirigimo-nos à cozinha, abrimos a torneira, enchemos um copo e bebemos. Mas em algumas partes do mundo não é assim... Ainda há quem não tenha água canalizada, e milhares de crianças, da África à Índia, têm de fazer diariamente vários quilómetros para ir buscar a água de que a sua família necessita. Será que sabemos o que significa a palavra "sede"?

Cada vez que descia os degraus de terra com uma jarra na mão, cada vez que bebia até à saciedade daquela água cristalina e fresca, cada vez que subia os degraus com cuidado, para não perder uma única gota, eu lembrava-me das palavras do salmista:

 

"Ó Deus, Tu és o meu Deus, anseio por Ti!

A minha alma tem sede de Ti,

todo o meu ser anela por Ti,

como terra árida, ressequida, sem água."

(Sl 63/62)

 

Terei eu verdadeira sede de Deus? Estarei eu consciente de que tenho sede? Serei eu capaz de deixar o conforto da minha casa e da minha vida para fazer a caminhada necessária até à Fonte? E quando encontro a Água, lembro-me de a trazer com cuidado comigo, para com ela saciar os que vivem na minha casa, e que também têm sede?...

A Fonte está tão próxima, jorrando abundante, fresca, cristalina em cada igreja paroquial, a alguns metros das nossas casas... E quantos morrem de sede sem nunca a encontrar!...

tanque 7.JPG

 

 

 

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publicado às 06:20

Como terra seca

por Teresa Power, em 03.09.14

O calor dos últimos dias faz com que haja um ataque contínuo à água fresca na torneira da cozinha. No meio das suas brincadeiras no jardim, os meninos passam o tempo a entrar na cozinha e a beber água, regressando depois novamente à sua incessante actividade. Às vezes, quando estão particularmente transpirados, abrem uma das torneiras do jardim e lavam a cara, a cabeça, os braços e as mãos, para se sentirem mais frescos. Claro, ficar dentro de casa seria mais simples, mas muito menos divertido!

 

É nestes dias que eu gosto de recordar e de meditar no salmo 63/62:

 

"Ó Deus, Tu és o meu Deus, a Ti procuro

Minha alma tem sede de Ti

todo o meu ser anseia por Ti

Como terra ressequida, esgotada, sem água..."

 

Depois fico a pensar... Terei eu realmente sede de Deus, como tenho sede de água no calor de um dia de verão? Terei eu consciência de ser uma terra ressequida, esgotada, sem água? É que, enquanto não sentir todo o peso da sede, toda a angústia da sede, todo o desespero da sede, não conseguirei encontrar a Fonte! O poeta espanhol Luis Rosales escreveu, baseado no pensamento de S. João da Cruz, esse grande místico e poeta espanhol:

"De noite iremos, de noite, para encontrar a fonte. Só a sede nos ilumina..."

 

Ah, a sede! É ela que explica o porquê de irmos à missa todos os domingos, custe o que custar; ou de rezarmos todos os dias, com tempo ou sem ele; ou de abrirmos a Bíblia e ler, ler, ler sem parar; ou de irmos apressadamente à Confissão, para escutar a Palavra de Perdão... É a sede que faz os cristãos do Iraque insistirem em ir à missa, sabendo que podem ser mortos ou que a igreja mais próxima está a vinte quilómetros de distância...

Só a sede fará as famílias inscreverem-se no retiro de Almada também! Temos vergonha de ser uma terra seca? Temos consciência de estarmos esgotados? Temos vivido longe, muito longe das fontes da Água Viva? Que importa, se a sede é o nosso único guia? Diz o profeta Isaías:

 

"Todos vós que tendes sede, vinde às águas! Mesmo que não tenhais dinheiro, vinde!" (Is 55, 1)

 

Sim, o retiro Famílias de Caná é gratuito também, como as Fontes de Água Viva! Os bens essenciais devem ser gratuitos... Inscrevam-se! Na coluna lateral deste blogue têm todas as indicações necessárias!

 

 

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publicado às 06:40



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