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Testemunho

por Teresa Power, em 03.07.15

- Mãe, lembras-te daquele dia em que a vovó Mimé bateu à porta, vocês abriram e ela estava vestida de urso? E todos desataram aos gritos? Era carnaval, não era?

- António, como é que tu sabes, se tu não tinhas nascido? Nessa altura eu era o bebé da família.

- Mas sei, David!

- Como? Sabes que todos gritaram? Sabes mesmo?

- Sei! Sei, porque já ouvi esta história muitas vezes!

Sorri, a conduzir o carro por montes e vales para mais um piquenique em família. Nos bancos traseiros, os mais novos continuaram a conversar sobre as recordações de uns e de outros. Apercebi-me de que era difícil distinguir entre os que tinham vivido as diversas situações e os que as tinham meramente escutado vezes sem conta, em viagens como esta. Ambos recordavam os mais curiosos detalhes e os episódios mais divertidos.

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As histórias de família passam de geração em geração, de pais para filhos, em passeios como este, ou aos serões de inverno, ao redor de uma lareira. E de história em história, nasce a cumplicidade, criam-se laços, edifica-se sobre alicerces antigos. Uns são os que vêem e contam, outros os que escutam e acolhem. As histórias passam, a tradição fica.

S. João inicia assim a sua primeira carta:

 

"O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e o que as nossas mãos apalparam a respeito da Palavra da vida - porque a vida se manifestou; e nós vimos, testemunhamos e vos anunciamos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada - o que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos, a fim de que também vós vivais em comunhão connosco." (1Jo 1-3)

 

E S. Paulo afirma:

 

"A fé vem pela escuta, e a escuta vem da Palavra de Cristo."

(Rm 10, 17)

 

Nós cremos na Igreja Apostólica, isto é, a Igreja que nasceu do testemunho dos Apóstolos - aqueles que viram e ouviram, tocaram e experimentaram - transmitido de geração em geração pela pregação de uns e a escuta de outros.

Como é na nossa casa? Será que os nossos filhos escutam as histórias de família desta grande Família que é a Igreja? Contaremos nós as histórias da Bíblia e da vida dos santos com o entusiasmo e o ardor das testemunhas oculares? Como o António a contar a história daquele carnaval que não presenciou - falaremos nós dos episódios da vida de Jesus como se os tivéssemos vivido na primeira pessoa? Afinal, foi precisamente para serem vividos por cada um de nós que eles foram escritos...

 

 

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publicado às 06:10


1 comentário

De Bruxa Mimi a 03.07.2015 às 07:33

Ora aí está algo para refletir por aqui...

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